Guiana

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A Guiana, anteriormente chamada de Guiana Inglesa, era originalmente habitada pelos índios aruaques e caraíbas, até ser invadida pelos holandeses. Depois de terem iniciado as plantações de cana-de-açúcar, no início do século XVII, venderam o território para os britânicos em 1831. Para o trabalho nas plantações, os ingleses utilizavam a mão-de-obra escrava dos africanos, até os libertarem em 1838, quando trouxeram  trabalhadores temporários da Índia. Uma vez livre, os africanos decidiram se estabelecer na costa, na cidade de Georgetown, capital do país, enquanto os indianos, permaneceram na zona rural. Em 1966, o país conquistou a independência, mas a população permaneceu em conflito, pela rivalidade entre grupos étnicos antagônicos, os indo-guianenses e afro-guianenses. A Guiana, é um país pobre, com economia baseada na agricultura e mineração. Este é o cenário onde é ambientado o romance Frangipani House, de Beryl Gilroy, escolhido para representar o país neste projeto.

A autora nasceu em 30 de agosto de 1924, em Skeldon village, Berbice county, Guyana, onde passou a infância e o inicio da vida adulta. Em 1951, depois de obter o certificado Britânico de Professor da Guiana, em primeiro lugar, foi selecionada para fazer faculdade em Londres, e em 1968, tornou-se a primeira diretora negra, de uma escola primária em Londres, antes de entrar para a Universidade de Londres como pesquisadora. Entre 1970 e 1975, escreveu uma série de livros infantis, e em 1976 publicou Black Teacher, uma crônica de sua experiência como a única diretora negra de Londres. Em 1982, ganhou o prêmio GLC de Escrita Criativa de Minorias Étnicas, com o livro In For a Penny, e em 1985, ganhou o prêmio GLC de Literatura Negra, por Frangipani House. 

A escritora disse, em uma de suas entrevistas, que esse romance foi baseado tanto, em suas experiências de trabalho numa casa de repouso para idosos, como em represália a uma de suas amigas, proprietária de um asilo em Barbados. Pois tendo visitado o asilo, havia questionado porque as senhoras não fugiam de lá, e a amiga respondeu, porque elas não o desejavam. Esse é o tema central do romance, que conta a história da Sra. Mabel Alexandrina King, que aos 69 anos, vai morar num asilo por orientação das filhas que moram nos Estados Unidos. Mama King, passou um tempo doente, com malária, pleurite e inflamação da garganta, assim as filhas preocupadas, com o rápido desaparecimento dos seus recursos, resolvem interná-la nessa casa de repouso. Assim que se recupera, Mama King começa a se ressentir da estadia, e da forma como é tratada pelas enfermeiras, e pela dona da Frangipani House, a sra. Olga Trask, que parece ser muito boa com os negócios, mas oportunista e interesseira, no tratamento dado as idosas, que foram deixadas ao seu cuidado. Embora a vida de Mama King não tenha sido nada fácil, pois depois que o marido Danny desapareceu, teve que ser pai e mãe das duas filhas, fazendo todo tipo de trabalho, para poder criá-las, e depois os netos que ficaram aos seus cuidados, ela não suporta a vida encarcerada que leva em Frangipani House. No início, a angústia a leva ao desespero, depois a quase loucura e finalmente a fuga parece ser o único caminho. O romance aborda outros temas além do tratamento dos idosos em casas de repouso e a fragilidade de suas vidas, sendo desrespeitados, inclusive pela família, que não reconhecem os sacrifícios que fizeram por eles; racismo, os privilégios dos brancos, em relação aos outros grupos; valores; cultura; e a situação de pobreza do próprio país, que quase os obriga a emigrarem para terem melhores chances na vida.

Canadá

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Ainda não tinha chegado a vez do Canadá, e estava sem nenhum livro para ler do projeto, e não é que do nada, descobri na estante um livro em francês, de um canadense, ambientado em Montreal? Justo Montreal, a cidade que sonho conhecer no Canadá,! Pronto, estava feita a minha escolha. Um romance de Yves BeaucheminLe Matou, um calhamaço de 602 páginas.

Yves Beauchemin, nasceu em Rouyn-Noranda, província de Quebec, no Canadá, em 1941. Formou-se em literatura francesa e história da arte na Universidade de Montreal, em 1965. Ensinou literatura no Collège Garneau e na Université Laval. É autor de romances célebres, como: Le Matou, Juliette PomerleauCharles le téméraire e La Serveuse du Café Cherrier, e membro da Academia de Letras de Quebec. Além de vencedor de vários prêmios. Por Le Matou, ele recebeu os prêmios Prix du grand public du Salon du livre de Montréal (1981), Prix des jeunes romanciers du Journal de Montréal (1981), Prix du roman de l’été (Cannes, 1982), Prix des lycéens du Conseil régional de l’Ile-de-France (Paris, 1992).

O Livro conta a história de Florent, um jovem de 25 anos, e sua esposa Elise, seus amigos e inimigos. Inicia quando Florent depois de ajudar um senhor que havia sofrido um acidente, cai nas graças de um velho rico e esquisito, Egon Ratablavsky, que assistia a cena, e se oferece para ser seu benfeitor, ajudando-o na aquisição de um restaurante, La Binerie. A partir de então a vida de Florent e Elise, nunca mais será a mesma, farão grandes amigos, acolherão Monsieur Emile, um garoto de 6 anos, relegado pela mãe e seu gato Déjeuner. O restaurante trará sucesso e desventuras, e será alvo de um estranho e terrível combate.

Entende-se porque o autor recebeu tantos prêmios por este livro, trata-se de um thriller, narrado de forma espirituosa e bem humorada, eletrizante e terna ao mesmo tempo. Fiquei ainda mais ansiosa para conhecer Montreal, sua história, arquitetura e restaurantes.

ITÁLIA: Casalbuono, honrando os ancestrais

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                   A Itália está no meu DNA, na proporção de 35%(MyHeritageDNA). Sempre soube que a origem da minha família vinha da Itália, que “um dia dois irmãos italianos vieram da Calabria para o Brasil, indo um para Recife e o outro para Nazaré da Mata”. Só que a história não era bem assim; eles não eram irmãos, mas primos, um deles não foi para Recife, mas Catende; o Calabria é só no nome, na verdade vieram de Casalbuono, comuna da província de Salerno, na região da Campânia. A verdadeira história eu ainda estou pesquisando, mas a comuna eu já visitei.

                                         Arredores de Casalbuono

                                         Chegada na cidade

                  Casalbuono, fica a 165km de Nápoles, e atualmente pertence ao Parque Nacional do Cilento e do Vale do Diano. O parque foi criado em 1991, para proteger a região do Cilento da especulação imobiliária e do turismo em massa. Em 1998, tornou-se Patrimônio Mundial da UNESCO. Para chegar lá alugamos um carro na estação central de trens em Nápoles e seguimos direto.  

                  Não dá para explicar a emoção que senti, ao chegar na cidade onde viveram meus ancestrais. No início achei estranho porque a cidade parecia deserta, nos dirigimos a prefeitura para solicitar alguns documentos, e a funcionária me pediu para voltar a tarde.

                                                                Prefeitura

                       Praça com nome de um ancestral Michelle Calabria

                              Mapa do Parque Nacional de Cilento e Vale do Diano

              E só depois de algum tempo vivendo no sul da Itália, foi que entendi porque a cidade estava deserta daquele jeito. Era a pausa que fazem para o almoço e descanso, entre as 13:00 e as 16:00, quando toda a cidade para. Então pedimos indicação de restaurante e fomos almoçar.

                                                    Pousada/restaurante

                                                            Restaurante

                                    Risoto de funghi e vinho da casa

                    Almoço delicioso, risoto de funghi, vinho da casa e mousse de pistacchio. Depois do almoço e enquanto aguardávamos a prefeitura abrir, fomos explorar o centro histórico. Não tenho muitos dados da fundação da cidade, mas vem da época medieval, pois consta que a igreja Santa Maria delle Grazie, situada na praça Carlo Pisacane, foi construída no século XII.

                                                        Centro Histórico

                                                Piazza Carlo Pisacane

                                          Chiesa Santa Maria delle Grazie

                 Conversei com alguns moradores, queria ter a sensação de pertencimento na cidade dos meus ancestrais. No final da tarde, no caminho de volta para Nápoles, fomos contemplados com este por-do-sol.

                                                    Voltando para Nápoles

Costa do Marfim

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Climbiê, do escritor marfinense, Bernard B. Dadié, foi o livro escolhido para representar a Costa do Marfim. Trata-se de um clássico da literatura africana, e um marco na literatura marfinense, por ter sido o primeiro a ser publicado, em 1956, quatro anos antes da independência do país. É um romance autobiográfico, que vai narrar a vida do pequeno Bernard B. Dadié desde Boudéa, sua aldeia natal, passando por Grand-Bassam, primeira capital do país, Bingerville, segunda capital, Gorée, capital de AOF, onde se encontra a escola Normal Superiora William Ponty, e finalmente Abidjan.

O livro se divide em duas partes, e se desenvolve em pleno período colonial. Na primeira parte, acompanharemos sua vida escolar, na Costa do Marfim até a sua admissão em William Ponty, e na segunda parte, vamos acompanhá-lo até Dakar, onde ele viverá muitos anos antes de retornar ao seu país e passar a militar em defesa da cultura africana e da independência do país.  No livro ele denuncia a violência do colonialismo, e o impacto na cultura do país e da região. Depois de ler alguns romances africanos que abordam esse tema, a gente começa a se familiarizar um pouco, mas sempre se surpreende quando conhecemos mais intimamente algumas práticas por meio dos relatos de quem a vivenciou.

O romance abrange toda a jornada de Climbiê, até a vida adulta. No início do romance, ele é um menino despreocupado, vivendo com seu tio N’Dabian, um agricultor, que ele considera como seu pai, numa aldeia chamada Boudéa, e recebendo uma educação tradicional; ouvir as histórias contadas em serões, ajudar o tio com diversas tarefas, e aprender a se tornar um homem. Mas, sob a orientação de sua tia Bènie, o tio o matricula na escola dos “brancos” em Grand-Bassam, onde todas as crianças são obrigadas a frequentar. A partir de então ele vai ter contato com a postura impositiva do colonialismo, que não compreende o africano, nem sua cultura, e que não há interesse em preservar. Na escola, por exemplo, “É proibido falar suas línguas nos recintos da escola”. Se algum aluno fosse pego falando qualquer língua, que não fosse o francês, era castigado, devendo carregar “o símbolo” objeto que denunciava o infrator. Sob a orientação do tio Assuan Koffi, recebe estímulos para buscar o conhecimento: “Os teus estudos te ensinarão a socorrer todo homem que sofre, porque é teu irmão. Não olhes nunca para a cor dele, ela não tem importância. Mas, em contrapartida, não deixes nunca pisotear teus direitos de homem, porque, mesmo na mais dura das escravidões, esses direitos estão ligados à tua própria natureza.” Ele vai se dedicar aos estudos, para conquistar sempre mais conhecimento. No entanto, mesmo mantendo-se fiel as suas origens africanas, Climbiê se sente influenciado pelo mundo moderno, que aprendeu a conviver na escola. E é através da linguagem que vai encontrar o equilíbrio entre esses dois mundos.

Itália: Nápoles – walking tour

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                   Para mim, não existe melhor maneira de conhecer uma cidade do que caminhando pelas suas ruas, e em Nápoles, nós levamos essa ideia bem ao pé da letra. Foram 18,3 km percorridos a pé, de acordo com o meu celular, e seguindo meu roteiro pré-determinado. O ponto de partida, foi Chiaia, onde estava localizado o apartamento, que havíamos alugado, pelo Airbnb, pelos próximos 5 dias, dica de Ricardo Freire, do blog Viaje na Viagem.

CHIAIA

                    O bairro é muito bem localizado, fica a beira-mar, perto da Piazza del Plebiscito, a mais importante da cidade, perto do Centro Histórico, e longe do tumulto. A noite, ao longo Riviera di Chiaia, tem muitas opções de restaurantes, bares e pizzarias. Indo no sentido de Mergellina, contrário ao centro, ficava a estação de metro/trem.

                                                             Riviera di Chiaia                           

                Reservamos o primeiro dia para conhecer Nápoles, e achei que foi mais do que suficiente. Com a ajuda do mapa que estava a nossa disposição no apartamento, iniciamos nossa jornada para o centro histórico. Fomos margeando a avenida beira-mar ou Via Francesco Caracciolo, em direção a Piazza del Plebiscito, e de lá para o centro histórico.

                                            Chiaia – Via Francesco Caracciolo

                                            Piazza Vittoria-final da via Francesco Caracciolo

Via Partenope – vista contrária ao Vesúvio

                                                        Chiaia, sentido Mergellina

                 Chegamos na Piazza del Plebiscito, e subimos por uma rua até o Castel Nuovo. Optamos por não entrar no castelo, e continuar nossa caminhada, até chegar a Galeria Umberto I, onde paramos para apreciar a decoração e tomar um café.

                                                              Castel Nuovo ao fundo

GALERIA UMBERTO I

                   É um Centro comercial, em forma de cruz, coberto com uma estrutura de ferro e vidro, elementos arquitetônicos modernos, que remetem a Galleria Vittorio Emanuele II, em Milão, concluída em 1865. Nomeada em homenagem ao Rei que governou a Itália entre 1878 a 1900. Foi construída entre 1887 e 1890, para estimular o comercio e ser símbolo do renascimento de uma cidade, que se encontrava devastada. Período conhecido como “Risanamento”, que durou até a primeira guerra mundial. Tem quatro saídas; entramos pela entrada com vista para o Castel Nuovo, e saímos pela que dá acesso a via Toledo.

Galeria Umberto I – 12 signos do zodíaco em mosaico

                                                                Galeria Umberto I

QUARTIERI SPAGNOLI

                           Seguindo pela via Toledo, chegamos ao Quartieri Spagnoli, ou bairro espanhol. Tem esse nome por ter abrigado os espanhóis no século XVI. Naquela época Nápoles pertencia ao reino das Duas Sicílias, que era controlado pelo lado espanhol da família Bourbon. O Vice-rei mandou construir um local para abrigar as tropas espanholas, que eram enviadas a Nápoles para prevenir contra possíveis insurreições. É o típico bairro napolitano, com ruas estreitas, roupas penduradas na janela, crianças jogando bola e vespas passando a toda! É enorme, caminhamos por algumas ruas para sentir o clima e depois voltamos para a via Toledo para prosseguir com o nosso tour.

                                                               Quartieri Spagnolii

                                                     Peixaria no Quartieri Spagnoli

                                                              Quartieri Spagnoli

                                                                 Via Port’Alba

                    Chegando a Piazza Dante, entramos a direita na via Port’Alba para chegar no miolo mesmo do centro histórico. Depois de explorar a região, paramos para almoçar no restaurante que já havia escolhido: o Tandem Ragù Ristoranti Napoli, esse que aparece na foto, localizado na via G. Paladino, 51, que havia sido muito bem recomendado. Fui de ragù mesmo, e Daniel de nhoque, com vinho da casa. Refeição maravilhosa!

                                                     Tandem Ragu Ristorante Napoli

                                         Tandem Ragu Ristorante Napoli

                                                            Via Vicoletto S. Pietro a Maiella

                                                                              Piazza Dante

                                                          Vista do Vesúvio

NAPOLI SOTERRANEA

              Existe outra Nápoles, oculta pelas ruas caóticas da cidade, bem anterior ao que hoje conhecemos da cidade. Com a queda do Império Romano, novas construções surgiram se sobrepondo as ruínas das que já existiam, formando uma extensa rede de túneis. O início do tour, que custa 10 euros, é na Piazza San Genaro. São sítios arqueológicos, aquedutos e cisternas. Durante a segunda guerra, o local foi utilizado como abrigo anti-aéreo e hospital militar. A visita dura duas horas e as vezes é um pouco claustrofóbica, com passagens bem estreitas. Mas achei que valeu a pena.  No final, saímos dos túneis e entramos numa típica casa napolitana daquela época; e eis que a guia levanta a cama para que possamos entrar num alçapão com acesso as ruínas de um anfiteatro romano.

                                                                           Cisterna 

                                                                 Napoli Soterranea

                  Ao final do tour subterrâneo, iniciamos nossa maratona para conhecer as melhores pizzarias de Nápoles, a primeira foi a Gino Sorbillo, pertinho de onde estávamos na Via dei Tribunali, 32. Em seguida, ainda deu tempo de ir conhecer o Museo Archeológico di Napoli, numa prévia para a nossa visita a Herculano e Pompéia.

                                                                 Museu Arqueológico

 

Sudão

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Na ocasião em que publiquei o post sobre o Sudão do Sul, em janeiro de 2016, havia verificado em minhas pesquisas, que o pais vivia num caos desde a sua independência do Sudão em 2011. E é com tristeza que verifico que o próprio Sudão vive atualmente em conflitos, que já ocasionaram muitas mortes. O estopim foi a derrubada do governo em abril deste ano, após manifestações, iniciadas em janeiro deste ano, contra os crimes cometidos pelo então presidente Omar al-Bashir. Os militares que derrubaram o governo, se comprometeram a fazer um governo de transição, mas na prática isso não aconteceu, e agora a população exige que o governo seja entregue a um civil. Os militares chegaram até a cortar a internet com o intuito de impedir a comunicação entre as pessoas e isolar o Sudão do resto do mundo. Uma situação difícil, um caos!

Menos caótica, no entanto, foi a escolha do livro para representar o país. Em maio de 2018 recebi da TAG Livros, da qual sou associada, o  livro Tempo de Migrar para o Norte, de Tayeb Salih, escritor sudanês, da vila de Karmakol, região norte do Sudão. Naquele momento, decidi que seria esse o representante do Sudão.

Tayeb, nascido em 1929, é um dos mais aclamados escritores árabes do século XX. Ele se formou em Literatura na Universidade de Cartum, capital do Sudão. Em 1952, deixou o país para estudar nas Universidades de Londres e de Exeter, na época o Sudão ainda era uma colônia britânica, só vindo a conquistar a independência em 1956. É autor de vários contos e romances, e seu romance Tempo de Migrar para o Norte, publicado em árabe, em 1966, foi eleito o mais importante romance árabe do século XX. No romance, o narrador é um intelectual, não nominado, que acaba de retornar da Europa, após 7 anos de estudos, para sua terra natal, a mesma do autor, uma aldeia rural, banhada pelas curvas do Rio Nilo. A alegria inicial pelo retorno, o acolhimento familiar e a sensação de pertencimento logo farão contraponto com o peso dos costumes arcaicos, e da severa religiosidade. O encontro com um novo habitante na aldeia, longo chamará sua atenção, o deixando intrigado. Trata-se de Mustafa Said, um personagem que no passado, viveu a mesma experiência do narrador, de emigrar para a Europa, porém, com uma trajetória muito mais tumultuada e envolta em mistérios, do que a do narrador. Aos poucos, a história de Mustafa, vai sendo revelada, inicialmente por ele mesmo, e depois do seu desaparecimento, nas buscas realizadas pelo narrador. Mustafa é um personagem contraditório, fascinante e misterioso. No momento, em que o narrador o conhece, ele está estabilizado na aldeia, onde trabalha, casado e com filhos, mas nem sempre foi assim. De maneira gradativa, vamos conhecendo a trágica história de Mustafa, que está inevitavelmente vinculada a do próprio país, do colonialismo imposto pelo colonizador e seus efeitos sobre a cultura do povo africano. Uma leitura, densa, mais fascinante e necessária.

De volta às viagens

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               São as oportunidades que vão aparecendo na minha vida que definem a maioria das minhas viagens; pode ser um casamento, um intercâmbio, férias, etc. aproveito para encaixar mais alguns destinos, pois cobrir o mundo todo, dá trabalho. Nesta última viagem(25/03 a 07/05/2019), fiz uma dobradinha, intercâmbio, e férias, por cinco países, em 43 dias: Itália, Malta, Jordânia, Israel e Espanha. A oportunidade era o intercâmbio na Itália, o único país que já conhecia, e as férias. Seria o segundo intercâmbio no pais, o primeiro foi em 2017, em Florença, na Accademia Europea di Firenze, ainda não registrado neste blog. Dessa vez seria na Universitá per Stranieri Dante Alighieri, em Reggio Calabria, região da Calabria, no sul da Itália.

ITÁLIA – Reggio Calabria

                 Os outros destinos foram sendo encaixados de acordo com as folgas, feriados e férias.  A primeira parte da viagem, uma semana antes de começar o intercâmbio, começou com uma estadia de 5 dias em Nápoles, que fica na região da Campânia, em companhia de Daniel, meu filho. Alugamos um apartamento, para fazer a base e a partir de Nápoles, fizemos alguns bate e volta: Casalbuono, Herculano, Pompéia e Capri. Roteiro que tinha pensado há dois anos atrás, mas que na época o tempo não foi suficiente.

ITÁLIA – Capri

                Na segunda parte da viagem, me estabeleci em Reggio Calabria, para o curso de italiano de 01/04 a 30/04., e nesse período conheci algumas cidades nas regiões da Calabria: Tropea, Scilla, Gioiosa Jonica, Villa Romana del Naniglio e Gerace, e na região da Sicília: Taormina, Siracusa e Palermo. Aproveitando um feriado no final do mês de abril, fui conhecer Malta, onde me encontrei com minha irmã.

MALTA-Blue Lagoon

               Ao final do curso, minha filha e sobrinha vieram se juntar a nós, para iniciarmos as férias. O destino era Jordânia, e Israel. A Espanha, na verdade, foi um bônus, uma conexão prolongada entre Tel Aviv e Madrid.  Nos próximos posts, descreverei como foi a viagem.

JORDÂNIA – Petra

ISRAEL – Jerusalém

Mongólia

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     Algumas curiosidades sobre o novo destino. A Mongólia, fica situada entre a China e a Rússia, não tem costa marítima, e seu território é muito extenso, 1.564.000 km², porém tem uma baixa densidade, apenas 3.155.044 habitantes, de acordo com dados do countrymeters, em 2019. É um país exótico, que tem no povo e na natureza o seu maior atrativo, apesar de ainda não ser muito explorado pelo turismo. São florestas, montanhas, padrarias, cânions, lagos e rios de degelo, cachoeiras, vales, platôs infinitos (áridos e semiáridos), estepes e o emblemático deserto de Gobi, tombado pela UNESCO, como patrimônio da humanidade. É a natureza exuberante que compõe o cenário do país, e sua herança da cultura tribal, que caracterizam a maneira nômade do mongol. É também a terra de Genghis Khan, imperador mongol, considerado um dos maiores conquistadores do mundo, no século XIII. De acordo com Ganbold, secretário-geral da governista Coalizão União Democrática, “Ele uniu as tribos mongóis, criou um Estado e nos deu o sentimento de dignidade e independência”. Ele havia sido banido dos livros de história durante o regime comunista, quando a Mongólia viveu como um satélite da União Soviética, que proporcionava proteção diante da ameaça da China. Com a falência do regime soviético ele voltou a ser reverenciado.

Galsan Tschinag, autor do romance escolhido, The Blue Sky, nasceu em 26 de dezembro de 1944, em Bayan-Ölgiy, Mongólia, Seu nome de origem, na realidade é Irgit Shynykbai-oglu Dshurukuwaa, pois apesar de ter nascido na Mongólia, ele tem origem tuvana. De 1962 a 1966, ele estudou na Universidade de Leipzig, quando adotou o alemão como linguagem escrita. Além de escrever mais de uma dúzia de livros, ele é um xamã. Durante o opresssivo regime comunista ele se transformou em um cantor, contador de histórias conforme antiga tradição tuvana, e liderou o povo que tinha se dispersado no regime  comunista de volta para sua terra, nas montanhas Altai.

The Blue Sky, é a primeira parte de uma trilogia autobiográfica, e segundo palavras do Galsan, descreve a primeira infância e termina com a rejeição ao pai do céu. Narrado pelo autor, como garoto, descreve como era a sua vida; caçula de três irmãos, vivia, com a família e seu cachorro Arsylang, como fiel companheiro, em ails, espécie de acampamentos ou comunidades, formadas pelas yurts, cabanas circulares, típicas da região. Ele descreve como era a vida, em contato direto com a natureza, de onde tiravam o sustento, com a criação de cabras, ovelhas e cavalos, e se fortaleciam com os valores e apoio dos familiares e amigos, ameaçados de extinção com a chegada do progresso e da influência russa. Sem dúvida, um excelente relato sobre a cultura das tribos mongóis.

Islândia

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Em 2011, a Islândia disse “não” aos banqueiros, e ganhou muitos fãs, inclusive eu.  Não tem como não simpatizar com um povo, que tem o discernimento e a coragem de impedir que a população pague pelos erros dos banqueiros, aceitando pacotes de austeridade. E também não tem como não se emocionar com a impressionante diversidade da paisagem islandesa. O país possui 22 vulcões ativos, 250 áreas geotermais, 780 fontes quentes e a terceira maior geleira do mundo (depois da Antártica e da Groenlândia). Então não é de se estranhar que eu tenha encontrado um romance tão a altura da “natureza” do país, embora essa tenha sido a minha estréia na literatura islandesa. O livro escolhido foi Rosa Candida, e o exemplar que li, foi traduzido do francês por André Telles e publicado pela Alfaguara, em 2007. Esse é o terceiro romance da escritora Audur Ava Ólafsdóttir, nascida em 1958, em Reykjavik, capital da Islândia. Audur estudou arte em Paris, e é professora de teoria e história da arte na Universidade da Islândia.

O romance conta a história de Lobbi, um jovem que foi pai muito cedo, e decide partir  para o estrangeiro, levando na bagagem três botões de rosa candida, um tipo muito raro, além de uma foto de sua filha, e essa é praticamente toda sua bagagem. O ponto de partida do romance, é a necessidade de tornar-se pai, como faz um homem para tornar-se pai? No espaço de um ano, Lobbi perdeu sua mãe, num acidente, e tornou-se pai de uma menina, de forma acidental. Ele vive com seu pai, e com o irmão gêmeo, Jósef, nos finais de semana,  – pois é especial e vive numa clínica. Tímido, oprimido pela paternidade precoce, pelas expectativas do próprio pai, e sentindo a ausência da mãe, de quem era muito ligado, ele decide viajar para tentar se encontrar. Consegue um emprego de jardineiro, num mosteiro, com a missão de resgatar seu jardim magnífico. O jardim e as rosas, era uma paixão que ele e a mãe compartilhavam. Segundo a autora, toda viagem literária, é uma viagem onde a gente se descobre e muda, o livro é quase um romance de formação. Não se sabe qual o país, para onde ele vai, e onde se encontra o jardim magnífico. De acordo com Audur, ela ainda o procura. O livro é escrito de uma forma simples, mas apaixonante, que nos toca diretamente no coração!

Dinamarca

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          Depois do sucesso impressionante da saga “Millennium” de Stieg Larsson, a literatura nórdica (Suécia, Noruega, Finlância, Dinamarca e Islândia), entrou em evidência, principalmente no gênero  thrillers e romances criminais da atualidade, no qual seus autores são conhecidos como os melhores. Não se sabe ao certo, o que os tornaram tão brilhantes no tema, talvez a segurança em vivem, com poucos crimes, numa vida tranquila demais, tenha surtido o efeito contrário, e necessidade de viver perigosamente, criando fantasias. Assim devido a facilidade, escolhi nesse gênero, A Mulher Enjaulada, do escritor Jussi AdlerOlsen. Esse livro foi traduzido do alemão por João Ventura, e publicado em 2014, pela Editora Record. Ele foi publicado em Portugal com o nome de O Guardião das Causas Perdidas, pela editora Presença, também em 2014, sendo adaptado para o cinema dinamarquês, em 2012. Jussi Adler-Olsen nasceu em Copenhague, em 02 de agosto de 1950, e dentre outros trabalhos, foi editor de diversas publicações antes de começar a escrever obras de ficção. A Mulher Enjaulada é o primeiro romance da série Departamento Q, ao que se seguiram Desejo de Vingança e A Mensagem na Garrafa. 

De forma simultânea, o livro conta a história de Merete Lynggaard, uma jovem política com uma carreira meteórica, que desaparece sem deixar rastros, em meados de 2002, sendo o caso arquivado depois que as investigações se mostraram infrutíferas, e de Carl Morck, um detetive veterano, que recentemente sofreu um abalo ao ter perdido um parceiro em uma diligência. Ao voltar, depois da licença, fica responsável pelo Departamento Q, recém criado para cuidar de casos importantes que foram arquivados sem terem sido solucionados. O desaparecimento de Merete vem a ser seu primeiro caso, mal instalado, em um subsolo, Carl conta apenas com a ajuda do assistente, Assad, um estranho e divertido imigrante árabe, e juntos começam a trabalhar no caso Merete. A trama é eletrizante, ao mostrar alternadamente a histórias dos dois, indo e vindo no passado/presente, ficamos sabendo a terrível situação de Merete, de que forma foi enjaulada, e o perigo que corre sua vida, sem no entanto saber as razões, por outro lado, vamos acompanhando o aprofundamento do trabalho de Carl, descobrindo pistas que a polícia deixou passar, e que vão dando um novo rumo as investigações. Mas o tempo está correndo contra Carl, e só nos resta prender o folego e torcer para que não chegue tarde demais até Morete.