Chenonceau

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               No último dia de viagem, iniciamos o tour pelo Castelo de Chenonceau, o mais visitado na França, depois de Versailles. É também conhecido como o castelo das 7 damas, devido a forte personalidade das mulheres, que tendo misturado suas histórias de vida com a do castelo, deixaram nele suas marcas. Para mim, é também bastante significativo, ter me despedido da França, num local onde as mulheres fizeram suas histórias, quando tentava escrever a minha de uma nova maneira. Estava atrás de um sonho, que pude realizar juntamente com minha irmã, minha parceira nessa viagem, e o apoio de nossas famílias, conforme descrevi nesse post aqui.DSC01556DSC01555

                O esplendor do Castelo de Chenonceau, tal como podemos ver hoje, teve início com a intervenção de Thomas Bohier, intendente do Rei Francisco I, que adquiriu a propriedade em 1513. Na época, a propriedade não passava de uma fortaleza medieval com moinho, e para transformá-la em uma residência deslumbrante no melhor estilo renascentista, ele demoliu o antigo moinho, deixando apenas a torre medieval. Todo o trabalho de supervisão da construção, coube a Katherine de Briçonnet, esposa de Bohier. É assim que tem início a primeira das 7 damas a desempenhar um papel significativo para o castelo. É ela que toma todas as decisões em relação a arquitetura e decoração do Château, numa empreitada sem precedentes.

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                   Em 1533, o rei Francisco I confisca o castelo da família Bohier, e passa a frequentá-lo com sua família. Ao sucedê-lo no trono, em 1547, seu filho Henrique II, dá o castelo de presente para sua amante Diana de Poitiers. Ela faz várias melhorias no castelo, entre elas, a criação de um jardim e um pomar, com frutas exóticas para a época, e a construção de uma ponte com seis arcos sobre o Rio Cher, projeto do arquiteto Philibert Delorme.DSC01552

Quarto de Diana de Poitiers

Quarto de Diana de Poitiers

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                     Com a morte do Rei Henrique II, ferido em um torneio, sua esposa, rainha Catherine de Médicis, agora regente, expulsa a rival do Château. Inicia, então, as suas melhorias no castelo, tais como, a construção de novo jardim, perto do de Diane, além da mais significativa, que foi a construção de uma galeria em dois níveis sobre a ponte do Rio Cher. Na parte superior a rainha realizava festas espetaculares para homenagear seus três filhos, Francisco II, Charles IX e Henrique III.

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 Quarto de Catherine de Médicis

Quarto de Catherine de Médicis

                   Com a morte da Catherine de Médicis, em 1589, sua nora, Louise de Lorraine, casada com o Rei Henrique III, herda o castelo, e é lá que alguns meses depois recebe a notícia da sua morte. Abatida, se recolhe ao castelo, de onde não sairá mais até morrer, em 1601. Vive seu luto, isolada em Chenonceau dedicando-se a leitura, obras e as orações, em companhia das irmãs Ursulinas. Veste-se sempre de branco, em luto, como mandava a etiqueta da corte, sendo conhecida como a Dame Blanche. Sua morte marca o fim da presença real no Château, que fica em estado de abandono, até ser adquirido, em 1733, por Claude Dupin. Sua esposa, Louise Dupin, retira Chenonceau do ostracismo, dando-lhe vida novamente. É a era do iluminismo, e Louise organiza um Salão, como era costume na época, e conforme descrevi nesse post. Se cerca de escritores, poetas, cientistas e filósofos, tais como Montesquieu, Voltaire ou Rousseau. Protetora de Chenonceau, vai salvá-lo da Revolução Francesa.DSC01522

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                     Marquerite Pelouze, oriunda da burguesia industrial, adquire o castelo em 1864, e promove uma grande reforma, para devolver a aparência que ele tinha na época de Diana de Poitiers. E a última dama a fazer história em Chenonceau foi Simone Mernier, administrando, como enfermeira chefe, o hospital instalado nas duas galerias durante a primeira guerra mundial. A instalação e os equipamentos foram custeados pela família de Simone, a quem pertencia o castelo.Mais de 2000 soldados feridos na guerra, foram atendidos lá.

                      De alguma forma todas essas damas tiveram seus espaços preservados em Chenonceaus, e é simplesmente maravilhosa a arrumação dos arranjos de flores em todo o castelo. Não sei a quem atribuir os créditos pelas cozinhas, mas achei incrível! E principalmente quando pensamos em toda a logística utilizada para produzir as refeições à época. DSC01542DSC01541

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                    Depois de visitar Chenonceau, entendemos porque é tão visitado, é simplesmente maravilhoso. Acredito que a energia que essas damas utilizaram para torná-lo o que é hoje, de alguma forma permaneceu. Por mim teria ficado o resto do dia lá, mas ainda tínhamos mais dois castelos no roteiro, e assim tivemos que deixá-lo, o que foi feito por essa incrível alameda.DSC01559DSC01557

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