Arquivo mensal: agosto 2014

Saumur

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                      Nada de castelo, o que nos levou a Saumur foram os cogumelos! Foi principalmente para visitar o Museé du Champignon, que decidimos incluí-la no roteiro, mas já sabendo de antemão, que esse era apenas mais um indicativo para ajudar na escolha do roteiro, porque dificilmente se erra ao visitar uma pequena cidade francesa no Vale do Loire, é encantamento na certa. E com todos aqueles ingredientes que as caracterizam #belacidade#château#vinhos#rioLoire#  Mas vamos começar a visita pelo início.

Vista do rio Loire ao fundo.

Vista do rio Loire ao fundo.

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                    Deixamos Villandry e depois de rodar aproximadamente 57 km chegamos em Saumur, uma pequena cidade construída predominantemente de pedra, as margens do rio Loire. Decidimos visitar logo o Château de Saumur, pois ele esta localizado no alto de um rochedo, e domina a cidade com suas torres, impossível ignorá-lo. Depois de uma tentativa fracassada de encontrar o caminho até lá, fizemos o óbvio e pegamos um mapa num quiosque de turismo. O castelo foi construído, no século XIV, pelo duque Luis I,  de Anjou, irmão do Rei Carlos V, a partir de uma fortaleza, e remodelado um século depois por seu neto, o bon roi René, último Duque de Anjou,DSC01411DSC01414                 Havíamos decidido que não iríamos visitar internamente todos os castelos, em função da disponibilidade de tempo. Como tínhamos outros interesses na cidade, além do castelo, esse foi selecionado para ser visitado apenas externamente.DSC01421DSC01419DSC01416

                   De mapa na mão, seguimos para o Museu dos cogumelos, e ao longo da estrada vimos inúmeras vinículas, mas já tínhamos um destino certo. Aqui vale um parentese, os vinhos do Vale do Loire, são bastante apreciados na França, a um custo bem mais acessível que os mais conhecidos da região de Bordeaux e Borgonha. Os tintos de Saumur são uma maravilha com destaque para o Saumur Champigny . E então, finalmente chegamos!

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                   O Museu consiste em inúmeras cavernas calcárias onde são cultivados 75% da produção de cogumelos do país, em torno de 12 toneladas. Além da exposição de centenas de cogumelos selvagens. O museu é aberto todos os dias de fevereiro a novembro, e a visita de 1:30h custa 8,20 euros. Não consegui boas fotos dos cogumelos, mas a visita é fascinante.???????????????????????????????                  No final da visita, fomos conhecer a boutique com diversos produtos do Museu e aproveitamos para almoçar no pequeno restaurante. Dentre os vários menus oferecidos escolhemos o que oferecia: cogumelo paris ao molho da casa, velouté de shitake e uma taça de  crémant, o espumante do vale do Loire. Tudo isso ao custo de 7 euros.DSC01426DSC01427                     #partiu#Chinon#

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Moçambique

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                      Tinhafoto (7) na cabeça uma imagem de Moçambique que absolutamente não correspondia a realidade. Não sei por que imaginava uma terra árida e feia, e qual não foi minha surpresa ao assistir um vídeo sobre o país, e ver como o lugar é lindo, praias belíssimas, natureza perfeita, povo simpático, animado e colorido. A única nota triste foi saber o índice de contaminação com a AIDS, segundo dados que vi, é de 1 pra 10, uma das maiores taxas do planeta. Localizado no sudeste da África e banhado pelo oceano Índico, foi colonizado por Portugal,  e só conquistou sua independência em 1975, e apenas dois anos depois começou uma difícil guerra civil que durou até 1992.  É neste cenário devastado, que se passa a história do livro da vez, Terra Sonâmbula, de Mia Couto. Ainda não tinha lido nada dele, e estava na maior expectativa.

                O livro conta a história de dois companheiros, Tuahir e Muidinga, um velho e um menino que viajam fugindo da miséria deixada pela guerra, que tudo devastou. No caminho encontram um ônibus incendiado, que utilizam como abrigo, e uma velha mala contendo 12 cadernos com o diário de Kindzu, outro viajante, também fugitivo da terra devastada. Para se distraírem da solidão e dos sofrimentos começam a ler as histórias contadas por Kidzu em seu diário. As histórias dos três personagens vão sendo contada alternadamente e a medida que avançam, vamos conhecendo a vida e os costumes do país, sua magia e o pesadelo causado pela guerra. Também vamos acompanhando a evolução dos personagens, o amadurecimento de Kindzu e o estreitamento do relacionamento entre o menino e o velho.

                Mia Couto escreve de uma forma magnífica, quase que não nos deixa tomar folego. Fiquei fascinada também pelo português de Moçambique, a forma como determinadas palavras são utilizadas. Porque não é só a utilização de palavras sinônimas, mas, o mesmo significado com uma variação diferente, como nesse trecho aqui: “A estrada não traz ninguém. Enquanto a guerra não terminasse era mesmo melhor que nenhuma pessoa estradeasse por ali.” Apesar das atrocidades da guerra, Mia Couto nos conduz por uma bela estrada.