Arquivo da categoria: França

Vale do Loire

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                      Para encerrar a viagem com chave de ouro, planejamos conhecer o Vale do Loire no último final de semana. Depois de entregar o apartamento, deixamos toda a grande bagagem na casa das meninas, em Paris, e partimos. Fomos direto para Tours, de trem, pois como a cidade é conhecida como a porta de entrada do Loire, decidimos montar lá nossa base. Reservamos hotel para duas noites, e acertamos com a locadora para pegar o carro no dia seguinte a nossa chegada, pois não precisaríamos dele em Tours, já que a cidade é pequena, e dá para percorrer a pé. Minha vontade era de fazer pelo menos uma parte do caminho de bike, pois sei que existem vários passeios. Mas, diante das circunstâncias, de pouco tempo e do clima, ainda frio, me rendi as evidências, e ficou só na vontade. Ficou para uma próxima vez.

                      Depois de muito planejar, o roteiro ficou assim; no primeiro dia, incluindo o deslocamento ficamos em Tours. No dia seguinte, pegamos o carro na locadora, e seguimos primeiro para Villandry, depois Saumur, Chinon, Azay-le Rideau, Montrésor e Amboise. No último dia, Chenonceau, Blois e Chambord. Não foi fácil montar esse roteiro, diante da enorme variedade de opções que a região oferece. Dos inúmeros castelos, as pequenas cidades, passando pela produção de vinhos, espumantes, aspargos, champignos e por ai vai.  Chegamos a conclusão que não daria  para entrar em todos os castelos, apesar da grande tentação, pois além do tempo não permitir, ficaria muito cansativo. Como estávamos em quatro, também tinha que haver um consenso nas escolhas.

                    Cada viagem, é uma aventura diferente, variam os companheiros, os lugares, o tempo, os motivos, mas sempre é uma alegria, conhecer novos lugares, rever outros, e simplesmente flanar pelo mundo afora e voltar com a alma tranquila e rejuvenescida. Rodando ao lado do rio Loire, com toda aquela paisagem ao nosso redor dá para entender porque a realeza  escolheu aquele lugar para construir seus castelos. A viagem foi curta, mas deu para conhecer um pouco do Loire, e se divertir muito!

                 A medida que for escrevendo os posts, vou fazendo o link com o roteiro que mencionei acima.

Voltei Paris!

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             Interrompi a sequência de posts da temporada passada, para tentar postar em tempo real, como pretendia no ano passado, e não consegui, e já que prometi este ano, estou fazendo um esforço. Dessa vez estou acreditando que possa conseguir por estar mais ambientada com as ferramentas do blog, então talvez funcione. Vamos trabalhar. Quando eu cheguei Paris estava assim.

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             Tempo maravilhoso e todos na rua! E acho que como estava fazendo calor, todos, mas todos mesmo estavam tomando rosé! Como quem está na chuva é para se molhar, olha aí o nosso rosé!

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Abaixo, meu compromisso maior, para onde vai minha energia, a escola de francês, Alliance Française Paris Ile-de-France.

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Os arredores da minha casa, em Saint Germain des Prés.079

 

Saint-Germain-en-Laye

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DSC01254                  Situada a 20 km de Paris, Saint-Germain-em-Laye, fica no departamento de Yvelines, na região de Île-de-France, facilmente acessível por trem, o RER, linha A1. É uma viagem muito agradável, se é que se pode chamar de viagem, um trajeto tão curto. Durante o percurso, o que vemos pelas janelas do trem, são os arredores de Paris, uma sequência de casas residenciais simpáticas, com lindos jardins, ruas arborizadas, e o Sena, serpenteando. Saint-Germain-em-Laye é a última parada da linha A1 do RER, e a estação de trem fica no centro da cidade. Uma cidade muito charmosa, que vale a pena explorar, caminhando pelas suas ruas. Foi o que fizemos, antes de parar para um sorvete e começar a visita ao Château.

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   DSC01238DSC01246           O Château de Saint Germain-em-Laye, é mais uma dentre tantas residências reais, fica no alto de um planalto, e de lá se tem uma vista indescritível de Paris, graças ao terraço de pedra, de 2,4 km de extensão construído por André Le Nôtre, entre 1669 e 1673, a partir dos jardins criados por Étienne Du Pérac. Os jardins são maravilhosos, adorei andar no meio de tanto verde, e o melhor é que eles continuam até se misturar com o bosque de Saint-Germain-em-Laye.

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                 Depois de explorar toda área externa, fomos conhecer a parte interna. Estava intrigada por ter visitado o pavilhão onde funciona o Hotel Pavillon Henrique IV, cujo restaurante possui um terraço com uma vista incrível, e ter descoberto que o quarto onde nasceu Luis XIV, em 1638, fica ao lado desse restaurante.  Ora o Château ficava bem próximo, mas mesmo assim era outro prédio. Só descobri o mistério, ao indagar aos funcionários do antigo castelo, agora Musée d”Archéologie Nationale.

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                   A história é a seguinte: A primeira residência real foi construída em cima de um planalto e ao lado da floresta, em 1122, pelo rei Luís VI, o gordo. No período de 1234 a 1238, o rei São Luís ampliou o castelo, financiando a construção de uma capela, com o objetivo de manter as relíquias da paixão de cristo que tinha adquirido de Baudouin II. Essa capela em estilo gótico foi projetada pelo mesmo arquiteto, da Sainte Chapelle em Paris.O castelo foi ampliado no fim do século XIII com a construção de uma torre.  Em 1346, depois da guerra dos cem anos, o castelo foi incendiado pelas tropas do Príncipe Negro, filho do Rei da Inglaterra, que poupou apenas a torre e a capela.

Château Vieux com a capela ao fundo.

Château Vieux com a capela ao fundo.

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                 O Rei Carlos V providenciou a reconstrução do château entre 1364  à 1367. Francisco I, que se casou na capela do Château, passou mais de 1000 dias do seu reinado em Saint-Germain-em-Laye, o dobro do período que ficou em Fontainebleau, decidiu reconstruí-lo em 1539. Conservando mais uma vez, a torre e a capela, um novo castelo é reconstruído sobre as fundações do primeiro, sendo os trabalhos concluído por seu filho Henrique II. Ele também ampliou o Château, anexando a extremidade do terraço do lado do Sena, o “Château Neuf(novo)”, sendo a construção concluída por Henrique IV. Embora tenha nascido no Château Neuf, Luis XIV passou a maior parte de sua infância no “Château Vieux” que era  o seu preferido. Em 1660, se instala definitivamente no Château Vieux, abandonando o Neuf que foi praticamente todo demolido. Luis XIV contratou Le Nôtre para recriar os jardins, e Jules Hardoin Mansard para ampliar o castelo, projetando mais 5 pavilhões.

Maquete do projeto de Jules Hardouin

Maquete do projeto de Jules Hardouin

                 No entanto esses pavilhões não foram jamais concluídos, pois em 1682, a corte deixa Saint-Germain-en-Laye se instalando definitivamente em Versailles.

Épernay

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        “Épernay é a cidade do vinho champanhe. Nem mais nem menos” dizia Victor Hugo. A primeira casa de champanhe foi fundada, pelos irmãos Chanoine, em 1730, um ano depois da Ruinart, em Reims.  A cidade abriga também a famosa Moët & Chandon, a casa Mercier e De Castellane.

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                   Conforme comentei no post sobre Reims, fizemos uma parada estratégica, de algumas horas, em Épernay.Foi a consequência do atropelo na hora de comprar as passagens ainda em Paris. Na ânsia de acertar a compra na maquininha, cinco mulheres se atropelaram e adquiriram passagens de ida e volta,(aller et retour), sem observar os detalhes da compra. Resultado, o bilhete da volta era de um trem que faria uma conexão de mais ou menos três horas em Épernay. Apesar do erro, a situação não era irremediável, poderíamos ter trocado o bilhete, mas resolvemos aproveitar a oportunidade, transformando o erro em acerto. E assim, desembarcamos em Épernay, para uma journée de três horas. Por ser pequena, e a estação estar localizada bem no centro (como na maioria das cidades francesas), teríamos tempo para dar uma volta na cidade e jantar.

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                    Claro que pela hora que chegamos, as maisons de champagne já estavam fechadas, mas só estar ali passeando pelas ruas da charmosa Épernay, já estava valendo a pena. Passamos em frente a Maison de Moët & Chandon, e já que não podíamos entrar só nos restou posar para algumas fotos com Dom Perignon. A degustação do champagne restringiu-se a taça que acompanhou o jantar.

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Reims

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                             Reims entrou para minha lista particular de #lugaresqueprecisoconhecer# depois de ler “A Viúva Clicquot” de Tilar J.Mazzeo. Ela conta a história de Barbe-Nicole Clicquot Ponsardin, La Veuve Clicquort, que nasceu e viveu em Reims(1777-1886). Barbe-Nicole ficou viúva aos 27 anos, e decidiu assumir os negócios do marido, numa época em que as mulheres estavam destinadas a serem somente mãe e esposa, construindo um império do champanhe. Tornou-se a primeira mulher a se tornar uma celebridade no mundo dos negócios. Assim, depois de conhecer a história dela, fiquei curiosa para conhecer e passear pelos lugares e ruas por onde ela passou, inclusive a cidade vizinha, do seu concorrente Moët & Chandon, Epernay.

                             Mas não era só a história de Barbe-Nicole, que me atraía a Reims. Considerando que estava fazendo um roteiro da evolução das principais catedrais góticas da França, não poderia deixar de conhecer sua bela catedral onde todos os reis franceses eram coroados, e onde os anjos sorriam. Além, claro do Palácio Tau ao lado da catedral, residência dos reis da França durante as cerimônias de coroação. Do século X ao século XIX 32 reis franceses foram coroados em Reims.

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A visita a Reims foi bem divertida, saímos da Gare de l’Est e em menos de uma hora chegamos ao nosso destino. Não fizemos roteiro, nem planejamento prévio, decidimos na hora como passaríamos o dia. Só tínhamos conseguido agendar uma visita no Domaine Pommery, pois as visitas a Maison da Veuve Clicquot só começariam a partir de junho,o que me deixou um pouco frustada e da Champanhe Ruinart em abril/2014, pois estava em obras. Mas visitar uma cave de champanhe já estava de bom tamanho, então saímos da gare, e decidimos visitar o Domaine Pommery, pela manhã. Pegamos um mapa e fomos caminhando até lá.

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               Quando chegamos no Domaine, o clima estava maravilhoso, e não saberia dizer se foi o calor da caminhada ou a temperatura que havia subido. Mas não durou muito, apenas o suficiente para atravessar o gramado. Olha o céu como está escuro! Começaram a cair os primeiro pingos de chuva, mas quando olhei para o chão vi que eram branquinhos e só então percebi que era granizo. E lá vamos nós de volta aos casacos.

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                          A casa de champanhe Pommery, assim como a Clicquot foi o resultado do empreendorismo de duas viúvas. A  Veuve Clicquot orgulha-se de ter descoberto a solução para eliminar os depósitos residuais nas garrafas de champanhe, através da colocação das garrafas em estantes de madeira perfurada, e a Pommery de ter inventado o Brut. Mas existem ainda outras caves em Reims que podem ser visitadas como a Ruinart,  Laurent-Perrier e Taittinger.

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                            Após a visita a cave e degustação, voltamos para o centro da cidade para almoçar, antes de seguir para a catedral e o palácio de Tau. Nós visitamos primeiro a catedral e depois o palácio, mas acho que o correto teria sido inverter a ordem. No palácio está a coleção de esculturas originais, que fizeram parte da catedral, e que foram salvas da destruição total durante as duas guerras mundiais, pelos cidadãos de Reims. Eles as esconderam em cavernas onde se armazenavam os vinhos. É incrível olhar de perto para as esculturas, ver o tamanho real delas. A gente não faz idéia, de como elas são enormes, apenas olhando para a impressionante catedral, e ver o local onde elas estariam.

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                            Apesar de não ter visitado a Maison Clicquot e nem ter visto a casa de infância de Barbe-Nicole, o Hôtel Ponsardin, que foi comprado pela prefeitura de Reims e hoje funciona a Câmara de Comércio Local, foi um passeio maravilhoso. E sempre é bom deixar um motivo para voltar nos lugares que visitamos. Em compensação, nosso trem de volta deu uma parada estratégica em Epernay, e pudemos dar uma volta na cidade. Mas isso ficará para outro post.

Tour Jean Sans Peur

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                             Quando o rei Felipe Augusto(1180-1223) construiu uma fortaleza interligada por uma muralha de cinco quilometros que circundava Paris, englobando uma área de 243 hectares, no século XIII, ele queria proteger a cidade e garantir a segurança da população. Sentindo-se protegidas, numa época de muita insegurança, elas sairiam do campo e construriam suas casas junto ao muro, o que de fato aconteceu. A Tour de Jean sans peur  era parte do palácio que foi construido por Robert d’Artois sobrinho de S. Luis.

                               Ao final da construção, iniciada em 1270, o palácio, ou Hôtel d’Artois, estava metade dentro e metade fora do muro de Felipe Augusto, permitindo que seus ocupantes atravessassem Paris sem presisar descer as ruas.  Após o casamento da herdeira de Robert, Marguerit com o Duque de Bourgogne, o palácio passa a se chamar Palácio dos duques de Bourgogne.

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                             A Tour Jean sans peur, é o que restou do palácio dos duques de Bourgogne, e era a mais alta torre civil medieval da capital, à sua época. Tinha 27 metros de altura, quando a altura máxima dos prédios da cidade oscilava entre 8 e 10 metros. Desde 1999, a torre transformou-se em um pequeno museu, onde é possível conhecer a história, arquitetura civil medieval, e o cotidiano dos habitantes da cidade.  Com esse propósito de tornar conhecida a realidade daquela época, são realizadas também exposições temporárias com temas diversos. Quando visitamos a torre em maio/2013 o tema da exposição temporária era sobre as festas civis, e atualmente está em exposição “a escola na idade média“.

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                                            Ao final da escada em espiral encontramos uma obra prima da escultura medieval francesa do século XV, a aboboda vegetal, com motivos heráldicos representando três espécies diferentes de vegetais: o carvalho que representava Phillipe Le Hardi(o pai), o espinheiro branco representando Marguerite de Male (a mãe) e o lúpulo, representando o filho, Jean sans peur. Imagine agora que essa escultura era pintada, sendo o fundo azul, as folhas verdes e o caule marron.

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                              No quarto do duque, apesar de ser utilizado para reuniões, uma surpresa, quase uma suite, com um banheiro que contrariamente ao que era utilizado à época, não lançava os dejetos no exterior, mas tinha um tubo da espessura de uma parede que desembocava num buraco no subsolo. Ao lado do banheiro, tinha um jarro, bacia e toalha para lavar as mãos. DSC01314DSC01311

                             No último andar, no sótão, vamos encontrar exemplares das roupas que os duques vestiam e painéis demonstrando como era a vida naquela época.

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                              As exposições temporárias acontecem no subsolo e a cada ano é feita uma nova programação, que incluem temas relativos ao cotidiano medieval, incluindo conferências e concertos.

                              A Tour Jean sans peur localiza-se na 20, rue Étienne Marcel, 75002 Paris

Metrô : linha 4, estação Étienne Marcel

Ônibus : linha 29, parada Turbigo / Étienne Marcel

Rouen

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                         Foram vários os motivos que nos levaram a Rouen, capital da Normandia.  Em primeiro lugar, foi para lá que Joana d’Arc foi levada, depois de ter sido aprisionada em Compiègne, e perder a vida na fogueira. É lá também que se encontra a Catedral Gótica, Notre-Dame de Rouen, cuja fachada Monet pintou nada mais do que 31 vezes e a Ponte Boieldieu, sobre o Sena, que foi retratada por Camille Pissarro, entre 1896 a 1898, em três séries. Além de Monet, e Pissarro, outros impressionistas fizeram de Rouen  um verdadeiro atelier em tamanho natural. Foi lá que nasceu o movimento impressionista, quando Monet, Renoir e Sisley descobriram a luz as margens do Sena. E assim Rouen serviu de inspiração para outros pintores dessa nova forma de expressão.  Foi fundada na época do império romano, mas conserva principalmente características medievais. Nada melhor do que andar e se perder por suas ruas estreitas, para conhecer e apreciar os edifícios com sua arquitetura medieval e renascentista típica da Normandia.

                            Rouen fica a 130 km de Paris, saindo da Gare Saint Lazare, num trem direto a viagem dura em torno de 1 hora. É uma viagem muito agradável, o tempo todo o trem segue acompanhando o curso do rio Sena. Tivemos sorte, pois apesar do frio, não estava chovendo. Ao sair da estação,  caminhamos em linha reta, e logo avistamos  a Tour de Jeannne d’Arc.

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Ponte levadiça e o fosso.
Ponte levadiça e o fosso.

                            Essa torre, de 35 metros de altura, é o único vestígio do castelo construído pelo rei Felipe-Augusto, após conquistar a Normandia, em 1204. O castelo foi construído sobre as ruínas em forma elíptica de um anfiteatro gallo-romano, do Século II D.C., daí seu formato poligonal. Na verdade, a torre era o donjon do castelo.

Maquete do castelo de Felipe Augusto

Maquete do castelo de Felipe Augusto

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                             Foi para essa torre que Joana d’Arc foi levada em 09 de maio de 1431 para ser submetida a tortura. Após ser apresentada aos instrumentos de tortura Joana teria dito, aos 12 juízes e 02 torturadores, “Mesmo que cortem os meus membros e arranquem a alma do meu corpo, não direi o contrário, e se disser o contrário, direi depois de ter sido obrigada a falar a força…”. Apesar de tê-los comovido, a ponto de não ter sido tocada, não foi suficiente para livrá-la da morte da fogueira.

Rue de Jeanne d'Arc

Rue de Jeanne d’Arc

DSC01064DSC01063                               Depois de visitar a torre, descemos  pela rue de Jeanne d’Arc, e seguimos batendo perna até chegar a Place de Vieux-Marché. Apesar das muitas construções com arquiteturas características da Normandia e lojinhas de souvernirs, não é uma praça muito agradável,  talvez por sabermos que foi lá que armaram a fogueira que matou Joana d”Arc.  Até quatro meses antes da nossa visita, existia o Musée Jeanne d’Arc, ao lado desse antigo restaurante, cheio de bandeiras na fachada, mas foi desativado. Désolée!

Place de Vieux-Marché

Place du Vieux-Marché

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                              Depois de uma volta na praça, seguimos nossa caminhada e chegamos a rue du Gros Horloge, um dos mais antigos relógios da Europa. Embora tenha sofrido uma reforma, pode-se ver o arco renacentista que substituiu o campanário medieval de madeira, ainda é o mesmo relógio que marcava as horas quando Joana morreu. É possível subir e conhecer sua estrutura interna, além de poder ter uma vista fantástica da cidade. Em maio de 2013, custava 6 euros a entrada.

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Vista da Catedral de dentro do Gros Horloge.

Vista da rue du Gros Horloge com a Catedral ao fundo, de dentro do relógio.

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                              Depois de conhecer a famosa Catedral, fomos até o Musée de Beaux-Arts, com telas de Caravaggio, Velázquez, Delacroix, Modigliani e dos impressionistas, incluindo Monet, claro. Ainda pudemos participar da 2ª edição do Festival Normandie Impressionniste.

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Entrada do Musée de Beaux-Arts

Entrada do Musée de Beaux-Arts

                             Antes de pegar o trem de volta para Paris, fomos até as margens do Sena conhecer a paisagem e a ponte Boieldieu, retratada por Camille Pissarro. Descobrimos que alí perto, estava o local de onde foram atiradas as cinzas de Joana d’Arc no Sena. Um passeio maravilhoso, um encanto de cidade.

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Musée Carnavalet

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                                 No auge da era do “Iluminismo”, os salões parisienses, comandados pelas “salonières”, eram os locais de efervescência, onde se discutia política, religião, literatura e principalmente novas idéias. Ser salonière tornou-se quase uma carreira, e era incrível o poder das mulheres que lideravam esses salões, elas eram ouvidas e respeitadas. Promoveram a carreira de muitos escritores, além de exercerem uma grande influência também no mundo das artes e da política. Ser convidado para esses salões era sinal de grande prestígio. Deles participaram dentre outros Voltaire, Rousseau, Montesquieu, Diderot, D’Alembert, Beccaria, Locke e Newton. Elas também competiam entre si, disputavam convidados espirituosos e celebridades literárias. Mme. De Rambouillet, Mme. de La Fayette e Mme de Sévigné são algumas dessas poderosas salonières.

                                     Além de poderosa salonière, Madame de Sevigné ficou conhecida também pelas inúmeras cartas que escreveu, em torno de 1.500. Sendo que a maioria delas foi escrita para distrair sua filha, Françoise-Marguerit, que tendo casado com um tenente, nomeado por Luis XIV para ocupar um posto na Provence, se entediava com a sociedade local. Era uma maneira de mantê-la informada do que se passava em Paris e em Versailles. Além de expressarem suas emoções e amor de mãe, as cartas são um testemunho do modo de vida da sociedade e da corte de Luis XIV.

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                              As reuniões de Madame de Sévigné aconteciam no Hôtel Carnavalet, que foi sua residência no período de 1677 a 1696.  O Hôtel Carnavalet foi construído durante a renascença (1548-60), tendo recebido o nome da segunda proprietária Françoise Kernevenoy, cujo marido era conhecido por “Carnavalet”. Depois de um século, foi reformado pelo arquiteto François Mansard que lhe acrescentou mais uma ala. Mais tarde em 1866, a prefeitura de Paris adquiriu a propriedade, mas esta só foi aberta ao público em 1880. Hoje é um museu dedicado a história de Paris, desde suas origens até os nossos dias.

A Bastilha

A Bastilha

                               Fui visitar o museu numa sexta-feira pela manhã, e como tinha pelo menos umas três turmas de alunos tendo aula de história francesa, disfarçadamente peguei uma carona nas explicações da professora.

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                              No museu, podemos visitar as trinta salas onde aconteciam os famosos “salões”, com suas decorações refinadas, e imaginar como seria em plena atividade com todos os seus convidados. No térreo, na sala 21, está a Galeria Sévigné com objtetos pessoais de Mme de Sévigné, como a escrivaninha onde escrevia as suas cartas.

Quarto de Marcel Proust

Quarto de Marcel Proust

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Sem dúvida, uma agradável viagem pela intimidade da história de Paris, seus usos e costumes

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                          O Museu Carnavalet fica na 23, Rue de Sévigné, 75003, Paris. Linha 1 do metrô, estação Saint-Paul, ou Linha 8, Chemin Vert. Aberto todos os dias de 10:00 às 18:00, exceto segundas e feriados. É gratuito para as exposições permanentes.

Château Vaux-le-Vicomte

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                  Vinte minutos de trem é a distância que separa os castelos de Fontainebleau e o de Vaux-le-Vicomte, e de Paris leva-se 45 minutos até o primeiro e 25 até o segundo. Era um dia chuvoso e frio, mais um naquele mês de maio de 2013, considerado atípico até para os padrões franceses, pelo menos esse era o comentário geral. Decididas a não deixar que o clima nos intimidasse, resolvemos visitar os dois castelos.  O trem sai da Gare de Lyon, Grandes Lignes, e o ticket que custa em torno de 10 euros, é utilizável durante todo o dia, inclusive para o ônibus que vai da estação de Fontainebleau-Avon, até o castelo. Em dias de sol, o trajeto pode ser feito a pé, pois a distância é pequena, menos de 2 km. Entramos pelo jardim de Diana, que fica na lateral, e embora, o castelo esteja locado em meio a jardins, lagos e bosque maravilhosos, nossa visita restringiu-se a parte interna, devido a chuva e o frio.   Ainda assim, há muito a ser visitado, só a galeria de Francisco I com seus afrescos e pinturas que narram as histórias de sua vida, e que deu início ao maneirismo, é de encher os olhos. O castelo era o queridinho de Francisco I e de Napoleão, e foi habitado ininterruptamente por 7 séculos.  Infelizmente fiquei sem registros da visita, pois quando chegamos em Fontainebleau, procurei a máquina fotográfica na bolsa e não encontrei. Achei que tinha deixado em casa carregando, e só quando chegamos em Melun, foi que a encontrei no fundo da bolsa. Minha irmã, que tinha tirado fotos com o celular, realizou não sei qual manobra radical no aparelho, e conseguiu perder todas as fotos da viagem. Restou a esperança de clicar Fontainebleau em uma próxima visita. Depois de um almoço leve, no próprio castelo, pegamos o trem para Melun.

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                            O Château Vaux-le-Vicomte, está situado na comuna de Maincy (Seine-et-Marne), à 50 km a sudoeste de Paris, e 6 km de Melun. O acesso a ele, da estação onde descemos, pode ser feito pelas navettes(ônibus que saem defronte da estação e levam até o castelo), ou de táxi. O castelo pertencia a Nicolas Fouquet, o Superintendente das Finanças do rei Luis XIV. É uma verdadeira obra prima da arquitetura, em harmonia perfeita com os jardins e com a decoração, e muito, muito bonito. Para construí-lo, Fouquet contratou o arquiteto Louis Le Vau, entregou ao pintor Charles Le Brun a decoração, e ao paisagista André Le Nôtre, os jardins.

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                              Fouquet era um grande apreciador das artes, e conhecido por financiar artistas, e gastar muito para viver bem. A festa de inauguração do château, em 17 de agosto de 1661, uma das mais belas do século XVII,ficou conhecida pela sua magnificência, e por marcar o início da queda do seu anfitrião. Quinze dias depois ele foi preso a mando do rei, por uma série de intrigas políticas, e assim permaneceu até a sua morte. Para quem desejar reviver o clima da festa, a partir de maio, é possível jantar no castelo, iluminado pela luz de 2.000 velas.

Aqui, o trabalho de Charles Le Brun.

Aqui, o trabalho de Charles Le Brun.

DSC01038 Depois da prisão de Fouquet, o rei  Luis XIV levou toda a equipe para Versailles, para transformar uma propriedade rural no maravilhoso palácio que é hoje. Nós ficamos tão embevecidas com o Vaux, que perdemos a hora da navette, então tivemos que voltar de táxi.

Art de Vivre à Paris

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                      Como havia mencionado anteriormente em outro post, nessa viagem/intercâmbio, as aulas de francês eram as nossas prioridades, pois era a razão da viagem propriamente dita. Mas, a parte esse compromisso, tínhamos todo o resto do tempo livre para desfrutar Paris do nosso jeito, e posso dizer que nós aproveitamos bastante. Uma de nossas metas era a gastronomia, conhecer cafés, bistrôs, e restaurantes irados que valessem o custo/benefício e servissem o top das comidas que eram nosso objeto de desejo, como cassoulet e boeuf bourguignon.  Depois de muito pesquisar, através de conversas com os nativos, sugestões de conterrâneos e do amigo Google, e de experiências in loco, chegamos a alguns bons resultados e outros nem tanto. Também aproveitamos as excelentes matérias-primas encontradas nos supermercados e nos brindamos com inesquecíveis jantares em nossa casa, acompanhados de maravilhosos vinhos franceses, claro! Aqui algumas de nossas descobertas.

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                            Vou começar por este boeuf bourguignon, porque ele foi fruto de muita pesquisa e valeu cada minuto que gastamos para chegar até ele, nesse restaurante,  Au Bourguignon du Marais. Estava delicioso e foi até então, o melhor que eu já comi. O restaurante,  fica na 52, rue François Miron, linha 1 do metrô, Saint-Paul. Tel: 01 48 87 15 40. Em maio de 2013, custava 22 euros.

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                       Foi aqui nesse restaurante chamado Chez Gladines, na 30 Rue des cinq Diamants, Linha 5, Place d’Italie, que degustamos um delicioso cassoulet de pato. Infelizmente não tirei foto do prato, mas que nem por isso o meu testemunho pode ser invalidado. O restaurante é pequeno e bem simples, toalhinhas quadriculadas em vermelho, pouca gente servindo, porém muito gentis e eficientes, e o mais importante a comida é de primeira, principalmente para quem gosta de pato e veado. Como o restaurante é pequeno, é bom observar os horários, porque sempre tem uma fila enorme para entrar. Nós não tivemos esse problema porque nossos horários sempre estavam um pouco defasado em relação aos horários padrões das refeições. O prato, que é bem farto, custou 12 euros em maio/2013.

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                            Vale a pena conhecer esse restaurante Le Bouillon Chatier, fica na 7, Rue du Faubourg Montmartre, 75009(não confundir com o bairro Montmartre), pela decoração, pelos garçons, pela comida e pelo custo/benefício. As duas vezes que estivemos aí pedimos a mesma coisa de prato principal, confit du canard (de pato), porque era simplesmente delicioso. Variamos apenas as entradas e as sobremesas, mas fidelizamos o principal. A observação do restaurante anterior, serve para esse também, se for no horário convencional, tem que enfrentar fila.

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                          Lá no fundo da primeira fotografia dá para perceber onde estamos, claro, turistando no famoso café de Amélie Poulain,  Les deux Moulins. Passamos por lá para um café acompanhado de crème brulée. Para quem gosta muito do filme, como eu, vale a pena conhecer e tomar um café. Fica na  15 rue Lepic 75018, Montmartre, Paris.

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                            Estamos sentadas defronte da pâtisserie Du Pain & Des Idées, situada na 34 Rue Yves Toudic, 75010 Paris, perto do Canal de Saint Martin. Ela foi vencedora dos concursos de 2008 e 2012, para o melhor baguete de Paris. Ficamos sabendo, que lá é fabricado o único croissant totalmente artesanal de Paris. Se a informação é totalmente procedente não sei, mas o fato é que o croissant de lá é maravilhoso, e esse que estamos saboreando na foto, é um inacreditável croissant de pistache com gotas de chocolate, divino. Vale a pena conferir.

Nossa adeguinha que 100% consumida.

Nossa adeguinha que foi 100% consumida.

Recebendo as amigas para jantar.

Recebendo as amigas para jantar.

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                             Não se come bem apenas nos restaurantes, aproveitamos a matéria-prima encontrada nos supermercados e conseguimos produzir maravilhosos jantares. Esse foi inesquecível. Menu: aspargos frescos, arroz, salmão ao forno com alho-poró e camarão com creme fresco. Vinho: chateauneuf du pape.