Um novo início

                            O dia seguinte foi de transição e mudanças. Troquei meu status de turista em férias para estudante-turista, sai do hotel para o meu novo lar, o apartamento alugado com minha irmã, minha nova companheira de viagem. Os meninos voltaram para  suas rotinas. E nós íamos começar a nossa. Em relação a nossa atividade principal, as aulas de francês, fizemos uma simulação do caminho até a Aliança, para ver o tempo necessário. Da nossa casa, na rue de Vaugirard, até a Aliança, no boulevard Raspail, levamos mais ou menos 20 minutos andando, e de metrô, o trajeto passava por 4 estações até a Aliança. Havíamos organizado nosso horário para ficar com dois dias livres, mesmo com 15 horas de aula semanais. A idéia era,  além de conhecer  Paris, sua história, gastronomia e cultura, viajar pela França. A descoberta do livro Paris sobre Trilhos, de Ina Caro. foi fundamental pelas informações e orientação que nos passou, e era tão exatamente o que vinha procurando, que passou pela minha cabeça que ela havia escrito o livro para minha pessoa. Fiz questão de presentear Teena com o livro, e mesmo sem a gente nunca ter discutido o assunto, ficou acertado entre a gente que seguiríamos o roteiro de Ina Caro. 

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                               Entrada da nossa casa

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                                Nosso apartamento

                              Os primeiros dias foram de reconhecimento do ambiente e rotina da nova vida. Como passávamos dois dias, a terça e a quinta, direto na Aliança, resolvemos almoçar por lá mesmo, pois tem um ótimo restaurante com preço super em conta, não só para nós “estudantes”  mas para o público em geral. Uma refeição completa, entrada, prato principal e sobremesa, com bebida, saía para estudante por 6 euros, e  para o público uns 10. Descobrimos que os supermercados mais afastados são bem mais baratos, mas para as emergências sempre existe um mercadinho árabe perto da sua casa, vendendo de tudo, a qualquer hora, desde que se pague um pouco mais pelo serviço. Para levar as compras no metrô a solução era  essa:

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                                                Levar as compras na mala.

                          Tirando as aulas de francês com horários e dias certos, nosso maior compromisso era com a nossa vontade. Havia a vontade de experimentar o autêntico boeuf bourguignon e cassoulet, assistir um concerto na Saint Chapelle, ver o teto de Chagall enquanto assistia um ballet na ópera Garnier, ou simplesmente bater pernas pela cidade sem destino e ao acaso descobrir lugares interessantes, residências onde viveram personalidades diversas, poetas, escritores, artistas, políticos, etc, e chegar em ruas e parques desconhecidos ou ainda chegar a lugares conhecidos por caminhos diferentes. Foi assim que começou nossa viagem.

Endereço da Aliança: 101 Boulevard Raspail-Linha 12,  Notre-Dame-de-Champs

Nosso Carrefour preferido: Carrefour Paris Auteuil – Linha 10, Porte d’Auteuil

FINAL DAS FÉRIAS em Paris

                 E chegamos em Paris. Poderia até ser mais uma cidade, que a noite, o cansaço e a fome não deixassem perceber, mas era Paris. E no dia seguinte, quando olhei pela janela, e a vi, lá, mágica, linda, tão Paris, senti uma alegria tão grande que fiquei rindo à toa e só desejei mergulhar nela!

                 Para começar,  tudo que a gente queria, era sentir a cidade, não havia feito nenhum planejamento. Então saimos caminhando pelo nosso boulevard, que era o de Bonne Nouvelle, um boulevard muito longo, que vai mudando de nome. Para a esquerda, vira Boulevard Possonière, Bd Montmartre, e Bd Haussmann, chegando até as proximidades da Ópera Garnier e onde se encontram as grandes lojas de departamento como a Galeria Printemps e Lafayette. Para a direita, para onde nos dirigimos muda de nome para, Bd St-Dennis e St-Martin até chegar a Place de la République. Surpresos, encontramos no caminho um arco, que é a Porte de St-Dennis, de 1672, antiga entrada da cidade, com uma altura de 23 metros, construído para comemorar a vitória real sobre Flandres, de autoria de François Girardon. Mais adiante, um novo arco, a Porte de St-Martin, erguida em 1674, menor, com 17 metros de altura, comemora a captura de Besançon e celebra a vitória sobre a tríplice aliança Holanda, Alemanha e Espanha.

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Continuando nosso passeio, passamos pela Place de la République e chegamos na Place de la Bastille, de lá continuamos caminhando até o Père Lachaise, cemitério mais frequentado de Paris, onde estão os túmulos de famosos como Edith Piaf, Voltaire, Molière. Alan kardec, Oscar Wilde…Por sinal tinha uma turma bebendo e cantando no túmulo de Jim Morrison.

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  Fonte de água tratada do Sena

          Em seguida pegamos o metrô para conhecer a Place de Vosges, antes paramos para almoçar no Le Petit Italien, um pequeno restaurante, com  boa comida, bom vinho e boa música(tocava Vanessa da Mata). Quando saimos, o tempo havia mudado completamente, a temperatura caíra bastante, ventava e chovia. Mesmo assim fomos conhecer a praça, pois estávamos bem pertinho.

             A Place de Vosges-linha 1 do metrô-S.Paul-, foi idealizada por Henrique IV,em 1604, com a construção de instalações de trabalho e hospedagem, para atrair artesãos italianos, especialistas na indústria da seda, com o nome de Place Royale. Mudou muito pouco da época em que foi construída até os dias de hoje. É um lindo parque, em torno do qual foram construídas 36 casas, dispostas em quatro lados simétricos, com galerias em arco para proteger da chuva as bobinas de seda que eram muito delicadas.  Hoje abrigam galerias de arte, restaurantes, cafés.

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          Place de Vosges

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      O escritor Victor Hugo viveu na Maison de nº 6 da Place de Vosges, no período de 1832 a 1848. Foi lá que escreveu a maior parte de Os miseráveis e de outras obras. Hoje a casa abriga o Museu Victor Hugo, e que aproveitamos para conhecer.

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           Maison de Victor Hugo

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          No dia seguinte, logo pela manhã nos dividimos, Daniel foi com Domingos para as Catacumbas e eu, fui fazer umas comprinhas para as meninas, pois Domingos voltaria para Recife no dia seguinte. Foi andando por ali, nos Grands Boulevards que topei com as passagens cobertas de Paris, com seus tetos abobadados de ferro e vidros, corredores com painés de marmores que atravessam edifícios inteiros. Maravilha!

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            Passage Jouffroy

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         Nos encontramos no hotel, fizemos um lanche rápido e fomos para Ópera Garnier, Place Vendôme, Rue de Rivoli, Jardin de Tuileries e a igreja de La Madeleine. Quando entramos na igreja, havia acabado de se realizar um casamento e o grande órgão ainda estava tocando. Foi uma sensação indescritível, parecia que estava entrando no céu. Seguimos depois para o Palais d’Elisée. E encerramos o dia com um jantar em um bistrô defronte ao nosso hotel. Fim das férias! Mas não de Paris!

 

STRASBOURG

  •              Depois de tomar café, deixamos Colmar e seguimos para Strasbourg. Excepcionalmente tínhamos hora marcada, pois deveríamos entregar o carro à locadora na Gare de Strasbourg às 11:00. Passamos pelo hotel deixamos as malas, colocamos  combustível e entregamos o carro na locadora na hora marcada.  Só depois de cumprir nosso único compromisso do dia, pudemos relaxar para explorar a cidade. Aproveitamos para verificar os horários de trens para Paris(tem de hora em hora), e pegar o mapa da cidade na loja de informação turística. Lá fomos apresentados ao Strasbourg Pass. É uma espécie de carnet, com ticket para vários passeios(barco, bicicleta), museus, visitas(relógio astrológico, subida ao topo da catedral)etc. e tudo por 14 euros, para utilizar em 03 dias, o que vale muito a pena, já que  só o passeio de barco, custa 9 euros.  Compramos dois, Daniel não precisava pois era estudante, e a redução já compensa.

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O dia estava maravilhoso, então pudemos andar por toda a cidade, sem pressa. Não poderia deixar de mencionar, entre todos os locais que passamos durante as nossas andanças, a Petite France, que é um bairro imperdível, com casinhas lindas de arquitetura típica alemã e rodeado de canais.

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                          Seguindo pela Petite France chegamos ao parque Louise Weiss, onde paramos para almoçar num restaurante super acolhedor, o  L’Ami Schutz, e que tem uma comida maravilhosa. Domingos pediu cordeiro, já eu e Daniel, pedimos coelho, acompanhado de vinho branco da Alsácia(claro) pinot gris. Divina refeição!!

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                             Depois de descansar um pouco no hotel(ainda não tínhamos feito o check in), saimos novamente para o mundo. Fizemos um passeio maravilhoso de bicicleta  descobrindo lugares fantásticos, e parques maravilhosos! Em seguida fizemos o passeio de barco, que sai do Palais Rohan e depois de circular pela Île-de-Strasbourg, passa por duas eclusas, les ponts couverts, e vai para a parte mais moderna da cidade passando pelo Parlamento Europeu e Conselho da Europa.

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                              No dia seguinte fomos conhecer a Catedral de Notre Dame, em estilo gótico,  iniciada em 1015 e só finalizada em 1439. Impressiona pela beleza, altura e pela cor rosada, diferente das outras. Abriga em seu interior tesouros como, o Relógio Astrológico com mecanismo de 1842 e o Os Órgãos, de 1385, 1489 e 1716.  A catedral fecha as portas todos os dias às 11:30h para apresentação do filme sobre a história do Relógio Astrológico, e é preciso estar com o ingresso(incluido no Strasbourg Pass) para permanecer no interior da catedral. Às 12:30, os apóstolos desfilam diante de Jesus e o galo canta 03 vezes.  Estava ansiosa para assistir, mas confesso que fiquei um pouco decepcionada, o filme é cansativo pois passa em 03 línguas diferentes, a gente fica em pé e o desfile dos apóstolos é muito alto, não dá para ver direito.

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DSC00457Para subir os 326 degraus também é necessário o ingresso, que está incluído no pass, é uma subida e tanto, mas vale a pena pois a vista da cidade é fantástica.

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Como já estava na hora do almoço, fizemos uma parada para uma refeição leve antes de visitar o Museu da Alsácia.

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                             Muito bom o museu, fundado em 1902, mostra todos os usos e costumes da Alsácia, com objetos, vestuário, briquedos de criança, mobiliário, etc..Muito interessante, vale a pena conferir. Essa foi nosso último passeio em Strasbourg, depois voltamos para o hotel, pegamos as malas e o trem para Paris!

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