Arquivo da categoria: #198 livros

Trinidad e Tobago

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Eu estava procurando um livro para a categoria 14 – Um autor falecido em 2018, do desafio livrada 2019, quando encontrei V.S. Naipul(ele morreu em 2018). E foi então que descobri que além de se encaixar nessa categoria, e ter ganho o Prêmio Nobel de Literatura, em 2001, ele tinha nascido na ilha de Trinidad, e escrito um romance, Miguel Street, que retrata a cidade de Port of Spain, capital de Trinidade e Tobago, nos anos 30 e 40. Assim, decidi que seria esse o representante do país no #198livros. As ilhas ficam no Caribe, bem próxima a Venezuela, e assim como outras ilhas do Caribe, foram “descobertas” por Colombo, invadidas pelo Reino Unido, sendo a sua população majoritariamente constituída por escravos, até sua libertação em 1838. O país conseguiu sua independência do Reino Unido, em 1962.

Miguel Street, o primeiro livro de Naipul, foi escrito em 1955, no período de apenas seis semanas, quando o autor tinha quase 23 anos, mas, só foi publicado em 1959, quando ele já tinha alcançado reconhecimento com outro romance, O Massagista Místico.  Ambientado num bairro pobre de Port of Spain, quando ainda era uma colônia subdesenvolvida do Reino Unido, o livro é constituído de pequenas histórias, descritas pelo mesmo narrador, cujos protagonistas são todos moradores de uma rua, a Miguel Street. Os personagens são figuras excêntricas, quase improváveis: Laura, uma mulher que teve oito filhos com 7 homens diferentes; Bogart um homem que parecia entediado, pois passava o dia jogando paciência, até começar a desaparecer sem explicações por alguns períodos de tempo; Eddoes, o magnata da rua, porque era dono de uma carrocinha de lixo; Homem-homem, que planeja sua crucificação…Eles tem em comum, o orgulho de pertencerem a uma comunidade, e de estarem sempre se ajudando, como diz o narrador, “Um dos milagres da vida na Miguel Street era que ninguém passava fome” embora, a violência doméstica tenha se tornado uma banalidade, assim como as dificuldades e tragédias de cada um. As histórias são narradas de forma leve e humorada, como se os personagens, ironizassem o próprio sofrimento.

Guiana

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A Guiana, anteriormente chamada de Guiana Inglesa, era originalmente habitada pelos índios aruaques e caraíbas, até ser invadida pelos holandeses. Depois de terem iniciado as plantações de cana-de-açúcar, no início do século XVII, venderam o território para os britânicos em 1831. Para o trabalho nas plantações, os ingleses utilizavam a mão-de-obra escrava dos africanos, até os libertarem em 1838, quando trouxeram  trabalhadores temporários da Índia. Uma vez livre, os africanos decidiram se estabelecer na costa, na cidade de Georgetown, capital do país, enquanto os indianos, permaneceram na zona rural. Em 1966, o país conquistou a independência, mas a população permaneceu em conflito, pela rivalidade entre grupos étnicos antagônicos, os indo-guianenses e afro-guianenses. A Guiana, é um país pobre, com economia baseada na agricultura e mineração. Este é o cenário onde é ambientado o romance Frangipani House, de Beryl Gilroy, escolhido para representar o país neste projeto.

A autora nasceu em 30 de agosto de 1924, em Skeldon village, Berbice county, Guyana, onde passou a infância e o inicio da vida adulta. Em 1951, depois de obter o certificado Britânico de Professor da Guiana, em primeiro lugar, foi selecionada para fazer faculdade em Londres, e em 1968, tornou-se a primeira diretora negra, de uma escola primária em Londres, antes de entrar para a Universidade de Londres como pesquisadora. Entre 1970 e 1975, escreveu uma série de livros infantis, e em 1976 publicou Black Teacher, uma crônica de sua experiência como a única diretora negra de Londres. Em 1982, ganhou o prêmio GLC de Escrita Criativa de Minorias Étnicas, com o livro In For a Penny, e em 1985, ganhou o prêmio GLC de Literatura Negra, por Frangipani House. 

A escritora disse, em uma de suas entrevistas, que esse romance foi baseado tanto, em suas experiências de trabalho numa casa de repouso para idosos, como em represália a uma de suas amigas, proprietária de um asilo em Barbados. Pois tendo visitado o asilo, havia questionado porque as senhoras não fugiam de lá, e a amiga respondeu, porque elas não o desejavam. Esse é o tema central do romance, que conta a história da Sra. Mabel Alexandrina King, que aos 69 anos, vai morar num asilo por orientação das filhas que moram nos Estados Unidos. Mama King, passou um tempo doente, com malária, pleurite e inflamação da garganta, assim as filhas preocupadas, com o rápido desaparecimento dos seus recursos, resolvem interná-la nessa casa de repouso. Assim que se recupera, Mama King começa a se ressentir da estadia, e da forma como é tratada pelas enfermeiras, e pela dona da Frangipani House, a sra. Olga Trask, que parece ser muito boa com os negócios, mas oportunista e interesseira, no tratamento dado as idosas, que foram deixadas ao seu cuidado. Embora a vida de Mama King não tenha sido nada fácil, pois depois que o marido Danny desapareceu, teve que ser pai e mãe das duas filhas, fazendo todo tipo de trabalho, para poder criá-las, e depois os netos que ficaram aos seus cuidados, ela não suporta a vida encarcerada que leva em Frangipani House. No início, a angústia a leva ao desespero, depois a quase loucura e finalmente a fuga parece ser o único caminho. O romance aborda outros temas além do tratamento dos idosos em casas de repouso e a fragilidade de suas vidas, sendo desrespeitados, inclusive pela família, que não reconhecem os sacrifícios que fizeram por eles; racismo, os privilégios dos brancos, em relação aos outros grupos; valores; cultura; e a situação de pobreza do próprio país, que quase os obriga a emigrarem para terem melhores chances na vida.

Canadá

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Ainda não tinha chegado a vez do Canadá, e estava sem nenhum livro para ler do projeto, e não é que do nada, descobri na estante um livro em francês, de um canadense, ambientado em Montreal? Justo Montreal, a cidade que sonho conhecer no Canadá,! Pronto, estava feita a minha escolha. Um romance de Yves BeaucheminLe Matou, um calhamaço de 602 páginas.

Yves Beauchemin, nasceu em Rouyn-Noranda, província de Quebec, no Canadá, em 1941. Formou-se em literatura francesa e história da arte na Universidade de Montreal, em 1965. Ensinou literatura no Collège Garneau e na Université Laval. É autor de romances célebres, como: Le Matou, Juliette PomerleauCharles le téméraire e La Serveuse du Café Cherrier, e membro da Academia de Letras de Quebec. Além de vencedor de vários prêmios. Por Le Matou, ele recebeu os prêmios Prix du grand public du Salon du livre de Montréal (1981), Prix des jeunes romanciers du Journal de Montréal (1981), Prix du roman de l’été (Cannes, 1982), Prix des lycéens du Conseil régional de l’Ile-de-France (Paris, 1992).

O Livro conta a história de Florent, um jovem de 25 anos, e sua esposa Elise, seus amigos e inimigos. Inicia quando Florent depois de ajudar um senhor que havia sofrido um acidente, cai nas graças de um velho rico e esquisito, Egon Ratablavsky, que assistia a cena, e se oferece para ser seu benfeitor, ajudando-o na aquisição de um restaurante, La Binerie. A partir de então a vida de Florent e Elise, nunca mais será a mesma, farão grandes amigos, acolherão Monsieur Emile, um garoto de 6 anos, relegado pela mãe e seu gato Déjeuner. O restaurante trará sucesso e desventuras, e será alvo de um estranho e terrível combate.

Entende-se porque o autor recebeu tantos prêmios por este livro, trata-se de um thriller, narrado de forma espirituosa e bem humorada, eletrizante e terna ao mesmo tempo. Fiquei ainda mais ansiosa para conhecer Montreal, sua história, arquitetura e restaurantes.

Costa do Marfim

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Climbiê, do escritor marfinense, Bernard B. Dadié, foi o livro escolhido para representar a Costa do Marfim. Trata-se de um clássico da literatura africana, e um marco na literatura marfinense, por ter sido o primeiro a ser publicado, em 1956, quatro anos antes da independência do país. É um romance autobiográfico, que vai narrar a vida do pequeno Bernard B. Dadié desde Boudéa, sua aldeia natal, passando por Grand-Bassam, primeira capital do país, Bingerville, segunda capital, Gorée, capital de AOF, onde se encontra a escola Normal Superiora William Ponty, e finalmente Abidjan.

O livro se divide em duas partes, e se desenvolve em pleno período colonial. Na primeira parte, acompanharemos sua vida escolar, na Costa do Marfim até a sua admissão em William Ponty, e na segunda parte, vamos acompanhá-lo até Dakar, onde ele viverá muitos anos antes de retornar ao seu país e passar a militar em defesa da cultura africana e da independência do país.  No livro ele denuncia a violência do colonialismo, e o impacto na cultura do país e da região. Depois de ler alguns romances africanos que abordam esse tema, a gente começa a se familiarizar um pouco, mas sempre se surpreende quando conhecemos mais intimamente algumas práticas por meio dos relatos de quem a vivenciou.

O romance abrange toda a jornada de Climbiê, até a vida adulta. No início do romance, ele é um menino despreocupado, vivendo com seu tio N’Dabian, um agricultor, que ele considera como seu pai, numa aldeia chamada Boudéa, e recebendo uma educação tradicional; ouvir as histórias contadas em serões, ajudar o tio com diversas tarefas, e aprender a se tornar um homem. Mas, sob a orientação de sua tia Bènie, o tio o matricula na escola dos “brancos” em Grand-Bassam, onde todas as crianças são obrigadas a frequentar. A partir de então ele vai ter contato com a postura impositiva do colonialismo, que não compreende o africano, nem sua cultura, e que não há interesse em preservar. Na escola, por exemplo, “É proibido falar suas línguas nos recintos da escola”. Se algum aluno fosse pego falando qualquer língua, que não fosse o francês, era castigado, devendo carregar “o símbolo” objeto que denunciava o infrator. Sob a orientação do tio Assuan Koffi, recebe estímulos para buscar o conhecimento: “Os teus estudos te ensinarão a socorrer todo homem que sofre, porque é teu irmão. Não olhes nunca para a cor dele, ela não tem importância. Mas, em contrapartida, não deixes nunca pisotear teus direitos de homem, porque, mesmo na mais dura das escravidões, esses direitos estão ligados à tua própria natureza.” Ele vai se dedicar aos estudos, para conquistar sempre mais conhecimento. No entanto, mesmo mantendo-se fiel as suas origens africanas, Climbiê se sente influenciado pelo mundo moderno, que aprendeu a conviver na escola. E é através da linguagem que vai encontrar o equilíbrio entre esses dois mundos.

Sudão

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Na ocasião em que publiquei o post sobre o Sudão do Sul, em janeiro de 2016, havia verificado em minhas pesquisas, que o pais vivia num caos desde a sua independência do Sudão em 2011. E é com tristeza que verifico que o próprio Sudão vive atualmente em conflitos, que já ocasionaram muitas mortes. O estopim foi a derrubada do governo em abril deste ano, após manifestações, iniciadas em janeiro deste ano, contra os crimes cometidos pelo então presidente Omar al-Bashir. Os militares que derrubaram o governo, se comprometeram a fazer um governo de transição, mas na prática isso não aconteceu, e agora a população exige que o governo seja entregue a um civil. Os militares chegaram até a cortar a internet com o intuito de impedir a comunicação entre as pessoas e isolar o Sudão do resto do mundo. Uma situação difícil, um caos!

Menos caótica, no entanto, foi a escolha do livro para representar o país. Em maio de 2018 recebi da TAG Livros, da qual sou associada, o  livro Tempo de Migrar para o Norte, de Tayeb Salih, escritor sudanês, da vila de Karmakol, região norte do Sudão. Naquele momento, decidi que seria esse o representante do Sudão.

Tayeb, nascido em 1929, é um dos mais aclamados escritores árabes do século XX. Ele se formou em Literatura na Universidade de Cartum, capital do Sudão. Em 1952, deixou o país para estudar nas Universidades de Londres e de Exeter, na época o Sudão ainda era uma colônia britânica, só vindo a conquistar a independência em 1956. É autor de vários contos e romances, e seu romance Tempo de Migrar para o Norte, publicado em árabe, em 1966, foi eleito o mais importante romance árabe do século XX. No romance, o narrador é um intelectual, não nominado, que acaba de retornar da Europa, após 7 anos de estudos, para sua terra natal, a mesma do autor, uma aldeia rural, banhada pelas curvas do Rio Nilo. A alegria inicial pelo retorno, o acolhimento familiar e a sensação de pertencimento logo farão contraponto com o peso dos costumes arcaicos, e da severa religiosidade. O encontro com um novo habitante na aldeia, longo chamará sua atenção, o deixando intrigado. Trata-se de Mustafa Said, um personagem que no passado, viveu a mesma experiência do narrador, de emigrar para a Europa, porém, com uma trajetória muito mais tumultuada e envolta em mistérios, do que a do narrador. Aos poucos, a história de Mustafa, vai sendo revelada, inicialmente por ele mesmo, e depois do seu desaparecimento, nas buscas realizadas pelo narrador. Mustafa é um personagem contraditório, fascinante e misterioso. No momento, em que o narrador o conhece, ele está estabilizado na aldeia, onde trabalha, casado e com filhos, mas nem sempre foi assim. De maneira gradativa, vamos conhecendo a trágica história de Mustafa, que está inevitavelmente vinculada a do próprio país, do colonialismo imposto pelo colonizador e seus efeitos sobre a cultura do povo africano. Uma leitura, densa, mais fascinante e necessária.

Mongólia

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     Algumas curiosidades sobre o novo destino. A Mongólia, fica situada entre a China e a Rússia, não tem costa marítima, e seu território é muito extenso, 1.564.000 km², porém tem uma baixa densidade, apenas 3.155.044 habitantes, de acordo com dados do countrymeters, em 2019. É um país exótico, que tem no povo e na natureza o seu maior atrativo, apesar de ainda não ser muito explorado pelo turismo. São florestas, montanhas, padrarias, cânions, lagos e rios de degelo, cachoeiras, vales, platôs infinitos (áridos e semiáridos), estepes e o emblemático deserto de Gobi, tombado pela UNESCO, como patrimônio da humanidade. É a natureza exuberante que compõe o cenário do país, e sua herança da cultura tribal, que caracterizam a maneira nômade do mongol. É também a terra de Genghis Khan, imperador mongol, considerado um dos maiores conquistadores do mundo, no século XIII. De acordo com Ganbold, secretário-geral da governista Coalizão União Democrática, “Ele uniu as tribos mongóis, criou um Estado e nos deu o sentimento de dignidade e independência”. Ele havia sido banido dos livros de história durante o regime comunista, quando a Mongólia viveu como um satélite da União Soviética, que proporcionava proteção diante da ameaça da China. Com a falência do regime soviético ele voltou a ser reverenciado.

Galsan Tschinag, autor do romance escolhido, The Blue Sky, nasceu em 26 de dezembro de 1944, em Bayan-Ölgiy, Mongólia, Seu nome de origem, na realidade é Irgit Shynykbai-oglu Dshurukuwaa, pois apesar de ter nascido na Mongólia, ele tem origem tuvana. De 1962 a 1966, ele estudou na Universidade de Leipzig, quando adotou o alemão como linguagem escrita. Além de escrever mais de uma dúzia de livros, ele é um xamã. Durante o opresssivo regime comunista ele se transformou em um cantor, contador de histórias conforme antiga tradição tuvana, e liderou o povo que tinha se dispersado no regime  comunista de volta para sua terra, nas montanhas Altai.

The Blue Sky, é a primeira parte de uma trilogia autobiográfica, e segundo palavras do Galsan, descreve a primeira infância e termina com a rejeição ao pai do céu. Narrado pelo autor, como garoto, descreve como era a sua vida; caçula de três irmãos, vivia, com a família e seu cachorro Arsylang, como fiel companheiro, em ails, espécie de acampamentos ou comunidades, formadas pelas yurts, cabanas circulares, típicas da região. Ele descreve como era a vida, em contato direto com a natureza, de onde tiravam o sustento, com a criação de cabras, ovelhas e cavalos, e se fortaleciam com os valores e apoio dos familiares e amigos, ameaçados de extinção com a chegada do progresso e da influência russa. Sem dúvida, um excelente relato sobre a cultura das tribos mongóis.

Islândia

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Em 2011, a Islândia disse “não” aos banqueiros, e ganhou muitos fãs, inclusive eu.  Não tem como não simpatizar com um povo, que tem o discernimento e a coragem de impedir que a população pague pelos erros dos banqueiros, aceitando pacotes de austeridade. E também não tem como não se emocionar com a impressionante diversidade da paisagem islandesa. O país possui 22 vulcões ativos, 250 áreas geotermais, 780 fontes quentes e a terceira maior geleira do mundo (depois da Antártica e da Groenlândia). Então não é de se estranhar que eu tenha encontrado um romance tão a altura da “natureza” do país, embora essa tenha sido a minha estréia na literatura islandesa. O livro escolhido foi Rosa Candida, e o exemplar que li, foi traduzido do francês por André Telles e publicado pela Alfaguara, em 2007. Esse é o terceiro romance da escritora Audur Ava Ólafsdóttir, nascida em 1958, em Reykjavik, capital da Islândia. Audur estudou arte em Paris, e é professora de teoria e história da arte na Universidade da Islândia.

O romance conta a história de Lobbi, um jovem que foi pai muito cedo, e decide partir  para o estrangeiro, levando na bagagem três botões de rosa candida, um tipo muito raro, além de uma foto de sua filha, e essa é praticamente toda sua bagagem. O ponto de partida do romance, é a necessidade de tornar-se pai, como faz um homem para tornar-se pai? No espaço de um ano, Lobbi perdeu sua mãe, num acidente, e tornou-se pai de uma menina, de forma acidental. Ele vive com seu pai, e com o irmão gêmeo, Jósef, nos finais de semana,  – pois é especial e vive numa clínica. Tímido, oprimido pela paternidade precoce, pelas expectativas do próprio pai, e sentindo a ausência da mãe, de quem era muito ligado, ele decide viajar para tentar se encontrar. Consegue um emprego de jardineiro, num mosteiro, com a missão de resgatar seu jardim magnífico. O jardim e as rosas, era uma paixão que ele e a mãe compartilhavam. Segundo a autora, toda viagem literária, é uma viagem onde a gente se descobre e muda, o livro é quase um romance de formação. Não se sabe qual o país, para onde ele vai, e onde se encontra o jardim magnífico. De acordo com Audur, ela ainda o procura. O livro é escrito de uma forma simples, mas apaixonante, que nos toca diretamente no coração!

Dinamarca

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          Depois do sucesso impressionante da saga “Millennium” de Stieg Larsson, a literatura nórdica (Suécia, Noruega, Finlância, Dinamarca e Islândia), entrou em evidência, principalmente no gênero  thrillers e romances criminais da atualidade, no qual seus autores são conhecidos como os melhores. Não se sabe ao certo, o que os tornaram tão brilhantes no tema, talvez a segurança em vivem, com poucos crimes, numa vida tranquila demais, tenha surtido o efeito contrário, e necessidade de viver perigosamente, criando fantasias. Assim devido a facilidade, escolhi nesse gênero, A Mulher Enjaulada, do escritor Jussi AdlerOlsen. Esse livro foi traduzido do alemão por João Ventura, e publicado em 2014, pela Editora Record. Ele foi publicado em Portugal com o nome de O Guardião das Causas Perdidas, pela editora Presença, também em 2014, sendo adaptado para o cinema dinamarquês, em 2012. Jussi Adler-Olsen nasceu em Copenhague, em 02 de agosto de 1950, e dentre outros trabalhos, foi editor de diversas publicações antes de começar a escrever obras de ficção. A Mulher Enjaulada é o primeiro romance da série Departamento Q, ao que se seguiram Desejo de Vingança e A Mensagem na Garrafa. 

De forma simultânea, o livro conta a história de Merete Lynggaard, uma jovem política com uma carreira meteórica, que desaparece sem deixar rastros, em meados de 2002, sendo o caso arquivado depois que as investigações se mostraram infrutíferas, e de Carl Morck, um detetive veterano, que recentemente sofreu um abalo ao ter perdido um parceiro em uma diligência. Ao voltar, depois da licença, fica responsável pelo Departamento Q, recém criado para cuidar de casos importantes que foram arquivados sem terem sido solucionados. O desaparecimento de Merete vem a ser seu primeiro caso, mal instalado, em um subsolo, Carl conta apenas com a ajuda do assistente, Assad, um estranho e divertido imigrante árabe, e juntos começam a trabalhar no caso Merete. A trama é eletrizante, ao mostrar alternadamente a histórias dos dois, indo e vindo no passado/presente, ficamos sabendo a terrível situação de Merete, de que forma foi enjaulada, e o perigo que corre sua vida, sem no entanto saber as razões, por outro lado, vamos acompanhando o aprofundamento do trabalho de Carl, descobrindo pistas que a polícia deixou passar, e que vão dando um novo rumo as investigações. Mas o tempo está correndo contra Carl, e só nos resta prender o folego e torcer para que não chegue tarde demais até Morete.

Sérvia

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        Finalmente cheguei à Sérvia, o quinto país que leio dentre os que fizeram parte da Iugoslávia. Com exceção do livro de Montenegro, todos os outros abordavam o tema da guerra da Bósnia ocorrida entre 1992 a 1995, iniciada após a queda do regime comunista na antiga Iugoslávia. Até então, não tinha muito simpatia pela Sérvia, pela participação que teve na Guerra da Bósnia, e sua responsabilidade no massacre de Srebrenicajá, reconhecidamente considerado genocídio, e pelo massacre de Vukovar, na Croácia. Mas a humanidade evolui – assim desejamos – e em março de 2010, o Parlamento Sérvio pediu desculpas às famílias das vítimas. Além do mais, a história da Sérvia, começa no século I antes de Cristo, e desde então, milhares de sérvios fizeram sua história e não é justo que uma minoria, e suas decisões erradas, venha a representar milhões.

Escolhi o romance de Milorad Pávitch, Paisagem Pintada com Chá, publicado em Belgrado, em 1988, e no Brasil, pela Companhia das Letras, em 1990. Foi traduzido diretamente do servo-croata para o português por Aleksandar Jovanovic. Milorad nasceu em Belgrado em 1929, era poeta, romancista, tradutor, estudioso da história da literatura, professor da Faculdade de Filosofia da cidade de Novi Sad(Sérvia) e Universidade de Belgrado, além de membro da Academia Sérvia de Ciências e Artes. Morreu em 2009, aos 81 anos.

O romance conta a história do arquiteto Atanássiie Svilar, fracassado financeiramente, já que não teve nenhum de seus projetos executados, mais brilhante em idéias, a partir da sua decisão de descobrir o que aconteceu com seu pai, Kosta Svilar. Kosta haviadesaparecido na segunda guerra mundial, às vésperas da libertação, em algum lugar da Grécia, quando deixaram de receber notícias suas. Na verdade, ele vai em busca de si mesmo, e termina perdendo a identidade. “Afinal, inexiste uma fronteira rígida entre o passado – que vai crescendo, porque se nutre do presente – e o futuro – que, segundo tudo indica, não é inesgotável, nem é ininterrupto, mas vai definhando e manifesta-se aos golpes, em algum lugar.” Situado em plena transição política do Leste europeu, abrange o período que vai da Segunda guerra, governo de Tito e seu final, até o período anterior a era Gorbatchev. A narrativa da saga do arquiteto, dá origem a outras histórias, de personagens interligados, suas paixões, todas fantásticas, onde ele mistura ficção e realidade, mito, história e realismo mágico: “Porque todas as coisas conhecidas deste mundo representam a metade das coisas, e elas tentam aprender a respeito daquela metade invisível e divina, daquela que não conseguimos alcançar nem conhecer.” O autor organizou o livro num esquema de palavras cruzadas, a horizontalidade da intriga cruzando-se com a verticalidade do destino dos personagens.

Adorei a leitura, o tipo do livro que você tem que parar para pesquisar, e aprende muito. Foi assim que conheci o Monte Atos, uma montanha e península na Grécia, patrimônio mundial da UNESCO e chamada de montanha sagrada pelos gregos, pois abriga 20 mosteiros. Fiquei fascinada pela montanha sagrada, fascínio que virou decepção ao saber que é um dos poucos lugares do mundo onde é proibido a entrada de mulheres.

Arábia Saudita

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   Novo destino, grande expectativa, e muita curiosidade para mergulhar em uma nova cultura, principalmente sendo tão diferente de tudo que conhecemos, como é a cultura do mundo árabe. Além de saber quão difícil é o acesso as informações sobre o país e seu modo de vida. E nesse contexto a literatura nos aproxima de forma surpreendente desses lugares longínquos de forma bem acessível. Penso na Arábia Saudita, e no mundo árabe de uma forma geral, com um misto de ansiedade(terroristas) e de indignação(situação de opressão da mulher). Mas por outro lado não podemos esquecer que é a romântica terra das Mil e uma noites, então, aí está um excelente destino a ser desbravado.

Começo então com o romance de estréia de Rajaa Alsanea,  Vida Dupla: um romance sobre o Oriente Médio de Hoje. O livro foi publicado originalmente em árabe, e pela primeira vez no Líbano, em 2005, provocando muita polêmica no mundo árabe, e só pode circular na Arábia Saudita, de forma clandestina. Em 2007, foi publicado a versão em inglês com o título de Girls of Riyadh, cidade onde se passa a história e local de nascimento da autora.

De forma bastante leve e fluida, a autora, através da narrativa em primeira pessoa, descreve a vida de quatro amigas(Michelle, Gamrah, Lamees e Sadeem), jovens e ricas, que vivem em Riad, na Arábia Saudita, usando a internet, por meio de e-mails, através de um grupo de discussão do yahoo. Como se fosse uma novela, a narradora, envia uma vez por semana, um e-mail referente a vida de uma das amigas, que são os capítulos. Estes, se inciam com comentários, poemas, citações, letras de músicas, etc. E assim, ao longo dos anos, os leitores acompanham os conflitos vividos pelas amigas, que buscam se encontrar em meio a uma sociedade conservadora, e machista, vivendo num mundo contraditório, de um lado uma sociedade tradicional ao extremo e repressora, e de outro, uma geração que navega na internet e que trouxe a liberalidade do ocidente, para dentro das burcas e hijabs.  Uma leitura leve, uma forma interessante de conhecer um pouco da intimidade, e da vida social dos sauditas, nos dias atuais.