Costa do Marfim

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Climbiê, do escritor marfinense, Bernard B. Dadié, foi o livro escolhido para representar a Costa do Marfim. Trata-se de um clássico da literatura africana, e um marco na literatura marfinense, por ter sido o primeiro a ser publicado, em 1956, quatro anos antes da independência do país. É um romance autobiográfico, que vai narrar a vida do pequeno Bernard B. Dadié desde Boudéa, sua aldeia natal, passando por Grand-Bassam, primeira capital do país, Bingerville, segunda capital, Gorée, capital de AOF, onde se encontra a escola Normal Superiora William Ponty, e finalmente Abidjan.

O livro se divide em duas partes, e se desenvolve em pleno período colonial. Na primeira parte, acompanharemos sua vida escolar, na Costa do Marfim até a sua admissão em William Ponty, e na segunda parte, vamos acompanhá-lo até Dakar, onde ele viverá muitos anos antes de retornar ao seu país e passar a militar em defesa da cultura africana e da independência do país.  No livro ele denuncia a violência do colonialismo, e o impacto na cultura do país e da região. Depois de ler alguns romances africanos que abordam esse tema, a gente começa a se familiarizar um pouco, mas sempre se surpreende quando conhecemos mais intimamente algumas práticas por meio dos relatos de quem a vivenciou.

O romance abrange toda a jornada de Climbiê, até a vida adulta. No início do romance, ele é um menino despreocupado, vivendo com seu tio N’Dabian, um agricultor, que ele considera como seu pai, numa aldeia chamada Boudéa, e recebendo uma educação tradicional; ouvir as histórias contadas em serões, ajudar o tio com diversas tarefas, e aprender a se tornar um homem. Mas, sob a orientação de sua tia Bènie, o tio o matricula na escola dos “brancos” em Grand-Bassam, onde todas as crianças são obrigadas a frequentar. A partir de então ele vai ter contato com a postura impositiva do colonialismo, que não compreende o africano, nem sua cultura, e que não há interesse em preservar. Na escola, por exemplo, “É proibido falar suas línguas nos recintos da escola”. Se algum aluno fosse pego falando qualquer língua, que não fosse o francês, era castigado, devendo carregar “o símbolo” objeto que denunciava o infrator. Sob a orientação do tio Assuan Koffi, recebe estímulos para buscar o conhecimento: “Os teus estudos te ensinarão a socorrer todo homem que sofre, porque é teu irmão. Não olhes nunca para a cor dele, ela não tem importância. Mas, em contrapartida, não deixes nunca pisotear teus direitos de homem, porque, mesmo na mais dura das escravidões, esses direitos estão ligados à tua própria natureza.” Ele vai se dedicar aos estudos, para conquistar sempre mais conhecimento. No entanto, mesmo mantendo-se fiel as suas origens africanas, Climbiê se sente influenciado pelo mundo moderno, que aprendeu a conviver na escola. E é através da linguagem que vai encontrar o equilíbrio entre esses dois mundos.

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