“Vou danado pra Catende”

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img_1615O sino bate,
o condutor apita o apito,
Solta o trem de ferro um grito,
põe-se logo a caminhar…

          — Vou danado pra Catende,
          vou danado pra Catende,
          vou danado pra Catende
              com vontade de chegar…”

Mergulham mocambos
nos mangues molhados ,
moleques mulatos,
vem vê-lo passar.

              — Adeus!
              — Adeus!

Mangueiras, coqueiros,
cajueiros em flor,
cajueiros com frutos
já bons de chupar…

             — Adeus, morena do cabelo cacheado!

            — Vou danado pra Catende,
            vou danado pra Catende,
            vou danado pra Catende
            com vontade de chegar…

………………………………………

  (Trem de Alagoas, de Ascenso Ferreira)

                        O Trem pode ser de Alagoas, mas é pra Catende que ele vai danado. Alceu Valença também foi danado pra Catende, com alguns versos do poema de Ascenso Ferreira, na sua música “Vou danado pra Catende”. E foi para lá que eu me danei, cheia de vontade de chegar e dar vida aos meus ancestrais. E lá está ela, a 142 km de Recife, na mesorregião da Mata Pernambucana, cheia de mistérios para mim, uma vez que guarda todos os segredos do meu povo. E eu tenho muitos deles, repousando por lá, e outros aqui, mas que vieram de lá. Este é um novo projeto, trazê-los de volta a vida para possibilitar o encontro. E devido a importância da cidade, na formação da família da minha mãe, tinha que começar por lá, até então desconhecida para mim. Nessa primeira visita, fiz apenas um bate e volta.

Igreja Matriz de Sant'Anna

Igreja Matriz de Sant’Anna

                      Catende, hoje, é uma pequena cidade no interior de Pernambuco, com população aproximada de 41.865 habitantes, mas teve sua importância, na época em que Pernambuco era o maior produtor e exportador de açúcar, possuindo mais de 2500 engenhos. Desses engenhos, 490 forneciam cana às usinas dos engenhos Centrais. Catende abrigava a Usina Catende, que chegou a ser considerada, em 1929, a maior Usina do Brasil em produção e capacidade.

                  O início de tudo, foi quando D. Pedro II, doou parte das terras da região, que haviam sido divididas em sesmarias, ao senador Álvaro Barbalho Uchoa Cavalcanti. Ele não as ocupou e foi vendendo ao longo dos anos, originando assim os primeiros sítios e engenhos de cana-de-açúcar. Os registros dos primeiros povoados datam de 21 de outubro de 1863, a partir da presença do capitão Levino do Rêgo Barros, que também foi responsável por trazer a estrada de ferro do sul e Pernambuco para a região. Meus ancestrais foram contemporâneos de Levino.

Estação de Catende

Estação de Catende

                 A cidade se desenvolveu em torno do engenho de açúcar Milagre da Conceição, no distrito criado em 1892, pertencente ao município de Palmares. Esse engenho, mais tarde se tornaria a Usina Catende. O município foi emancipado de Palmares, em 11 de setembro de 1928.

Usina Catende do lado esquerdo, ao fundo.

Usina Catende do lado direito do trilho, ao fundo.

                            Do lado esquerdo do trilho, se encontra a praça, onde está localizada a sede da Prefeitura, o cinema, que hoje não se encontra em bom estado, e algum comércio e residências.

Praça da prefeitura, sede ao fundo

Praça da prefeitura, sede ao fundo, em rosa.

A tranquilidade de uma cidade.

A tranquilidade de uma cidade.

                               Como falei acima, esta primeira visita, foi apenas um bate-e-volta, quase um visita turística. Mas outras virão, até ter a história nas mãos, e a primeira já está agendada. E foi o imigrante, que deu nome a essa rua, um dos que iniciou essa descendência, da qual faço parte.

Rua Rafael Calabria

Rua Rafael Calabria

ruarafaelcalabria

 

Uruguai

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            img_1657             Embora só tenha vistado o Uruguai uma vez, há muito tempo, tenho as melhores recordações da viagem que fiz por esse país, passando pelas cidades de Montevidéu e Punta del Este. Foi uma viagem curta e light, assim como o romance “Deixa Comigo” do escritor uruguaio, Mario Levrero. escolhido para representar o país, neste projeto.

                       Este foi o primeiro livro de Mario Levrero, a ser publicado no Brasil. Com um texto bem humorado, meio termo entre romance e novela policial, este livro, narrado pelo próprio personagem, conta a história de um escritor, em dificuldades financeiras e existenciais. Seu ultimo romance foi rejeitado pela editora, ele ainda não está totalmente recuperado de um divórcio não muito recente, e questiona inclusive seu talento literário. Nessas circunstâncias, recebe uma proposta tentadora da editora. Ele deverá localizar Juan Pérez, autor de um excelente manuscrito recebido pela editora, mas sem o remetente, aparentemente residindo na pequena cidade de Penúrias, de acordo com o carimbo no envelope. Caso seja bem sucedido, terá seu romance publicado, além de um bom adiantamento referente aos direitos autorais. Apesar de considerar que o trabalho não está à altura de suas qualificações, a proposta é tentadora, principalmente em razão de sua difícil situação financeira e profissional.

                     A maior parte do livro é ambientada em Pénurias, onde o narrador-escritor realiza suas buscas. Durante essa empreitada, ele vive situações inusitadas, na pequena cidade, em meio a tipos curiosos, mas que não ajudam muito nas investigações, o que só faz aumentar o suspense. De forma bastante divertida, numa linguagem simples e direta, o narrador conta sua história de um folego só.

Estados Unidos

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img_1625Escolher apenas um livro, para representar um país, é uma tarefa bastante difícil, conforme estamos vivenciando neste projeto, porque queremos não só acertar na mosca, como fazer a melhor escolha. Queremos ainda fazer a viagem perfeita para aquele país, e sempre no melhor estilo. E é claro que nem sempre acertamos. Mas quando se trata de um país pouco conhecido ou daqueles que estamos vendo o nome pela primeira vez, não temos muito o que decidir, porque não existem muitas opções. No entanto, considero que já saímos na vantagem só por encontrar um livro, e aprender sobre aquele destino.  Porém, quando já conhecemos muito sobre o país, literatura e tudo mais, a dificuldade é grande, porque são muitas opções. Por isso considero que a escolha de “Homem em queda” de Don Delillo, foi perfeita.

Don Delillo, nasceu em 1936, e cresceu no Bronx, em Nova York. Recebeu diversos prêmios por seus trabalhos de ficção, tais como Ruído Branco(eleito em 2006, pelo New York Times, como um dos três melhores livros de ficção norte-americana dos últimos 25 anos), A Artista do Corpo e Cosmópolis. Neste romance ele aborda um tema que é muito caro aos americanos dos Estados Unidos, a tragédia do 11 de setembro de 2001, que marcou profundamente suas vidas, transformando-as para sempre.

O 11 de setembro, foi uma tragédia praticamente assistida ao vivo, no mundo todo. E acho que todos nós nos lembramos onde estávamos quando recebemos a notícia, tamanho o impacto dos ataques e da repercussão que causou no planeta. E para quem estava lá, quem viveu a tragédia?  No livro,  Keith é um advogado que trabalhava em uma das torres, assim foi atingido diretamente pelos acontecimentos, física e emocionalmente. No momento dos eventos dramáticos, ele estava separado da esposa, Lianne, vivendo longe dela e do filho, Justin. Quando sai atordoado dos escombros, sem se aperceber segue diretamente para a casa dela, marcando assim a mudança no destino daquela família. As emoções de cada personagem, são descritas de forma tão vívidas, que parece que estamos dentro deles, em suas mentes. As sequelas deixadas pelos eventos durante os meses que se seguiram, misturadas com os dramas pessoais, são descritas de forma primorosa pelo autor, em imagens, conversas, e sentimentos. Muito tocante a leitura.

 

África do Sul

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           img_1591  De todos os países que desconheço, talvez os situados na África sejam os que ainda tenha menos informação, muitos dos quais desconhecia até a existência. A afirmativa, no entanto, não é válida para a África do Sul, país que foi palco de alguns acontecimentos bem conhecidos como o Aparthaid, Copa do Mundo de 2010, além de ser a terra natal de Mandela. Apesar de ter esses fatos associados ao país, nunca me aprofundei nas informações. Apenas agora que entrou no roteiro do #198 livros foi que dei uma rápida pesquisada no Google. E achei curioso descobrir a existência de nada mais do que 11 línguas oficiais no país. Como deve ser viver num país assim? Imagino a riqueza cultural que não deve ser. Essa é uma das razões que me fazem participar deste projeto, a possibilidade de encurtar todas as distâncias, mesmo as mais longínquas do planeta, e ter acesso a tantas culturas. Dessa vez, quem escreveu o roteiro foi Nadine Godimer, ganhadora do Premio Nobel de Literatura em 1991, com seu romance “O Melhor Tempo É O Presente“.

                  Através da história de vida do casal Jabuline e Steven, pode-se ter uma ideia de como foi a vida na África do Sul durante o aparthaid, e como ficou a vida no país após o seu fim. Eles se conheceram quando eram ativistas lutando pelo fim do regime, e por ela ser negra e ele branco, tiveram que viver esse romance na clandestinidade, pois as leis raciais proibiam o relacionamento entre brancos e negros. Ela é filha de um diretor de escola, da etnia zulu, que sempre lutou para que ela estudasse, mesmo que para isso tivesse que mandá-la estudar no país vizinho, a Suazilândia, por não lhe ser permitido este direito no seu próprio país. Ele é filho de uma judia, e de pai cristão. e sempre foi revolucionário, em luta pela liberdade dos negros e igualdade de direitos. Agora que a situação mudou, que a luta por liberdade e democracia foi vitoriosa, eles se preparam para viver a nova realidade do país, onde pretendem criar os filhos. Eles agora estão livres para viver uma vida normal, de classe média, com todos os problemas rotineiros de uma família, em meio as diferenças sociais, raciais, e econômicas em que o país se encontra e que se acentuam cada vez mais. E essa nova realidade agravada pelos rumos que a política vai tomando, em meio a corrupção, faz com que eles se decepcionem com o país a ponto de pensar em emigrar para a Austrália. Adorei a maneira como Nadine Gordimer escreve e a simplicidade para abordar dos problemas rotineiros  inerentes a uma família de classe média, a amargura deixada pelo drama vivido pelo país com o aparthaid, e sua política corrompida.

Guiné

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        IMG_1083Algum sentido deveria haver para a existência de tantos países com o mesmo nome, são nada mais do que quatro guinés, três na Africa(Guiné-Bissau, Guiné e Guiné Equatorial), e mais uma na Oceania(Papua Nova Guiné).  Mas na verdade, até onde pesquisei, não existe unanimidade em torno da origem do nome, para uns teria cunho racista, para se referir a pessoas de pele negra; para outros poderia ser uma derivação de “Djenné”, cidade as margens do rio Níger; ou ainda poderia estar relacionada ao reino medieval de Gana.  Nosso destino, dessa vez, é a antiga “Guiné Francesa”, atual Guiné, e também chamada de Guiné-Conacri. Foi colônia da França, de meados do século XIX, até o ano de 1958, quando conquistou sua independência. A Guiné é um país muito pobre, e com uma história semelhante a de muitos outros países africanos, que depois de muita luta para a conquista da independência e da liberdade,  são vítimas da ambição pelo poder dos próprios conterrâneos, mergulhando em guerras civis, que arrasam o país, ao invés de encontrarem a paz. No caso da Guiné, Sékou Touré, tornou-se presidente, a partir da independência até sua morte, em 1984. Durante sua gestão, instalou o regime ditatorial, suprimindo direitos humanos, o que levou milhares de pessoas ao exílio. A intolerância do presidente não se restringia só ao relacionamento interno, as péssimas relações externas levaram o país ao isolamento, prejudicando a economia do país.

Camara Laye, nasceu em 01 de janeiro de 1928, na cidade Kouroussa, antiga Guiné Francesa.  Quando escreveu o romance O Menino Negro,  ele já estava estudando em Paris, para onde se mudou em 1946, graças a uma bolsa que recebeu para cursar engenharia mecânica. O livro, que foi publicado em 1953, é uma biografia do autor, abrangendo a infância e adolescência até o período que deixa o país para estudar na França. É uma maravilhosa descrição dos momentos mais marcantes por ele vividos. Graças aos relatos de Laye podemos conhecer os costumes do país, tanto na cidade como no interior. A forma de relacionamento em família, as amizades, os conflitos escolares, as tradições e os costumes na colheita, nos ofícios, na iniciação ao mundo adulto num universo totalmente diverso do nosso. Essa forma de descrever uma infância feliz, assim como fez Olympe Bhêly-Quenum, no romance Un enfant d’Afrique não foi bem aceita pelos intelectuais africanos e europeus da época, que não aceitavam que se produzisse nenhum trabalho que não contivesse uma critica ao colonialismo. Não o perdoavam por bradar ao mundo o orgulho de ser africano, e mostrar suas tradições e costumes com alegria.  Achei maravilhoso poder realizar essa pequena viagem por mais um país da África, e melhorar meu entendimento do mundo como um todo.                                                                                  

Costa Rica

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CostaRicaHjL        A expressão “República das Bananas” foi utilizada pelo escritor americano William Sydney Porter, no conto O Almirante, de 1904. A história do conto se passa num país fictício chamado Anchúria, descrito como uma “pequena república de bananas”. O termo usado numa ficção, terminou sendo usado de forma pejorativa para designar literalmente os países pobres da América-latina, produtores de bananas e dependentes da renda das empresas americanas. Apesar do escritor, também conhecido como O. Henry, referir-se a um país fictício, acredita-se que ele se baseou em Honduras, país onde ele residia na época. A situação vivenciada por Honduras era semelhante aquela vivida por Costa Rica, onde a empresa americana United Fruit Company, hoje Chiquita Brands International, controlava praticamente a economia e a política do país. Os pequenos proprietários costarriquenhos, mesmo soberanos em suas fincas, não podiam exportar sua produção diretamente aos mercados internacionais, sendo obrigados a vender toda sua produção à United e assim acatar as condições da Companhia, que quase sempre lhes eram desfavoráveis.

No livro escolhido para representar o país no projeto, Puerto Limón, o autor, Joaquí­n Gutiérrez Mangel, se baseou num fato real, a Greve do Atlântico, em 1934, que teve a adesão de quase 10.000 trabalhadores, para construir sua história. Os grevistas queriam melhores condições de trabalho, como soro para mordidas de cobra, receber o salário em dinheiro e não apenas em cupons a serem usados em lojas da própria companhia, dentre outras reivindicações. O protagonista, Silvano, está retornando para casa dos tios, depois de quatro anos em um internato para concluir os estudos. O tio, é um próspero proprietário de uma finca, situada em Siquirres, e esse também deverá ser o provável destino de Silvano, momentaneamente sobrestado em função da greve que assola o país. Devido as tensões existentes entre os grevistas, e peões da finca, Silvano e o tio são obrigados a permanecerem em Límon, onde vivem a tia e a prima, Diana. Silvano não se identifica com o trabalho que o espera na finca, como produtor de bananas, nem com a sociedade burguesa do qual faz parte. Durante o período da greve, quando as circunstâncias fazem com que tenha uma maior convivência, o sentimento de inadequação só aumenta. Existe ainda a análise que faz do movimento grevista, e que o faz concluir que a luta dos grevistas é legítima, o que de uma certa maneira o coloca numa situação desconfortável, tanto de um lado como do outro. Ele sabe que com o fim da greve, seu destino será selado, e aí o que fazer?

Liverpool – um sonho de cidade!

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  100_0523            Sendo fã dos Beatles, como sou, e apaixonada por viagens, incluir Liverpool no roteiro era apenas uma questão de tempo. Em julho de 2012, finalmente a oportunidade chegou, e consegui encaixar a cidade no roteiro de uma das viagens mais inesquecíveis que já fiz. Não sei se foram os locais visitados, o alto astral dos viajantes, as excelentes oportunidades aproveitadas, tudo junto e misturado, deu no que deu, uma viagem maravilhooosaaa! Então, aproveitando uma promoção da Condor, fizemos: RecifeFrankfurt-Paris-Brighton-Liverpool-Londres-FrankfurtRecife, em duas semanas. Para Liverpool, que é o foco deste post, separamos dois dias e uma noite, mas adoraria ter ficado mais um pouco. Chegamos em Liverpool de manhã, colocamos as malas no hotel, tomamos um banho e fomos tomar o café da manhã em um pub, The Midland Pub, bem clássico e maravilhoso, que ficava ao lado do nosso hotel, o Britannia Adelphi Hotel também clássico e maravilhoso, antes de começar a explorar a cidade. Acho que se tivesse que escolher uma palavra para definir Liverpool diria “clássica” e foi isso que mais me atraiu na cidade.100_0420

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                    Tínhamos comprado os tickets para o tour da National Trust, um passeio que nos permitiria conhecer internamente as casas de infância de John Lennon e Paul McCarteney. O tour sairia as 10:00 do Jurys Inn Centre Hotel. Então fomos caminhando e descobrindo a cidade, com o tempo que tínhamos, até chegar ao Jurys Inn. Ficamos encantados com a cidade, é linda! Tanto a parte antiga, como a moderna.

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                         As dez em ponto estávamos lá no hall do hotel para iniciar o nosso tour. Seguimos primeiro para a casa de John Lennon, Mendips, 251 Menlove Avenue, onde ele viveu com tia Mimi dos 5 aos 22 anos. A casa foi comprada por Yoko Ono e doada ao Patrimônio Britânico, que a restaurou e reconstituiu exatamente como era antes. É incrível, parece que congelou no tempo e estamos espiando, e a qualquer momento os moradores entrarão pela porta. A guia conta todos os detalhes, até o estalo na escada, que denunciava a chegada de John de madrugada, para tia Mimi. Infelizmente não se pode fotografar.

Van da National Trust

Van da National Trust

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Felizes depois da visita, na frente da casa de John Lennon, com o selo azul ao fundo, indicando que morou alguém ilustre

Felizes depois da visita, na frente da casa de John Lennon, com a “placa azul” ao fundo, indicando que ali morou alguém ilustre.

                          Em seguida, visitamos a casa de Paul, que fica na 20 Forthlin Road. É bem interessante também, mas não está tão bem reconstituída como a de John. Também não se pode fotografar o interior apenas a fachada.

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                              Ao final do tour a van nos deixou no mesmo local, perto do cais de Albert Dock e como já era hora do almoço, unimos o útil ao agradável, fomos conhecer o complexo de lojas e restaurantes instalados no locais onde antes funcionavam armazéns e prédios relacionados às docas, após terem sido restauradas.100_0450

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                         Liverpool tem uma grande importância histórica para a Inglaterra, pois foi um dos portos mais importantes do país no período em que esta dominou os mares mundiais. Em 2004, a UNESCO inscreveu uma parte da cidade, a Cidade Mercantil Marítima de Liverpool, como Patrimônio da Humanidade, em especial o chamado Albert Dock. A forma como os antigos armazéns e docas foram construídos, bem ao lado do mar permitiu, de forma inovadora, que os navios fossem carregados diretamente a partir das docas e dos armazéns, com grande ganho de eficiência.

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                                A tarde tínhamos comprado os ingressos para o  Magical Mistery Tour, um passeio de duas horas guiado, em um ônibus de turismo, cujo roteiro são todos os locais relacionados à infância e adolescência de Paul, John, Ringo e George, além daqueles que tiveram influência no encontro deles e na formação da banda até se tornarem o que são hoje.100_0457

                             Além das casas de John e Paul, que já tínhamos visitado, passamos pela de Ringo, bem simples que mal dava para ver do ônibus, e da de George, localizada na 12 Arnold Crove, onde ele viveu com os pais e três irmãos mais velhos. Na de George conseguimos descer para tirar fotos. A senhora da National Trust nos contou que não conseguiram comprar a casa deles, por isso não fazem parte do primeiro tour e só podemos ver de fora.

Numa dessas casinhas do lado direito morou Ringo.

Numa dessas casinhas do lado direito morou Ringo.

Casa de George, os moradores não devem aguentar a quantidade de visitantes!

Casa de George, os moradores não devem aguentar a quantidade de visitantes!

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                               Passamos ainda pela igreja St. Peter, em cujo salão paroquial John e Paul se encontraram pela primeira vez, as escolas que os quatro frequentaram. Ao final eles nos deixaram no Cavern Club, pub onde a banda costumava tocar.100_0479

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                               No dia seguinte fomos conhecer o “Museu dos Beatles”, onde é contada toda a história da formação da banda, e de seus componentes através de cenários, objetos significativos, figurinos, são reproduzidas locais onde eles tocaram, e uma infinidade de lembranças. Nem sei quanto tempo passamos, mas valeu muito a visita, adorei!

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Guitarra e piano de John Lennon.

Guitarra e piano de John Lennon.

Não existem coincidências, nem acasos, depois de conhecer Liverpool, entende-se porque além do seu passado histórico, foi  o coração da revolução musical durante a década de 1960, e nos deu os Beatles. Maravilhosa!

Pegando a estrada para Londres!

Pegando a estrada para Londres!

 

 

São Tomé e Príncipe

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IMG_0811Graças a este projeto,  pouco a pouco estou tirando alguns países do “marco zero” em que se encontravam na minha vida, quando o conhecimento é nulo. Para complementar a leitura, a pesquisa sobre o país é fundamental, e elas me mostraram que o arquipélago de São Tomé e Príncipe é o segundo menor país da África, maior apenas que o arquipélago de Seychelles. Está situado bem no “meio do mundo”, entre a América do Sul e o continente africano, sendo cortado pela linha do equador.  Até 1470 as ilhas eram desabitadas, e foram literalmente descobertas pelos portugueses João de Santarém e Pedro Escobar, mas só a partir de 1493, é que começou o povoamento efetivo de São Tomé, sendo o de Príncipe a partir de 1500. Os primeiros habitantes de São Tomé eram colonos vindos de Portugal, e escravos do continente africano, trazidos para trabalharem na agricultura, plantações de cana-de-açúcar primeiramente, e café e cacau depois. Por decreto real, em 1515, as mulheres negras dos moradores brancos e seus filhos mestiços foram libertados, e em 1517, foi a vez dos primeiros homens africanos que tinham chegado junto com os colonos, sendo esses primeiros africanos livres do arquipélago, conhecidos por “forros”. O tipo de lavoura desenvolvida no arquipélago demandava cada vez mais, mão-de-obra, aumentando a população escrava e as revoltas com os escravos fugitivos. Mesmo após a libertação dos escravos nas ilhas, em 1875, quando foi adotado o trabalho por contrato, o regime continuou a ser de escravidão.  Em fevereiro de 1953, aconteceu o massacre de Batepá, centenas de são-tomenses foram mortos a mando do governador português Carlos Gorgulho,  por se negar a serem contratados a força, para as plantações de café e cacau, ou para trabalharem como escravos nas obras públicas.

Nessa época, a grande maioria da comunidade dos brancos era constituída de homens que viviam com mulheres negras, mas socialmente não era permitido o casamento misto. O branco e uma negra não poderiam casar, constituir família para não deixarem descendência mestiça. Os homens brancos podiam até assumir os filhos negros, mas não davam o nome.  Essa realidade é semelhante aquela das ilhas de São Cristóvão e Névis, no Caribe, conforme pude observar depois da leitura do livro Only God Can Make a Tree, de Bertram Roach.

Escolhemos o livro de contos, Histórias da Gravana, de Olinda Beja, nascida em Guadalupe – São Tomé e Princípe, cujo tema é justamente sua terra natal. A autora utiliza a poesia para descrever a natureza exuberante das ilhas, composta por mares, rios, vegetação e suas incríveis aves exóticas, realçada pelo clima quente úmido das duas únicas estações: a das chuvas e a da seca, também conhecida por gravana. A natureza descrita é o cenário, onde acontecem as histórias vividas por sua gente, narrando seus costumes, danças, comidas, e onde a temática sempre aborda os conflitos raciais, a opressão dos brancos em relação aos negros e mestiços, e a miscigenação racial. Um olhar poético sobre a história das ilhas.

 

 

 

 

Nigéria

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         IMG_2441 Assim como Camila Navarro eu havia visto a palestra de Chimamanda Ngozi Adichie sobre O Perigo de uma única história e achei perfeita a escolha do livro dela, Hibisco Roxo, para o  projeto do 198 Livros. Mas, como ainda não o tinha adquirido, e já tinha o Chinua Achebe, O Mundo se Despedaça, mudei de ideia e resolvi ler este primeiro. Também queria ler Chinua, pois é uma referência quando se trata de literatura africana. Ele nasceu em 1930, em Ogidi, sudeste da Nigéria.  Seu nome completo é Albert Chinualumogu Achebe,  mas na universidade renegou seu nome britânico, Albert, para adotar seu nome indiano, abreviado, Chinua. Apesar de ter recebido toda a educação em inglês, língua oficial da Nigéria, ele nunca se afastou da cultura igbo, etnia a qual pertencia. Embora sempre escrevesse em inglês, nunca deixou de incorporar vocábulos e narrativas igbo. Se tornou um grande narrador do colonialismo europeu na África.

          O Mundo se Despedaça retrata todos os componentes da cultura africana, através da história de Okonkwo, um bravo e bem sucedido guerreiro, da etnia igbo, estabelecido na região de Umnuófia, sudeste da Nigéria, as margens do rio Níger. Na primeira parte do livro, Chinua descreve como é a vida em sociedade antes da chegada dos colonizadores, a rotina, os costumes, a divisão em tribos, a hierarquização dentro da família, o culto aos ancestrais e deuses. Na segundas parte, Okonkwo, se vê vítima de do destino por acidente, e embora possuindo um excelente caráter e goze do respeito do clã, é obrigado a seguir as rigorosas leis do clã, sendo punido com o exílio por um período de sete anos. É acolhido pela família da mãe, na aldeia de Mbanta, onde deverá cumprir seu exílio. É quando começam a aparecer os missionários que vem difundir a religião dos colonizadores. Na terceira parte, Okonkwo retorna ao seu clã após ter cumprido o exílio, e assiste decepcionado a adesão a nova religião de muitos conterrâneos e presença cada vez maior do homem branco impondo uma cultura completamente diferente da deles.

                 É fascinante ter a oportunidade de conhecer a cultura do povo africano, antes da invasão dos europeus através de autores como Chinua, Amadou Hampãté Bã, Olympe Bhêly-Quenum, Camara Laye, e tantos outros. E ao mesmo tempo angustiante assistir a violenta imposição da cultura do colonizador. Ainda bem que a África é enorme, e tenho um bom caminho a percorrer e aproveitar.

 

São Cristóvão e Névis

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   71GoqzvBkzL        Mais um país cuja existência desconhecia completamente, nem mesmo de ouvir falar. Este é o menor país caribenho, e menor estado soberano das Américas, composto de duas ilhas, São Cristóvão e Névis, separadas por uma faixa de três quilômetros das águas claras do Caribe, possuem juntas apenas 261 km. Seus vizinhos mais próximos são Porto Rico e Antígua e Barbuda. Foram descobertas por Cristóvão Colombo em 1493, e colonizadas pela Grã-Bretanha a partir de 1623. Somente em 1983 conseguiram a independência. A maioria dos seus quase 56 mil habitantes(2016) são descendentes de escravos africanos que foram trazidos para trabalhar na lavoura da cana-de-açúcar e algodão. O livro escolhido para representar o país, Only God Can Make a Tree, foi escrito por Bertram Roach.

          Nascido na ilha de Névis, filho de um administrador de uma fazenda onde se cultivava a cana-de-açúcar, ele cresceu  vivendo a realidade desse meio, onde a força propulsora dessa lavoura era a mão-de-obra escrava. Após a libertação dos escravos, estes passaram a ser tralhadores “livres”, mas trabalhando em regime de escravidão, sem chance alguma de virem a ascender profissionalmente e/ou socialmente devido a cor da sua pele. Bertram Roach conta neste livro a história de sua vida, mudando alguns nomes e locais para proteger a identidade das pessoas envolvidas.

             O livro narra a história de Adrian, um mestiço filho de pai branco(irlandês) e mãe negra(nativa). Ele não tem uma relação próxima com os pais, pois no fundo não os perdoa por terem se casado, não consegue entender porque sua mãe não casou com um negro. Esse sentimento que separa as pessoas pela cor da pele, e define seu lugar na sociedade, é mostrado de uma forma tão crua e direta pelo autor,  que as vezes chega a chocar, mas é a realidade daquela época, e daquela sociedade. Os brancos vinham para trabalhar e enriquecer, conheciam as mulheres negras, se relacionavam e as vezes as engravidavam, mas jamais casavam com elas. O pai de Adrian, foi uma exceção, no entanto jamais apresentou a esposa a família na Europa. Por outro lado os homens negros, sabiam que por mais competentes e trabalhadores que fossem, jamais teriam qualquer chance de evoluir na profissão. Esse sentimento, vai influenciar de uma forma bastante negativa as decisões futuras de Adrian, e das pessoas ao seu redor, e é por meio da história dele, que o autor traça um retrato minucioso da vida no país.