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Giverny: Os Jardins de Monet

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100_0144                    Depois de escrever o post sobre Van Gogh, e a marca que deixou na pequena cidade de Auvers-sur-Oise, não tinha como não lembrar a visita que fiz a Giverny, em 2012, e aproveitar para deixar o registro dessa minha viagem. Na época, ainda não tinha o blog, então, esse vai ser o primeiro post dessa viagem muito especial, e uma das melhores que já fiz.  Monet morou em Giverny no período de 1883 até a sua morte, em 1926. Depois de se mudar, ele comprou um terreno em frente à sua casa e lá montou um jardim, com um lago, e sobre ele, uma ponte em estilo japonês, além de várias plantas aquáticas. Esse cenário foi tema de vários quadros do pintor impressionista, e é assim que a gente se sente quando está lá…dentro de um quadro de Monet.

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               A visita aos jardins de Monet já fazia parte do roteiro que tinha pensado para essa viagem. Pegamos o trem na Gare de Saint-Lazare com destino a Rouen, e descemos em Vernon. Alugamos as bikes numa loja defronte a estação, e lá mesmo, recebemos um mapa com as indicações de como chegar até Giverny, distante 7 km. É super fácil, mas eu e Domingos conseguimos errar o caminho, e em vez de irmos pelo caminho indicado, próprio para bikes e pedestres, pegamos um alternativo. Depois de cruzar a cidade, e atravessar a ponte sobre o rio Sena, entramos errado e fizemos um caminho por dentro do bosque e dos campos. Sendo que, em alguns trechos não tinha espaço para bike, então pedalamos na mesma via que os carros, ônibus e caminhões, haja adrenalina! Mas chegamos, e ao final, a experiência de conhecer os dois caminhos foi válida, apesar do estresse na ida.100_0113100_0183100_0175100_0118

Caminho alternativo

Caminho alternativo na ida

Caminho oficial na volta

Caminho oficial na volta

           Chegamos morrendo de fome, e escolhemos um restaurante ao acaso o Nimpheas. Fizemos uma excelente escolha, além do ambiente ser bem aconchegante, o maigret de canard, nas duas versões, estava delicioso. 100_0122100_0123

                  Já devidamente alimentados e descansados, fomos comprar os ingressos. A visita é feita em duas etapas, primeiro visitamos a casa de Monet, com seu jardim. Muito interessante ver o ateliê, e o mobiliário que fazia parte da rotina daquela época. 100_0130

Jardim em frente a casa de Monet

Jardim em frente a casa de Monet

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cozinha

cozinha

                  Achei lindo o jardim, mas confesso que estava um pouco decepcionada porque conhecia os quadros de Monet e não estava identificando com a paisagem que estava vendo. Não sabia que aquela era apenas a primeira etapa. Foi então que percebi que tínhamos que passar por um subsolo para chegar no “verdadeiro” jardim! Ai sim, me senti dentro dos quadros de Monet.

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Auvers-sur-Oise, nos traços de Van Gogh.

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                     Visitei esse charme de cidade em maio do ano passado, já no final da minha estadia em Paris. Fiz um bate-e-volta, para aproveitar o feriado de ascensão de Jesus, pois ela fica a apenas 30 km de Paris. Nos dias feriados e finais de semana, há trem direto, saindo da Gare du Nord, as 9h38, e retornando as 18h25. Mas, nos demais dias pode-se pegar um trem para Pontoise, sair da Gare Saint-Lazare ou Gare du Nord, e chegando em Pontoise, mudar de direção para Persan-Beaumont.DSC02258                  Deu vontade de revisitá-la agora, depois de ter assistido uma maravilhosa palestra do pintor holandês, Roberto Ploeg, sobre Van Gogh, por quem sou apaixonada. Ploeg é da mesma região de Van Gogh, no sul da Holanda, e forneceu uma visão do pintor, própria de um conterrâneo. Através de sua exposição, pudemos ver como os costumes da região, foram determinantes, também, na formação da personalidade de Van Gogh, e em sua pintura.DSC02302

                 Antes de Van Gogh, outros pintores já haviam sido seduzidos pelo charme e paz da cidade, preservados até hoje. Situada às margens do rio Oise, com seu aspecto medieval, lindas paisagens, ruelas e campos de trigo, serviu de inspiração para Daubiggny, Cézanne, Monet e Pissarro. Era lá, que vivia Dr. Gachet, médico psiquiatra e amante das artes, amigo desses mesmos artistas impressionistas, os quais costumava receber em sua residência. Foi a pedido de Théo, irmão de Van Gogh, que Pissarro, fez contato com Dr. Gachet, para ajudar o pintor a encontrar um lugar para morar, e poder assistí-lo. Van Gogh estava saindo de uma internação no asilo de Saint-Rèmy e buscava um local tranquilo para se recuperar. E é assim que ele descreve o vilarejo em carta a Théo, de 20/05/1890, “É o verdadeiro campo, característico e pitoresco” 243

                    Durante sua curta estadia de 70 dias na cidade, Van Gogh, pintou mais de 70 telas, e algumas delas estão reproduzidas nos locais que lhe serviram de inspiração. É uma sensação indescritível, imaginá-lo ali, pintando aquelas paisagens.

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                    Assim que cheguei, fui direto ao posto de informações turísticas, e lá soube que haveria uma visita guiada, pelos principais pontos turísticos, às 14:00h. Achei que não valeria a pena esperar, já que a cidade era tão pequena, que daria para percorrê-la apenas seguindo as informações do mapa.

Entrada para o Aubege Ravoux.

Entrada para o Aubege Ravoux.

                    Comecei pela casa onde Van Gogh viveu e morreu, o Auberge Ravoux, porque era quase vizinho do local onde eu estava, no centro da cidade. Hoje é um museu, em cima e restaurante em baixo. A visita custa 6 euros, nela incluída, um video e uma visita ao quarto dele.

Auberge Ravoux, ao centro

Auberge Ravoux, ao centro

Quarto nde Van Gogh viveu seus últimos dias.

Quarto onde Van Gogh viveu seus últimos dias.

     Era nesse quarto simples, que vivia Van Gogh, nos últimos meses de vida. Pagava o aluguel de 3,5 francos por mês, porque era tudo que ele podia pagar, com ajuda que recebia de Théo. Ficava no último andar do Auberge, no sótão,  nas dependências reservadas aos empregados, (femme de ménage) e tinha apenas 7m2.

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Depois da morte de Van Gogh, o

quarto não foi mais alugado. Atualmente, está vazio, apenas a cadeira e o armário permanecem do mobiliário original.

No quarto ao lado, porém encontram-se réplicas do restante dos móveis. Existe um pequeno lavabo na parede oposta a clarabóia.

Depois do Auberge, iniciei meu tour pelos caminhos de Van Gogh, passando pela Igreja, campos de trigo, cemitério, até voltar ao centro, para o almoço.AuversIgr2725

´L'église Notre-Dame de l'Assomption

´L’église Notre-Dame de l’Assomption

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           Tive certa dificuldade para encontrar um lugar para almoçar. Ao chegar dos campos avistei o Le Cordeville, um restaurante super simpático, mas estava cheio e não havia feito reserva. Foi quando percebi, que estava com problemas, pois todos os restaurantes estavam lotados, já que a cidade é muito pequena. Mas, finalmente, consegui encontrar um que tinha minha refeição preferida na França, pato e vinho da casa. IMG_2600 (3)

                Depois do almoço, fui para o outro lado da cidade, direto para casa do Dr. Gachet, a 20 minutos de caminhada. Não conseguia deixar de pensar que Van Gogh, havia feito aquele mesmo caminho inúmeras vezes.

Casa do Dr. Gachet

Casa do Dr. Gachet

Casa do Dr. Gachet.

Casa do Dr. Gachet.

Na volta passei pelo Château d’Auvers e  Musée de l’Absinthe

Château d'Auvers

Château d’Auvers

Musée de l'Absinthe

Musée de l’Absinthe

Musée de l'Absinth

Musée de l’Absinthe

                Apesar de pequena, Auvers-sur-Oise, tem muito para se ver, mas, infelizmente não deu para ver tudo. A Maison-Atelier de Daubigny, já estava fechada, o jeito foi voltar para a estação. para não perder o trem de volta para Paris.312

Chenonceau

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               No último dia de viagem, iniciamos o tour pelo Castelo de Chenonceau, o mais visitado na França, depois de Versailles. É também conhecido como o castelo das 7 damas, devido a forte personalidade das mulheres, que tendo misturado suas histórias de vida com a do castelo, deixaram nele suas marcas. Para mim, é também bastante significativo, ter me despedido da França, num local onde as mulheres fizeram suas histórias, quando tentava escrever a minha de uma nova maneira. Estava atrás de um sonho, que pude realizar juntamente com minha irmã, minha parceira nessa viagem, e o apoio de nossas famílias, conforme descrevi nesse post aqui.DSC01556DSC01555

                O esplendor do Castelo de Chenonceau, tal como podemos ver hoje, teve início com a intervenção de Thomas Bohier, intendente do Rei Francisco I, que adquiriu a propriedade em 1513. Na época, a propriedade não passava de uma fortaleza medieval com moinho, e para transformá-la em uma residência deslumbrante no melhor estilo renascentista, ele demoliu o antigo moinho, deixando apenas a torre medieval. Todo o trabalho de supervisão da construção, coube a Katherine de Briçonnet, esposa de Bohier. É assim que tem início a primeira das 7 damas a desempenhar um papel significativo para o castelo. É ela que toma todas as decisões em relação a arquitetura e decoração do Château, numa empreitada sem precedentes.

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                   Em 1533, o rei Francisco I confisca o castelo da família Bohier, e passa a frequentá-lo com sua família. Ao sucedê-lo no trono, em 1547, seu filho Henrique II, dá o castelo de presente para sua amante Diana de Poitiers. Ela faz várias melhorias no castelo, entre elas, a criação de um jardim e um pomar, com frutas exóticas para a época, e a construção de uma ponte com seis arcos sobre o Rio Cher, projeto do arquiteto Philibert Delorme.DSC01552

Quarto de Diana de Poitiers

Quarto de Diana de Poitiers

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                     Com a morte do Rei Henrique II, ferido em um torneio, sua esposa, rainha Catherine de Médicis, agora regente, expulsa a rival do Château. Inicia, então, as suas melhorias no castelo, tais como, a construção de novo jardim, perto do de Diane, além da mais significativa, que foi a construção de uma galeria em dois níveis sobre a ponte do Rio Cher. Na parte superior a rainha realizava festas espetaculares para homenagear seus três filhos, Francisco II, Charles IX e Henrique III.

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 Quarto de Catherine de Médicis

Quarto de Catherine de Médicis

                   Com a morte da Catherine de Médicis, em 1589, sua nora, Louise de Lorraine, casada com o Rei Henrique III, herda o castelo, e é lá que alguns meses depois recebe a notícia da sua morte. Abatida, se recolhe ao castelo, de onde não sairá mais até morrer, em 1601. Vive seu luto, isolada em Chenonceau dedicando-se a leitura, obras e as orações, em companhia das irmãs Ursulinas. Veste-se sempre de branco, em luto, como mandava a etiqueta da corte, sendo conhecida como a Dame Blanche. Sua morte marca o fim da presença real no Château, que fica em estado de abandono, até ser adquirido, em 1733, por Claude Dupin. Sua esposa, Louise Dupin, retira Chenonceau do ostracismo, dando-lhe vida novamente. É a era do iluminismo, e Louise organiza um Salão, como era costume na época, e conforme descrevi nesse post. Se cerca de escritores, poetas, cientistas e filósofos, tais como Montesquieu, Voltaire ou Rousseau. Protetora de Chenonceau, vai salvá-lo da Revolução Francesa.DSC01522

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                     Marquerite Pelouze, oriunda da burguesia industrial, adquire o castelo em 1864, e promove uma grande reforma, para devolver a aparência que ele tinha na época de Diana de Poitiers. E a última dama a fazer história em Chenonceau foi Simone Mernier, administrando, como enfermeira chefe, o hospital instalado nas duas galerias durante a primeira guerra mundial. A instalação e os equipamentos foram custeados pela família de Simone, a quem pertencia o castelo.Mais de 2000 soldados feridos na guerra, foram atendidos lá.

                      De alguma forma todas essas damas tiveram seus espaços preservados em Chenonceaus, e é simplesmente maravilhosa a arrumação dos arranjos de flores em todo o castelo. Não sei a quem atribuir os créditos pelas cozinhas, mas achei incrível! E principalmente quando pensamos em toda a logística utilizada para produzir as refeições à época. DSC01542DSC01541

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                    Depois de visitar Chenonceau, entendemos porque é tão visitado, é simplesmente maravilhoso. Acredito que a energia que essas damas utilizaram para torná-lo o que é hoje, de alguma forma permaneceu. Por mim teria ficado o resto do dia lá, mas ainda tínhamos mais dois castelos no roteiro, e assim tivemos que deixá-lo, o que foi feito por essa incrível alameda.DSC01559DSC01557

Amboise

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                     Este vai ser um mini post, assim como nossa passagem por essa cidade! É engraçado como o ritmo da gente é diferente enquanto viajamos. Só agora depois de mais de 1 ano é que parei para refletir, o que nos levou a rodar quase 50 km, para ir de Montrésor a Amboise e chegar numa cidade em que todos os monumentos estariam fechados? E é claro que estariam, pois quando chegamos em Montrésor, já não pudemos entrar no castelo por causa da hora, como comentei nesse post.

DSC01512                       Resultado, só fizemos mesmo passear pela cidade, e olhe que a cidade tem muito o que visitar, além do castelo, antiga fortaleza medieval, o Pagode de Chanteloup, a “Clos Lucé” a casa onde Leonardo da Vinci viveu seus últimos anos, Igreja de Saint Denis, Tour D’Horloge. O consolo é saber que tudo continuará lá e assim teremos vários motivos para voltar.

Restaurante onde jantamos

Jantar de despedida nesse restaurante

                     Na realidade fomos à Amboise praticamente para jantar, um grande jantar de despedida, com direito a inúmeros brindes, já que na noite seguinte estaríamos em Paris nos preparando para voltar para Recife, depois de quase dois meses! Apesar do jantar de despedida, ainda tínhamos o dia seguinte para passear no Loire e a próxima parada era Chenonceau!

Montrésor

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        Existe um site, Le plus beaux village de France, que reúne os vilarejos mais bonitos da França, que possuam pelo menos 2 requisitos: ter menos de 2.000 habitantes, e possuir pelo menos dois monumentos ou lugares protegidos. Ao todo a lista dos pequenos vilarejos totaliza 157 . Minha irmã não sabia disso, mas tinha lido em algum lugar que Montrésor, no Loire era “uma das cidades mais bonitas da França”  e assim incluiu a cidade no nosso roteiro do Vale do Loire.  Oficialmente a distância entre Azay-le-Rideau, nossa última parada, e Montrésor é de aproximadamente 70 km, mas tenho a impressão que pegamos alguma estrada fora do roteiro, porque me pareceu que a distância era muito maior. Rodamos um bocado para chegar, e a essa altura a expectativa era enorme, então logo de início, achamos que faltou cidade. Mas depois, resolvemos dar uma segunda chance para Montrésor.

DSC01495               Chegamos no final da tarde de um sábado e não havia uma só pessoa nas ruas, como se pode ver pelas fotos, aliás a cidade possui apenas 383 habitantes. Fomos direto para o Château que fica no alto de uma colina, mas já estava fechado a visitação interna, então só pudemos conhecer a parte externa.DSC01511DSC01490DSC01491

                    O Château foi construído, em 1493, por Imbert de Bastarnay, avô de Diane de Poitiers, e conselheiro dos reis Louis XI, Charles VIII, Louis XII e François Ier , sobre uma fortaleza já existente, que havia sido construída em cima da rocha em 1005, por Foulques Nerra, Conde d’ Anjou. Depois de pertencer sucessivamente as famílias Joyeuse, Brantome e Beauvilliers, foi adquirido por um rico senhor polonês, o conde Xavier Branicki, em 1849. O conde que era amigo e conselheiro de Luis Bonaparte, futuro Napoleão III, restaurou e adquiriu uma importante coleção de obras de arte, e desde então o interior e o mobiliário permanecem originais. Os descendentes do conde ainda habitam no castelo.DSC01504

                      Depois que saímos do castelo fizemos um tour pela cidade, margeando o rio Indrois, descobrimos recantos bem pitorescos e até a lenda que explica o nome da cidade.DSC01503???????????????????????????????

              A cidade é tão pequena, que as placas indicam as direções do mercado, da farmácia, da pâtisserie e por aí vai. Fizemos um lanche e zarpamos para Amboise.

Mercado

Mercado

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Château d’Azay-le-Rideau

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          Para mim, esse castelo está entre os mais bonitos do Vale do Loire, fica no meio de um lindo parque e foi construído sobre uma pequena ilha do rio Indre, de forma que, quando olhamos para ele, temos a sensação de que está elegantemente pousado sobre as águas. Mesmo já tendo visitado outros maravilhosos castelos, ainda assim fiquei deslumbrada com tanta beleza!

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DSC01477                São apenas 20 km a distância que separa Chinon, de onde estávamos, para Azay-le-Rideau.  A cidade tem pouco mais de 3.000 habitantes e o castelo está localizado na área urbana, no meio do parque.DSC01480

             O responsável, por tornar Azay-le-Rideau esse encanto foi Gilles Berthelot, que depois de adquirir a propriedade, em 1510, transformou o forte medieval em uma agradável e requintada residência, no estilo renascentista italiano, como convinha ao ministro de finanças do rei. Depois de se casar com Philippe (nome misto que se dava as mulheres na renascença)Lesbahy, rica herdeira das terras da redondezas, continuou sua brilhante carreira, ajudado por seu parente Semblançay, no reinado de Francisco I. Quando Semblançay é acusado de desfalque e executado, Berthelot, sendo suspeito de conivência, foge abandonando o castelo. Francisco I, o confisca, e oferece a Antoine Raffin, seu companheiro de armas e lutas. Os descendentes de Antoine Raffin ocuparam o castelo até o século XVIII. Em 1791, durante a Revolução Francesa, o marquês Charles de Biencourt, adquire a propriedade, e juntamente com seus descendentes restauram o brilho do castelo, e criam seu parque romântico. Até que o último marquês, arruinado, vende a propriedade no final do século XIX, e em 1905, o estado compra o castelo e uma parte do parque.

DSC01488           Uma alameda arborizada, conduz à entrada principal do castelo, que tem uma escadaria central(escalier d’honneur) como elemento inovador de Azay.DSC01467 DSC01464

                O castelo conserva as características do estilo do forte medieval através das torres de menagem.DSC01476

           Internamente, o castelo tem características do renascimento italiano. O interior é constituído de grandes salões e apartamentos suntuosos, que foram redecorados ao estilo neorrenascentista no século XIX. DSC01471DSC01470

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DSC01468                    A visita ao castelo leva aproximadamente uma hora e meia, tempo mais que suficiente para se encantar como o “Château”. Nossa próxima parada seria a pequena cidade de Montrésor, uma aventura que fica para o próximo post.

Chinon

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DSC01445                Continuando nosso roteiro do Vale do Loire, chegamos em Chinon depois de rodar aproximadamente 33 km, a partir de Saumur. A pequena cidade medieval, está cercada pelos rios Vienne e Loire e fica aos pés da colina onde foi construída a Fortaleza Royal de Chinon, de onde se tem uma vista maravilhosa. Até então, todo meu conhecimento sobre a cidade, resumia-se ao vinho “Chinon” e ao encontro histórico entre Joana d’Arc e o delfim, o futuro rei Carlos VII, principal razão da visita à cidade. Se havia lido antes sobre a situação atual da fortaleza, não registrei, mas o fato é que ao olhar aquela imensa fortaleza em ruínas, fiquei arrasada. Só o que ficou de pé foram as três torres e as muralhas, o restante foi demolido a mando de Richelieu, um Cardeal-bispo de política absolutista. Nem o salão, onde se passou a cena histórica, com Joana d’Arc se ajoelhando diante do delfim após identificá-lo (mesmo este se disfarçando), para dizer da parte de Deus que ele era filho legítimo do rei da França, portanto, era ele o legítimo rei da França, foi poupado. Pode-se ver pela beleza da torre que ficou de pé, a grandiosidade do restante da construção em pedras, do castelo-fortaleza. Fiquei andando por ali, tirando fotos, sentindo a energia do lugar, sem conseguir ir embora. Só após os insistentes chamados das meninas, foi que resolvi deixar o local.

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DSC01442                      Chegamos a fortaleza de carro por um acesso que nos levou direto a ela, e só tivemos que estacioná-lo nas proximidades. Na época de Joana d’Arc não era assim, não existia a rodovia, o acesso era feito pela ladeira de pedra, com acentuada inclinação. Joana, chegou de cavalo até o início da subida. Fizemos então o caminho inverso, do alto da fortaleza descemos pela ladeira até a cidade.

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                       Foi aqui diante dessa casa, onde se pode ver a placa em cima da porta que Joana, desceu do cavalo para subir a ladeira até a fortaleza e encontrar com o delfim. Sou fascinada por Joana d’Arc e acredito que os franceses também, pois fazem questão  de deixar registrado todos os locais por onde ela passou. A cidade de Chinon parece que parou no tempo, e assim podemos de fato nos transportar através dele e imaginar a vida naquela época. DSC01454

 

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                    Uma vez embaixo, demos uma circulada por toda a cidade que é uma graça, com praças e barezinhos, e aí já estava na hora de levantar voo para aterrissar em Azay-le Rideau.

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Saumur

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                      Nada de castelo, o que nos levou a Saumur foram os cogumelos! Foi principalmente para visitar o Museé du Champignon, que decidimos incluí-la no roteiro, mas já sabendo de antemão, que esse era apenas mais um indicativo para ajudar na escolha do roteiro, porque dificilmente se erra ao visitar uma pequena cidade francesa no Vale do Loire, é encantamento na certa. E com todos aqueles ingredientes que as caracterizam #belacidade#château#vinhos#rioLoire#  Mas vamos começar a visita pelo início.

Vista do rio Loire ao fundo.

Vista do rio Loire ao fundo.

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                    Deixamos Villandry e depois de rodar aproximadamente 57 km chegamos em Saumur, uma pequena cidade construída predominantemente de pedra, as margens do rio Loire. Decidimos visitar logo o Château de Saumur, pois ele esta localizado no alto de um rochedo, e domina a cidade com suas torres, impossível ignorá-lo. Depois de uma tentativa fracassada de encontrar o caminho até lá, fizemos o óbvio e pegamos um mapa num quiosque de turismo. O castelo foi construído, no século XIV, pelo duque Luis I,  de Anjou, irmão do Rei Carlos V, a partir de uma fortaleza, e remodelado um século depois por seu neto, o bon roi René, último Duque de Anjou,DSC01411DSC01414                 Havíamos decidido que não iríamos visitar internamente todos os castelos, em função da disponibilidade de tempo. Como tínhamos outros interesses na cidade, além do castelo, esse foi selecionado para ser visitado apenas externamente.DSC01421DSC01419DSC01416

                   De mapa na mão, seguimos para o Museu dos cogumelos, e ao longo da estrada vimos inúmeras vinículas, mas já tínhamos um destino certo. Aqui vale um parentese, os vinhos do Vale do Loire, são bastante apreciados na França, a um custo bem mais acessível que os mais conhecidos da região de Bordeaux e Borgonha. Os tintos de Saumur são uma maravilha com destaque para o Saumur Champigny . E então, finalmente chegamos!

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                   O Museu consiste em inúmeras cavernas calcárias onde são cultivados 75% da produção de cogumelos do país, em torno de 12 toneladas. Além da exposição de centenas de cogumelos selvagens. O museu é aberto todos os dias de fevereiro a novembro, e a visita de 1:30h custa 8,20 euros. Não consegui boas fotos dos cogumelos, mas a visita é fascinante.???????????????????????????????                  No final da visita, fomos conhecer a boutique com diversos produtos do Museu e aproveitamos para almoçar no pequeno restaurante. Dentre os vários menus oferecidos escolhemos o que oferecia: cogumelo paris ao molho da casa, velouté de shitake e uma taça de  crémant, o espumante do vale do Loire. Tudo isso ao custo de 7 euros.DSC01426DSC01427                     #partiu#Chinon#

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Villandry

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            800px-VillandryCastle

             Apesar de Ricardo Freire, do blog Viaje na Viagem, ter sugerido deixar o Villandry para a sobremesa nesse post,  foi justamente por ele que começamos. Por uma simples questão de logística, Villandry fica a 18 km de Tours.  Mas a ordem das visitas, na verdade, é irrelevante, o importante é conhecer Villandry, pois embora não tenha tanta importância histórica, é deslumbrante. O que achei mais incrível desse castelo, é que ele parece um “lar”, bem diferente dos outros castelos da França que já tinha visitado, fora dessa região, como o de Versailles, Vaux le Vimconte, Fontainebleau. Esses são suntuosos demais, eu não consigo imaginar uma família morando em um desses castelos, mas não é o caso do Villandry, onde os ambientes são “clean”, e apesar de amplos, são bem aconchegantes, conforme pode-se ver nas fotos a seguir. Além da decoração minimalista, Villandry, também se destaca pelo aproveitamento que foi feito do terreno, para nele se construírem os lindos jardins.

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                      Villandry foi construído em 1536 por Jean le Breton, ministro das finanças de Francisco I, sendo o último dos grandes castelos construídos nas margens do rio Loire, na época do renascimento. Para construí-lo Jean le Breton, mandou demolir uma fortaleza do século XII, dela restando apenas as fundações e a torre de menagem.

Vista da torre de menagem

Vista da torre de menagem

                    Os descendentes de Jean le Breton conservaram o castelo até 1754, quando passou a pertencer ao marquês de Castellane, embaixador do rei e proveniente de uma família provençal. Ele acrescentou uma ligação em estilo clássico e reformou a área interna, adaptando .ao século XIX.DSC01382

                  Finalmente, em 1906, o castelo foi adquirido por Joachim Carvalho, espanhol e bisavô do atual proprietário. Ele restaurou o castelo e recriou os jardins em estilo renascença. Iniciamos a visita pelos jardins, a bordo de uma pequena carruagem, dando um clima bem romântico e alegre a nossa visita, me senti voltando no tempo.DSC01368

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                      De carruagem percorremos todo o percurso em torno dos jardins, que também pode ser feito a pé, seguindo uma sinalização vermelha no chão. Os jardins estão divididos em Jardim Decorativo, da água, do sol e a horta. A horta é replantada duas vezes por ano, na primavera e no verão, respeitando-se nessa renovação, as restrições de harmonia das cores e das formas, e por outro lado, as restrições hortícolas que impõem uma rotação trienal das culturas para não empobrecer a terra. São cerca de 40 espécies, que pertencem a 8 famílias botânicas. É lindo passear entre os jardins, mas para se ter uma ideia de  todos os desenhos, o ideal é olhar de cima da torre de menagem.

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Horta

Horta

                   A visita que já estava sendo bem divertida, só na área externa, ficou ainda melhor quando passamos para o interior, com sua decoração e astral maravilhosos.

O salão e o escritório

O salão e o escritório

Sala de jantar

Sala de jantar

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Cozinha

Cozinha

Escada principal

Escada principal

Quarto do príncipe Jerônimo

Quarto do príncipe Jerônimo

Salão oriental, teto oriundo do palácio dos duques de Maqueda, construído no século XV, em Toledo.

Salão oriental, teto oriundo do palácio dos duques de Maqueda, construído no século XV, em Toledo.

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                     A farra estava boa, mas o resto do Loire nos aguardava, # partiuSaumur#

Tours

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             Conforme havia mencionado nesse post aqui, começamos nossa viagem ao Vale do Loire por Tours, cidade que escolhemos para nos servir de base. Tanto por sua localização, cercada de castelos por todos os lados, quanto pela  infraestrutura. Chegamos lá de trem, duas horas depois de deixar Paris, saindo da Gare de Austerlitz.  Alugamos o carro para o dia seguinte, na própria gare, deixamos as malas no hotel e saímos para explorar a cidade.

                    Tours é uma cidade muito bonita, localizada entre dois rios, La Loire e Le Clerc, foi fundada no século I, sob o nome de Caesarodunum, sendo uma das 50 Romas em miniatura dadas aos legionários romanos, que lutaram na Gália e no Egito. Augusto queria agradar aos legionários, mas ao mesmo tempo deixá-los bem longe de Roma evitando assim os distúrbios quando voltassem dos serviços. Floresceu nos dois séculos seguintes, mas depois da chegada dos bárbaros germânicos, que não souberam dar continuidade ao sistema romano de impostos e manter sua infraestrutura, a cidade começou a decair. Durante o período de quase 200 anos (1418 a 1589) em que os reis franceses residiram no Loire, construindo seus castelos em volta dela,Tours voltou ao seu apogeu, e o tornou-se o centro econômico e administrativo do reino, substituindo Paris. E ao contrário dela, que teve a maior parte do passado medieval derrubado pelo Barão von Haussmann, o distrito medieval de Tours, foi bem restaurado.

Defronte ao hotel prontas para explorar.

Defronte ao hotel, se preparando para alçar voo.

                      Deixamos o hotel, e de mapa na mão, seguimos em direção a vieux Tours, distrito medieval. Ao longo do caminho, encontramos vestígios da antiga cidade romana, construções do período medieval, renascentista, até culminar com uma mistura de estilos na Place Plumereau, que é bem animada, cheia de bares e restaurantes. DSC01353

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DSC01345                   Não conseguimos resistir ao chamado da Place Plumereau, e apesar do frio, paramos para brindar ao clima festivo da cidade. DSC01365

                   Num cenário como esse, não há mais nada a fazer que não seja, andar, andar e andar……..E foi assim que passamos por Tours.