Arquivo da categoria: #198 livros

Portugal

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                  Muito antes de Portugal ter sido sorteado, neste projeto, já havia feito minha escolha, já havia decidido que leria um dos livros de Inês Pedrosa. A grande dificuldade, era decidir qual deles, o que para uma geminiana, pode ser uma tarefa hercúlea. Resolvi usar alguns filtros para me auxiliar: adequação ao projeto #198Livros e mais um, chamado #projetospessoais, então a perfeita escolha recaiu sobre Desamparo. O ponto de partida desse romance, é o retorno de uma portuguesa, aos braços da mãe, depois de meio século de afastamento. Jacinta foi levada, pelo pai para o Brasil, quando tinha 3 anos, e agora, com a morte do padrasto, a mãe viúva, pede que vá ao seu encontro. Jacinta retorna de vez para Portugal, na companhia do seu filho Raul, o caçula, arquiteto, que vai tentar a vida lá, e o único que mantém um forte vínculo com ela. Eles voltam para a terra natal dos ancestrais, aldeia de Arrifes, próxima a vila turística de Lagar.  Suas histórias de vida, antes e depois desses movimentos migratórios, vão sendo reveladas aos poucos, em idas e vindas ao passado. Relacionamentos, e todos os sentimentos que lhes são inerentes como amor, traição, raiva, inveja, medo, vingança, são o fio condutor desse romance, ao longo da história dos dois países, e suas crises políticas e econômicas. E nós, ficamos na torcida para que saiam vitoriosos de suas inúmeras e sofridas batalhas. Não só a deles, mas a de todos os personagens que vão cruzando pelo caminho, e que temos o prazer de conhecer. Porque como diz Jacinta, “As faltas partilhadas são o que mais consolida a intimidade entre as pessoas”.

Li esse romance, assim que retornei de Portugal, para onde tinha ido acompanhando meus portugueses, marido e filha, que estavam lá, buscando conhecer suas raízes, na pequena aldeia de Canindelo. Foi uma sensação maravilhosa, voltar a Portugal, embalada pelas palavras de Inês Pedrosa!

Turquia

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                   Sempre fico na expectativa quando surge a oportunidade de ler um nobel, porque considero que a leitura deve ser, no mínimo instigante. E foi assim, quando a escolha do representante da Turquia recaiu sobre “O Museu da Inocência” de Orhan Pamuk,  ganhador do nobel de 2006. Esse foi  o primeiro livro escrito por Pamuk depois da premiação. O museu da inocência, existe de fato, e está localizado em Istambul, cidade onde foi ambientada a história do livro, o que aumentou ainda mais minha curiosidade sobre o romance. O tema central do livro, é o relacionamento extravagante entre os dois protagonistas, Kemal e Füsun. Ele, que é um autêntico representante da classe média alta de Istambul, nos anos setenta, vive o que se poderia chamar de uma vida invejável. Aos trinta anos, trabalha nas empresas da família; tem um excelente círculo de amigos, companheiros de todas as horas, e participa ativamente da vida social de Istambul, juntamente com Sibel, sua noiva. Eles, Kemal e Sibel, têm um relacionamento moderno e amoroso, e estão de noivado e casamento marcado, como era costume entre eles.  Enfim, ele vive intensamente e está feliz a vida que leva, até o dia que se reencontra, com Füsun, uma prima distante que ele não via há bastante tempo. A partir de então, sua vida nunca mais será a mesma, pois a paixão por Füsun, vai virar uma obsessão, que futuramente vai se perpetuar, com a criação do Museu, formado com qualquer objeto que tenha feito parte da história deles. Se por um lado essa obsessão por Füsun, torna a leitura extremamente maçante, o pano de fundo do enredo; a excursão pela Istambul dos anos 70; a convivência com a sociedade daquela época, como viviam e pensavam; os acontecimentos políticos; e a influência que o ocidente sobre o país (“…Os filmes dessa época nos apresentam exemplos abundantes de nosso fetiche pela luxúria infiel do ocidente…“);  são narrados de forma tão minuciosa que faz valer a pena a leitura, por todo o conhecimento que nos proporciona, sobre a vida naquele país.

A história é narrada por Kemal, e em dois momentos o próprio Pamuk vira personagem, o que deveria tornar o enredo mais interessante, mas a verdade é que fiquei frustada com o livro.

Montenegro

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 Montenegro está situado na Europa, e fazia parte da extinta Iugoslávia, sendo hoje um dos mais jovens países do mundo, atrás apenas de Kosovo e Sudão do Sul. Conquistou a independência da Sérvia, em 03 de junho de 2006. E, se ainda não está na rota dos destinos turísticos mais procurados, não é por falta de atrativos. Seu território foi contemplado com uma natureza generosíssima, com uma enorme diversidade de paisagens, tais como; montanhas, lagos, parques naturais, praias e até mesmo fiordes, os únicos do mediterrâneo. Olha só o que o poeta britânico Lord Byron, escreveu sobre o país: “At the birth of the planet the most beautiful encounter between land and sea must have been on the Montenegrin coast“. E tem mais, cidades medievais, além de abrigar uma rica história, que o diga Kotor, classificada pela UNESCO como patrimônio da humanidade, pelo seu valor histórico e cultural.

A autora do livro escolhido, Xenia Popovich, nasceu em 18/02/1977, em Montenegro, mas foi criada na Itália e nos Estados Unidos. Ela escreveu sua primeira novela(A Boy from the Water), com 18 anos, mas só foi publicada em 2004, depois que ela voltou para Montenegro. O livro tornou-se um bestseller e virou filme, com o título de Look at Me.

A Lullaby for no Man’s Wolf,  o segundo livro da autora, foi escrito em montenegro e traduzido para o inglês pela própria autora. Ambientada numa cidade e país não nominados, o livro tem como pano de fundo, a história de Klara, narrada por ela mesma. Abandonada pela família, ela cresceu no orfanato sem saber quem a abandonou, e nem porque, sentimento este que partilha com quem cresceu e viveu ao lado dela, e como ela, apesar de procurar sempre o isolamento. Klara mistura humor e ironia, sagacidade e cinismo, ao relatar a forma como os diretores do orfanato usavam as crianças, para obter doações, e o destino já traçado e sem alternativas, que as aguardavam ao saírem do orfanato. E continua nesse tom, a relatar sua história, os relacionamentos que marcaram sua vida; a professora de piano; seu primeiro amor, com Vuk; seu casamento; e todos os eventos trágicos que viveu. Uma vida marcada pela tristeza e amargura, como ela diz no início, “Most people take time to turn bitter. I was born bitter” . É uma história forte, e triste, que faz chorar, mas, ao mesmo tempo, o livro tem uma força que prende, a forma como mostra a alma dos personagens, a sensibilidade e as fragilidades, dos quais não conseguem fugir, e que fazem com sejam massacrados pelo sistema.

Ucrânia

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        ucrania_1768         Depois de ler a biografia de Clarice Lispector, por Benjamin Moser, no final do ano passado, e conhecer suas origens ucranianas, o país não saiu mais da minha mente. Então, o jeito foi colocar a Ucrânia na vez, para conhecer um pouco mais sobre o país. E melhor ainda, sabendo que Nicolai Gógol era de fato ucraniano, e não tendo eu ainda, lido nada dele, cheguei a escolha perfeita com o seu livro Tarás Bulba, escrito em 1835. Para escrevê-lo Gógol fez uma grande pesquisa sobre a história e o folclore da Ucrânia. Na época em que se passa a história(uma novela na verdade), o país, tendo sido ocupado pela Lituânia, havia passado ao julgo da Polônia, por união de soberanos. Em contraponto a política de conversão ao catolicismo imposta aos ucranianos ortodoxos, pelos poloneses, foram criados grupos de resistência, as confrarias, dando início a uma grande revolta cossaca. Como explica Nivaldo dos Santos, tradutor, no posfácio do livro: “Os cossacos haviam surgido no sul da Ucrânia no século XV. O termo “cossaco” é de origem turca(“kazak” significa homem livre) e era usado para designar os homens que, ocasionalmente apareciam nas estepes próximas ao rio Dniepr para caçar e pescar”. E  já no século XVI, eles formavam uma poderosa sociedade militarizada.

                          Tarás Bulba, é um velho e  radical coronel, criado com a ânsia guerreira. Seus dois filhos Óstap e Andríi, acabam de voltar para casa depois de concluírem os estudos, o que para Bulba não significa absolutamente nada, não tem importância, o que vale mesmo, é aprender a arte de lutar, ser um verdadeiro cossaco. Embora estejam em tempos de paz, ele não vê a hora de levar os filhos para se alistarem no Zaporójie, região que entre os séculos XVI e XVIII serviu de quartel general para os cossacos, e que constitui a verdadeira ciência para Bulba. Ele decide que não podem perder tempo e para desespero da mãe, que mal tem tempo de abraçar os filhos, resolve partir na manhã seguinte. Tarás Bulba tem uma personalidade vibrante, ele é um brutamontes machista com seus valores nacionalistas e éticos bem ao sabor da cultura cossaca. E no meio dessa vibração cossaca vamos acompanhar as aventuras de Bulba e seus dois filhos. Ele é fascinante, e é impossível ficar indiferente a sua pessoa, as vezes achava graça do jeito dele, e as vezes morria de raiva. Embora não goste muito da violência, quase podia ouvir os sabres batendo e cortando as cabeças, ainda assim fiquei fascinada pela história.

Coreia do Norte

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img_1697 Que a Coréia do Norte, era uma ditadura, e um dos países mais fechados do mundo, eu já sabia, por isso conhecer como acontece a vida por lá, parecia uma tarefa quase impossível de realizar. Mas graças ao relato auto-biográfico de Kang Chol-Hwan, em seu livro Les Aquariums de Pyongyang, consegui abrir um pouco a caixa preta da Coréia do Norte.

Neste livro, Kang, relata como era sua vida na Coréia do Norte, do nascimento até a fuga para a Coréia do Sul, onde vive até hoje.  Até os nove anos, ele vivia uma vida tranquila e feliz em Pyongyang, com sua família, pois este era o universo que ele conhecia, e achava até que o Grande Líder, Kim Il-Sung dava proteção e cuidava dos coreanos. Os avós de Kang haviam emigrado para o Japão, muitos anos antes, em busca de melhores condições de vida, no período em que a Coréia era colônia do império japonês(1910 a 1045). No Japão, o avô fez fortuna e eles viviam bem, até Kim Il-sung assumir o poder no país, em 1948. A avó dele, que era militante do partido comunista, ficou ansiosa para retornar a terra natal, e apesar do avô não compartilhar da ideia, a vontade da avó prevaleceu e terminaram voltando. No início, o governo dava apoio e respeitava os que haviam retornado do Japão, mas pouco a pouco foram se apossando dos bens e da liberdade de todos de sua família, mesmo o avô tendo doado sua fortuna para o partido. Até que um dia o avô desaparece, e descobrem que ele havia sido preso por ser considerado traidor da pátria. Logo em seguida a família é levada para o campo de trabalhos forçados de Yodok, onde são mantidos os opositores políticos do regime. Na verdade eles são considerados culpados por associação, por serem parentes do “criminoso”.

É chocante o relato de Kang sobre o que foi a vida dele nos dez anos que viveu em Yodok, na verdade como sobreviveu a fome, frio, maus tratos, torturas físicas e psicológicas, humilhações, etc. Depois de 10 anos eles foram libertados, segundo Kang, seria a morte do avô uma das razões. Outra possibilidade seria as inúmeras petições da família que morava no Japão, em busca de informações, daqueles levados para o campo, recebendo sempre a mesma resposta de que estariam viajando. Essa situação vivida por muitas famílias, havia sido tema de um programa de televisão no Japão. Mesmo fora do campo, a vida continuava sob vigilância, e inúmeras restrições. Kang sabe que existe outra realidade fora da Coreia do Norte, e anseia por descobrir como é a vida lá fora. E é escutando outras estações de rádio, não permitidas pelo governo, que acaba sendo denunciado. Percebendo que existe a possibilidade de voltar para o campo, resolve arriscar tudo e fugir do país. Sua grande preocupação além de salvar a própria pele é denunciar os crimes cometidos contra o povo coreano. É muito triste saber que tudo que está no livro não é ficção, são fatos reais.  Sempre gosto de aprender sobre outros povos, mas nesse caso, não sei se foi melhor conhecer essa realidade e não poder fazer nada.

Vaticano

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bentoComo ainda não visitei o Vaticano, mesmo sabendo que era considerado um pais, imaginava que se restringia apenas a Praça e a Basílica de São Pedro. Mas eu estava completamente equivocada, embora seja o menor país do mundo, vai além da minha imaginação, por isso achei interessante saber que tem fronteiras, rádio, jornal, farmácia, correio, estação de trem, museu, praças, igrejas, etc. E sendo a sede da Igreja Católica Apostólica Romana, o Papa além de autoridade máxima da igreja, também é o chefe absoluto dos poderes executivo, legislativo e judiciário.

O livro escolhido para representar o país, O Homem que não queria ser Papa, foi escrito por Andreas Englisch, jornalista alemão, especializado em Papas, e correspondente alemão no Vaticano desde 1987. Neste livro ele traça um perfil do papa Bento XVI, e do papado, que se iniciou em 2005, após a morte de João Paulo II, e terminou em fevereiro de 2013, depois de ter renunciado. Bento XVI não era um papa carismático, para mim inclusive, nunca inspirou muita simpatia, muito conservador, e aparentava mesmo ser simpatizante do nazismo. Após a leitura do livro, passamos a entender melhor quem era o papa e porque passou essa imagem para mim, e para um mundo de gente. Ele faz uma análise da personalidade de Joseph Ratzinger, um teólogo, um estudioso, que não tinha perfil para ser papa, e nem queria, conforme afirmou em algumas ocasiões, e como isso repercutiu na sua atuação como sumo pontífice. Foram muito erros cometidos pelo papa, que poderiam ter sido evitados se tivesse contado com a ajuda da Cúria Romana, o que leva a crer que o papa foi boicotado pela própria Cúria Romana. Com sua vivência e conhecimento nos assuntos do Vaticano, Andreas Englisch vai relatando os dramas vividos por Bento XVI, e os bastidores da Igreja Católica, sua política e disputa pelo poder.

Vale a pena a leitura do livro, apesar de ter sentido algumas falhas de concordância verbal e erros de digitação, por conta da tradução, e um hiato entre o final do livro que se passa em 2011, e o discurso de renúncia do Papa em 2013. Fiquei achando estranho até descobrir que o livro tinha sido originalmente escrito e publicado em 2011, e assim tinham ficado de fora os últimos acontecimentos como Jornada Mundial da Juventude em Madri e os escândalos do Vatileaks e das contas do Instituto para as Obras Religiosas (o famoso Banco do Vaticano).  E que as falhas na tradução, foram o resultado da pressa das editoras para publicar o livro no Brasil, após terem sido surpreendidas com a renúncia do papa.

Camarões

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       imgcamaroes_1679  A lembrança que sempre me vem a mente quando penso neste país, é sua seleção de futebol, que surpreende por sua alegria, simpatia, além de usar um padrão super colorido. Agora que chegou a vez dele neste projeto, eu procurei situá-lo no mapa, e vi que fica na África Central. Descobri também que sua história lembra muito a do Togo. Europeus invadindo suas terras, portugueses primeiros, alemães depois, e por fim franceses e ingleses dividindo o que não era deles, com o aval da ONU.  Até que tenha a oportunidade de conhecer in loco e descobrir se o espírito dos camaronenses é aquele mesmo de sua seleção, vamos fazer a viagem por aqui mesmo.

A escritora Léonora Miano é a autora do romance Contornos do dia que vem vindo, escolhido para representar o país. E esse título é perfeito para sintetizar a mensagem que a autora passa para os leitores, por meio da trajetória de Musango. Ela é uma menina, uma criança, que teve o mesmo destino de muitas outras, que foram abandonadas pelos pais, sem condições de criá-las, depois de uma guerra que devastou o país, e com a conivência das superstições religiosas, para justificar a expulsão de suas casas. Assim, essas crianças foram lançadas a própria sorte, para sobreviver em meio a miséria, violência e prostituição, de um país destruído. Mas como cada um faz sua história, Musango luta para escrever a dela de uma forma diferente. Mesmo com todo ressentimento que sente pela mãe, percebe que precisa encontrá-la, para se libertar e poder escrever sua própria história.  Ela é uma guerreira, que não perde a esperança, e transforma o sofrimento em crescimento pessoal. O romance é narrado de forma primorosa pela autora, através da voz e das experiências de Musango, como quando ela encontra uma européia, em crise com o marido africano. Ela desabafa, dizendo que queria um africano, um negro original, porque pensava que eles eram todos orgulhosos como Kunta Kinte, ancestral de Alex Haley, e que aparece no romance Negras Raízes, de sua autoria. Vale a pena conferir.

Lesoto

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img_1677Este país pertence ao grupo daqueles, que a gente agradece ao 198Livros, pela oportunidade de conhecê-los. Caso contrário, estaria ainda na total ignorância de sua existência e história. Nas buscas que fiz, encontrei pouca informação, mas, dentre elas descobri que o Reino do Lesoto é um pequeno país montanhoso, cercado pela África do Sul por todos os lados. Quando se diz que é montanhoso, é porque é montanhoso mesmo. Só para se ter uma ideia 80% dos seus 30.355 km², estão acima dos 1.800 metros de altitude. E é o único país do mundo em que todo o território está acima dos 1.000 m de altitude. Etnicamente, é o país africano com maior unidade, praticamente todo formado pela etnia basotho, do antigo reino da Basutolândia. Foi protetorado e colônia do Reino Unido, alcançando sua independência em 1966. Na época do aparthaid na vizinha África do Sul, deu asilo político aos dissidentes.

O turismo ainda está dando seus primeiros passos por lá, e portanto as informações turísticas são praticamente inexistentes, o que é uma injustiça, considerando sua natureza exuberante, conforme pude conferir nas imagens pesquisadas. Além da capital Maseru, que segundo relatos de quem a visitou, é calma e tranquila, os viajantes que se dispuserem a se aventurar, encontraram estradas de terra ligando aldeias de montanhas, tais como, Semonkong, Mafeteng e Moahale’s Hoek, além de rios e quedas d’água, a serem percorridas a cavalo ou em veículos 4 x 4.

Para esse destino, o romance escolhido foi How We Buried Puso do escritor lesotiano Morabo Morojele. Ambientado no período pós-colonialista, a história se desenvolve a partir do retorno de Molefe ou Lefe, a sua terra natal, depois de 7 anos no exterior. Lefe foi chamado de volta para o enterro do irmão, e o retorno as origens o coloca de novo, face a face com suas inseguranças e dificuldades. No exterior, ele nunca se adaptou, se sentia excluído, e vivia em dificuldades, sem coragem porém, de confessar seu fracasso para os conterrâneos. O retorno as origens também não está sendo nada fácil, mas faz com que ele inicie um processo de retorno ao passado, que lhe permite fazer uma catarse de sua vida. Órfãos de pai e mãe, foram criados pela avó, e por uma prima que vai morar com eles e que desperta em Lefe sua primeira paixão. O relacionamento com o irmão não é dos melhores, existindo uma grande rivalidade entre eles. Também fazem parte do universo de Lefe, Abuti Jefti, inquilino de sua avó, e que veio do país vizinho, fracassado e alcoólatra, além do amigo Twice, conterrâneo de Abuti Jefti, e com história de vida tão sofrida quanto. A maior parte do livro é narrada por Lefe, mas o irmão também aparece como narrador em alguns capítulos. Ele era casado com uma estrangeira branca, e relata todo tipo de dificuldade de um casamento entre duas culturas completamente diferentes, sendo ela representante do país dominador, e ele do que foi colônia. Achei a narrativa na maior parte do livro um pouco arrastada, e parece ao longo do livro, que ninguém é feliz, deprimente mesmo!

Uruguai

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            img_1657             Embora só tenha vistado o Uruguai uma vez, há muito tempo, tenho as melhores recordações da viagem que fiz por esse país, passando pelas cidades de Montevidéu e Punta del Este. Foi uma viagem curta e light, assim como o romance “Deixa Comigo” do escritor uruguaio, Mario Levrero. escolhido para representar o país, neste projeto.

                       Este foi o primeiro livro de Mario Levrero, a ser publicado no Brasil. Com um texto bem humorado, meio termo entre romance e novela policial, este livro, narrado pelo próprio personagem, conta a história de um escritor, em dificuldades financeiras e existenciais. Seu ultimo romance foi rejeitado pela editora, ele ainda não está totalmente recuperado de um divórcio não muito recente, e questiona inclusive seu talento literário. Nessas circunstâncias, recebe uma proposta tentadora da editora. Ele deverá localizar Juan Pérez, autor de um excelente manuscrito recebido pela editora, mas sem o remetente, aparentemente residindo na pequena cidade de Penúrias, de acordo com o carimbo no envelope. Caso seja bem sucedido, terá seu romance publicado, além de um bom adiantamento referente aos direitos autorais. Apesar de considerar que o trabalho não está à altura de suas qualificações, a proposta é tentadora, principalmente em razão de sua difícil situação financeira e profissional.

                     A maior parte do livro é ambientada em Pénurias, onde o narrador-escritor realiza suas buscas. Durante essa empreitada, ele vive situações inusitadas, na pequena cidade, em meio a tipos curiosos, mas que não ajudam muito nas investigações, o que só faz aumentar o suspense. De forma bastante divertida, numa linguagem simples e direta, o narrador conta sua história de um folego só.

Estados Unidos

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img_1625Escolher apenas um livro, para representar um país, é uma tarefa bastante difícil, conforme estamos vivenciando neste projeto, porque queremos não só acertar na mosca, como fazer a melhor escolha. Queremos ainda fazer a viagem perfeita para aquele país, e sempre no melhor estilo. E é claro que nem sempre acertamos. Mas quando se trata de um país pouco conhecido ou daqueles que estamos vendo o nome pela primeira vez, não temos muito o que decidir, porque não existem muitas opções. No entanto, considero que já saímos na vantagem só por encontrar um livro, e aprender sobre aquele destino.  Porém, quando já conhecemos muito sobre o país, literatura e tudo mais, a dificuldade é grande, porque são muitas opções. Por isso considero que a escolha de “Homem em queda” de Don Delillo, foi perfeita.

Don Delillo, nasceu em 1936, e cresceu no Bronx, em Nova York. Recebeu diversos prêmios por seus trabalhos de ficção, tais como Ruído Branco(eleito em 2006, pelo New York Times, como um dos três melhores livros de ficção norte-americana dos últimos 25 anos), A Artista do Corpo e Cosmópolis. Neste romance ele aborda um tema que é muito caro aos americanos dos Estados Unidos, a tragédia do 11 de setembro de 2001, que marcou profundamente suas vidas, transformando-as para sempre.

O 11 de setembro, foi uma tragédia praticamente assistida ao vivo, no mundo todo. E acho que todos nós nos lembramos onde estávamos quando recebemos a notícia, tamanho o impacto dos ataques e da repercussão que causou no planeta. E para quem estava lá, quem viveu a tragédia?  No livro,  Keith é um advogado que trabalhava em uma das torres, assim foi atingido diretamente pelos acontecimentos, física e emocionalmente. No momento dos eventos dramáticos, ele estava separado da esposa, Lianne, vivendo longe dela e do filho, Justin. Quando sai atordoado dos escombros, sem se aperceber segue diretamente para a casa dela, marcando assim a mudança no destino daquela família. As emoções de cada personagem, são descritas de forma tão vívidas, que parece que estamos dentro deles, em suas mentes. As sequelas deixadas pelos eventos durante os meses que se seguiram, misturadas com os dramas pessoais, são descritas de forma primorosa pelo autor, em imagens, conversas, e sentimentos. Muito tocante a leitura.