Arquivo mensal: agosto 2019

ITÁLIA: Herculano e Pompéia

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                              Numa noite do mês de outubro, mais precisamente no dia 24, do ano 79 da era cristã, segundo descobertas mais recentes, Vesúvio explodiu, destruindo e soterrando algumas cidades italianas(Pompeia, Herculano, Oplontis, Stabiae e Boscoreale). Estas cidades só foram descobertas no século XVI, quando o arquiteto italiano Domenico Fontana tentou abrir um túnel no monte La Civita. Mas as escavações só começaram em 1738 a mando do Rei da Espanha Carlos III. Hoje, é um parque arqueológico protegido pela UNESCO. E era um dos lugares que havia listado para conhecer, e que estava no meu roteiro nessa viagem. As ruínas de todas essas cidades, acima listadas, estão abertas a visitação, porém para fazer um bate e volta a partir de Nápoles, como fizemos, só dá para visitar duas. Decidimos visitar Herculano e Pompéia. Para chegar lá, pegamos a linha Circumvesuviana de trem, e descemos primeiro em Herculano, pois sabia que era menor, paramos na estação Ercolano Scavi, e depois de pegar o mesmo trem continuamos, e descemos em Pompei – Scavi villa dei misteri.  

HERCULANO

                   A nova cidade de Herculano foi construída em cima das ruínas da antiga. Chegando na estação, só precisamos seguir em frente, e logo já avistamos o sítio e as ruínas, ao mesmo tempo em que temos uma visão fantástica do mar.

Herculano

Herculano

Visão das ruínas com o mar ao fundo

                          Nós não chegamos a descer para o sítio arqueológico onde estão as ruínas, pois achei que ficaria muito cansativo, uma vez que ainda iríamos para Pompéia, e que não posso negar que era meu foco, além de ser bem maior, do que Herculano. Mas me arrependi deveria ter descido lá também, pois devido a circunstâncias naturais, a cidade ficou mais preservada. Como o vento soprava para o outro lado, logo que houve a explosão do Vesúvio, formou-se uma coluna de cinzas muito aquecidas que atingiu a cidade, ficando soterrada. No entanto, as cinzas preservaram os prédios.

                            Mas na hora, não pensei nisso. Eu já estava tão deslumbrada com o que estava vendo, a paisagem, as ruínas e a presença do Vesúvio lá no fundo, que achei que era suficiente. Mas escrevendo o post, e depois de ver algumas fotos das pinturas, bateu o arrependimento. Mas enfim, seguimos em frente.

POMPÉIA

                          Voltamos para a estação, pegamos o mesmo trem e descemos na estação Pompei – Scavi villa dei misteri. A essa altura a fome já estava batendo, então foi só escolher o local para comer. E olha que acertamos, pois acho que foi um dos melhores nhoques que já comi. Depois seguimos para o parque. Anteriormente, ainda em Nápoles, tínhamos visitado o Museu Arqueológico, e além das muitas estátuas e objetos que foram retirados das ruínas, assistimos uma animação que simula como seria a cidade antes da explosão. É incrível!

Início da caminhada e primeiras impressões

 

Abaixo dois exemplos de casas típicas romanas: Casa della Fontana Piccola e Casa della Caccia Antica

Casa Fontana Piccola – fonte ao fundo

Casa della Fontana Piccola

Muro della Caccia antica

Interior da casa della caccia antica

Detalhe da pintura da casa della caccia antica

Casa della caccia antica

                           Não dá para explorar toda a cidade, é muito grande! E a parte descoberta representa apenas um terço do que era a cidade na época da explosão do vulcão. É indescritível a sensação de voltar no tempo, percorrendo as ruas de pedra e imaginar como seria a vida naqueles dias. E o mais incrível é olhar para o Vesúvio, ali na frente, o tempo todo olhando para gente! E pensar na força que ele tem.

Jamaica

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Para mim, não tem como pensar na Jamaica, sem associar imediatamente ao incrível Bob Marley, de quem sou fã incondicional, das suas músicas, que embalaram muitos momentos divertidos, vividos na faculdade. A Jamaica, é uma ilha exótica e paradisíaca, situada no Caribe. Essas características promoveram o incremento do turismo, e suas consequências foram magistralmente problematizadas no romance de Nicole Dennis-Benn. 

A autora, nasceu em Kingston, a capital da Jamaica, onde viveu até os 17 anos, quando mudou-se com o pai, para os Estados Unidos, para estudar medicina. Depois de ter concluído o mestrado na área de Saúde Pública, e atuado alguns anos na área, resolveu se dedicar a atividade que realmente gostava, a escrita. Seu livro de estreia, “Bem-Vindos ao Paraíso“, escolhido para representar o pais, no projeto #198livros, foi muito aplaudido, tendo vencido o Lambda Literary Award.

Eu terminei de ler ontem, mas ainda continuo lá, na Jamaica, convivendo com os personagens, torcendo por eles e me indignando com a miséria humana: que despreza e exclui quem é diferente; que desconhece o humano no outro para cruelmente usar como fonte de renda, ou em benefício próprio; que se apropria da natureza e da cultura de um povo, pelo dinheiro. Ao narrar a trajetória de Margot, e todos os seus personagens, a autora explora temas como sexualidade, gênero, turismo sexual e racismo. Margot trabalha “oficialmente” no resort de luxo, numa praia da Jamaica, e luta com todas as suas forças para manter sua irmã mais nova, Thandi, na escola, para que ela possa ter uma oportunidade de vida melhor do que ela própria. Ela complementa sua renda usando o corpo, como foi acostumada a fazer desde sempre. O enredo se desenvolve ambientado numa pequena vila litorânea, River Bank, próxima ao resort onde Margot trabalha, e que agora também está ameaçada de ser engolida por mais um resort de luxo. Aos poucos, vamos conhecendo todos os personagens envolvidos na trama, bem como seus dramas profundos; a luta pela sobrevivência diária, marcada por um passado cruel, que volta sempre para assombrar, de mãos dadas com a pobreza, e a mercê da ganância dos poderosos, que não conhecem limites. Parece que todos os personagens foram vítimas de violência, e praticam a violência, talvez para sobreviver, difícil julgar. Uma leitura de pegada, não conseguimos parar, e quando acaba, não conseguimos esquecer

Myanmar

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     Localizado no sudeste asiático, o país deixou de integrar o Império Britânico, em 1948. O Budismo teravada, é praticado pela maioria da população, que no entanto, convivem com outras religiões, como cristãos, hindus e muçulmanos. Existem mais de cem grupos étnicos, mas atualmente o maior conflito, está na violenta perseguição que estão sendo vítimas, a minoria muçulmana rohingya, por parte do exército.

       Para representar o país, não precisei procurar muito, tanto pela facilidade de baixar para o kindle, como pela unanimidade de indicação, escolhi o romance de Nu Nu Yi, Smile as They Bow. O livro narra o Festival Taungbyon, que acontece na cidade de Taugbyon, nas imediações de Mandalay, e teve origem na época do Rei Anawrahta, no início do século XI. Trata-se do festival nos nats(espíritos), que acontece numa grande celebração que dura 7 dias, e movimenta toda a cidade, com fieis vindo de todas as províncias. Invocam-se os espíritos por meio de cantos, danças, e orações, que são incorporados pelas natkadaws. São figuras femininas preferencialmente representadas por gays, embora o homossexualismo seja proibido no país, exceção feita ao período do festival.

No romance, a personagem principal, é a natkadaws Daisy Bond, que ganhou esse nome, ao enfrentar a polícia, numa tentativa de viver a sua sexualidade. Mas no momento em que conhecemos a personagem, ela não tem mais tanta jovialidade, e apesar de sua importância, emocionalmente vive na dependência de seu “marido”, Min Min, trinta anos mais jovem, e a quem ela comprou, quando era adolescente. Ela vive o desespero de perceber que ele está lhe escapando, e tem medo que a deixe por uma mulher de verdade. Por trás da história de Daisy, e sua trajetória até tornar-se o que é hoje, a autora no mostra os bastidores do festival, como tudo envolve dinheiro e poder. Como toda a população vive em função desses dias de festival, dos fieis, aos cantores, dançarinos, ambulantes, vendedores de comida, até os “pickpoket”. Tudo gira em torno do dinheiro!

 

 

Djibouti

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         O Djibouti, é um minúsculo país localizado no nordeste da África, numa região conhecida como os “Chifres da África”. Possui uma localização estratégica, situada no estreito de Bab el Mandeb, que liga o golfo de Áden ao mar Vermelho, o canal privilegiado para rumar ao de Suez, pode onde passa 10% da circulação de petróleo e 20% do comercio mundiais.  Pela sua proximidade com a Somália e o Oriente Médio, fazem do país uma área de importância geopolítica e militar. Nada mais do que 7 nações ocupam o Djibouti com presenças militares, EUA, Japão, França, Itália, Espanha, e recentemente Arábia Saudita e China. Sendo que os Estados Unidos e a China possuem bases permanentes, e pagam anualmente  63  e 100 milhões de dólares, respectivamente pelo aluguel das bases.

         Abdourahman A. Waberi, é o autor do romance escolhido Passage des larmes, publicado pela Editora Jean-Claude Lattès, em 2009. Waberi, nasceu em Djibouti, capital do  Djibouti, em 1965. Mudou-se para a França em 1985, onde concluiu os estudos na universidade de Borgonha. Escreveu vários romances, foi saudado pela crítica, recebeu inúmeros prêmios. Vive entre a França e os Estados Unidos onde ensina literatura.

Passage des larmes(– باب المندب, nome do estreito Bab el Mandeb, em árabe), é um romance de espionagem, misterioso, tenso, que faz eco a situação atual, mas ao mesmo tempo, agradável de ler, pela forma poética como é narrado. Fala do exílio, do fanatismo religioso, e a geopolítica da região dos chifres da África. Estruturado de forma a dar voz a dois narradores, Djibril, que tem 29 anos, vive em Quebec, no Canadá e está retornando a Djibouti a trabalho, depois de 15 anos de exílio; e um fanático religioso que se encontra preso, e que terá sua identidade revelada aos poucos, a medida que a narrativa for avançando, e que parece tudo saber sobre Djibril e os seus passos. Entre os dois narradores, o autor inseriu, no contexto atual, a presença de Walter Benjamim, filósofo, ensaísta e tradutor, que morreu no exílio, enquanto tentava fugir dos nazistas, e que parece ser a inspiração dos dois personagens, antagônicos entre si. Ao chegar, Djibril vai se deparar com dois inimigos, um real, tangível, que é o inimigo político, representado pelos grupos fanáticos que utilizam o islamismo, para aterrorizar, e o outro é ele mesmo, quando confrontado com seu passado, que havia deixado para trás ao sair do país. Todas as dores e lembranças do passado, pouco a pouco vão lhe invadindo e assustando. A intriga é eletrizante, além de extremamente instrutiva, para aprender sobre a região.

Hungria

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                    Não tive dificuldades para encontrar um livro para representar a Hungria, pois já conhecia o clássico de Ferenc Molnár, “Os Meninos da Rua Paulo“, e tinha me decidido por ele. Quando chegou o momento de ler, estava de viagem marcada e levei-o na mala. Este livro viajou comigo por 4 países, e me pegou em uma fase de ressaca literária que nem sei como explicar, não conseguia abrir nenhum um livro, e isso nunca tinha me acontecido antes. Mas enfim, passou, e resolvi retomar aos meus projetos literários. Graças a Deus, o livro é maravilhoso e me ajudou a sair dessa inércia. Trata-se de um clássico da literatura juvenil da Hungria, publicado pela primeira vez em 1907. Seu autor tinha 28 anos, quando escreveu o romance, era filho de judeus de classe média(seu pai era médico), na época em que a Hungria fazia parte do Império Austro-Húngaro. É possível que se trate de um romance autobiográfico, ou inspirado em uma história real, pois em algumas ocasiões percebe-se que a narrativa deriva para a primeira pessoa do singular, como se o autor fosse o próprio personagem.

                   O romance narra a história de uma grupo de meninos, amigos, que fazem parte da Sociedade do Betume, e que todas as tardes depois da escola se reúnem no grund, (um terreno baldio) para jogar pela. Eles seguem com seriedade os rituais da sociedade, que tem, além de regras próprias, bandeira, livro para registro das atas de assembléia, e uma hierarquia de funções de capitão, tenente, alfares e soldado raso. Fazem parte da sociedade, Boka, Csele, Csónakos, Kende, Weiss, Geréb e Nemecsek, que se dividem nas funções para manter a ordem e proteger o lugar. Tudo vai bem, até que outro grupo de garotos, os camisas vermelhas, liderados por Chico Áts, resolvem invadir o lugar. O grupo dos camisas vermelhas, eram temidos, por serem agressivos e aplicarem o einstand, gíria utilizada pelos meninos de Budapest, quando garotos mais fortes queriam tomar bolas de gude, peninhas ou qualquer outro brinquedo de meninos mais fracos, gritavam: einstand, que era quase uma declaração de guerra, informando que estavam tomando os brinquedos, e que caso não entregassem haveria guerra. Dessa vez, no entanto, sob a ameaça de invasão do grund, eles resolvem reagir e defender com todas as armas o seu espaço tão querido. Para vencerem a luta, eles vão precisar de muita união, amizade, cumplicidade e coragem. Ao longo da disputa, os dois grupos vão vivenciar sentimentos de inveja, traição, arrependimento, bem como, coragem, superação, e descobrir como a força de sentimentos nobres pode ser transformador.