Arquivo mensal: junho 2014

Bulgária

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         81LwYo+TSPL._AA1500_BulgáriaChegando à Bulgária, pensei logo que tinha aportado a um destino bem conhecido.  Mas quanto tentei ver o que de fato conhecia sobre a Bulgária, me dei conta que tudo que sabia sobre o país, ou me lembrava, até então, era que ficava no leste europeu e era a terra natal do escritor Elias Canetti.  Tinha muita vontade de saber como era vida no país comunista, e o que existia por trás da famosa cortina de ferro.  No livro de Kapla KassabovaStreet without a name” escolhido para o #198 livros é possível descobrir, em parte, como viveram os búlgaros no período em que o Partido Comunista governou o país, de 1946 a 1990. Nele, a autora narra sua história pessoal, segundo ela, como forma, dentre outras coisas, de exorcizar os fantasmas do tempo em que viveu do lado de lá da cortina de ferro, e a falta de identidade que lhe deixou o período que viveu como expatriada.

                Na primeira parte do livro, ela relata como foi sua infância cinza, vivida num condomínio de apartamentos mínimos, sem área de lazer para crianças, nem área verde, num bairro sem atrativos, onde as ruas não tinham nome. À medida que vai crescendo a desesperança aumenta, com a falta de perspectiva de vida, e de liberdade, agravados pelo contato com os colegas de trabalho do pai, que viviam no ocidente, e que abriram uma janela na cortina deles. Finalmente, em 1990, com o fim do governo comunista, a família de Kapla emigra definitivamente para a Nova Zelândia, depois de um período na Inglaterra. É o fim da primeira parte.

                A segunda parte traz o retorno da autora ao país, depois de quase 20 anos, em busca de sua identidade.  Nessa busca, ela empreende uma viagem por todo o país, e é, então, que vamos conhecer a Bulgária, sua história, as peculiaridades do seu povo, da grande quantidade de ciganos que lá vivem, as cidades, e as curiosidades, como a produção de vinhos, rosas e iogurte. É uma leitura leve e cheia de humor.

                Quando comecei a ler o livro, chegou à minha turma do francês, uma aluna da Bulgária, Maria, que assim como a autora era uma expatriada, já que tinha vivido um bom tempo nos Estados Unidos e França. Foi então que emprestei seu rosto para Kapla e sem saber ela se tornou a protagonista da minha história. Não chega a ser uma história empolgante, mas é sem dúvida nenhuma uma excelente oportunidade de conhecer a Bulgária.

Pula, de bike.

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                       No terceiro dia, achei que a pedida era terminar de conhecer Pula, ir além dos pontos turísticos. Então, aluguei uma bike no meu hotel, um dia por 50 kunas, peguei o mapa e comecei a pedalar. Como já estava em Verudella, foi por lá que comecei (a direita no mapa, onde estão localizados a maioria dos hotéis, identificados por quadrados vermelhos).

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                    Fiz um tour pelo bairro, primeiro passei pela Marina Bunarina, e logo em seguida, após um descida, fiquei sem fôlego com a visão dessa praia, então parei, e fui molhar os pés na água, sentar na pedra e admirar a paisagem.

Marina

Marina Bunarina

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                    Nessa praia, ainda em Verudella, encontrei esse animal que não identifiquei, nem pelo nome, nem pelo aspecto. Tentei chegar perto, mas levei um fora, porque os seres humanos tinham que ficar a uma distância mínima de 10 metros. Só então reparei que haviam algumas pessoas com máquinas fotográficas, paradas olhando para o que me pareceu ser filhote de peixe-boi.

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                  Saindo da praia continuei pedalando por Verudella, mas nas praias seguintes, não desci, porque ali naquele trecho elas não são muito amigáveis. Muito íngremes e com muita pedra, também não ia mesmo tomar banho, por que a água estava muito fria, congelando, mal consegui colocar os pés. Parei no forte e dispensei o Aquarium Fort Verudella, porque estava um dia lindo, e era um pecado perder tempo em um recinto fechado. Em seguida peguei a avenida em linha direta para o centro.

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Parceiros ciclistas

Parceiros ciclistas

                       Saindo do centro, decidi ir margeando a orla até encontrar de novo com a avenida que ligaria ao meu hotel. E descobri cada paisagem de tirar o fôlego.203205

Uma das poucas praias com areia

Uma das poucas praias com areia

Comunicação por mímica.

Comunicação por mímica.

              Essa croata não falava inglês, nem italiano, e conseguimos nos comunicar, ela estava com o marido e a filha na praia e eu  fiquei feliz de encontrar gente. Estava vindo de uma região super deserta e estava com medo.

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Eu, minha bike e uma pausa para descansar no paraíso.

Eu, minha bike e uma pausa para descansar no paraíso.

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Tehnomont Marina Veruda, atrás do meu hotel

Tehnomont Marina Veruda, atrás do meu hotel

Despedida da Croácia

                   E foi com este por do sol, que me despedi da Croácia, já que o dia seguinte seria a volta e deslocamento não conta. 100% de aproveitamento na minha experiência solo. País lindo demais, ficou a vontade de conhecer outras cidades.

 

 

 

Senegal

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         Senegal O Senegal ficou marcado nas minhas lembranças de criança, depois de assistir, com meus pais, ao Balé do Senegal. Ainda guardo na memória, as mulheres com seios nus, dançando num ritmo frenético, no Teatro Santa Isabel. Uma lembrança, na verdade, é muito pouco para se conhecer sobre um país, e por isso mesmo, esse projeto está sendo tão importante para mim. Antes de iniciar a leitura, o básico dos básicos, procurar no mapa mundi, onde está situado, para poder me transportar para lá. O Senegal fica na África Ocidental, faz fronteira ao oeste com o Oceano Atlântico, a leste com Mali, ao norte com a Mauritânia, e ao sul com Guiné e Guiné-Bissau. O país, que foi colônia da França, tornou-se independente em 1960, e sua capital é Dakar, famosa pelo rali Paris-Dakar.  Porém, o que me deixou mais surpresa, foi constatar que a poligamia, que de acordo com depoimentos de senegaleses, tem mais a ver com a cultura, do que com a religião, é uma prática comum nos dias atuais. Apesar de a religião predominante ser a Islã, com 95% da população, a poligamia é comum também entre os cristãos.

            O livro que representa a literatura do Senegal, no projeto 198 livros, é o da escritora senegalesa, Mariama Bâ, Une si longue lettre. O romance, é narrado em forma de carta, de Ramatoulaye, para sua melhor amiga, Aïssatou, no período de reclusão pela viuvez. Aborda a situação da mulher na sociedade senegalesa; a ausência de direito das mulheres, que são forçadas ao casamento ainda muito jovens, e a conviverem com a poligamia. À medida que vai revivendo os momentos felizes que viveram juntas, na juventude idealista, no casamento de ambas, realizado por amor, mas que foram arruinados com a ajuda do sistema de poligamia, vai fazendo uma análise da sociedade e do país. Ramatoulaye é bastante lúcida, apesar de condenar a poligamia, que considera uma traição autorizada pela sociedade, não credita a ela o fracasso do seu casamento. O casamento para ela é uma decisão do coração, tomada por dois.  Trata-se de uma história de amor, de uma mulher guerreira, mas consciente de suas fraquezas.  Um maravilhoso romance, numa excelente viagem ao Senegal.

 

Ilhas de Brijuni

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                       No meu segundo dia na Croácia, decidi conhecer o Parque Nacional de Brijuni, que  está localizado na ilha de Veliki Brijun, a maior dentre as 14 ilhas que formam o arquipélago de Brijuni. Para chegar lá, peguei um ônibus para Fažana, uma pequena cidade de pescadores a 7 km de Pula. É lá, do seu pequeno porto, que saem os barcos para as ilhas. Em Fažana também está localizada a administração do Parque, onde comprei o ingresso para o tour na ilha. Antes de comprar fui abordada por outros guias que ofereceram outro passeio mais barato, mas que não descia na ilha, achei que não valia a pena.

Vista de Fažana

Vista de Fažana

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Vista da ilha Veliki Brujuni lá atrás

Vista da ilha Veliki Brijuni lá atrás

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                    A travessia é rápida, em 15 minutos chegamos na ilha. O lugar é tão lindo, que fiquei em estado de êxtase sem saber para que lado olhar, até perceber que tinha que me juntar ao grupo. Os grupos são divididos de acordo com o idioma escolhido. Cada grupo se dirige a um trenzinho que será o transporte na ilha. Para preservar o meio-ambiente, os únicos transportes permitidos, além do trenzinho, são os carros elétricos e bicicletas.

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                     Começamos a visita com a guia contando a história da ilha, que remonta desde o período neolítico, conforme vestígios encontrados. Por lá também passaram os romanos e bizantinos. Voltando no tempo, até um pouco antes da ocupação pelo general Tito, ficamos sabendo que a ilha foi evacuada por conta de um surto de malária. Graças a ajuda do médico Robert Koch, considerado pai da microbiologia e futuro vencedor do Premio Nobel, a doença foi erradicada. Ele chegou a ilha em 1900, e em dois anos conseguiu erradicar a doença, isolando o mosquito.

Homenagem a Robert Koch

Homenagem a Robert Koch

O castrum bizantino

O castrum bizantino

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                    Em 1947, o General Tito esteve na ilha pela primeira vez, e apenas dois anos depois, fez da ilha sua residência de verão. Depois da chegada de Tito, um novo capítulo começou, de um oásis de paz, Brijuni passou a ser um lugar de reuniões de chefes de estados, políticos, além de receber convidados ilustres como artistas, escritores, atores, diplomatas e homens de negócios. Após tornar-se presidente da Iugoslávia, em 1953, construiu a Vila Branca, que passou a ser residência oficial, e estabeleceu sua residência privada na ilha de Vanga(no arquipelágo de Brijuni), além de construir a Villa Brionka para os chefes de estados, durante a estadia em Brijuni. Esteve pela última vez na ilha em agosto de 1979. 143135

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                   Continuando nosso passeio no trenzinho, vamos passar pelo Safari, um parque com inúmeros animais, que foram presenteados a Tito, por amigos e chefes de estado.  Os mais famosos são os elefantes Sony e Lanka, presenteados pela primeira ministra Indira Gandhi, no ínicio dos anos 70. Por sinal foram os únicos que consegui fotografar, me atrapalhei um pouco com a máquina, e o trenzinho passou.

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Safari, mas não consegui fotografar os animais.

Safari, mas não consegui fotografar os animais de perto

             No parque também existe o jardim mediterraneo com mais de 600 espécies nativas e outras exóticas que foram importadas de todas as partes do mundo, muitas presenteadas por estadistas estrangeiros.165164168169

               Depois do término do tour a bordo do trenzinho, fui caminhando até a Igreja de Saint Germanus, construída em 1481, em homenagem a St Germanus de Pula, que foi sentenciado a morte no anfiteatro da cidade por suas crenças cristãs.146154155156

                      O parque conta ainda com um museu com uma grande variedade de animais empalhados, além de exposição de fotografias mostrando parte do desenvolvimento de Brijuni, e de Tito, abrangendo sua vida pessoal e política.

                         Terminado o tour, existe a opção de continuar explorando a ilha a pé, ou alugando bikes, pois os barcos retornam a partir das 17:00, até as 20:00 de hora em hora.  Um passeio inesquecível!

Saara Ocidental

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                   fotoHá mais de 30 anos que o conflito no território do Saara Ocidental vem se arrastando, sem que a comunidade internacional veja uma solução aceitável para as partes antagonistas. Uma falha que só pode ser explicada pela falta de interesse dos organismos internacionais, e a demonstração do poder ocidental nessa região estratégica do Norte da África.  O território é contestado pelo Marrocos e pela Frente Polisário que em fevereiro de 1976, proclamou do exílio a República Árabe Saárui Democratica. O Saara Ocidental ou espanhol é a última colônia da África, foi colonizado pela Espanha, que assumiu o controle após a Conferência de Berlim em 1884. Em 1975, um Acordo tripartido foi assinado entre a Espanha Marrocos e Mauritânia, dividindo o território entre os dois países africanos e garantindo os interesses da Espanha no fosfato e na pesca. O acordo, pôs fim ao controle da Espanha no território, mas não a soberania. Ou seja, a Espanha continua a ter o poder administrativo legal sobre o território. Após o acordo de Madrid, os dois países africanos invadiram o território, obrigando milhares de refugiados saráuis, a abandonarem suas terras e se estabelecerem no deserto do sul da Argélia.

                Nessa nossa parada no Saara Ocidental, vamos conhecer um pouco da luta e do sofrimento do povo saráui para conseguir sua independência. O episódio narrado no livro escolhido “Tifariti, mi tierra” de Abdurrahaman Budda, mistura fatos reais com fictícios. O livro conta a história de Salama, e sua família, que se encontram refugiados no deserto na Argélia, e seu breve retorno para sua cidade Tifariti, no Saara Ocidental. É comovente conhecer Salama, e ver como ele lida com as adversidades, sem se deixar esmorecer, sem perder a fé na vida, o amor pela terra e pela família e o respeito pela religião. É com firmeza e ternura que cuida da família. Mesmo quando é criticado pelos vizinhos e amigos por construir uma casa de barro, com a ajuda dos filhos. Ele decidiu construir a casa, para garantir para sua família, uma qualidade de vida melhor do que a permitida pela tenda. Os vizinhos o criticaram porque construir uma casa significa criar raízes, enquanto viver na tenda representava a situação de refugiados. Porém ele segue em frente, mesmo sendo um nacionalista, pois coloca o bem-estar e segurança da família em primeiro lugar.  Essa e outras situações vivenciadas junto com Salama, nos ajudam a conhecer um pouco do povo saráui, sua história, religião e costumes. Embora seja uma história muito triste, é também uma lição de vida.