Chinchero e o último jantar no Vale Sagrado

Padrão

                 Ao final da nossa visita a Machu Picchu, pegamos o trem de volta, para Ollantaytambo, e de lá, contratamos um táxi, para nos levar para Cuzco, aonde passaríamos nossa ultima noite, antes de ir para Lima. No meio do caminho, o motorista perguntou se não gostaríamos de conhecer Chinchero,  e  visitar os ateliês onde mulheres exibem o processo que sofre a lã de alpaca até tomar a forma que vemos nas roupas. Chinchero é um pequeno povoado que fica a 28 km de Cuzco, e 3.760 metros de altitude, na estrada de Urubamba, Vale Sagrado. Vimos pouco da cidade, demos um giro pelas ruas e em seguida paramos em um dos ateliês.

Gabi assistindo a demonstração das artesãs.

                  O local é muito simples e tudo bem artesanal. Primeiro elas nos acomodaram, serviram chá quentinho e nos deram mantas para passar o frio. Só então começou a demonstração do trabalho delas.

Fazendo a tinta

Tingindo a lã

Fazendo a roupa

                 As artesãs explicam todo o procedimento que sofre a lã de alpaca até se tornar roupa, do tingimento, a fabricação dos fios. Claro que, depois elas convidam a conhecer a exposição de todos os produtos, na expectativa que comprássemos alguns. Não é barato, mas pelo menos temos a certeza, da autenticidade e originalidade.

Exposição dos produtos

                   Depois da demonstração e das compras, veio a farra, com as lhamas e as roupas típicas, que fizemos questão de vestir, como autênticos peruanos.

Daniel ganhando a confiança da amiga lhama

Curtindo as lhamas

A familia reunida

Posando de peruana

                      Terminada a visita, voltamos para a ultima noite em Cuzco, saimos para jantar no excelente Capriccio, indicação do pessoal da nossa pousada. Achamos tudo maravilhoso, a gentileza do atendimento, o tempero do chef junto com a nossa alegria. Mais uma farrinha em família para contabilizar.

                     Partiu Lima!

Haiti

Padrão

               De acordo com o provérbio crioulo: O Lápis do bom Deus não tem borracha, não há como fugir ao destino irreparável, pois ele anda sempre a espreita. Foi esse proverbio que Louis-Philippe Dalembert, romancista haitiano, natural de Porto Príncipe, usou para título do romance, que retrata a infância vivida em Bel-Air, um bairro pobre situado as margens da baia de Porto-Principe. Louis-Philippe, deixou o Haiti, depois de ter se formado em jornalismo, e trabalhado nessa área em seu país natal até ir para França, para estudar Literatura Comparada, na Sorbonne, onde obteve o titulo de doutor. Poliglota(7 idiomas), já rodou o mundo, percorrendo sucessivamente, Haiti, França, Itália, Tunísia, Israel, Alemanha, África do Sul, Congo, Cuba e Brasil. Recebeu vários prêmios internacionais, entre eles o “Casa de las Américas”. Atualmente vive entre Itália, Paris e Porto Príncipe.

No livro, o protagonista retoma a cidade natal, depois de um prolongado exílio, na expectativa de reviver a infância tão presente em sua memória. No entanto nada encontra, nem os locais por onde viveu e passou, nem as pessoas que foram importantes em sua vida, principalmente Faustino, uma controvertida figura, mas que exerceu uma enorme influência para o menino. Depois da tentativa frustada de encontrar com Faustino, ele volta ao passado,  para o período em que viveu naquele bairro popular as margens da baia de Porto-Pinto, tendo um Peugeot 304 abandonado no quintal, como companheiro de brincadeiras, uma varanda como cenário, um galo, a avó severa, e suas tias-avós, e principalmente Faustino, de quem nada sabe, a não ser os cuidados que dispensava ao menino. E é com o amor que lhe devota, que imagina como seria a vida de Faustino, preenchendo com a imaginação as lacunas de sua vida, pelo menos as que lhe são desconhecidas. O autor divide o romance em duas partes, a vivida pelo menino, e aquela a que pertenceu Faustino, segundo sua imaginação, alternando os capítulos, e mesclando prosa e poesia.

Coreia do Sul

Padrão

                     Kyung-Sook Shin, nasceu em 1963, numa pequena vila rural, perto da cidade de Jeongeup, na Coreia do Sul. Aos dezesseis anos mudou-se para Seul, para trabalhar numa fábrica de componentes eletrônicos, enquanto frequentava uma escola noturna. Foi durante um período de greve da empresa, que iniciou seu caminho na literatura. Aproveitava as paradas, para copiar num caderno de anotações, os trechos do romance que lia. Posteriormente, frequentou um curso de escrita criativa, no Instituto de Artes de Seul, publicando sua primeira novela, aos 22 anos.  Escreveu 7 romances, 7 coletâneas de contos e três obras de não-ficção, tendo recebido inúmeros prêmios na Coréia do Sul, onde é muito lida, e aclamada, além de ter recebido o prêmio Dong-in Literary e o francês Prix de l’Inaperçu. Divide o tempo entre Seul e Nova York, onde atualmente, é professora visitante.

                      Por Favor, Cuide da Mamãe, foi o livro escolhido para representar a Coreia do Sul, no projeto #198 livros, e o sexto romance escrito por Kyung. Publicado em 2008, na Coreia do Sul, foi a primeira obra sul coreana, a entrar na lista dos mais vendidos do The New York Times e a ficar entre os dez melhores livros de ficção escolhidos pela Amazon. Vendeu mais de 1,5 milhões de cópias, e foi publicado em 23 países. Segundo a autora, esse livro foi escrito para sua mãe. E o desejo de escreve-lo surgiu aos 16 anos, quando viajavam juntas, num trem para Seul. Ao olhar para mãe, viu como ela tinha um olhar solitário, então prometeu que um dia escreveria um livro e o dedicaria a ela.

                    O ponto de partida, é o desaparecimento de uma mãe, chamada Park So-nyo, de 69 anos, no meio da multidão, quando chegava com o marido, em Seul, para visitar os filhos. A história retrata a luta desesperada da família, para encontrá-la, e é narrada, de forma inusitada, por 4 narradores; a filha mais velha, o filho, o marido, e ela própria. Na verdade, há um só narrador, que dialoga com eles através de suas lembranças, trazendo-as de volta, para que através dessa realidade, vivenciada por eles, possam entender quem de fato era a mãe deles, e as dores pelas quais passou. Pois eles só a viam como mãe, e esposa, e não como uma pessoa com necessidades próprias, e é necessário fazer esse reconhecimento, para poder se aproximar mais dela. É um livro muito triste, pois o processo é doloroso, reconhecer, agora que a mãe não está ali, o que poderia ter sido feito para fazê-la mais feliz. Um livro que nos faz pensar, questionar, tentar encontrar uma maneira de estar mais próximo daqueles que amamos. Mas, o livro ainda vai além, através das lembranças dos personagens, vamos viajar pela Coreia, conhecendo suas tradições, como a Lua Cheia da Colheita; os rituais ancestrais do ano novo; a gastronomia, e traçar um retrato da atual Coreia.

Indonésia

Padrão

           Embora o nome do país seja bastante conhecido, precisei olhar no mapa para me localizar, pois para mim, aquela região é muito confusa. O país fica localizado entre o Sudeste Asiático, e a Austrália, só que o “país’ é o maior arquipélago do mundo, com apenas 17 508 ilhas, então é realmente muito difícil, tentar visualizar. O romance escolhido, Guerreiros da Esperança, (Laskar Pelangi, no original e  The Rainbow Troops, em inglês), é o livro de estréia de Andrea Hirata, e se passa na Ilha de Belitung, local de nascimento do autor. Foi publicado em 2005, sendo o primeiro de uma quadrilogia, de inspiração biográfica, seguidos por: Sang Pemimpi(O sonhador), Edensor e Mayamach Karpov. Foi adaptado para o cinema em 2008.

          O livro, narrado por Ikal, um menino pobre, que assim como seus companheiros, têm o sonho e a esperança, que a educação possa mudar suas vidas. Eles vivem na pequena Ilha de Belitung, a mais rica da Indonésia, graças as suas reservas de estanho, descoberto pelos colonizadores holandeses, e explorado pela empresa PN Timah, que significa empresa estatal de estanho. A empresa foi tomada pelo governo indonésio, que assumiu não só os bens como a mentalidade feudal, pois mesmo após a independência, continuou com o tratamento discriminatório dado aos nativos. Esse tratamento, criou um contraste absurdo, entre os ricos executivos da PN exploradores de estanho e o povo nativo vivendo em extrema pobreza. Para garantir o direito a educação, conforme o artigo 33 da Constituição da República da Indonésia: “Todo cidadão tem direito a educação“, a jovem professora Bu Mus e do diretor Pak Harfan, são incansáveis na luta para possibilitar a Ikal e seus companheiros, esse direito. São muitas as dificuldades que vão enfrentar para garantir aos alunos a educação prevista na constituição. A começar pela ameaça de fechamento da pequena escola da aldeia, Muhammadiyah, pelo superintendente escolar do Departamento de Educação e Cultura da Sumatra, que exigiu o minimo de dez alunos para evitar o fechamento, depois vem a luta para manter a escola de pé, já que a estrutura física da escola é bastante precária. Há ainda o interesse de exploração do solo no terreno da escola. Somente a garra e a fé de professores e alunos para vencerem todos os desafios.   É comovente ver como os Bu Mus  e Pak Harfan, conseguiram criar laços fortes o suficiente, nos meninos, para enfrentar desafios, vivenciar o amor, dividir experiências e conquistar  vitórias.

Machu Picchu – A Cidade Sagrada

Padrão

              Finalmente, depois de muito sonhar, chegou o dia de conhecer Machu Picchu. E graças as circunstâncias que nos fizeram estar lá em janeiro,(que é o mês menos indicado para se visitar MP), pudemos aproveitar todos os momentos com a calma e a tranquilidade que o local requer. Assim, acordamos sem o estresse da hora, e tomamos o nosso café com toda a calma do mundo, e em seguida partimos para a aventura. Embora estivéssemos em Machu Picchu Pueblo/Águas Calientes, era necessário ainda pegar um micro-ônibus para chegar ao santuário. Embora não fosse tão cedo, não tivemos que enfrentar fila, para comprar o ticket, pois não havia praticamente ninguém, ao contrário do que havia lido em praticamente todos os blogs de viagem.

                    O dia estava lindo, nenhuma nuvem no céu, que pudesse significar ameaça de chuva, apesar da ameaça ser real. De Águas Calientes para Machu Picchu, leva-se em torno de 20 minutos, numa subida cheia de curvas até alcançar o topo. Como já havíamos comprado os ingressos no Brasil, só tivemos que contratar um guia. O tour com a nossa guia durou em torno de 2 horas, ao final saímos do parque, lanchamos e entramos de novo, com todo tempo para explorar e tirar todas as fotos.

Primeira foto oficial da família, pronta para iniciar o tour.

                       Faltam palavras para descrever o que senti, quando me vi no topo da montanha, com todas as outras montanhas circundando a nossa, as nuvens ao alcance dos olhos,  e a cidade de pedra esperando para ser visitada, foi pura emoção. Tive o mesmo sentimento, quando conheci Fernando de Noronha, você pode ver milhões de fotos, ouvir milhões de relatos, mas sempre ficará abaixo da realidade, e mesmo vendo outras pessoas circulando próxima a você, ainda assim se sentirá em paz, porque a energia do local tem esse poder. Fizemos então a primeira parada, para ouvir as explicações da guia, e tirar a primeira foto oficial da família.

                       Machu Picchu começou a ser construída ao redor de 1450 por Pachacuti Inca Yupanqui, e só foi habitada por um século, por causa da queda do estado Inca. Uma das hipóteses para a construção da cidadela, teria sido, para que a nobreza inca pudesse fugir aos invernos rigorosos de Cusco. Além da nobreza, também habitavam a cidadela, a comitiva sacerdotal, soldados, empregados domésticos e artesãos.

Palácio da ¨Nusta, ou princesa inca. A direita uma parte do Templo do Sol, com o qual está conectado.

               Mas acima de tudo, Machu Picchu era um local sagrado, onde se realizavam cerimônias religiosas e se rendiam culto ao sol.

Porta do Sol, recebeu esse nome por estar próxima ao Templo do Sol

 

Rocha Sagrada

                       Embora não dê para ver nessa foto, a rocha tem a forma da montanha que está atrás. Os incas imitavam as formas naturais porque acreditavam que tinham um caráter sagrado.

                      Os incas consideravam que as pedras  eram seres vivos, e que podiam se converter em humanos e vice-versa. Embora a energia estivesse em todo lugar, não custa nada tentar tocá-la. Turista é turista em qualquer lugar!

                       Depois do tour guiado, ainda ficamos explorando todos os ângulos e locais possíveis, só não subimos a montanha Huayna Picchu. Mas, foi intenso o que vivemos! E ainda recebemos um presente dos Deuses, um lindo dia de sol, no mês de maior índice pluviométrico!


Venezuela

Padrão

                  La ficción es una forma de encarar y encarnar la realidad; es realidad también y no de un modo subsidiario” a afirmativa é do escritor venezuelano Jesús Miguel Soto,  nascido em El Valle, Caracas, em 1981. JM Soto, cursou comunicação social e letras na Universidade Central da Venezuela, trabalhou como professor universitário, revisor e editor, e atualmente reside no México. Além dos muitos prêmios recebidos, integrou a lista definitiva do Projeto Literário Bogotá39, do ano de 2017 , que visa selecionar 39 escritores que ainda não completaram 39 anos. Esse limite foi estabelecido em função de Gabriel Garcia Márquez, que tinha 39 anos quando escreveu Cem Anos de Solidão. Soto publicou as novelas La máscara de cueroEl caso Boeuf (Relato a la manera de Cambridge) e o livro de contos Perdidos en Frog, publicado em 2012 e escolhido para representar a Venezuela, neste projeto.

                       Segundo o autor, trata-se de um livro escrito dentro do padrão, com 15 histórias bem clássicas, e que sua única proposta pessoal, que fugiria a esse padrão seria o convite, no prólogo, para ler o livro como quinze livros de uma única história, em vez de um livro de quinze histórias. São histórias curtas, numa linguagem fluente, embora trate de temas densos e surreais, como um escritor obsessivo que persegue um crítico literário, por não ter escolhido sua obra em um concurso; um povoado no meio do nada, com habitantes estranhos e cachorros guardando as fronteiras; um grupo de amigos que fundam um país dentro de um apartamento, e  outros nesse estilo. Persiste em todos, um tom depressivo, macabro mesmo(como no conto “Perdidos en Frog”, e “Uno de muchos posibles atajos), e o desenvolvimento da história obedece ao mesmo padrão, em que a partir de uma guinada na narração, leva ao desfecho, quase sempre trágico. O autor usa um tom irônico, numa descrição surreal para passar sua mensagem.

 

Brunei

Padrão

                   Brunei, oficialmente Estado de Brunei Darussalam, que em tradução livre significa “onde vive a paz”, está localizado na menor parte da Ilha de Bornéu, no Sudeste Asiático. É um pequeno país islâmico, um dos menores e mais ricos do mundo, com apenas 400 mil habitantes e praticamente do tamanho do nosso Distrito Federal. Foi colônia britânica, tornando-se independente apenas em 1977.  O livro escolhido, ou melhor dizendo, o livro encontrado para representar o país foi Written in Black, de K H Lim. Trata-se do primeiro romance do autor, que escreve apenas nas horas vagas, quando não está exercendo a profissão de médico. Nascido e criado em Brunei, formou-se em medicina no Reino Unido em 2008, e vive atualmente em Singapura.

                      O romance narra as desventuras de Jonathan, um menino de 10 anos, cuja família se encontra totalmente desestruturada. Sua mãe, saiu de casa há cerca de seis meses, teoricamente para tratamento de saúde na Austrália, e ele se encontra angustiado, de saudade, e por não conseguir conversar com ela ao telefone; Michael, o irmão mais velho, um adolescente de 16 anos, foi posto pra fora de casa pelo pai, há dois meses e meio, por fugir ao seu controle; e para completar, ele não mantém um relacionamento amistoso com o pai, que é emocionalmente instável e agressivo. No início do romance, ele recebe a notícia que o avô, que mora com o tio em outra cidade, faleceu, e assim a família, o pai, a irmã mais velha, e o irmão mais novo, têm que se deslocar para lá, para participar do funeral. Inicialmente, Jonathan, nutre a esperança, que a mãe retorne para poder assistir ao funeral, mas quando percebe que isso não irá acontecer, e que parece haver um complô, para mantê-lo incomunicável com ela, ele se desespera, e resolve ir atrás do irmão. Acredita, que Michael pode saber o que está por trás da partida da mãe, pois descobre, através do primo, que os dois continuam se comunicando. Assim, quando o caminhão vem fazer a entrega do caixão do avô, ele se esconde, em um caixão vazio, dentro do caminhão, para tentar chegar até o irmão. Tem início então, a grande aventura de Jonathan, que precisará de muita coragem, para enfrentar todo tipo de perigo e adversidade pela frente, no encontro com os poklans (gang de adolescentes de Brunei, cheiradores de cola) e com vendedores esquisitos, nas casas assombradas, além de grandes descobertas, como a amizade e o conhecimento de si mesmo.

 

Nicarágua

Padrão

                                         “Louca falível, terna e vulnerável/ que se apaixona feito puta triste por causas justas/, homens bonitos e palavras brincalhonas.” É assim que Gioconda Belli, se auto define em um dos seus poemas. Essa, muito premiada poetisa e romancista, nasceu em Manágua, na Nicarágua, em 1948. Começou a escrever seus poemas ainda jovem, na época em que se envolveu na luta, para derrubar a ditadura no país, integrando o a Frente Sandinista de Liberação Nacional (FSLN). Casou três vezes, a primeira ainda muito jovem com 18 anos, e tem 4 filhos.

                                     No romance O Pais das Mulheres escolhido para representar a Nicarágua, a autora narra a história da fictícia República de Fáguas, um pequeno país latino americano, governado por um grupo de mulheres, do Partido da Esquerda Erótica-PEE. O livro começa, com o atentado sofrido pela presidente, Viviana Sansón, que a deixa em estado de coma, e vai se desenvolvendo, a partir do despertar de Viviana, em um galpão, que abriga todos os objetos que ela perdeu durante sua vida. Cada um lhe traz uma recordação, e através de suas lembranças vamos conhecendo, não só a história de Viviana, mas a de suas companheiras de partido, e como chegaram ao poder. Em contrapartida, a ausência da presidenta, no comando do país, vai por a prova a capacidade de suas companheiras, de fazer valer os ideais que serviram de base para o governo.

                                   É uma leitura leve, e divertida, assim como a proposta do PEE, de governar com humor. Depois de conhecer a personalidade e história de vida de Viviana, através dos relatos de Gioconda, fica o questionamento, se o romance não seria baseado na própria história da autora.

Reino Unido

Padrão

                         Assim como aconteceu em Portugal e Nova Zelândia, com apenas um único livro, consegui atender a dois projetos de leitura, o #198livros#  e #meusprojetospessoais#.  Para que isso possa acontecer, tenho procurado escolher romances de autores ainda inéditos para mim, dentro da minha lista de desejos, e que tenham sido ambientados nos destinos sorteados, atendendo assim o 198livros. Para o Reino Unido, escolhi Mrs Dalloway, de Virgina Woof, um dos romances mais conhecidos da autora, e ambientado em Londres. O enredo é bastante simples, toda a ação se passa em um único dia do mês de junho de 1923, onde nada de excepcional acontece na vida dos principais personagens, que são Clarissa Dalloway e o Septimus. Ela, esposa de um membro do parlamento britânico, uma socialite, sem maiores preocupações, que cuidar da casa e oferecer jantares; ele, soldado, ex combatente, com todas suas sequelas deixadas pela guerra. No início do dia descrito no livro, ela está indo comprar flores para a festa, que se realizará naquela noite, e ele esta indo para o psiquiatra, e seguiremos acompanhando a vida dos protagonistas, ao longo do dia, de dentro de suas mentes. Pois a importância do romance deve-se, principalmente, ao pioneirismo da escritora, na linguagem utilizada para descrever esse dia, na vida dos personagens, empregando a técnica do fluxo de consciência, através do discurso indireto livre, onde não se sabe se quem está falando é o personagem ou o narrador. O romance foi publicado em 1925, e foi muito bem recebido pela crítica, apesar de abordar temas polêmicos para época, como amor homossexual, casamento de conveniência, tratamento psiquiátrico, suicídio, revisão dos ideais da juventude.

             Apesar de reconhecer a qualidade do texto, não posso dizer que foi uma leitura prazerosa, pois em momento algum simpatizei com Clarissa, nem seu estilo de vida. Tanto que apesar de ser um livro curtinho, em torno de 200 páginas, eu não consegui engatar a leitura, e levei mais de um mês, para terminar. Mas, quem sabe, numa releitura, em outro momento, eu dê uma nova chance a Clarissa.

Águas Calientes ou Machu Picchu Pueblo

Padrão

                             Quando decidimos conhecer Machu Picchu, tive o cuidado de escolher a melhor época, que era o início de maio, e fiz todo o planejamento da viagem baseado nas dicas para esse mês, e isto incluía, pernoitar em Águas Calientes, para evitar a muvuca de turistas, nos trens que chegam ao longo do dia.  Por isso aconselha-se a dormir no povoado, para pegar a van logo cedo para Machu Picchu. Acontece que esse primeiro planejamento ficou prejudicado, em função de um imprevisto, que nos fez adiar a viagem, para o único período possível para toda a família, janeiro, o mês com menor fluxo de turistas, por ter o maior índice pluviométrico. Só que a minha cabeça, ficou em maio, e assim continuei com a programação e reservei hotel em Águas Calientes.

                              Logo na saída da estação tem esse mercado de souvenirs, bonito de se ver, mas que não vale a pena comprar, já que tem os preços mais elevados, pois são produzidos em outras regiões, além da exploração dos turistas. 

                        Saímos da estação caminhando a procura do nosso hotel, pois Águas Calientes não passa de um pequeno povoado, as margens do rio Urubamba, e dá para percorrê-lo a pé. Depois de deixar as mochilas, e tomar banho, fomos escolher um lugar para jantar. São vários restaurantes e barezinhos. Escolhemos ao acaso, pois esqueci de pegar indicações.

                            No dia seguinte, tomamos nosso café sem pressa, e fomos comprar os tickets da van com destino a Machu Picchu. Não tinha fila, foi tudo na maior tranquilidade.