Brunei

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                   Brunei, oficialmente Estado de Brunei Darussalam, que em tradução livre significa “onde vive a paz”, está localizado na menor parte da Ilha de Bornéu, no Sudeste Asiático. É um pequeno país islâmico, um dos menores e mais ricos do mundo, com apenas 400 mil habitantes e praticamente do tamanho do nosso Distrito Federal. Foi colônia britânica, tornando-se independente apenas em 1977.  O livro escolhido, ou melhor dizendo, o livro encontrado para representar o país foi Written in Black, de K H Lim. Trata-se do primeiro romance do autor, que escreve apenas nas horas vagas, quando não está exercendo a profissão de médico. Nascido e criado em Brunei, formou-se em medicina no Reino Unido em 2008, e vive atualmente em Singapura.

                      O romance narra as desventuras de Jonathan, um menino de 10 anos, cuja família se encontra totalmente desestruturada. Sua mãe, saiu de casa há cerca de seis meses, teoricamente para tratamento de saúde na Austrália, e ele se encontra angustiado, de saudade, e por não conseguir conversar com ela ao telefone; Michael, o irmão mais velho, um adolescente de 16 anos, foi posto pra fora de casa pelo pai, há dois meses e meio, por fugir ao seu controle; e para completar, ele não mantém um relacionamento amistoso com o pai, que é emocionalmente instável e agressivo. No início do romance, ele recebe a notícia que o avô, que mora com o tio em outra cidade, faleceu, e assim a família, o pai, a irmã mais velha, e o irmão mais novo, têm que se deslocar para lá, para participar do funeral. Inicialmente, Jonathan, nutre a esperança, que a mãe retorne para poder assistir ao funeral, mas quando percebe que isso não irá acontecer, e que parece haver um complô, para mantê-lo incomunicável com ela, ele se desespera, e resolve ir atrás do irmão. Acredita, que Michael pode saber o que está por trás da partida da mãe, pois descobre, através do primo, que os dois continuam se comunicando. Assim, quando o caminhão vem fazer a entrega do caixão do avô, ele se esconde, em um caixão vazio, dentro do caminhão, para tentar chegar até o irmão. Tem início então, a grande aventura de Jonathan, que precisará de muita coragem, para enfrentar todo tipo de perigo e adversidade pela frente, no encontro com os poklans (gang de adolescentes de Brunei, cheiradores de cola) e com vendedores esquisitos, nas casas assombradas, além de grandes descobertas, como a amizade e o conhecimento de si mesmo.

 

Nicarágua

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                                         “Louca falível, terna e vulnerável/ que se apaixona feito puta triste por causas justas/, homens bonitos e palavras brincalhonas.” É assim que Gioconda Belli, se auto define em um dos seus poemas. Essa, muito premiada poetisa e romancista, nasceu em Manágua, na Nicarágua, em 1948. Começou a escrever seus poemas ainda jovem, na época em que se envolveu na luta, para derrubar a ditadura no país, integrando o a Frente Sandinista de Liberação Nacional (FSLN). Casou três vezes, a primeira ainda muito jovem com 18 anos, e tem 4 filhos.

                                     No romance O Pais das Mulheres escolhido para representar a Nicarágua, a autora narra a história da fictícia República de Fáguas, um pequeno país latino americano, governado por um grupo de mulheres, do Partido da Esquerda Erótica-PEE. O livro começa, com o atentado sofrido pela presidente, Viviana Sansón, que a deixa em estado de coma, e vai se desenvolvendo, a partir do despertar de Viviana, em um galpão, que abriga todos os objetos que ela perdeu durante sua vida. Cada um lhe traz uma recordação, e através de suas lembranças vamos conhecendo, não só a história de Viviana, mas a de suas companheiras de partido, e como chegaram ao poder. Em contrapartida, a ausência da presidenta, no comando do país, vai por a prova a capacidade de suas companheiras, de fazer valer os ideais que serviram de base para o governo.

                                   É uma leitura leve, e divertida, assim como a proposta do PEE, de governar com humor. Depois de conhecer a personalidade e história de vida de Viviana, através dos relatos de Gioconda, fica o questionamento, se o romance não seria baseado na própria história da autora.

Reino Unido

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                         Assim como aconteceu em Portugal e Nova Zelândia, com apenas um único livro, consegui atender a dois projetos de leitura, o #198livros#  e #meusprojetospessoais#.  Para que isso possa acontecer, tenho procurado escolher romances de autores ainda inéditos para mim, dentro da minha lista de desejos, e que tenham sido ambientados nos destinos sorteados, atendendo assim o 198livros. Para o Reino Unido, escolhi Mrs Dalloway, de Virgina Woof, um dos romances mais conhecidos da autora, e ambientado em Londres. O enredo é bastante simples, toda a ação se passa em um único dia do mês de junho de 1923, onde nada de excepcional acontece na vida dos principais personagens, que são Clarissa Dalloway e o Septimus. Ela, esposa de um membro do parlamento britânico, uma socialite, sem maiores preocupações, que cuidar da casa e oferecer jantares; ele, soldado, ex combatente, com todas suas sequelas deixadas pela guerra. No início do dia descrito no livro, ela está indo comprar flores para a festa, que se realizará naquela noite, e ele esta indo para o psiquiatra, e seguiremos acompanhando a vida dos protagonistas, ao longo do dia, de dentro de suas mentes. Pois a importância do romance deve-se, principalmente, ao pioneirismo da escritora, na linguagem utilizada para descrever esse dia, na vida dos personagens, empregando a técnica do fluxo de consciência, através do discurso indireto livre, onde não se sabe se quem está falando é o personagem ou o narrador. O romance foi publicado em 1925, e foi muito bem recebido pela crítica, apesar de abordar temas polêmicos para época, como amor homossexual, casamento de conveniência, tratamento psiquiátrico, suicídio, revisão dos ideais da juventude.

             Apesar de reconhecer a qualidade do texto, não posso dizer que foi uma leitura prazerosa, pois em momento algum simpatizei com Clarissa, nem seu estilo de vida. Tanto que apesar de ser um livro curtinho, em torno de 200 páginas, eu não consegui engatar a leitura, e levei mais de um mês, para terminar. Mas, quem sabe, numa releitura, em outro momento, eu dê uma nova chance a Clarissa.

Águas Calientes ou Machu Picchu Pueblo

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                             Quando decidimos conhecer Machu Picchu, tive o cuidado de escolher a melhor época, que era o início de maio, e fiz todo o planejamento da viagem baseado nas dicas para esse mês, e isto incluía, pernoitar em Águas Calientes, para evitar a muvuca de turistas, nos trens que chegam ao longo do dia.  Por isso aconselha-se a dormir no povoado, para pegar a van logo cedo para Machu Picchu. Acontece que esse primeiro planejamento ficou prejudicado, em função de um imprevisto, que nos fez adiar a viagem, para o único período possível para toda a família, janeiro, o mês com menor fluxo de turistas, por ter o maior índice pluviométrico. Só que a minha cabeça, ficou em maio, e assim continuei com a programação e reservei hotel em Águas Calientes.

                              Logo na saída da estação tem esse mercado de souvenirs, bonito de se ver, mas que não vale a pena comprar, já que tem os preços mais elevados, pois são produzidos em outras regiões, além da exploração dos turistas. 

                        Saímos da estação caminhando a procura do nosso hotel, pois Águas Calientes não passa de um pequeno povoado, as margens do rio Urubamba, e dá para percorrê-lo a pé. Depois de deixar as mochilas, e tomar banho, fomos escolher um lugar para jantar. São vários restaurantes e barezinhos. Escolhemos ao acaso, pois esqueci de pegar indicações.

                            No dia seguinte, tomamos nosso café sem pressa, e fomos comprar os tickets da van com destino a Machu Picchu. Não tinha fila, foi tudo na maior tranquilidade.

 

Somália

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                        Atualmente a Somália é um dos países onde mais se registram ataques terroristas no mundo, e segundo um estudo feito em 2017, o país integra uma lista de 10 países, onde ocorre 75% desses ataques. O último ataque terrorista registrado no país, em outubro de 2017, considerado o mais mortal de todos, deixou mais de 300 mortos e 400 feridos. O país tem uma história tumultuada, marcada por intermináveis conflitos, externos e internos. No período em que se inicia o romance, escolhido para representar o país no projeto, a Somália vive os últimos dias de uma ditadura militar, iniciada com o golpe, de 21 de outubro de 1969, liderado pelo general Mahammad Siad Barre. Mas estamos em 1987, e diferentes grupos de facções internas começam a se fortalecer, e iniciam uma revolução que irá depor o governo dos militares, em janeiro de 1991.

O pomar das almas perdidas, de Nadifa Mohamed, é ambientado na cidade de Hargeisa, as vésperas da invasão da cidade, pelos rebeldes, e conta a história de três mulheres, de diferentes gerações. Deqo, Filsan e Kawsar, se encontram pela primeira vez no estádio, onde se comemora o aniversário da revolução que colocou os militares no poder. Deqo, uma menina órfã, de 9 anos, vive num campo de refugiados, onde nasceu, sem saber quem foram seus pais, e foi ao estádio na esperança de ganhar seu primeiro par de sapatos; Filsan, é uma jovem e ambiciosa soldado, transferida de Mogadíscio, a capital, para Hargeisa, para ajudar a reprimir a rebelião vinda do norte; e Kawar, uma viúva triste, que vive só depois de perder o marido e a filha adolescente. Depois do primeiro encontro das protagonistas, quando Kawsar é presa e espancada por Filsan, ao tentar defender Deqo, da injustiça de ser punida, por errar a coreografia, suas vidas seguem caminhos distintos até o próximo encontro. Através de suas trajetórias de vida sofridas, em meio ao caos que vai se instalando na cidade, vamos aprendendo sobre a vida e cultura do povo somali, enquanto elas vão aprendendo sobre a alma humana, e se transformando com este aprendizado. Uma agradável leitura, que conta uma triste história.

No trem rumo a Machu Picchu.

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                 Depois da correria para não perder o trem, e da demora em escrever os posts, parece que vou conseguir descrever nossa viagem de trem até Machu Picchu, quer dizer Águas Calientes, que é o destino final. Eu já sabia que iria gostar da viagem, primeiro por causa da “viber” em que nos encontrávamos #férias#família#viagem#, e depois porque eu simplesmente adoro viajar de trem. No entanto, a viagem foi ainda melhor do que eu esperava. O Trem, era bem confortável e tinha umas janelas enormes que trazia a paisagem para dentro do trem. E que paisagem! Montanhas enormes, quase tocando as nuvens, o rio correndo ao lado dos trilhos, e verde, muito verde, por onde a vista alcançava.

               Era de tirar o fôlego! e dentro do trem, a música ambiente, era a tradicional peruana, para compor a trilha sonora do nosso filme. Pouco tempo depois da partida, começaram o serviço de bordo, para o lanche. Achei super fofo, da gentileza dos funcionários, a graça das toalhinhas com motivos típicos peruanos.

Preparação para o lanche, toalhinhas com motivos típicos

Em seguida, ofereceram a bebida, a nossa escolha, e uns pastéis típicos. Ficamos só nos deliciando, conversando e curtindo a paisagem. Inesquecível!

Lanchinho

Ao chegarmos ao nosso destino, recebemos a primeira e única chuva da viagem, apesar de estarmos no mês com o maior índice pluviométrico.

Chegada na Estação de Machu Picchu, na chuva!

               Como havíamos comentado antes, entre nós, o tempo maravilhoso que fez, durante nossa estadia no país, nessa época do ano, foi um verdadeiro presente dos deuses. Mas, como se pode ver pelos nosso rostos, esse pequeno contratempo, não foi absolutamente um problema!

              Com nossas capas de chuva, fomos andando a procura do nosso hotel, que, bem, bem, não foi o que esperávamos. Bom, mas em viagem, não se pode acertar todas.

Panamá

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            Há um provérbio, ou frase, ou mensagem, que diz que “não se deve julgar um livro pela capa, mas pela sua história”. Pois é, aconteceu comigo. Embora tenha acatado a sugestão do grupo, de ler Negra Pesadilla Roja, do panamenho Mario Augusto Rodríguez, e adquirido o livro, antes até do Panamá ser sorteado, desprezei o coitado. Simplesmente porque antipatizei com a capa, mas, tendo chegado a hora dele, tenho que reconhecer que é um livraço! Depois de começar, não consegui mais parar de ler, mesmo com toda tristeza narrada em suas páginas. Um dos melhores, que já li nesse projeto. Foi publicado pela CELA(Centro de Estudios Latinoamericanos), em 1993. Em janeiro de 1990, a CELA decidiu dedicar todo o esforço para publicar na medida do possível todas as obras produzidas por escritores panamenhos, sobre a invasão norteamericana, ocorrida na madrugada de 20 de dezembro de 1989. Sob a alegação de capturar o General e Ditador, Manuel Antônio Noriega, as tropas americanas invadiram o Panamá na Operação Justa Causa, e com a utilização de armas supermodernas, destruíram o bairro mais populoso da Cidade do Panamé, El Chorrillo, matando milhares de civis, um verdadeiro genocídio.

                                                         O livro está dividido em duas partes, narradas por diversos personagens, ao mesmo tempo, reais e produto da imaginação do autor. Na primeira parte, chamada Devastação – Beto, o jornalista; Ruby, a professora; Nico, o estudante; Yony e Jazmim; Manuel, o delinquente; e Ernesto, membro do Batalhão da Dignidade(organização criada para apoiar as forças de defesa, contra a agressão estrangeira), todos eles moradores do bairro, El Chorrilho, narram como vivenciaram o pesadelo do ataque americano, naquela madrugada. Na segunda parte, Pesadelo, seguem a narrativa dos personagens ao longo da semana que se seguiu ao terrível ataque, o trauma vivenciado, o desespero de ver que não sobrou absolutamente nada de suas casas, e de seus mortos. Pois o exército americano, impediu que eles se aproximassem do local da invasão. É chocante, saber que essa foi uma história real! Ao longo da narrativa do romance, vamos conhecer, a história por trás da construção do canal, e a exploração do trabalho dos nativos, a luta diária para sobreviver, e como a solidariedade e cumplicidade do bairro miserável ajudava a tornar o fardo mais leve para seus habitantes. E como essa cumplicidade vai ser fundamental para ajudá-los a superar o trauma e reconstruir a já sofrida vida dos “El chorrilenhos”.

Eslovênia

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                                                A Eslovênia foi um dos seis países que fizeram parte da Iugoslávia, a partir de 1945, até ficar independente em 1991. Isto, depois de ter pertencido ao Império Romano, ao Império Bizantino, a República de Veneza, ao Ducado de Carantânia (o atual norte esloveno), ao Sacro Império Romano-Germânico, a Monarquia de Habsburgo, ao Império Austríaco (a partir de 1866, Império Austro-Húngaro), ao Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (depois Reino da Jugoslávia) e a República Socialista Federativa da Iugoslávia de 1945, até finalmente conquistar a independência em 25 de junho de 1991.

Eu só pude entender, um pouco melhor, a questão da Iugoslávia, depois de uma pesquisa que fiz antes de ler o livro da Bósnia e Herzegovina. Esse livro, no entanto, aborda outra questão, que ainda não tinha tido conhecimento. No livro da Bósnia, um menino narra os conflitos vividos durante a guerra e como teve que emigrar para a Alemanha, para sobreviver. Já no livro escolhido para a Eslovênia, Southern Scum Go Home, do esloveno Goran Vojnović, um menino narra as dificuldades que ele enfrenta, por ser um scum, (uma pessoa que vive em determinado país, mas sem pertencer a maioria étnica), pois são muitas as diferenças culturais entre os locais e os imigrantes da extinta Iugoslávia. Filho de pais Bósnios, ele vive em Fužine, um bairro urbano da classe operária com grande proporção de imigrantes ao leste do centro de Liubliana. A situação descrita pelo narrador, neste romance, é a mesma vivida, durante os anos 90, por mais de 25.000 de residentes eslovenos, conhecidos por Izbrisani, ou “apagados”, porque foram eliminados dos registros de residência permanente em 1991, e assim perderam a oportunidade de se tornarem cidadãos. As crianças Izbrisani tinham a certidão de nascimento registrada na Eslovênia como sendo cidadãos de outras repúblicas da Iugoslavas, mas, com frequência, as repúblicas não eram informadas do nascimento. E na Eslovênia, como em outras repúblicas europeias, adota-se o Jus Sanguinis, para conceder a cidadania, não importando se as crianças tenham nascido e vivido toda a vida no país. Como não tinham direitos legais, e perderam a conexão com o país de origem dos pais, ficaram sem pátria, assim ,por medo da deportação, aprenderam a desaparecer nas ruas e evitar a polícia. Embora curtinho, o livro retrata bem essa drama vivido por esses jovens em Fužine, bem como em outras partes da Eslovênia.

 

Japão

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                        Foi num impulso que comprei este livro, logo no início do projeto, e deixei separado para quando chegasse a vez do Japão, no sorteio. Mas o tempo foi passando, e nada, então foi ficando lá, esquecido na estante. Um dia, vi o trailer do filme no cinema, uma, duas, três….inúmeras vezes, e abusei da história antes mesmo de ter visto o filme, e lido o livro. Pensei até em escolher outro para o Japão, mas resolvi persistir, e incluí-lo em outro desafio. Dessa forma, não só seguiria minha intuição, como iria descobrir o que motivou  Martin Scorsese, a reler tantas vezes, depois da primeira leitura em 1987, até adaptá-lo para o cinema. Ele foi publicado a primeira vez no Japão, em 1966, e fez um enorme sucesso, e colocou o cristianismo em discussão, não só no Japão, como entre os próprios cristãos.

                          O livro conta a história ficcional, mas baseada em fatos reais, de dois jesuítas portugueses, Sebastião Rodrigues e Garpe, que viajam ao Japão no final da década de 30, do século XVII, para descobrir o paradeiro do seu mentor, o padre Ferreira, que teria escolhido a apostasia ao martírio. No Japão, naquela época,  os cristãos eram perseguidos e torturados, até renegarem a fé pisando na imagem de Cristo. Meu exemplar foi traduzido a partir da tradução do japonês para o inglês, por William Johnston. No prefácio, ele faz uma descrição do contexto histórico, do conturbado período em que se passa O Silêncio, ou seja os conflitos entre o Oriente e o Ocidente, especialmente na relação com o cristianismo, e que de acordo com a visão do autor, fracassou no Japão, por ser considerado um “charco”, “por que suga todas as ideologias, transformando-as e, nesse processo distorcendo-as“.  O autor é católico praticante, e com uma escrita envolvente, descreve a saga dos dois jesuítas, que viverão o mesmo suplício que seu mentor, a perseguição religiosa, tortura, a angústia da fé, e no final  terá que   escolher entre abandonar o rebanho ou o seu Deus. Impossível não se emocionar, com a história. E no final, estávamos certos, eu, minha intuição e a motivação de Martin Scorcese, que teria encontrado nesta obra um tipo de amparo, poucas vezes encontrada em outras obras de arte.                          

Vale Sagrado – Urubamba e Ollantaytambo

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Caminhando em direção ao ônibus, depois de terminada as trilhas nas ruínas de Pisaq

                    Terminada as trilhas, nos terraços e ruínas de Pisaq, nos dirigimos ao ônibus, para continuar o passeio. O próximo destino, era a cidade de Urubamba, uma cidadezinha bem agradável, mas que, na verdade, nem deu para passear direito, porque era a parada do almoço. Então só deu mesmo para dar um pequeno rolé, nas imediações do restaurante. No tour, o almoço poderia estar incluído no pacote, mas preferimos a liberdade da escolha, para não cair naqueles restaurantes de carregação, para onde se costuma levar os turistas. Não sei como foi o almoço do resto do grupo, mas o nosso estava delicioso, sem contar que o restaurante ficava no local muito agradável.

Restaurante em Urubamba

                    De Urubamba seguimos para Ollantaytambo, e como falei antes, nosso roteiro, era o básico do básico, em função do pouco tempo. Foi uma pequena caminhada pelo centro de Urubamba e outro em Ollanta,

Centro de Ollantaytamba

                        O nosso grupo ainda continuou, mas nós ficamos em Ollanta,  para pegar o trem para Águas Calientes, onde iriamos dormir, antes de ir para Machu Picchu. Para falar a verdade, ficamos com o tempo bastante apertado, e quase perdemos trem, começamos caminhando, e no final saímos correndo, foi meio tenso, mas no final deu tudo certo. Com emoção, sempre é melhor!

Centrinho de Ollanta

Corre Gabi!

E por mais que a gente andasse/corresse, a estação não chegava!

Ufa, chegamos!