Arquivo mensal: janeiro 2019

Dinamarca

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          Depois do sucesso impressionante da saga “Millennium” de Stieg Larsson, a literatura nórdica (Suécia, Noruega, Finlância, Dinamarca e Islândia), entrou em evidência, principalmente no gênero  thrillers e romances criminais da atualidade, no qual seus autores são conhecidos como os melhores. Não se sabe ao certo, o que os tornaram tão brilhantes no tema, talvez a segurança em vivem, com poucos crimes, numa vida tranquila demais, tenha surtido o efeito contrário, e necessidade de viver perigosamente, criando fantasias. Assim devido a facilidade, escolhi nesse gênero, A Mulher Enjaulada, do escritor Jussi AdlerOlsen. Esse livro foi traduzido do alemão por João Ventura, e publicado em 2014, pela Editora Record. Ele foi publicado em Portugal com o nome de O Guardião das Causas Perdidas, pela editora Presença, também em 2014, sendo adaptado para o cinema dinamarquês, em 2012. Jussi Adler-Olsen nasceu em Copenhague, em 02 de agosto de 1950, e dentre outros trabalhos, foi editor de diversas publicações antes de começar a escrever obras de ficção. A Mulher Enjaulada é o primeiro romance da série Departamento Q, ao que se seguiram Desejo de Vingança e A Mensagem na Garrafa. 

De forma simultânea, o livro conta a história de Merete Lynggaard, uma jovem política com uma carreira meteórica, que desaparece sem deixar rastros, em meados de 2002, sendo o caso arquivado depois que as investigações se mostraram infrutíferas, e de Carl Morck, um detetive veterano, que recentemente sofreu um abalo ao ter perdido um parceiro em uma diligência. Ao voltar, depois da licença, fica responsável pelo Departamento Q, recém criado para cuidar de casos importantes que foram arquivados sem terem sido solucionados. O desaparecimento de Merete vem a ser seu primeiro caso, mal instalado, em um subsolo, Carl conta apenas com a ajuda do assistente, Assad, um estranho e divertido imigrante árabe, e juntos começam a trabalhar no caso Merete. A trama é eletrizante, ao mostrar alternadamente a histórias dos dois, indo e vindo no passado/presente, ficamos sabendo a terrível situação de Merete, de que forma foi enjaulada, e o perigo que corre sua vida, sem no entanto saber as razões, por outro lado, vamos acompanhando o aprofundamento do trabalho de Carl, descobrindo pistas que a polícia deixou passar, e que vão dando um novo rumo as investigações. Mas o tempo está correndo contra Carl, e só nos resta prender o folego e torcer para que não chegue tarde demais até Morete.

Sérvia

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        Finalmente cheguei à Sérvia, o quinto país que leio dentre os que fizeram parte da Iugoslávia. Com exceção do livro de Montenegro, todos os outros abordavam o tema da guerra da Bósnia ocorrida entre 1992 a 1995, iniciada após a queda do regime comunista na antiga Iugoslávia. Até então, não tinha muito simpatia pela Sérvia, pela participação que teve na Guerra da Bósnia, e sua responsabilidade no massacre de Srebrenicajá, reconhecidamente considerado genocídio, e pelo massacre de Vukovar, na Croácia. Mas a humanidade evolui – assim desejamos – e em março de 2010, o Parlamento Sérvio pediu desculpas às famílias das vítimas. Além do mais, a história da Sérvia, começa no século I antes de Cristo, e desde então, milhares de sérvios fizeram sua história e não é justo que uma minoria, e suas decisões erradas, venha a representar milhões.

Escolhi o romance de Milorad Pávitch, Paisagem Pintada com Chá, publicado em Belgrado, em 1988, e no Brasil, pela Companhia das Letras, em 1990. Foi traduzido diretamente do servo-croata para o português por Aleksandar Jovanovic. Milorad nasceu em Belgrado em 1929, era poeta, romancista, tradutor, estudioso da história da literatura, professor da Faculdade de Filosofia da cidade de Novi Sad(Sérvia) e Universidade de Belgrado, além de membro da Academia Sérvia de Ciências e Artes. Morreu em 2009, aos 81 anos.

O romance conta a história do arquiteto Atanássiie Svilar, fracassado financeiramente, já que não teve nenhum de seus projetos executados, mais brilhante em idéias, a partir da sua decisão de descobrir o que aconteceu com seu pai, Kosta Svilar. Kosta haviadesaparecido na segunda guerra mundial, às vésperas da libertação, em algum lugar da Grécia, quando deixaram de receber notícias suas. Na verdade, ele vai em busca de si mesmo, e termina perdendo a identidade. “Afinal, inexiste uma fronteira rígida entre o passado – que vai crescendo, porque se nutre do presente – e o futuro – que, segundo tudo indica, não é inesgotável, nem é ininterrupto, mas vai definhando e manifesta-se aos golpes, em algum lugar.” Situado em plena transição política do Leste europeu, abrange o período que vai da Segunda guerra, governo de Tito e seu final, até o período anterior a era Gorbatchev. A narrativa da saga do arquiteto, dá origem a outras histórias, de personagens interligados, suas paixões, todas fantásticas, onde ele mistura ficção e realidade, mito, história e realismo mágico: “Porque todas as coisas conhecidas deste mundo representam a metade das coisas, e elas tentam aprender a respeito daquela metade invisível e divina, daquela que não conseguimos alcançar nem conhecer.” O autor organizou o livro num esquema de palavras cruzadas, a horizontalidade da intriga cruzando-se com a verticalidade do destino dos personagens.

Adorei a leitura, o tipo do livro que você tem que parar para pesquisar, e aprende muito. Foi assim que conheci o Monte Atos, uma montanha e península na Grécia, patrimônio mundial da UNESCO e chamada de montanha sagrada pelos gregos, pois abriga 20 mosteiros. Fiquei fascinada pela montanha sagrada, fascínio que virou decepção ao saber que é um dos poucos lugares do mundo onde é proibido a entrada de mulheres.