Turcomenistão

livroMeu conhecimento sobre o grupo de países com nomes terminados em “tão”, e que fizeram parte da extinta União Soviética, é quase nulo. Participar do projeto do #198livros, está ajudando, em parte, a preencher essa lacuna. Depois do Uzbequistão, chegou a vez do Turcomenistão. No mapa, está situado na Ásia Central, banhado pelo Mar Cáspio, faz fronteira com o Cazaquistão a noroeste, Uzbequistão a nordeste e leste, Afeganistão a sudeste, Irã ao sul e sudoeste. O deserto Karakum ocupa 80% do território e assenta-se sobre imensas jazidas de gás natural (4ª maior reserva do mundo), a principal fonte de receita do país no comércio exterior. Para ajudar na agricultura foi construído, a partir de 1950, um grande canal Karakumskiy – a partir do rio Amu Dária. Quase 50% da área irrigada é plantada com algodão. O cultivo da monocultura do algodão foi determinado pela União Soviética, para suprir demanda interna, e a utilização do canal karakumsky para irrigação da área, provoca efeitos ambientais graves como a diminuição do Mar Aral.

AK Welsapar, autor do livro escolhido, The Tale of Aypi, vive exilado na Suécia, há quase 20 anos. Foi perseguido por ter escrito artigos com denúncias sobre o meio ambiente, que estaria sendo devastado, e sobre as vidas de mulheres e crianças ameaçadas pelas condições em que eram obrigadas a trabalhar.  Neste livro,  Ak Welsapar, relata em forma de poesia, os transtornos vividos por uma pequena comunidade de pescadores, localizada, no litoral do Mar Cáspio. Eles estão sendo expulsos de sua comunidade, onde viveram por toda vida, e onde viveram seus antepassados, deixando para trás, não só suas casas, e meio de vida, mas também toda a cultura e tradições, para dar lugar a uma clínica para tratamento de asmas. A forma, como está sendo feito o processo de ocupação/expulsão, e a reação dos habitantes frente a essa situação, é um dos temas das muitas discussões levantadas pelo autor. A discussão ganha novos temas com a chegada de Aypi, vinda do fundo do mar, onde morreu há mais de 300 anos. Ela foi condenada a morte pelos habitantes do vilarejo, por ter ganho um colar de rubi de um grupo de estrangeiros, retorna cheia de rancor e desejo de vingança. A visita que o autor nos proporciona ao vilarejo, é inesquecível. Ele narra com maestria, as diversas situações e eventos vividos pelos moradores, compartilhando esses momentos com os leitores.

Paquistão

81iep4mFIwL._SL1500_Em alguns dos livros que li, de Khaled Hosseini, o Paquistão aparecia como a rota de fuga ao regime opressor do Afeganistão, me levando a concluir erroneamente, que lá deveria haver mais liberdade. Mas, a verdade é que o regime do Talibã, surgiu no Paquistão, e foi bancado por ele. Está aí, Malala para comprovar, baleada pelo Talibã por defender o direito a educação feminina. Mas o universo do livro de Moshin Hamid, Moth Smoke, não é aquele dominado pela fundamentalismo muçulmano, embora a religião se faça presente como reflexo do cotidiano das pessoas. O autor mergulha seu enredo, num Paquistão, dividido entre a classe alta privilegiada e a massa trabalhadora oprimida, ironicamente representada, entre os que possuem, e os que não possuem ar condicionado. A história é ambientada, em Lahore, num verão sufocante, tanto pelo calor como pela tensão nuclear crescente, entre o Paquistão e a India, e narra a trajetória de Daru Shezad rumo a decadência.  O livro se inicia pela cena final, o julgamento de Daru, acusado da morte de uma criança. Para chegar aos fatos o autor dá voz aos personagens que são próximos a Daru, e o acompanharam em sua trajetória, Ozi, seu melhor amigo, a esposa dele Muntaz, que vem a ser sua amante, e seu fornecedor de drogas. Daru vem de uma família com poucos recursos, mas viveu sempre entre amigos de uma classe social mais alta, graças a ajuda do pai de Ozi, que era amigo do seu pai, já falecido. Ele e Ozi, vivem uma amizade conturbada, onde convivem com o ciúme e a rivalidade. A medida que vamos mergulhando no livro, vamos conhecendo todas as facetas da personalidade de Daru, e seu relacionamento, com Ozi, e Muntaz. Acompanhar a trajetória de Daru, me deixou meio deprimida, mas vale a pena ler o livro, e ver tudo que o autor tem para dizer.