Arquivo da categoria: #198 livros

Rússia

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  Por incrível que pareça, até o ano passado, eu só tinha lido um clássico da literatura russa, Crime e Castigo, de Dostoiévski. No último trimestre resolvi seguir alguns projetos e entrei com tudo nos clássicos russos, o que me deixou no maior embalo em relação a essas leituras. A escolha de apenas um, para o projeto seria difícil, se Camila, não tivesse proposto uma leitura coletiva, de uma escritora contemporânea: The Mountain and The Wall, de Alisa Ganieva. 

A escolha desse romance trouxe algumas dificuldades e considerações, porque a história se passa no Daguestão, local de nascimento da autora, e do qual nada sabia; o que me levou de volta as minhas pesquisas, que me deram um enorme prazer. Assim, descobri que o Daguestão é uma república autônoma, que faz parte da Federação Russa, com uma população de 2.910.249 de habitantes, e diversas etnias. A língua russa é a principal língua oficial e o elo de ligação entre as diversas etnias. Essa, foi uma das dificuldades, da leitura do romance, pois este foi o primeiro romance daguestanês, a ser traduzido para o inglês, e muitas expressões permaneceram em seus idiomas originais, e mesmo com o glossário, no final do livro, senti dificuldades para assimilar os termos. Pelo que entendi, os conflitos ali já existem há bastante tempo, pois de um lado está a Rússia cobiçando as terras do cáucaso, por sua posição estratégica; entre o mar negro e o mar cáspio, bem como o acesso a outros países, seus recursos naturais; fontes minerais e o agronegócio, além das reservas petrolíferas e de gás natural; e por outro lado a região do cáucaso, com uma etnia, cultura e religião islâmica, diferentes, e que não querem ser russos. No início, o conflito era apenas de ordem nacionalista, queriam a separação, e a religião muçulmana era apenas uma questão de escolha.  Porém com a ofensiva russa, que eliminou as principais lideranças separatistas, entraram em cena lideranças mais radicais, com a figura dos jihadistas, e que fazem parte da guerra santa global.

É basicamente este o cenário onde se desenvolve o romance de Alisa Ganieva, com a decisão da Rússia de construir um muro, para se proteger da tensão crescente, e do aumento violência, nas províncias muçulmanas. Os rumores dessa decisão só tendem a aumentar a tensão crescente e a violência na região. Quem narra os acontecimentos é o protagonista, Shamil, um jovem repórter, que vê seu mundo desmoronar, tanto a nível pessoal, ao ser dispensando pela noiva, que o deixou para casar com um fundamentalista islâmico, quanto junto a família e os amigos, com a crescente tensão, provocada pelo avanço dos fundamentalistas, na comunidade local. Além, da situações vividas pelo protagonista, participamos junto com ele da leitura de diversos livros. O sofrimento enfrentado por Shamil, vai transformá-lo, fazendo dele uma pessoa mais amadurecida. Não foi uma leitura cativante, primeiro pelo próprio enredo, e depois por se tratar de um tema bastante específico, de difícil assimilação, pelos termos difíceis de traduzir, que impediam a leitura de fluir.

 

Barein

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     Mais um destino desconhecido que visito através da literatura, e mais um que deixa um enorme desejo de visitar in loco, depois de me aventurar pelas imagens surpreendentes, e dicas de quem já o visitou. Só para se situar, o Barein, é um pequeno pais insular, situado no Golfo Pérsico, tendo por fronteiras marítimas, o Irã, o Catar e a Arábia Saudita. Embora seja uma ilha, existe uma ponte de 25 km, que liga o país a Arábia Saudita.  Apesar de ser um país muçulmano, é bem mais liberal do que os outros países árabes, e graças a liberdade que se encontra em Barein, tornou-se um destino muito atrativo para turistas, principalmente para aqueles, que vivem na Arábia Saudita, onde as restrições religiosas interferem na liberdade. Assim, para quem vive na Arábia Saudita, é só atravessar a ponte e já está em outro mundo.

Yummah, primeiro romance da escritora barenita Sarah A. Al Shafei, foi o livro escolhido para representar o país neste projeto. O livro conta a história de Khadeeja,  narrado por ela mesma, iniciando-se com seu casamento aos 12 anos, com um noivo escolhido por sua mãe, mas que era um estranho para ela. Para gente também é muito estranho, esse tipo de casamento, quase um crime, mas esse era o costume no Barain, naquela época. O romance continua com Khadeeja contando sua história, e a história da sua pequena ilha, como ela chama. Assim ela descreve o seu casamento, a ansiedade e o medo, que antecederam a noite de núpcias, e depois a descoberta do amor, e da vida em família, com os nove filhos. Também vai conhecer o sofrimento com a perda do filho querido; o abandono do marido, que saiu de casa, deixando-a só com oito filhos e grávida do nono; as dificuldades financeiras, e a luta para criar os filhos. Por outro lado, vamos acompanhando as mudanças e acontecimentos no país, como a independência do Reino Unido, a guerra do Iraque, etc. E através do relacionamento dos filhos vamos acompanhando a evolução nos costumes. Mas nada disso interfere no forte vinculo que ela soube criar, para manter a família unida. A palavra “yummah”, significa avó, a avó que Khadeeja se torna como matriarca da família.

Estônia

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                         Somente após a primeira guerra mundial, foi que a Estônia pode se estabelecer como país, e mesmo assim, por um curto período(1918-1940). Até então, eram um povo buscando uma identidade como nação. Estiveram sob domínio dos finlandeses, suecos, dinamarqueses, alemães e russos. O domínio russo começou a partir do final do século XVIII, quando foi anexado ao Império Russo, depois de sucessivas guerras. Foi durante esse século que foram criadas as universidades no país, propiciando um maior crescimento e valorização da cultura estoniana, e da utilização do idioma estoniano. Precisei fazer uma pequena pesquisa da história da Estônia, para poder me situar no contexto histórico em que se passa o romance O Louco do Czar, de Jaan Kross, escolhido para representar o país no #198Livros.

                     Jaan Kross, nasceu em Tallin, em 1920, e formou-se em direito internacional, na Universidade de Tartu. Foi professor até 1946, desta mesma matéria, e professor de Artes Liberales em 1998. Por suspeita de “nacionalismo”, ou seja de militar pela soberania de sua pátria, passou 10 anos preso, tendo sido foi deportado para a Sibéria. Desses 10 anos, 06 passou no Gulag de Vorkuta. Ele é um dos escritores estonianos mais conhecido e traduzido, sendo sua principal característica, o relato da história e cultura do povo estoniano.

                         De todos os romances de Kross, O Louco do Czar é o mais conhecido e traduzido (14 idiomas). Conta a história do coronel Timoteus von Bock, um nobre, barão do báltico, ex-ajudante de ordens do czar Alexandre I, e um dos seus amigos mais chegados. No entanto, esta amizade não impediu que Timo fosse enviado para a masmorra por nove anos, e declarado louco, além de passar a ser alvo de rigorosa vigilância, depois que foi libertado, sem poder sequer se ausentar de sua propriedade. Qual teria sido o crime cometido por uma pessoa que gozava da mais alta estima e confiança do czar? Foi seu cunhado, Jakob Mettich, um camponês e servo emancipado, assim como Eeva, a irmã, com quem Timo se casou, quem relata suas descobertas num diário secreto. OJakob descobre que Timo havia enviado ao soberano, a quem tinha se comprometido de sempre dizer a verdade, um projeto de Constituição Liberal, como forma de deter o poder absoluto dos czares autocratas da Rússia. Os fatos relatados no livro são reais e foram extraídos desse diário, que se inicia a partir do retorno de Timo da prisão, em maio de 1827, e continua por uma dezena de anos. Durante a narrativa, ele nos leva a conhecer a fascinante personalidade de Timo, o grande amor que viveu com sua Eeva, a sociedade da época, e a busca da Estônia pela sua identidade como nação, sem dúvida um excelente romance. Vale a pena a leitura.

 

Haiti

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               De acordo com o provérbio crioulo: O Lápis do bom Deus não tem borracha, não há como fugir ao destino irreparável, pois ele anda sempre a espreita. Foi esse proverbio que Louis-Philippe Dalembert, romancista haitiano, natural de Porto Príncipe, usou para título do romance, que retrata a infância vivida em Bel-Air, um bairro pobre situado as margens da baia de Porto-Principe. Louis-Philippe, deixou o Haiti, depois de ter se formado em jornalismo, e trabalhado nessa área em seu país natal até ir para França, para estudar Literatura Comparada, na Sorbonne, onde obteve o titulo de doutor. Poliglota(7 idiomas), já rodou o mundo, percorrendo sucessivamente, Haiti, França, Itália, Tunísia, Israel, Alemanha, África do Sul, Congo, Cuba e Brasil. Recebeu vários prêmios internacionais, entre eles o “Casa de las Américas”. Atualmente vive entre Itália, Paris e Porto Príncipe.

No livro, o protagonista retoma a cidade natal, depois de um prolongado exílio, na expectativa de reviver a infância tão presente em sua memória. No entanto nada encontra, nem os locais por onde viveu e passou, nem as pessoas que foram importantes em sua vida, principalmente Faustino, uma controvertida figura, mas que exerceu uma enorme influência para o menino. Depois da tentativa frustada de encontrar com Faustino, ele volta ao passado,  para o período em que viveu naquele bairro popular as margens da baia de Porto-Pinto, tendo um Peugeot 304 abandonado no quintal, como companheiro de brincadeiras, uma varanda como cenário, um galo, a avó severa, e suas tias-avós, e principalmente Faustino, de quem nada sabe, a não ser os cuidados que dispensava ao menino. E é com o amor que lhe devota, que imagina como seria a vida de Faustino, preenchendo com a imaginação as lacunas de sua vida, pelo menos as que lhe são desconhecidas. O autor divide o romance em duas partes, a vivida pelo menino, e aquela a que pertenceu Faustino, segundo sua imaginação, alternando os capítulos, e mesclando prosa e poesia.

Coreia do Sul

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                     Kyung-Sook Shin, nasceu em 1963, numa pequena vila rural, perto da cidade de Jeongeup, na Coreia do Sul. Aos dezesseis anos mudou-se para Seul, para trabalhar numa fábrica de componentes eletrônicos, enquanto frequentava uma escola noturna. Foi durante um período de greve da empresa, que iniciou seu caminho na literatura. Aproveitava as paradas, para copiar num caderno de anotações, os trechos do romance que lia. Posteriormente, frequentou um curso de escrita criativa, no Instituto de Artes de Seul, publicando sua primeira novela, aos 22 anos.  Escreveu 7 romances, 7 coletâneas de contos e três obras de não-ficção, tendo recebido inúmeros prêmios na Coréia do Sul, onde é muito lida, e aclamada, além de ter recebido o prêmio Dong-in Literary e o francês Prix de l’Inaperçu. Divide o tempo entre Seul e Nova York, onde atualmente, é professora visitante.

                      Por Favor, Cuide da Mamãe, foi o livro escolhido para representar a Coreia do Sul, no projeto #198 livros, e o sexto romance escrito por Kyung. Publicado em 2008, na Coreia do Sul, foi a primeira obra sul coreana, a entrar na lista dos mais vendidos do The New York Times e a ficar entre os dez melhores livros de ficção escolhidos pela Amazon. Vendeu mais de 1,5 milhões de cópias, e foi publicado em 23 países. Segundo a autora, esse livro foi escrito para sua mãe. E o desejo de escreve-lo surgiu aos 16 anos, quando viajavam juntas, num trem para Seul. Ao olhar para mãe, viu como ela tinha um olhar solitário, então prometeu que um dia escreveria um livro e o dedicaria a ela.

                    O ponto de partida, é o desaparecimento de uma mãe, chamada Park So-nyo, de 69 anos, no meio da multidão, quando chegava com o marido, em Seul, para visitar os filhos. A história retrata a luta desesperada da família, para encontrá-la, e é narrada, de forma inusitada, por 4 narradores; a filha mais velha, o filho, o marido, e ela própria. Na verdade, há um só narrador, que dialoga com eles através de suas lembranças, trazendo-as de volta, para que através dessa realidade, vivenciada por eles, possam entender quem de fato era a mãe deles, e as dores pelas quais passou. Pois eles só a viam como mãe, e esposa, e não como uma pessoa com necessidades próprias, e é necessário fazer esse reconhecimento, para poder se aproximar mais dela. É um livro muito triste, pois o processo é doloroso, reconhecer, agora que a mãe não está ali, o que poderia ter sido feito para fazê-la mais feliz. Um livro que nos faz pensar, questionar, tentar encontrar uma maneira de estar mais próximo daqueles que amamos. Mas, o livro ainda vai além, através das lembranças dos personagens, vamos viajar pela Coreia, conhecendo suas tradições, como a Lua Cheia da Colheita; os rituais ancestrais do ano novo; a gastronomia, e traçar um retrato da atual Coreia.

Indonésia

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           Embora o nome do país seja bastante conhecido, precisei olhar no mapa para me localizar, pois para mim, aquela região é muito confusa. O país fica localizado entre o Sudeste Asiático, e a Austrália, só que o “país’ é o maior arquipélago do mundo, com apenas 17 508 ilhas, então é realmente muito difícil, tentar visualizar. O romance escolhido, Guerreiros da Esperança, (Laskar Pelangi, no original e  The Rainbow Troops, em inglês), é o livro de estréia de Andrea Hirata, e se passa na Ilha de Belitung, local de nascimento do autor. Foi publicado em 2005, sendo o primeiro de uma quadrilogia, de inspiração biográfica, seguidos por: Sang Pemimpi(O sonhador), Edensor e Mayamach Karpov. Foi adaptado para o cinema em 2008.

          O livro, narrado por Ikal, um menino pobre, que assim como seus companheiros, têm o sonho e a esperança, que a educação possa mudar suas vidas. Eles vivem na pequena Ilha de Belitung, a mais rica da Indonésia, graças as suas reservas de estanho, descoberto pelos colonizadores holandeses, e explorado pela empresa PN Timah, que significa empresa estatal de estanho. A empresa foi tomada pelo governo indonésio, que assumiu não só os bens como a mentalidade feudal, pois mesmo após a independência, continuou com o tratamento discriminatório dado aos nativos. Esse tratamento, criou um contraste absurdo, entre os ricos executivos da PN exploradores de estanho e o povo nativo vivendo em extrema pobreza. Para garantir o direito a educação, conforme o artigo 33 da Constituição da República da Indonésia: “Todo cidadão tem direito a educação“, a jovem professora Bu Mus e do diretor Pak Harfan, são incansáveis na luta para possibilitar a Ikal e seus companheiros, esse direito. São muitas as dificuldades que vão enfrentar para garantir aos alunos a educação prevista na constituição. A começar pela ameaça de fechamento da pequena escola da aldeia, Muhammadiyah, pelo superintendente escolar do Departamento de Educação e Cultura da Sumatra, que exigiu o minimo de dez alunos para evitar o fechamento, depois vem a luta para manter a escola de pé, já que a estrutura física da escola é bastante precária. Há ainda o interesse de exploração do solo no terreno da escola. Somente a garra e a fé de professores e alunos para vencerem todos os desafios.   É comovente ver como os Bu Mus  e Pak Harfan, conseguiram criar laços fortes o suficiente, nos meninos, para enfrentar desafios, vivenciar o amor, dividir experiências e conquistar  vitórias.

Venezuela

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                  La ficción es una forma de encarar y encarnar la realidad; es realidad también y no de un modo subsidiario” a afirmativa é do escritor venezuelano Jesús Miguel Soto,  nascido em El Valle, Caracas, em 1981. JM Soto, cursou comunicação social e letras na Universidade Central da Venezuela, trabalhou como professor universitário, revisor e editor, e atualmente reside no México. Além dos muitos prêmios recebidos, integrou a lista definitiva do Projeto Literário Bogotá39, do ano de 2017 , que visa selecionar 39 escritores que ainda não completaram 39 anos. Esse limite foi estabelecido em função de Gabriel Garcia Márquez, que tinha 39 anos quando escreveu Cem Anos de Solidão. Soto publicou as novelas La máscara de cueroEl caso Boeuf (Relato a la manera de Cambridge) e o livro de contos Perdidos en Frog, publicado em 2012 e escolhido para representar a Venezuela, neste projeto.

                       Segundo o autor, trata-se de um livro escrito dentro do padrão, com 15 histórias bem clássicas, e que sua única proposta pessoal, que fugiria a esse padrão seria o convite, no prólogo, para ler o livro como quinze livros de uma única história, em vez de um livro de quinze histórias. São histórias curtas, numa linguagem fluente, embora trate de temas densos e surreais, como um escritor obsessivo que persegue um crítico literário, por não ter escolhido sua obra em um concurso; um povoado no meio do nada, com habitantes estranhos e cachorros guardando as fronteiras; um grupo de amigos que fundam um país dentro de um apartamento, e  outros nesse estilo. Persiste em todos, um tom depressivo, macabro mesmo(como no conto “Perdidos en Frog”, e “Uno de muchos posibles atajos), e o desenvolvimento da história obedece ao mesmo padrão, em que a partir de uma guinada na narração, leva ao desfecho, quase sempre trágico. O autor usa um tom irônico, numa descrição surreal para passar sua mensagem.

 

Brunei

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                   Brunei, oficialmente Estado de Brunei Darussalam, que em tradução livre significa “onde vive a paz”, está localizado na menor parte da Ilha de Bornéu, no Sudeste Asiático. É um pequeno país islâmico, um dos menores e mais ricos do mundo, com apenas 400 mil habitantes e praticamente do tamanho do nosso Distrito Federal. Foi colônia britânica, tornando-se independente apenas em 1977.  O livro escolhido, ou melhor dizendo, o livro encontrado para representar o país foi Written in Black, de K H Lim. Trata-se do primeiro romance do autor, que escreve apenas nas horas vagas, quando não está exercendo a profissão de médico. Nascido e criado em Brunei, formou-se em medicina no Reino Unido em 2008, e vive atualmente em Singapura.

                      O romance narra as desventuras de Jonathan, um menino de 10 anos, cuja família se encontra totalmente desestruturada. Sua mãe, saiu de casa há cerca de seis meses, teoricamente para tratamento de saúde na Austrália, e ele se encontra angustiado, de saudade, e por não conseguir conversar com ela ao telefone; Michael, o irmão mais velho, um adolescente de 16 anos, foi posto pra fora de casa pelo pai, há dois meses e meio, por fugir ao seu controle; e para completar, ele não mantém um relacionamento amistoso com o pai, que é emocionalmente instável e agressivo. No início do romance, ele recebe a notícia que o avô, que mora com o tio em outra cidade, faleceu, e assim a família, o pai, a irmã mais velha, e o irmão mais novo, têm que se deslocar para lá, para participar do funeral. Inicialmente, Jonathan, nutre a esperança, que a mãe retorne para poder assistir ao funeral, mas quando percebe que isso não irá acontecer, e que parece haver um complô, para mantê-lo incomunicável com ela, ele se desespera, e resolve ir atrás do irmão. Acredita, que Michael pode saber o que está por trás da partida da mãe, pois descobre, através do primo, que os dois continuam se comunicando. Assim, quando o caminhão vem fazer a entrega do caixão do avô, ele se esconde, em um caixão vazio, dentro do caminhão, para tentar chegar até o irmão. Tem início então, a grande aventura de Jonathan, que precisará de muita coragem, para enfrentar todo tipo de perigo e adversidade pela frente, no encontro com os poklans (gang de adolescentes de Brunei, cheiradores de cola) e com vendedores esquisitos, nas casas assombradas, além de grandes descobertas, como a amizade e o conhecimento de si mesmo.

 

Nicarágua

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                                         “Louca falível, terna e vulnerável/ que se apaixona feito puta triste por causas justas/, homens bonitos e palavras brincalhonas.” É assim que Gioconda Belli, se auto define em um dos seus poemas. Essa, muito premiada poetisa e romancista, nasceu em Manágua, na Nicarágua, em 1948. Começou a escrever seus poemas ainda jovem, na época em que se envolveu na luta, para derrubar a ditadura no país, integrando o a Frente Sandinista de Liberação Nacional (FSLN). Casou três vezes, a primeira ainda muito jovem com 18 anos, e tem 4 filhos.

                                     No romance O Pais das Mulheres escolhido para representar a Nicarágua, a autora narra a história da fictícia República de Fáguas, um pequeno país latino americano, governado por um grupo de mulheres, do Partido da Esquerda Erótica-PEE. O livro começa, com o atentado sofrido pela presidente, Viviana Sansón, que a deixa em estado de coma, e vai se desenvolvendo, a partir do despertar de Viviana, em um galpão, que abriga todos os objetos que ela perdeu durante sua vida. Cada um lhe traz uma recordação, e através de suas lembranças vamos conhecendo, não só a história de Viviana, mas a de suas companheiras de partido, e como chegaram ao poder. Em contrapartida, a ausência da presidenta, no comando do país, vai por a prova a capacidade de suas companheiras, de fazer valer os ideais que serviram de base para o governo.

                                   É uma leitura leve, e divertida, assim como a proposta do PEE, de governar com humor. Depois de conhecer a personalidade e história de vida de Viviana, através dos relatos de Gioconda, fica o questionamento, se o romance não seria baseado na própria história da autora.

Reino Unido

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                         Assim como aconteceu em Portugal e Nova Zelândia, com apenas um único livro, consegui atender a dois projetos de leitura, o #198livros#  e #meusprojetospessoais#.  Para que isso possa acontecer, tenho procurado escolher romances de autores ainda inéditos para mim, dentro da minha lista de desejos, e que tenham sido ambientados nos destinos sorteados, atendendo assim o 198livros. Para o Reino Unido, escolhi Mrs Dalloway, de Virgina Woof, um dos romances mais conhecidos da autora, e ambientado em Londres. O enredo é bastante simples, toda a ação se passa em um único dia do mês de junho de 1923, onde nada de excepcional acontece na vida dos principais personagens, que são Clarissa Dalloway e o Septimus. Ela, esposa de um membro do parlamento britânico, uma socialite, sem maiores preocupações, que cuidar da casa e oferecer jantares; ele, soldado, ex combatente, com todas suas sequelas deixadas pela guerra. No início do dia descrito no livro, ela está indo comprar flores para a festa, que se realizará naquela noite, e ele esta indo para o psiquiatra, e seguiremos acompanhando a vida dos protagonistas, ao longo do dia, de dentro de suas mentes. Pois a importância do romance deve-se, principalmente, ao pioneirismo da escritora, na linguagem utilizada para descrever esse dia, na vida dos personagens, empregando a técnica do fluxo de consciência, através do discurso indireto livre, onde não se sabe se quem está falando é o personagem ou o narrador. O romance foi publicado em 1925, e foi muito bem recebido pela crítica, apesar de abordar temas polêmicos para época, como amor homossexual, casamento de conveniência, tratamento psiquiátrico, suicídio, revisão dos ideais da juventude.

             Apesar de reconhecer a qualidade do texto, não posso dizer que foi uma leitura prazerosa, pois em momento algum simpatizei com Clarissa, nem seu estilo de vida. Tanto que apesar de ser um livro curtinho, em torno de 200 páginas, eu não consegui engatar a leitura, e levei mais de um mês, para terminar. Mas, quem sabe, numa releitura, em outro momento, eu dê uma nova chance a Clarissa.