Nossa viagem reinventada para o Peru!

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                Em fevereiro do ano passado(2016), atendendo a insistentes pedidos de Belinha – minha filha caçula – para que fizéssemos uma viagem juntos, os cinco, comprei as passagens para o Peru. No roteiro estava previsto iniciarmos por Lima, no final de abril, depois Cuzco e estaríamos em Machu Picchu no mês de maio, a melhor época, segundo informações obtidas em todos os blogs de viagens. Quase tudo pronto, passagens e ingressos de Machu Picchu comprados, hotéis reservados, quando um acidente de percurso cruzou nossas vidas e tivemos que cancelar a viagem! Segundo a informação recebida da TAM teríamos até fevereiro para “remarcar” as passagens, assim como a STAR PERÚ(Lima-Cuzco-Lima). O tempo passou rápido demais, e já era janeiro/2017, quando mais uma vez Belinha, que sempre me cobrava a remarcação, me colocou contra a parede, já que ela ia viajar em 04/02, para um intercâmbio de 6 meses em Portugal, e a ideia era viajarmos depois que ela voltasse. Pressionada, liguei para TAM e quase surto quando a atendente informou que eu tinha que “viajar” até 16/02, e já era o dia 13/01/2017. Depois do susto, o desafio, estava decidido iríamos sim! Peguei a disponibilidade de cada um e uma semana e um dia depois estávamos embarcando para o Peru. Tive que adaptar pois as meninas só dispunham de quatro dias, e refiz o roteiro da seguinte forma, chegaríamos em Lima, e do aeroporto mesmo já pegaríamos o avião para Cuzco, depois Machu Picchu, e Lima no final, sendo 01 dia para as meninas e 03 para nós(eu, Domingos e Daniel), que podíamos ficar mais tempo. Aconteceram alguns transtornos, e todos nós gostaríamos de ter ficado mais alguns dias, mas isso não foi nada, a viagem foi maravilhosa, nós cinco juntos, num país maravilhoso como o Peru, foi inesquecível! Nos próximos posts seguirá o relato de nossa experiência. #PartiuPeru6f181964-ea06-4269-ab07-086a19dab25c

Coreia do Norte

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img_1697 Que a Coréia do Norte, era uma ditadura, e um dos países mais fechados do mundo, eu já sabia, por isso conhecer como acontece a vida por lá, parecia uma tarefa quase impossível de realizar. Mas graças ao relato auto-biográfico de Kang Chol-Hwan, em seu livro Les Aquariums de Pyongyang, consegui abrir um pouco a caixa preta da Coréia do Norte.

Neste livro, Kang, relata como era sua vida na Coréia do Norte, do nascimento até a fuga para a Coréia do Sul, onde vive até hoje.  Até os nove anos, ele vivia uma vida tranquila e feliz em Pyongyang, com sua família, pois este era o universo que ele conhecia, e achava até que o Grande Líder, Kim Il-Sung dava proteção e cuidava dos coreanos. Os avós de Kang haviam emigrado para o Japão, muitos anos antes, em busca de melhores condições de vida, no período em que a Coréia era colônia do império japonês(1910 a 1045). No Japão, o avô fez fortuna e eles viviam bem, até Kim Il-sung assumir o poder no país, em 1948. A avó dele, que era militante do partido comunista, ficou ansiosa para retornar a terra natal, e apesar do avô não compartilhar da ideia, a vontade da avó prevaleceu e terminaram voltando. No início, o governo dava apoio e respeitava os que haviam retornado do Japão, mas pouco a pouco foram se apossando dos bens e da liberdade de todos de sua família, mesmo o avô tendo doado sua fortuna para o partido. Até que um dia o avô desaparece, e descobrem que ele havia sido preso por ser considerado traidor da pátria. Logo em seguida a família é levada para o campo de trabalhos forçados de Yodok, onde são mantidos os opositores políticos do regime. Na verdade eles são considerados culpados por associação, por serem parentes do “criminoso”.

É chocante o relato de Kang sobre o que foi a vida dele nos dez anos que viveu em Yodok, na verdade como sobreviveu a fome, frio, maus tratos, torturas físicas e psicológicas, humilhações, etc. Depois de 10 anos eles foram libertados, segundo Kang, seria a morte do avô uma das razões. Outra possibilidade seria as inúmeras petições da família que morava no Japão, em busca de informações, daqueles levados para o campo, recebendo sempre a mesma resposta de que estariam viajando. Essa situação vivida por muitas famílias, havia sido tema de um programa de televisão no Japão. Mesmo fora do campo, a vida continuava sob vigilância, e inúmeras restrições. Kang sabe que existe outra realidade fora da Coreia do Norte, e anseia por descobrir como é a vida lá fora. E é escutando outras estações de rádio, não permitidas pelo governo, que acaba sendo denunciado. Percebendo que existe a possibilidade de voltar para o campo, resolve arriscar tudo e fugir do país. Sua grande preocupação além de salvar a própria pele é denunciar os crimes cometidos contra o povo coreano. É muito triste saber que tudo que está no livro não é ficção, são fatos reais.  Sempre gosto de aprender sobre outros povos, mas nesse caso, não sei se foi melhor conhecer essa realidade e não poder fazer nada.

Vaticano

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bentoComo ainda não visitei o Vaticano, mesmo sabendo que era considerado um pais, imaginava que se restringia apenas a Praça e a Basílica de São Pedro. Mas eu estava completamente equivocada, embora seja o menor país do mundo, vai além da minha imaginação, por isso achei interessante saber que tem fronteiras, rádio, jornal, farmácia, correio, estação de trem, museu, praças, igrejas, etc. E sendo a sede da Igreja Católica Apostólica Romana, o Papa além de autoridade máxima da igreja, também é o chefe absoluto dos poderes executivo, legislativo e judiciário.

O livro escolhido para representar o país, O Homem que não queria ser Papa, foi escrito por Andreas Englisch, jornalista alemão, especializado em Papas, e correspondente alemão no Vaticano desde 1987. Neste livro ele traça um perfil do papa Bento XVI, e do papado, que se iniciou em 2005, após a morte de João Paulo II, e terminou em fevereiro de 2013, depois de ter renunciado. Bento XVI não era um papa carismático, para mim inclusive, nunca inspirou muita simpatia, muito conservador, e aparentava mesmo ser simpatizante do nazismo. Após a leitura do livro, passamos a entender melhor quem era o papa e porque passou essa imagem para mim, e para um mundo de gente. Ele faz uma análise da personalidade de Joseph Ratzinger, um teólogo, um estudioso, que não tinha perfil para ser papa, e nem queria, conforme afirmou em algumas ocasiões, e como isso repercutiu na sua atuação como sumo pontífice. Foram muito erros cometidos pelo papa, que poderiam ter sido evitados se tivesse contado com a ajuda da Cúria Romana, o que leva a crer que o papa foi boicotado pela própria Cúria Romana. Com sua vivência e conhecimento nos assuntos do Vaticano, Andreas Englisch vai relatando os dramas vividos por Bento XVI, e os bastidores da Igreja Católica, sua política e disputa pelo poder.

Vale a pena a leitura do livro, apesar de ter sentido algumas falhas de concordância verbal e erros de digitação, por conta da tradução, e um hiato entre o final do livro que se passa em 2011, e o discurso de renúncia do Papa em 2013. Fiquei achando estranho até descobrir que o livro tinha sido originalmente escrito e publicado em 2011, e assim tinham ficado de fora os últimos acontecimentos como Jornada Mundial da Juventude em Madri e os escândalos do Vatileaks e das contas do Instituto para as Obras Religiosas (o famoso Banco do Vaticano).  E que as falhas na tradução, foram o resultado da pressa das editoras para publicar o livro no Brasil, após terem sido surpreendidas com a renúncia do papa.

Camarões

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       imgcamaroes_1679  A lembrança que sempre me vem a mente quando penso neste país, é sua seleção de futebol, que surpreende por sua alegria, simpatia, além de usar um padrão super colorido. Agora que chegou a vez dele neste projeto, eu procurei situá-lo no mapa, e vi que fica na África Central. Descobri também que sua história lembra muito a do Togo. Europeus invadindo suas terras, portugueses primeiros, alemães depois, e por fim franceses e ingleses dividindo o que não era deles, com o aval da ONU.  Até que tenha a oportunidade de conhecer in loco e descobrir se o espírito dos camaronenses é aquele mesmo de sua seleção, vamos fazer a viagem por aqui mesmo.

A escritora Léonora Miano é a autora do romance Contornos do dia que vem vindo, escolhido para representar o país. E esse título é perfeito para sintetizar a mensagem que a autora passa para os leitores, por meio da trajetória de Musango. Ela é uma menina, uma criança, que teve o mesmo destino de muitas outras, que foram abandonadas pelos pais, sem condições de criá-las, depois de uma guerra que devastou o país, e com a conivência das superstições religiosas, para justificar a expulsão de suas casas. Assim, essas crianças foram lançadas a própria sorte, para sobreviver em meio a miséria, violência e prostituição, de um país destruído. Mas como cada um faz sua história, Musango luta para escrever a dela de uma forma diferente. Mesmo com todo ressentimento que sente pela mãe, percebe que precisa encontrá-la, para se libertar e poder escrever sua própria história.  Ela é uma guerreira, que não perde a esperança, e transforma o sofrimento em crescimento pessoal. O romance é narrado de forma primorosa pela autora, através da voz e das experiências de Musango, como quando ela encontra uma européia, em crise com o marido africano. Ela desabafa, dizendo que queria um africano, um negro original, porque pensava que eles eram todos orgulhosos como Kunta Kinte, ancestral de Alex Haley, e que aparece no romance Negras Raízes, de sua autoria. Vale a pena conferir.

Lesoto

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img_1677Este país pertence ao grupo daqueles, que a gente agradece ao 198Livros, pela oportunidade de conhecê-los. Caso contrário, estaria ainda na total ignorância de sua existência e história. Nas buscas que fiz, encontrei pouca informação, mas, dentre elas descobri que o Reino do Lesoto é um pequeno país montanhoso, cercado pela África do Sul por todos os lados. Quando se diz que é montanhoso, é porque é montanhoso mesmo. Só para se ter uma ideia 80% dos seus 30.355 km², estão acima dos 1.800 metros de altitude. E é o único país do mundo em que todo o território está acima dos 1.000 m de altitude. Etnicamente, é o país africano com maior unidade, praticamente todo formado pela etnia basotho, do antigo reino da Basutolândia. Foi protetorado e colônia do Reino Unido, alcançando sua independência em 1966. Na época do aparthaid na vizinha África do Sul, deu asilo político aos dissidentes.

O turismo ainda está dando seus primeiros passos por lá, e portanto as informações turísticas são praticamente inexistentes, o que é uma injustiça, considerando sua natureza exuberante, conforme pude conferir nas imagens pesquisadas. Além da capital Maseru, que segundo relatos de quem a visitou, é calma e tranquila, os viajantes que se dispuserem a se aventurar, encontraram estradas de terra ligando aldeias de montanhas, tais como, Semonkong, Mafeteng e Moahale’s Hoek, além de rios e quedas d’água, a serem percorridas a cavalo ou em veículos 4 x 4.

Para esse destino, o romance escolhido foi How We Buried Puso do escritor lesotiano Morabo Morojele. Ambientado no período pós-colonialista, a história se desenvolve a partir do retorno de Molefe ou Lefe, a sua terra natal, depois de 7 anos no exterior. Lefe foi chamado de volta para o enterro do irmão, e o retorno as origens o coloca de novo, face a face com suas inseguranças e dificuldades. No exterior, ele nunca se adaptou, se sentia excluído, e vivia em dificuldades, sem coragem porém, de confessar seu fracasso para os conterrâneos. O retorno as origens também não está sendo nada fácil, mas faz com que ele inicie um processo de retorno ao passado, que lhe permite fazer uma catarse de sua vida. Órfãos de pai e mãe, foram criados pela avó, e por uma prima que vai morar com eles e que desperta em Lefe sua primeira paixão. O relacionamento com o irmão não é dos melhores, existindo uma grande rivalidade entre eles. Também fazem parte do universo de Lefe, Abuti Jefti, inquilino de sua avó, e que veio do país vizinho, fracassado e alcoólatra, além do amigo Twice, conterrâneo de Abuti Jefti, e com história de vida tão sofrida quanto. A maior parte do livro é narrada por Lefe, mas o irmão também aparece como narrador em alguns capítulos. Ele era casado com uma estrangeira branca, e relata todo tipo de dificuldade de um casamento entre duas culturas completamente diferentes, sendo ela representante do país dominador, e ele do que foi colônia. Achei a narrativa na maior parte do livro um pouco arrastada, e parece ao longo do livro, que ninguém é feliz, deprimente mesmo!

“Vou danado pra Catende”

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img_1615O sino bate,
o condutor apita o apito,
Solta o trem de ferro um grito,
põe-se logo a caminhar…

          — Vou danado pra Catende,
          vou danado pra Catende,
          vou danado pra Catende
              com vontade de chegar…”

Mergulham mocambos
nos mangues molhados ,
moleques mulatos,
vem vê-lo passar.

              — Adeus!
              — Adeus!

Mangueiras, coqueiros,
cajueiros em flor,
cajueiros com frutos
já bons de chupar…

             — Adeus, morena do cabelo cacheado!

            — Vou danado pra Catende,
            vou danado pra Catende,
            vou danado pra Catende
            com vontade de chegar…

………………………………………

  (Trem de Alagoas, de Ascenso Ferreira)

                        O Trem pode ser de Alagoas, mas é pra Catende que ele vai danado. Alceu Valença também foi danado pra Catende, com alguns versos do poema de Ascenso Ferreira, na sua música “Vou danado pra Catende”. E foi para lá que eu me danei, cheia de vontade de chegar e dar vida aos meus ancestrais. E lá está ela, a 142 km de Recife, na mesorregião da Mata Pernambucana, cheia de mistérios para mim, uma vez que guarda todos os segredos do meu povo. E eu tenho muitos deles, repousando por lá, e outros aqui, mas que vieram de lá. Este é um novo projeto, trazê-los de volta a vida para possibilitar o encontro. E devido a importância da cidade, na formação da família da minha mãe, tinha que começar por lá, até então desconhecida para mim. Nessa primeira visita, fiz apenas um bate e volta.

Igreja Matriz de Sant'Anna

Igreja Matriz de Sant’Anna

                      Catende, hoje, é uma pequena cidade no interior de Pernambuco, com população aproximada de 41.865 habitantes, mas teve sua importância, na época em que Pernambuco era o maior produtor e exportador de açúcar, possuindo mais de 2500 engenhos. Desses engenhos, 490 forneciam cana às usinas dos engenhos Centrais. Catende abrigava a Usina Catende, que chegou a ser considerada, em 1929, a maior Usina do Brasil em produção e capacidade.

                  O início de tudo, foi quando D. Pedro II, doou parte das terras da região, que haviam sido divididas em sesmarias, ao senador Álvaro Barbalho Uchoa Cavalcanti. Ele não as ocupou e foi vendendo ao longo dos anos, originando assim os primeiros sítios e engenhos de cana-de-açúcar. Os registros dos primeiros povoados datam de 21 de outubro de 1863, a partir da presença do capitão Levino do Rêgo Barros, que também foi responsável por trazer a estrada de ferro do sul e Pernambuco para a região. Meus ancestrais foram contemporâneos de Levino.

Estação de Catende

Estação de Catende

                 A cidade se desenvolveu em torno do engenho de açúcar Milagre da Conceição, no distrito criado em 1892, pertencente ao município de Palmares. Esse engenho, mais tarde se tornaria a Usina Catende. O município foi emancipado de Palmares, em 11 de setembro de 1928.

Usina Catende do lado esquerdo, ao fundo.

Usina Catende do lado direito do trilho, ao fundo.

                            Do lado esquerdo do trilho, se encontra a praça, onde está localizada a sede da Prefeitura, o cinema, que hoje não se encontra em bom estado, e algum comércio e residências.

Praça da prefeitura, sede ao fundo

Praça da prefeitura, sede ao fundo, em rosa.

A tranquilidade de uma cidade.

A tranquilidade de uma cidade.

                               Como falei acima, esta primeira visita, foi apenas um bate-e-volta, quase um visita turística. Mas outras virão, até ter a história nas mãos, e a primeira já está agendada. E foi o imigrante, que deu nome a essa rua, um dos que iniciou essa descendência, da qual faço parte.

Rua Rafael Calabria

Rua Rafael Calabria

ruarafaelcalabria

 

Uruguai

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            img_1657             Embora só tenha vistado o Uruguai uma vez, há muito tempo, tenho as melhores recordações da viagem que fiz por esse país, passando pelas cidades de Montevidéu e Punta del Este. Foi uma viagem curta e light, assim como o romance “Deixa Comigo” do escritor uruguaio, Mario Levrero. escolhido para representar o país, neste projeto.

                       Este foi o primeiro livro de Mario Levrero, a ser publicado no Brasil. Com um texto bem humorado, meio termo entre romance e novela policial, este livro, narrado pelo próprio personagem, conta a história de um escritor, em dificuldades financeiras e existenciais. Seu ultimo romance foi rejeitado pela editora, ele ainda não está totalmente recuperado de um divórcio não muito recente, e questiona inclusive seu talento literário. Nessas circunstâncias, recebe uma proposta tentadora da editora. Ele deverá localizar Juan Pérez, autor de um excelente manuscrito recebido pela editora, mas sem o remetente, aparentemente residindo na pequena cidade de Penúrias, de acordo com o carimbo no envelope. Caso seja bem sucedido, terá seu romance publicado, além de um bom adiantamento referente aos direitos autorais. Apesar de considerar que o trabalho não está à altura de suas qualificações, a proposta é tentadora, principalmente em razão de sua difícil situação financeira e profissional.

                     A maior parte do livro é ambientada em Pénurias, onde o narrador-escritor realiza suas buscas. Durante essa empreitada, ele vive situações inusitadas, na pequena cidade, em meio a tipos curiosos, mas que não ajudam muito nas investigações, o que só faz aumentar o suspense. De forma bastante divertida, numa linguagem simples e direta, o narrador conta sua história de um folego só.

Estados Unidos

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img_1625Escolher apenas um livro, para representar um país, é uma tarefa bastante difícil, conforme estamos vivenciando neste projeto, porque queremos não só acertar na mosca, como fazer a melhor escolha. Queremos ainda fazer a viagem perfeita para aquele país, e sempre no melhor estilo. E é claro que nem sempre acertamos. Mas quando se trata de um país pouco conhecido ou daqueles que estamos vendo o nome pela primeira vez, não temos muito o que decidir, porque não existem muitas opções. No entanto, considero que já saímos na vantagem só por encontrar um livro, e aprender sobre aquele destino.  Porém, quando já conhecemos muito sobre o país, literatura e tudo mais, a dificuldade é grande, porque são muitas opções. Por isso considero que a escolha de “Homem em queda” de Don Delillo, foi perfeita.

Don Delillo, nasceu em 1936, e cresceu no Bronx, em Nova York. Recebeu diversos prêmios por seus trabalhos de ficção, tais como Ruído Branco(eleito em 2006, pelo New York Times, como um dos três melhores livros de ficção norte-americana dos últimos 25 anos), A Artista do Corpo e Cosmópolis. Neste romance ele aborda um tema que é muito caro aos americanos dos Estados Unidos, a tragédia do 11 de setembro de 2001, que marcou profundamente suas vidas, transformando-as para sempre.

O 11 de setembro, foi uma tragédia praticamente assistida ao vivo, no mundo todo. E acho que todos nós nos lembramos onde estávamos quando recebemos a notícia, tamanho o impacto dos ataques e da repercussão que causou no planeta. E para quem estava lá, quem viveu a tragédia?  No livro,  Keith é um advogado que trabalhava em uma das torres, assim foi atingido diretamente pelos acontecimentos, física e emocionalmente. No momento dos eventos dramáticos, ele estava separado da esposa, Lianne, vivendo longe dela e do filho, Justin. Quando sai atordoado dos escombros, sem se aperceber segue diretamente para a casa dela, marcando assim a mudança no destino daquela família. As emoções de cada personagem, são descritas de forma tão vívidas, que parece que estamos dentro deles, em suas mentes. As sequelas deixadas pelos eventos durante os meses que se seguiram, misturadas com os dramas pessoais, são descritas de forma primorosa pelo autor, em imagens, conversas, e sentimentos. Muito tocante a leitura.

 

África do Sul

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           img_1591  De todos os países que desconheço, talvez os situados na África sejam os que ainda tenha menos informação, muitos dos quais desconhecia até a existência. A afirmativa, no entanto, não é válida para a África do Sul, país que foi palco de alguns acontecimentos bem conhecidos como o Aparthaid, Copa do Mundo de 2010, além de ser a terra natal de Mandela. Apesar de ter esses fatos associados ao país, nunca me aprofundei nas informações. Apenas agora que entrou no roteiro do #198 livros foi que dei uma rápida pesquisada no Google. E achei curioso descobrir a existência de nada mais do que 11 línguas oficiais no país. Como deve ser viver num país assim? Imagino a riqueza cultural que não deve ser. Essa é uma das razões que me fazem participar deste projeto, a possibilidade de encurtar todas as distâncias, mesmo as mais longínquas do planeta, e ter acesso a tantas culturas. Dessa vez, quem escreveu o roteiro foi Nadine Godimer, ganhadora do Premio Nobel de Literatura em 1991, com seu romance “O Melhor Tempo É O Presente“.

                  Através da história de vida do casal Jabuline e Steven, pode-se ter uma ideia de como foi a vida na África do Sul durante o aparthaid, e como ficou a vida no país após o seu fim. Eles se conheceram quando eram ativistas lutando pelo fim do regime, e por ela ser negra e ele branco, tiveram que viver esse romance na clandestinidade, pois as leis raciais proibiam o relacionamento entre brancos e negros. Ela é filha de um diretor de escola, da etnia zulu, que sempre lutou para que ela estudasse, mesmo que para isso tivesse que mandá-la estudar no país vizinho, a Suazilândia, por não lhe ser permitido este direito no seu próprio país. Ele é filho de uma judia, e de pai cristão. e sempre foi revolucionário, em luta pela liberdade dos negros e igualdade de direitos. Agora que a situação mudou, que a luta por liberdade e democracia foi vitoriosa, eles se preparam para viver a nova realidade do país, onde pretendem criar os filhos. Eles agora estão livres para viver uma vida normal, de classe média, com todos os problemas rotineiros de uma família, em meio as diferenças sociais, raciais, e econômicas em que o país se encontra e que se acentuam cada vez mais. E essa nova realidade agravada pelos rumos que a política vai tomando, em meio a corrupção, faz com que eles se decepcionem com o país a ponto de pensar em emigrar para a Austrália. Adorei a maneira como Nadine Gordimer escreve e a simplicidade para abordar dos problemas rotineiros  inerentes a uma família de classe média, a amargura deixada pelo drama vivido pelo país com o aparthaid, e sua política corrompida.

Guiné

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        IMG_1083Algum sentido deveria haver para a existência de tantos países com o mesmo nome, são nada mais do que quatro guinés, três na Africa(Guiné-Bissau, Guiné e Guiné Equatorial), e mais uma na Oceania(Papua Nova Guiné).  Mas na verdade, até onde pesquisei, não existe unanimidade em torno da origem do nome, para uns teria cunho racista, para se referir a pessoas de pele negra; para outros poderia ser uma derivação de “Djenné”, cidade as margens do rio Níger; ou ainda poderia estar relacionada ao reino medieval de Gana.  Nosso destino, dessa vez, é a antiga “Guiné Francesa”, atual Guiné, e também chamada de Guiné-Conacri. Foi colônia da França, de meados do século XIX, até o ano de 1958, quando conquistou sua independência. A Guiné é um país muito pobre, e com uma história semelhante a de muitos outros países africanos, que depois de muita luta para a conquista da independência e da liberdade,  são vítimas da ambição pelo poder dos próprios conterrâneos, mergulhando em guerras civis, que arrasam o país, ao invés de encontrarem a paz. No caso da Guiné, Sékou Touré, tornou-se presidente, a partir da independência até sua morte, em 1984. Durante sua gestão, instalou o regime ditatorial, suprimindo direitos humanos, o que levou milhares de pessoas ao exílio. A intolerância do presidente não se restringia só ao relacionamento interno, as péssimas relações externas levaram o país ao isolamento, prejudicando a economia do país.

Camara Laye, nasceu em 01 de janeiro de 1928, na cidade Kouroussa, antiga Guiné Francesa.  Quando escreveu o romance O Menino Negro,  ele já estava estudando em Paris, para onde se mudou em 1946, graças a uma bolsa que recebeu para cursar engenharia mecânica. O livro, que foi publicado em 1953, é uma biografia do autor, abrangendo a infância e adolescência até o período que deixa o país para estudar na França. É uma maravilhosa descrição dos momentos mais marcantes por ele vividos. Graças aos relatos de Laye podemos conhecer os costumes do país, tanto na cidade como no interior. A forma de relacionamento em família, as amizades, os conflitos escolares, as tradições e os costumes na colheita, nos ofícios, na iniciação ao mundo adulto num universo totalmente diverso do nosso. Essa forma de descrever uma infância feliz, assim como fez Olympe Bhêly-Quenum, no romance Un enfant d’Afrique não foi bem aceita pelos intelectuais africanos e europeus da época, que não aceitavam que se produzisse nenhum trabalho que não contivesse uma critica ao colonialismo. Não o perdoavam por bradar ao mundo o orgulho de ser africano, e mostrar suas tradições e costumes com alegria.  Achei maravilhoso poder realizar essa pequena viagem por mais um país da África, e melhorar meu entendimento do mundo como um todo.