Arquivo mensal: julho 2019

Trinidad e Tobago

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Eu estava procurando um livro para a categoria 14 – Um autor falecido em 2018, do desafio livrada 2019, quando encontrei V.S. Naipul(ele morreu em 2018). E foi então que descobri que além de se encaixar nessa categoria, e ter ganho o Prêmio Nobel de Literatura, em 2001, ele tinha nascido na ilha de Trinidad, e escrito um romance, Miguel Street, que retrata a cidade de Port of Spain, capital de Trinidade e Tobago, nos anos 30 e 40. Assim, decidi que seria esse o representante do país no #198livros. As ilhas ficam no Caribe, bem próxima a Venezuela, e assim como outras ilhas do Caribe, foram “descobertas” por Colombo, invadidas pelo Reino Unido, sendo a sua população majoritariamente constituída por escravos, até sua libertação em 1838. O país conseguiu sua independência do Reino Unido, em 1962.

Miguel Street, o primeiro livro de Naipul, foi escrito em 1955, no período de apenas seis semanas, quando o autor tinha quase 23 anos, mas, só foi publicado em 1959, quando ele já tinha alcançado reconhecimento com outro romance, O Massagista Místico.  Ambientado num bairro pobre de Port of Spain, quando ainda era uma colônia subdesenvolvida do Reino Unido, o livro é constituído de pequenas histórias, descritas pelo mesmo narrador, cujos protagonistas são todos moradores de uma rua, a Miguel Street. Os personagens são figuras excêntricas, quase improváveis: Laura, uma mulher que teve oito filhos com 7 homens diferentes; Bogart um homem que parecia entediado, pois passava o dia jogando paciência, até começar a desaparecer sem explicações por alguns períodos de tempo; Eddoes, o magnata da rua, porque era dono de uma carrocinha de lixo; Homem-homem, que planeja sua crucificação…Eles tem em comum, o orgulho de pertencerem a uma comunidade, e de estarem sempre se ajudando, como diz o narrador, “Um dos milagres da vida na Miguel Street era que ninguém passava fome” embora, a violência doméstica tenha se tornado uma banalidade, assim como as dificuldades e tragédias de cada um. As histórias são narradas de forma leve e humorada, como se os personagens, ironizassem o próprio sofrimento.

Guiana

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A Guiana, anteriormente chamada de Guiana Inglesa, era originalmente habitada pelos índios aruaques e caraíbas, até ser invadida pelos holandeses. Depois de terem iniciado as plantações de cana-de-açúcar, no início do século XVII, venderam o território para os britânicos em 1831. Para o trabalho nas plantações, os ingleses utilizavam a mão-de-obra escrava dos africanos, até os libertarem em 1838, quando trouxeram  trabalhadores temporários da Índia. Uma vez livre, os africanos decidiram se estabelecer na costa, na cidade de Georgetown, capital do país, enquanto os indianos, permaneceram na zona rural. Em 1966, o país conquistou a independência, mas a população permaneceu em conflito, pela rivalidade entre grupos étnicos antagônicos, os indo-guianenses e afro-guianenses. A Guiana, é um país pobre, com economia baseada na agricultura e mineração. Este é o cenário onde é ambientado o romance Frangipani House, de Beryl Gilroy, escolhido para representar o país neste projeto.

A autora nasceu em 30 de agosto de 1924, em Skeldon village, Berbice county, Guyana, onde passou a infância e o inicio da vida adulta. Em 1951, depois de obter o certificado Britânico de Professor da Guiana, em primeiro lugar, foi selecionada para fazer faculdade em Londres, e em 1968, tornou-se a primeira diretora negra, de uma escola primária em Londres, antes de entrar para a Universidade de Londres como pesquisadora. Entre 1970 e 1975, escreveu uma série de livros infantis, e em 1976 publicou Black Teacher, uma crônica de sua experiência como a única diretora negra de Londres. Em 1982, ganhou o prêmio GLC de Escrita Criativa de Minorias Étnicas, com o livro In For a Penny, e em 1985, ganhou o prêmio GLC de Literatura Negra, por Frangipani House. 

A escritora disse, em uma de suas entrevistas, que esse romance foi baseado tanto, em suas experiências de trabalho numa casa de repouso para idosos, como em represália a uma de suas amigas, proprietária de um asilo em Barbados. Pois tendo visitado o asilo, havia questionado porque as senhoras não fugiam de lá, e a amiga respondeu, porque elas não o desejavam. Esse é o tema central do romance, que conta a história da Sra. Mabel Alexandrina King, que aos 69 anos, vai morar num asilo por orientação das filhas que moram nos Estados Unidos. Mama King, passou um tempo doente, com malária, pleurite e inflamação da garganta, assim as filhas preocupadas, com o rápido desaparecimento dos seus recursos, resolvem interná-la nessa casa de repouso. Assim que se recupera, Mama King começa a se ressentir da estadia, e da forma como é tratada pelas enfermeiras, e pela dona da Frangipani House, a sra. Olga Trask, que parece ser muito boa com os negócios, mas oportunista e interesseira, no tratamento dado as idosas, que foram deixadas ao seu cuidado. Embora a vida de Mama King não tenha sido nada fácil, pois depois que o marido Danny desapareceu, teve que ser pai e mãe das duas filhas, fazendo todo tipo de trabalho, para poder criá-las, e depois os netos que ficaram aos seus cuidados, ela não suporta a vida encarcerada que leva em Frangipani House. No início, a angústia a leva ao desespero, depois a quase loucura e finalmente a fuga parece ser o único caminho. O romance aborda outros temas além do tratamento dos idosos em casas de repouso e a fragilidade de suas vidas, sendo desrespeitados, inclusive pela família, que não reconhecem os sacrifícios que fizeram por eles; racismo, os privilégios dos brancos, em relação aos outros grupos; valores; cultura; e a situação de pobreza do próprio país, que quase os obriga a emigrarem para terem melhores chances na vida.

Canadá

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Ainda não tinha chegado a vez do Canadá, e estava sem nenhum livro para ler do projeto, e não é que do nada, descobri na estante um livro em francês, de um canadense, ambientado em Montreal? Justo Montreal, a cidade que sonho conhecer no Canadá,! Pronto, estava feita a minha escolha. Um romance de Yves BeaucheminLe Matou, um calhamaço de 602 páginas.

Yves Beauchemin, nasceu em Rouyn-Noranda, província de Quebec, no Canadá, em 1941. Formou-se em literatura francesa e história da arte na Universidade de Montreal, em 1965. Ensinou literatura no Collège Garneau e na Université Laval. É autor de romances célebres, como: Le Matou, Juliette PomerleauCharles le téméraire e La Serveuse du Café Cherrier, e membro da Academia de Letras de Quebec. Além de vencedor de vários prêmios. Por Le Matou, ele recebeu os prêmios Prix du grand public du Salon du livre de Montréal (1981), Prix des jeunes romanciers du Journal de Montréal (1981), Prix du roman de l’été (Cannes, 1982), Prix des lycéens du Conseil régional de l’Ile-de-France (Paris, 1992).

O Livro conta a história de Florent, um jovem de 25 anos, e sua esposa Elise, seus amigos e inimigos. Inicia quando Florent depois de ajudar um senhor que havia sofrido um acidente, cai nas graças de um velho rico e esquisito, Egon Ratablavsky, que assistia a cena, e se oferece para ser seu benfeitor, ajudando-o na aquisição de um restaurante, La Binerie. A partir de então a vida de Florent e Elise, nunca mais será a mesma, farão grandes amigos, acolherão Monsieur Emile, um garoto de 6 anos, relegado pela mãe e seu gato Déjeuner. O restaurante trará sucesso e desventuras, e será alvo de um estranho e terrível combate.

Entende-se porque o autor recebeu tantos prêmios por este livro, trata-se de um thriller, narrado de forma espirituosa e bem humorada, eletrizante e terna ao mesmo tempo. Fiquei ainda mais ansiosa para conhecer Montreal, sua história, arquitetura e restaurantes.