Arquivo mensal: abril 2014

Saint-Germain-en-Laye

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DSC01254                  Situada a 20 km de Paris, Saint-Germain-em-Laye, fica no departamento de Yvelines, na região de Île-de-France, facilmente acessível por trem, o RER, linha A1. É uma viagem muito agradável, se é que se pode chamar de viagem, um trajeto tão curto. Durante o percurso, o que vemos pelas janelas do trem, são os arredores de Paris, uma sequência de casas residenciais simpáticas, com lindos jardins, ruas arborizadas, e o Sena, serpenteando. Saint-Germain-em-Laye é a última parada da linha A1 do RER, e a estação de trem fica no centro da cidade. Uma cidade muito charmosa, que vale a pena explorar, caminhando pelas suas ruas. Foi o que fizemos, antes de parar para um sorvete e começar a visita ao Château.

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   DSC01238DSC01246           O Château de Saint Germain-em-Laye, é mais uma dentre tantas residências reais, fica no alto de um planalto, e de lá se tem uma vista indescritível de Paris, graças ao terraço de pedra, de 2,4 km de extensão construído por André Le Nôtre, entre 1669 e 1673, a partir dos jardins criados por Étienne Du Pérac. Os jardins são maravilhosos, adorei andar no meio de tanto verde, e o melhor é que eles continuam até se misturar com o bosque de Saint-Germain-em-Laye.

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                 Depois de explorar toda área externa, fomos conhecer a parte interna. Estava intrigada por ter visitado o pavilhão onde funciona o Hotel Pavillon Henrique IV, cujo restaurante possui um terraço com uma vista incrível, e ter descoberto que o quarto onde nasceu Luis XIV, em 1638, fica ao lado desse restaurante.  Ora o Château ficava bem próximo, mas mesmo assim era outro prédio. Só descobri o mistério, ao indagar aos funcionários do antigo castelo, agora Musée d”Archéologie Nationale.

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                   A história é a seguinte: A primeira residência real foi construída em cima de um planalto e ao lado da floresta, em 1122, pelo rei Luís VI, o gordo. No período de 1234 a 1238, o rei São Luís ampliou o castelo, financiando a construção de uma capela, com o objetivo de manter as relíquias da paixão de cristo que tinha adquirido de Baudouin II. Essa capela em estilo gótico foi projetada pelo mesmo arquiteto, da Sainte Chapelle em Paris.O castelo foi ampliado no fim do século XIII com a construção de uma torre.  Em 1346, depois da guerra dos cem anos, o castelo foi incendiado pelas tropas do Príncipe Negro, filho do Rei da Inglaterra, que poupou apenas a torre e a capela.

Château Vieux com a capela ao fundo.

Château Vieux com a capela ao fundo.

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                 O Rei Carlos V providenciou a reconstrução do château entre 1364  à 1367. Francisco I, que se casou na capela do Château, passou mais de 1000 dias do seu reinado em Saint-Germain-em-Laye, o dobro do período que ficou em Fontainebleau, decidiu reconstruí-lo em 1539. Conservando mais uma vez, a torre e a capela, um novo castelo é reconstruído sobre as fundações do primeiro, sendo os trabalhos concluído por seu filho Henrique II. Ele também ampliou o Château, anexando a extremidade do terraço do lado do Sena, o “Château Neuf(novo)”, sendo a construção concluída por Henrique IV. Embora tenha nascido no Château Neuf, Luis XIV passou a maior parte de sua infância no “Château Vieux” que era  o seu preferido. Em 1660, se instala definitivamente no Château Vieux, abandonando o Neuf que foi praticamente todo demolido. Luis XIV contratou Le Nôtre para recriar os jardins, e Jules Hardoin Mansard para ampliar o castelo, projetando mais 5 pavilhões.

Maquete do projeto de Jules Hardouin

Maquete do projeto de Jules Hardouin

                 No entanto esses pavilhões não foram jamais concluídos, pois em 1682, a corte deixa Saint-Germain-en-Laye se instalando definitivamente em Versailles.

Lituânia

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                41Vfww6rZiL (1)Nesse país, não segui a escolha do #198 livros, por não ter me empolgado nem com o tema, e nem com o estilo do escritor, que me pareceu denso. Não foi fácil encontrar outro livro, primeiro porque a literatura lituana ficou meio estagnada no período de domínio da Rússia. Segundo Mariana Butenschön, metade dos escritores fugiram dos russos para o ocidente, ficando no país somente aqueles que eram fieis a Moscou e os poetas que tentavam expressar suas críticas nas entrelinhas. Após a suspensão da censura em 1989 e o retorno dos escritores que se encontravam fora do país, a literatura voltou a renascer. Ricardas Gavelis, Jurga Ivanauskaite, Renata Serelyte e Jurgis Kuncinas, são alguns da nova geração de escritores lituanos, porém a dificuldade de ter acesso aos livros traduzidos tornou inviável a pretensão de leitura de escritores contemporâneos (Tive muita vontade de ler Tüla, de Jurgis Kuncinas, mas não consegui o livro). Finalmente, a pesquisa rendeu algum fruto, encontrei por meio da tradutora Elizabeth Novickas, o livro de Kazys Boruta, Whitehorn’s Windmill, e para compensar o trabalho dispendido na pesquisa, encontrei o livro em edição Kindle.

                Kazys Boruta nasceu (1905-1965) num período particularmente tumultuado do seu país, tendo vivido a maior parte de sua vida no exílio ou na prisão, a começar em 1915, quando seus pais fugiram da Lituânia para escapar da invasão da primeira guerra mundial. Nascido durante a dominação Czarista vivenciou pouco a independência do país, entre as duas guerras mundiais. Suas convicções políticas de esquerda fizeram com que fosse preso, e exilado, e sua obra proibida. Depois que os soviéticos expulsaram os alemães, assumindo o controle do país, Boruta ainda ficou preso por três anos. E mesmo tendo sido solto, ficou recluso, limitando seu trabalho, nos dez anos subsequentes, a traduções, publicadas sobre pseudônimo.

                Apesar de não ser uma literatura contemporânea, Whitehorn’s Windmill foi escrito em 1942, durante a ocupação nazista, é bem representativo da literatura da Lituania, tendo se tornado um clássico. Em 1957, foi adaptado para o teatro; em 1974, para um filme musical (The Devil’s Bride), e em 1979, para o ballet. Escrito numa linguagem lírica, mistura a fantasia dos contos de fada com a dura realidade trazida pelos personagens.  Esse antagonismo, só fui perceber, ao contar as histórias dos contos de fadas para os meus filhos e ver como eram cruéis. Decidi então suavizar um pouco as maldades, na hora de repassar para os meninos, mas ao mencionar na escola o que estava fazendo, fui criticada pelos professores. Foram veementes ao explicar que, era importante para as crianças vivenciar a dura realidade dos contos de fadas, para aprender a lidar com a frustação. E é isso que Boruta nos passa na sua história juvenil, um romance com muitos ingredientes reais e imaginários, o diabo com características humanas e que é enganado, humanos que fazem pacto com o diabo para realização dos desejos. Ninguém é santo no livro de Boruta.

               A história é ambientada no pequeno vilarejo de Svendubré, na terra de Paudruvë , região rural da Lituânia, e conta a história de Whitehorn, o proprietário do moinho, sua linda filha Jurga, e de todos que se envolvem com eles, como Pincukas, o diabo que vive em um pântano, Ursule’s prima distante de Whitehorn, que nunca desistiu de se casar com ele, Jurgutis o aprendiz de ferreiro que se apaixona por Jurga, Blackpool, o ferreiro vizinho, Girdvainis, que vai tentar vencer o feitiço e chegar até Jurga. No início da história, vemos vários pretendentes, acompanhados de seus padrinhos, como é o costume, tentar chegarem à casa de Jurga, para pedi-la em casamento. Nenhum deles, no entanto é bem sucedido, porque estranhos acontecimentos impedem que eles se aproximem do moinho, e da casa dela. Para entender e situar todos os personagens o autor volta ao passado de Whitehorn, antes de prosseguir com o desenrolar da história, mágica, romântica, burlesca e trágica, como, aliás, costumam ser todos os contos de fadas. Sem dúvida uma agradável leitura, que vale a pena conhecer.

Épernay

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        “Épernay é a cidade do vinho champanhe. Nem mais nem menos” dizia Victor Hugo. A primeira casa de champanhe foi fundada, pelos irmãos Chanoine, em 1730, um ano depois da Ruinart, em Reims.  A cidade abriga também a famosa Moët & Chandon, a casa Mercier e De Castellane.

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                   Conforme comentei no post sobre Reims, fizemos uma parada estratégica, de algumas horas, em Épernay.Foi a consequência do atropelo na hora de comprar as passagens ainda em Paris. Na ânsia de acertar a compra na maquininha, cinco mulheres se atropelaram e adquiriram passagens de ida e volta,(aller et retour), sem observar os detalhes da compra. Resultado, o bilhete da volta era de um trem que faria uma conexão de mais ou menos três horas em Épernay. Apesar do erro, a situação não era irremediável, poderíamos ter trocado o bilhete, mas resolvemos aproveitar a oportunidade, transformando o erro em acerto. E assim, desembarcamos em Épernay, para uma journée de três horas. Por ser pequena, e a estação estar localizada bem no centro (como na maioria das cidades francesas), teríamos tempo para dar uma volta na cidade e jantar.

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                    Claro que pela hora que chegamos, as maisons de champagne já estavam fechadas, mas só estar ali passeando pelas ruas da charmosa Épernay, já estava valendo a pena. Passamos em frente a Maison de Moët & Chandon, e já que não podíamos entrar só nos restou posar para algumas fotos com Dom Perignon. A degustação do champagne restringiu-se a taça que acompanhou o jantar.

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Ilhas Salomão

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   téléchargementMais um país que o #198 livros# colocou na minha bagagem. As Ilhas Salomão são um país da Oceania, formam um arquipélago de seis grandes ilhas e algumas pequenas, e estão situadas no sudoeste do oceano pacífico. Devem seu nome ao conquistador espanhol Álvaro de Mendaña, que as descobriu em 1568, e embora não tenha encontrado nem ouro, nem as minas do rei Salomão, batizou-as com seu nome. Foi um protetorado do Reino Unido, de 1890 até 07 de julho de 1978, quando conquistou sua independência. Durante a segunda guerra mundial, entre 1942 e 1943, as ilhas assistiram a violentos combates entre o Japão e os EUA.

                Duas curiosidades a respeito das Ilhas Salomão me chamaram atenção, nas minhas pesquisas sobre o país. A primeira se refere as características físicas de seus habitantes, pois de acordo com o cálculo de Sean Myles, varia de 5 a 10% a frequência de cabelos loiros na população nativa de pele negra. A outra, que parece uma lenda, e ninguém sabe se é verdade, ou não, descobri nesse site aqui, muito interessante, segundo a qual os habitantes das ilhas quando querem derrubar alguma árvore na floresta, em vez de cortar, começam a gritar e insultar as árvores, e então depois de alguns dias elas morrem. Talvez tenha chegado até nossos dias através da tradição oral, como era costume em alguns países da África. E finalmente, descobri que as Ilhas Salomão são paradisíacas e vale uma viagem.

                               Mas voltando ao projeto, o livro escolhido foi The Alternative, de John S. Saunana, escrito em 1980. O livro conta a história de Maduru, um adolescente muito inteligente e com um enorme senso de justiça por um lado, mas arrogante, egoísta, e rude por outro. Ele deixa o seu vilarejo para ir estudar na escola dos brancos. Inicialmente, ainda imaturo, fica deslumbrado com o mundo deles, chegando mesmo a desejar ter a pele branca. Mas a medida, que vai amadurecendo, não só pelo conhecimento adquirido como também pelas experiências vivenciadas, vai se dando conta, do absurdo que existe no tratamento dispensado aos nativos, em contrapartida aos privilégios recebidos pelos colonizadores. Percebe que eles, os colonizadores, não tem nenhuma ligação afetiva com o país, e desejam apenas tirar o máximo de proveito enquanto estiverem morando lá. E um sentimento nacionalista vai se apoderando dele de tal forma que mudará seu destino, e influenciará o de seus conterrâneos, despertando neles também o sentimento nacionalista. Uma abordagem bastante instigante.