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Bélgica

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 A primeira vez que ouvi falar de Amélie Nothomb, uma escritora belga, foi durante minhas aulas de francês na Aliança Francesa. Estudei trechos do livro Stupeur et Tremblements, na Aliança do Recife, e características de sua personalidade exótica, na de Paris, e foi lá, que, passando por um sebo, avistei Hygiène de l”Assassin. Na época, já participava do projeto 198livros, e logo decidi que esse seria o escolhido para representar a Bélgica. Amélie Nothomb, é filha de um diplomata belga, nasceu em 13 de agosto de 1967, em Kobe, no Japão, onde viveu até a idade de cinco anos. O Japão, junto com a Bélgica, foram os países que constituíram sua identidade cultural.

Hygiène de l’Assassin foi o primeiro romance de Amélie, publicado em 1992, vendeu milhares de cópias, e foi trazido para o Brasil em 1998. De lá para cá, Amélie já publicou mais de 20 livros e recebeu vários prêmios, entre eles: Grande Prêmio do Romance da Academia Francesa; Grand Prix Jean Giono; Prix de Flore 2007. No livro, a escritora nos conta a história de Prétextat Tach, um prêmio Nobel da Literatura, que aos oitenta e três anos, descobre que tem um tipo raro de câncer nas cartilagens e que não tem mais que dois meses de vida. Quando chega ao conhecimento do publico, a proximidade de sua morte, jornalistas do mundo inteiro solicitam entrevistas privadas com o escritor. Ele que é um monstro de obesidade e misantropia, resolve conceder cinco entrevistas, pré selecionadas por seu secretário, de acordo com sua orientação. Elimina todos os jornais de línguas estrangeiras, pois ele só fala francês e não confia em nenhum intérprete; não aceita jornalistas negros, pois com o tempo se tornou racista; afasta canais de televisão, revistas femininas, jornais políticos e principalmente revistas de medicinas. Foi no dia 10 de janeiro, que a notícia de sua morte iminente, chegou ao conhecimento do público, e no dia 14, tem início a primeira das entrevistas com os jornalistas selecionados. Prétextat reflete em sua aparência obesa e asquerosa, o seu interior amargo e desagradável. Com os quatro primeiros, ele recebe mal, demonstra todo o seu desprezo pelos jornalistas, duvida da capacidade de ler e entender os seus livros, tortura-os a ponto de fugirem assustados. Até que chega a quinta jornalista, uma mulher. Nina, é uma jornalista-detetive, leu todos os seus livros, investigou suas origens e vai virar o jogo. As perguntas simples vão evoluir para um interrogatório, encontrando no passado o crime escondido em sua literatura. O livro é feito basicamente de diálogos, porque segundo a autora nenhuma forma de escrita se aproxima tanto da tortura.. Um romance eletrizante, com um final surpreendente.

Israel

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                      Recentemente terminei de assistir as duas temporadas da série Fauda, produzida pela televisão israelita. que aborda o conflito entre a Palestina e Israel, utilizando o gênero suspense político. A série é eletrizante(espero que produzam a terceira temporada), e está fazendo sucesso até entre os árabes. Fauda, é uma palavra árabe, para denominar “caos”. Quanto mais assistimos e lemos sobre o tema, mais ele nos parece indissolúvel. Claro que a série sendo uma produção israelita, é parcial, mas acredito que o fato de estar se tornando popular também na Palestina, é porque mostra, que no final estão todos no mesmo barco. E que são seres humanos acima de tudo, bons e maus, certos e errados! Acho que foi isso que Dorit Rabinyan pensava, quando escreveu o romance All the Rivers, baseado em sua própria história de amor com o artista palestino Hassan Hourani, a quem o livro é dedicado. Foi publicado em Israel em 2014, e no Reino Unido em 2017. A história de amor entre uma judia e um árabe, causou a maior polêmica em Israel, após o livro ter sido proibido pelo Ministro da Educação, no ensino médio, em 2015. Havia aqueles que a consideraram uma traidora, e os que a defendiam, alegando liberdade de expressão.

                                            Os personagens do livro são Liat e Hilmi, e o cenário é Nova York, pós atentados de 11 de setembro. Ela é de Tel Aviv,  uma judia de origem iraniana, tradutora, e está em Nova York, como parte do programa do seu mestrado em Literatura Inglesa. Ele é um artista palestino, de Hebron e Ramallah, e que já morava na cidade havia alguns anos. Apresentados por um amigo em comum, eles se sentem atraídos, apesar da rivalidade de seus países, e da impossibilidade de uma relacionamento entre eles. Hilmi diz a Liat três coisas logo no início; ele não sabe dirigir, nunca deu um tiro e não sabe nadar, e ela percebe depois da primeira noite, que deveria, para o bem de ambos, por um ponto final no relacionamento. No entanto, embora tenha essa consciência, o relacionamento evolui rapidamente. Pouco a pouco, vão se inteirando, de como as ações de cada país interferem na vida do outro, passando a ter uma nova visão do conflito. Mas apesar, dos pequenos contratempos, que suas diferentes realidades provocam, o amor que sentem um pelo outro, é a maior realidade que podem experimentar, ali longe, no inverno gelado de Nova York. E vivem numa bolha, aproveitando tudo que podem, pois Liat, tem data certa para voltar para Israel, onde é impossível se encontrarem! Uma linda história de amor!

Lima, a última parada – primeiro dia!

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                     Chegamos em Lima, com o coração leve, e astral lá para cima, depois de finalmente ter conhecido Machu Picchu, pois havia sempre o temor, de mais algum contratempo, que pudesse nos impedir.  Sei que todos recomendam começar por Lima, e deixar Machu Picchu para o final, mas a inversão da ordem, não alterou em nada o nosso encantamento com a cidade.  O primeiro dia foi um pouco tumultuado, apesar de muito divertido, por que as meninas só tinham aquele dia em Lima. Como mostrar o máximo de uma cidade, que você não conhece, para suas filhas, em apenas um dia? Era esse o desafio…  Bom, fizemos o melhor. Naquele primeiro dia, ainda sem conhecer o BRT-Metropolitano, optamos pelo táxi, que não é caro. O único problema, é o transito caótico da cidade, que nos fez perder um tempo enorme. Já no primeiro trecho, ao sair do aeroporto, para o nosso hotel em Miraflores, pegamos o maior engarrafamento, a sorte é que pudemos ir desfrutando da magnifica paisagem da orla, até chegarmos ao hotel.

Av. José Pardo

                O Hotel ficava muito bem localizado, entre a orla e a Av. José Pardo, uma avenida humanizada com jardins, ciclovia e passeio de pedestre no centro, uma delícia para caminhar. Depois de deixar as malas no hotel, saímos caminhando por essa avenida até o Parque Central de Miraflores, e Parque John F. Kennedy onde almoçamos. Pedimos comida tipica, mas o ceviche não fez minha cabeça.

Av. José Pardo

Parque Central de MIraflores

Parque Central de Miraflores

           Depois do almoço, resolvemos pegar um táxi, para ir para o centro antigo. De novo pegamos engarrafamento, loucuras no trânsito, tudo muito caótico, mas enfim, chegamos. E ficamos maravilhados com o Centro Histórico de Lima, que é Patrimônio da Humanidade, da UNESCO. As meninas pousando de blogueirinhas, e a gente de turista. Muito bom! Nesse dia visitamos os monumentos apenas por fora.  

                 Na dúvida sobre a melhor forma de otimizar o tempo restante das meninas, caímos numa roubada. Resolvemos contratar um passeio, que segundo o guia, daria uma volta pela cidade e finalizaria no Cristo, no topo de um morro, com uma vista incrível sobre toda a cidade de Lima. Mas não houve esse tour pela cidade, pelo menos não passamos por muito dos lugares indicados, e a subida até o morro era assustadora! Primeiro, se iniciava na periferia, e de cara jogaram uma ´pedra no ônibus, e depois a subida era feita por uma estradinha super estreita, com curvas tão fechadas que parecia que o ônibus estava voando, pois a parte de cima era aberta. Foi muito desagradável!

A vista prometida

Mais da vista

                      Para voltar para o hotel, mais engarrafamento, mas aí resolvemos encerrar a estadia das meninas com um super jantar, em um dos maravilhosos restaurantes nas proximidades do nosso hotel!

Farrinha no hotel antes do jantar – meninas se arrumando para viajar!

Egito

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Na dúvida, escolha um Premio Nobel, essa tem sido uma das máximas para minhas escolhas dos livros, nesse projeto, sempre que possível, claro. E foi assim que a escolha recaiu sobre Naguib Mahfuz, o primeiro autor de língua árabe a receber um Nobel, em 1988. Ele nasceu no Cairo, no bairro de Gamaliyya, em 1911, onde cresceu, e onde ambietou mais tarde, vários de seus romances. Formou-se em filosofia pela universidade do Cairo, em 1934, tendo publicado seu primeiro romance aos 17 anos. Possui uma vasta obra, simbolicamente dividida em quatro fases. Sendo a primeira, composta de romances históricos ambientados no Egito Antigo; a segunda, a partir de 1945 é considerada de cunho realista, e da qual fazem parte Trilogia do Cairo; na terceira fase aborda temas reflexivos e digressões filosóficas; e a partir de 1967, inicia um enfoque mais social e político. O livro escolhido, Miramar, pertence a essa última fase, e foi publicado em 1967.

O romance é ambientado na cidade de Alexandria, no início dos anos 60, na elegante e decadente pensão Miramar. O início do romance coincide com a chegada do primeiro, dos quatro hóspedes(Amer Wagdi, Hosni Allan, Mansur Bahi e Sarhan Al-Biheiri), e da jovem e bela camponesa Zohra, que chega a procura de emprego, e junto com a dona da pensão, Mariana, comporão os personagens da história. Por razões diversas os quatro hóspedes, procuraram a pensão Miramar, para nela residir. Em torno de Zohra, e do seu relacionamento com os hóspedes, se desenrolará toda a ação do livro, até que a uma certa altura, um deles aparecerá morto. Teria se suicidado? Quem teria interesse na sua morte? O livro, está dividido em 5 capítulos, narrados pelos hóspedes, sendo que Amer Wagdi, o mais velhos deles, é quem inicia e faz o fechamento. Através do relato de cada um, vamos conhecendo-os mais intimamente, e obtendo maiores esclarecimentos sobre os estranhos acontecimentos. Uma excelente história, que nos conecta a situação política e social do Egito naquela época, após sua independência. Narrado de forma fluída prende a atenção, até o desfecho. E tem uma capa linda!

Rússia

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  Por incrível que pareça, até o ano passado, eu só tinha lido um clássico da literatura russa, Crime e Castigo, de Dostoiévski. No último trimestre resolvi seguir alguns projetos e entrei com tudo nos clássicos russos, o que me deixou no maior embalo em relação a essas leituras. A escolha de apenas um, para o projeto seria difícil, se Camila, não tivesse proposto uma leitura coletiva, de uma escritora contemporânea: The Mountain and The Wall, de Alisa Ganieva. 

A escolha desse romance trouxe algumas dificuldades e considerações, porque a história se passa no Daguestão, local de nascimento da autora, e do qual nada sabia; o que me levou de volta as minhas pesquisas, que me deram um enorme prazer. Assim, descobri que o Daguestão é uma república autônoma, que faz parte da Federação Russa, com uma população de 2.910.249 de habitantes, e diversas etnias. A língua russa é a principal língua oficial e o elo de ligação entre as diversas etnias. Essa, foi uma das dificuldades, da leitura, pois este foi o primeiro romance daguestanês, a ser traduzido para o inglês, e muitas expressões permaneceram em seus idiomas originais, e mesmo com o glossário, no final do livro, senti dificuldades para assimilar os termos. Pelo que entendi, os conflitos ali já existem há bastante tempo, pois de um lado está a Rússia cobiçando as terras do cáucaso, por sua posição estratégica; entre o mar negro e o mar cáspio, bem como o acesso a outros países; seus recursos naturais; fontes minerais e o agronegócio, além das reservas petrolíferas e de gás natural; e por outro lado a região do cáucaso, com uma etnia, cultura e religião islâmica, diferentes, e que não querem ser russos. No início, o conflito era apenas de ordem nacionalista, queriam a separação, e a religião muçulmana era apenas uma questão de escolha.  Porém com a ofensiva russa, que eliminou as principais lideranças separatistas, entraram em cena lideranças mais radicais, com a figura dos jihadistas, e que fazem parte da guerra santa global.

É basicamente este o cenário onde se desenvolve o romance de Alisa Ganieva, com a decisão da Rússia de construir um muro, para se proteger da tensão crescente, e do aumento da violência, nas províncias muçulmanas. Os rumores dessa decisão só tendem a aumentar a tensão crescente e a violência na região. Quem narra os acontecimentos é o protagonista, Shamil, um jovem repórter, que vê seu mundo desmoronar, tanto a nível pessoal, ao ser dispensando pela noiva, que o deixou para casar com um fundamentalista islâmico, quanto junto a família e os amigos, com a crescente tensão, provocada pelo avanço dos fundamentalistas, na comunidade local. Além, da situações vividas pelo protagonista, participamos junto com ele da leitura de diversos livros, de forma a contextualizar o leitor no universo deles. O sofrimento enfrentado por Shamil, vai transformá-lo, fazendo dele uma pessoa mais amadurecida. Não foi uma leitura cativante, primeiro pelo próprio enredo, e depois por se tratar de um tema bastante específico, que requer um esforço para assimilação, pelos termos difíceis de traduzir, e que impedem a leitura de fluir.

Barein

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     Mais um destino desconhecido que visito através da literatura, e mais um que deixa um enorme desejo de visitar in loco, depois de me aventurar pelas imagens surpreendentes, e dicas de quem já o visitou. Só para se situar, o Barein, é um pequeno pais insular, situado no Golfo Pérsico, tendo por fronteiras marítimas, o Irã, o Catar e a Arábia Saudita. Embora seja uma ilha, existe uma ponte de 25 km, que liga o país a Arábia Saudita.  Apesar de ser um país muçulmano, é bem mais liberal do que os outros países árabes, e graças a liberdade que se encontra em Barein, tornou-se um destino muito atrativo para turistas, principalmente para aqueles, que vivem na Arábia Saudita, onde as restrições religiosas interferem na liberdade. Assim, para quem vive na Arábia Saudita, é só atravessar a ponte e já está em outro mundo.

Yummah, primeiro romance da escritora barenita Sarah A. Al Shafei, foi o livro escolhido para representar o país neste projeto. O livro conta a história de Khadeeja,  narrado por ela mesma, iniciando-se com seu casamento aos 12 anos, com um noivo escolhido por sua mãe, mas que era um estranho para ela. Para gente também é muito estranho, esse tipo de casamento, quase um crime, mas esse era o costume no Barain, naquela época. O romance continua com Khadeeja contando sua história, e a história da sua pequena ilha, como ela chama. Assim ela descreve o seu casamento, a ansiedade e o medo, que antecederam a noite de núpcias, e depois a descoberta do amor, e da vida em família, com os nove filhos. Também vai conhecer o sofrimento com a perda do filho querido; o abandono do marido, que saiu de casa, deixando-a só com oito filhos e grávida do nono; as dificuldades financeiras, e a luta para criar os filhos. Por outro lado, vamos acompanhando as mudanças e acontecimentos no país, como a independência do Reino Unido, a guerra do Iraque, etc. E através do relacionamento dos filhos vamos acompanhando a evolução nos costumes. Mas nada disso interfere no forte vinculo que ela soube criar, para manter a família unida. A palavra “yummah”, significa avó, a avó que Khadeeja se torna como matriarca da família.

Estônia

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                         Somente após a primeira guerra mundial, foi que a Estônia pode se estabelecer como país, e mesmo assim, por um curto período(1918-1940). Até então, eram um povo buscando uma identidade como nação. Estiveram sob domínio dos finlandeses, suecos, dinamarqueses, alemães e russos. O domínio russo começou a partir do final do século XVIII, quando foi anexado ao Império Russo, depois de sucessivas guerras. Foi durante esse século que foram criadas as universidades no país, propiciando um maior crescimento e valorização da cultura estoniana, e da utilização do idioma estoniano. Precisei fazer uma pequena pesquisa da história da Estônia, para poder me situar no contexto histórico em que se passa o romance O Louco do Czar, de Jaan Kross, escolhido para representar o país no #198Livros.

                     Jaan Kross, nasceu em Tallin, em 1920, e formou-se em direito internacional, na Universidade de Tartu. Foi professor até 1946, desta mesma matéria, e professor de Artes Liberales em 1998. Por suspeita de “nacionalismo”, ou seja de militar pela soberania de sua pátria, passou 10 anos preso, tendo sido foi deportado para a Sibéria. Desses 10 anos, 06 passou no Gulag de Vorkuta. Ele é um dos escritores estonianos mais conhecido e traduzido, sendo sua principal característica, o relato da história e cultura do povo estoniano.

                         De todos os romances de Kross, O Louco do Czar é o mais conhecido e traduzido (14 idiomas). Conta a história do coronel Timoteus von Bock, um nobre, barão do báltico, ex-ajudante de ordens do czar Alexandre I, e um dos seus amigos mais chegados. No entanto, esta amizade não impediu que Timo fosse enviado para a masmorra por nove anos, e declarado louco, além de passar a ser alvo de rigorosa vigilância, depois que foi libertado, sem poder sequer se ausentar de sua propriedade. Qual teria sido o crime cometido por uma pessoa que gozava da mais alta estima e confiança do czar? Foi seu cunhado, Jakob Mettich, um camponês e servo emancipado, assim como Eeva, a irmã, com quem Timo se casou, quem relata suas descobertas num diário secreto. OJakob descobre que Timo havia enviado ao soberano, a quem tinha se comprometido de sempre dizer a verdade, um projeto de Constituição Liberal, como forma de deter o poder absoluto dos czares autocratas da Rússia. Os fatos relatados no livro são reais e foram extraídos desse diário, que se inicia a partir do retorno de Timo da prisão, em maio de 1827, e continua por uma dezena de anos. Durante a narrativa, ele nos leva a conhecer a fascinante personalidade de Timo, o grande amor que viveu com sua Eeva, a sociedade da época, e a busca da Estônia pela sua identidade como nação, sem dúvida um excelente romance. Vale a pena a leitura.

 

Chinchero e o último jantar no Vale Sagrado

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                 Ao final da nossa visita a Machu Picchu, pegamos o trem de volta, para Ollantaytambo, e de lá, contratamos um táxi, para nos levar para Cuzco, aonde passaríamos nossa ultima noite, antes de ir para Lima. No meio do caminho, o motorista perguntou se não gostaríamos de conhecer Chinchero,  e  visitar os ateliês onde mulheres exibem o processo que sofre a lã de alpaca até tomar a forma que vemos nas roupas. Chinchero é um pequeno povoado que fica a 28 km de Cuzco, e 3.760 metros de altitude, na estrada de Urubamba, Vale Sagrado. Vimos pouco da cidade, demos um giro pelas ruas e em seguida paramos em um dos ateliês.

Gabi assistindo a demonstração das artesãs.

                  O local é muito simples e tudo bem artesanal. Primeiro elas nos acomodaram, serviram chá quentinho e nos deram mantas para passar o frio. Só então começou a demonstração do trabalho delas.

Fazendo a tinta

Tingindo a lã

Fazendo a roupa

                 As artesãs explicam todo o procedimento que sofre a lã de alpaca até se tornar roupa, do tingimento, a fabricação dos fios. Claro que, depois elas convidam a conhecer a exposição de todos os produtos, na expectativa que comprássemos alguns. Não é barato, mas pelo menos temos a certeza, da autenticidade e originalidade.

Exposição dos produtos

                   Depois da demonstração e das compras, veio a farra, com as lhamas e as roupas típicas, que fizemos questão de vestir, como autênticos peruanos.

Daniel ganhando a confiança da amiga lhama

Curtindo as lhamas

A familia reunida

Posando de peruana

                      Terminada a visita, voltamos para a ultima noite em Cuzco, saimos para jantar no excelente Capriccio, indicação do pessoal da nossa pousada. Achamos tudo maravilhoso, a gentileza do atendimento, o tempero do chef junto com a nossa alegria. Mais uma farrinha em família para contabilizar.

                     Partiu Lima!

Haiti

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               De acordo com o provérbio crioulo: O Lápis do bom Deus não tem borracha, não há como fugir ao destino irreparável, pois ele anda sempre a espreita. Foi esse proverbio que Louis-Philippe Dalembert, romancista haitiano, natural de Porto Príncipe, usou para título do romance, que retrata a infância vivida em Bel-Air, um bairro pobre situado as margens da baia de Porto-Principe. Louis-Philippe, deixou o Haiti, depois de ter se formado em jornalismo, e trabalhado nessa área em seu país natal até ir para França, para estudar Literatura Comparada, na Sorbonne, onde obteve o titulo de doutor. Poliglota(7 idiomas), já rodou o mundo, percorrendo sucessivamente, Haiti, França, Itália, Tunísia, Israel, Alemanha, África do Sul, Congo, Cuba e Brasil. Recebeu vários prêmios internacionais, entre eles o “Casa de las Américas”. Atualmente vive entre Itália, Paris e Porto Príncipe.

No livro, o protagonista retoma a cidade natal, depois de um prolongado exílio, na expectativa de reviver a infância tão presente em sua memória. No entanto nada encontra, nem os locais por onde viveu e passou, nem as pessoas que foram importantes em sua vida, principalmente Faustino, uma controvertida figura, mas que exerceu uma enorme influência para o menino. Depois da tentativa frustada de encontrar com Faustino, ele volta ao passado,  para o período em que viveu naquele bairro popular as margens da baia de Porto-Pinto, tendo um Peugeot 304 abandonado no quintal, como companheiro de brincadeiras, uma varanda como cenário, um galo, a avó severa, e suas tias-avós, e principalmente Faustino, de quem nada sabe, a não ser os cuidados que dispensava ao menino. E é com o amor que lhe devota, que imagina como seria a vida de Faustino, preenchendo com a imaginação as lacunas de sua vida, pelo menos as que lhe são desconhecidas. O autor divide o romance em duas partes, a vivida pelo menino, e aquela a que pertenceu Faustino, segundo sua imaginação, alternando os capítulos, e mesclando prosa e poesia.

Coreia do Sul

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                     Kyung-Sook Shin, nasceu em 1963, numa pequena vila rural, perto da cidade de Jeongeup, na Coreia do Sul. Aos dezesseis anos mudou-se para Seul, para trabalhar numa fábrica de componentes eletrônicos, enquanto frequentava uma escola noturna. Foi durante um período de greve da empresa, que iniciou seu caminho na literatura. Aproveitava as paradas, para copiar num caderno de anotações, os trechos do romance que lia. Posteriormente, frequentou um curso de escrita criativa, no Instituto de Artes de Seul, publicando sua primeira novela, aos 22 anos.  Escreveu 7 romances, 7 coletâneas de contos e três obras de não-ficção, tendo recebido inúmeros prêmios na Coréia do Sul, onde é muito lida, e aclamada, além de ter recebido o prêmio Dong-in Literary e o francês Prix de l’Inaperçu. Divide o tempo entre Seul e Nova York, onde atualmente, é professora visitante.

                      Por Favor, Cuide da Mamãe, foi o livro escolhido para representar a Coreia do Sul, no projeto #198 livros, e o sexto romance escrito por Kyung. Publicado em 2008, na Coreia do Sul, foi a primeira obra sul coreana, a entrar na lista dos mais vendidos do The New York Times e a ficar entre os dez melhores livros de ficção escolhidos pela Amazon. Vendeu mais de 1,5 milhões de cópias, e foi publicado em 23 países. Segundo a autora, esse livro foi escrito para sua mãe. E o desejo de escreve-lo surgiu aos 16 anos, quando viajavam juntas, num trem para Seul. Ao olhar para mãe, viu como ela tinha um olhar solitário, então prometeu que um dia escreveria um livro e o dedicaria a ela.

                    O ponto de partida, é o desaparecimento de uma mãe, chamada Park So-nyo, de 69 anos, no meio da multidão, quando chegava com o marido, em Seul, para visitar os filhos. A história retrata a luta desesperada da família, para encontrá-la, e é narrada, de forma inusitada, por 4 narradores; a filha mais velha, o filho, o marido, e ela própria. Na verdade, há um só narrador, que dialoga com eles através de suas lembranças, trazendo-as de volta, para que através dessa realidade, vivenciada por eles, possam entender quem de fato era a mãe deles, e as dores pelas quais passou. Pois eles só a viam como mãe, e esposa, e não como uma pessoa com necessidades próprias, e é necessário fazer esse reconhecimento, para poder se aproximar mais dela. É um livro muito triste, pois o processo é doloroso, reconhecer, agora que a mãe não está ali, o que poderia ter sido feito para fazê-la mais feliz. Um livro que nos faz pensar, questionar, tentar encontrar uma maneira de estar mais próximo daqueles que amamos. Mas, o livro ainda vai além, através das lembranças dos personagens, vamos viajar pela Coreia, conhecendo suas tradições, como a Lua Cheia da Colheita; os rituais ancestrais do ano novo; a gastronomia, e traçar um retrato da atual Coreia.