Saumur

                      Nada de castelo, o que nos levou a Saumur foram os cogumelos! Foi principalmente para visitar o Museé du Champignon, que decidimos incluí-la no roteiro, mas já sabendo de antemão, que esse era apenas mais um indicativo para ajudar na escolha do roteiro, porque dificilmente se erra ao visitar uma pequena cidade francesa no Vale do Loire, é encantamento na certa. E com todos aqueles ingredientes que as caracterizam #belacidade#château#vinhos#rioLoire#  Mas vamos começar a visita pelo início.

Vista do rio Loire ao fundo.
Vista do rio Loire ao fundo.

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                    Deixamos Villandry e depois de rodar aproximadamente 57 km chegamos em Saumur, uma pequena cidade construída predominantemente de pedra, as margens do rio Loire. Decidimos visitar logo o Château de Saumur, pois ele esta localizado no alto de um rochedo, e domina a cidade com suas torres, impossível ignorá-lo. Depois de uma tentativa fracassada de encontrar o caminho até lá, fizemos o óbvio e pegamos um mapa num quiosque de turismo. O castelo foi construído, no século XIV, pelo duque Luis I,  de Anjou, irmão do Rei Carlos V, a partir de uma fortaleza, e remodelado um século depois por seu neto, o bon roi René, último Duque de Anjou,DSC01411DSC01414                 Havíamos decidido que não iríamos visitar internamente todos os castelos, em função da disponibilidade de tempo. Como tínhamos outros interesses na cidade, além do castelo, esse foi selecionado para ser visitado apenas externamente.DSC01421DSC01419DSC01416

                   De mapa na mão, seguimos para o Museu dos cogumelos, e ao longo da estrada vimos inúmeras vinículas, mas já tínhamos um destino certo. Aqui vale um parentese, os vinhos do Vale do Loire, são bastante apreciados na França, a um custo bem mais acessível que os mais conhecidos da região de Bordeaux e Borgonha. Os tintos de Saumur são uma maravilha com destaque para o Saumur Champigny . E então, finalmente chegamos!

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                   O Museu consiste em inúmeras cavernas calcárias onde são cultivados 75% da produção de cogumelos do país, em torno de 12 toneladas. Além da exposição de centenas de cogumelos selvagens. O museu é aberto todos os dias de fevereiro a novembro, e a visita de 1:30h custa 8,20 euros. Não consegui boas fotos dos cogumelos, mas a visita é fascinante.???????????????????????????????                  No final da visita, fomos conhecer a boutique com diversos produtos do Museu e aproveitamos para almoçar no pequeno restaurante. Dentre os vários menus oferecidos escolhemos o que oferecia: cogumelo paris ao molho da casa, velouté de shitake e uma taça de  crémant, o espumante do vale do Loire. Tudo isso ao custo de 7 euros.DSC01426DSC01427                     #partiu#Chinon#

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Villandry

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             Apesar de Ricardo Freire, do blog Viaje na Viagem, ter sugerido deixar o Villandry para a sobremesa nesse post,  foi justamente por ele que começamos. Por uma simples questão de logística, Villandry fica a 18 km de Tours.  Mas a ordem das visitas, na verdade, é irrelevante, o importante é conhecer Villandry, pois embora não tenha tanta importância histórica, é deslumbrante. O que achei mais incrível desse castelo, é que ele parece um “lar”, bem diferente dos outros castelos da França que já tinha visitado, fora dessa região, como o de Versailles, Vaux le Vimconte, Fontainebleau. Esses são suntuosos demais, eu não consigo imaginar uma família morando em um desses castelos, mas não é o caso do Villandry, onde os ambientes são “clean”, e apesar de amplos, são bem aconchegantes, conforme pode-se ver nas fotos a seguir. Além da decoração minimalista, Villandry, também se destaca pelo aproveitamento que foi feito do terreno, para nele se construírem os lindos jardins.

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                      Villandry foi construído em 1536 por Jean le Breton, ministro das finanças de Francisco I, sendo o último dos grandes castelos construídos nas margens do rio Loire, na época do renascimento. Para construí-lo Jean le Breton, mandou demolir uma fortaleza do século XII, dela restando apenas as fundações e a torre de menagem.

Vista da torre de menagem
Vista da torre de menagem

                    Os descendentes de Jean le Breton conservaram o castelo até 1754, quando passou a pertencer ao marquês de Castellane, embaixador do rei e proveniente de uma família provençal. Ele acrescentou uma ligação em estilo clássico e reformou a área interna, adaptando .ao século XIX.DSC01382

                  Finalmente, em 1906, o castelo foi adquirido por Joachim Carvalho, espanhol e bisavô do atual proprietário. Ele restaurou o castelo e recriou os jardins em estilo renascença. Iniciamos a visita pelos jardins, a bordo de uma pequena carruagem, dando um clima bem romântico e alegre a nossa visita, me senti voltando no tempo.DSC01368

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                      De carruagem percorremos todo o percurso em torno dos jardins, que também pode ser feito a pé, seguindo uma sinalização vermelha no chão. Os jardins estão divididos em Jardim Decorativo, da água, do sol e a horta. A horta é replantada duas vezes por ano, na primavera e no verão, respeitando-se nessa renovação, as restrições de harmonia das cores e das formas, e por outro lado, as restrições hortícolas que impõem uma rotação trienal das culturas para não empobrecer a terra. São cerca de 40 espécies, que pertencem a 8 famílias botânicas. É lindo passear entre os jardins, mas para se ter uma ideia de  todos os desenhos, o ideal é olhar de cima da torre de menagem.

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Horta
Horta

                   A visita que já estava sendo bem divertida, só na área externa, ficou ainda melhor quando passamos para o interior, com sua decoração e astral maravilhosos.

O salão e o escritório
O salão e o escritório
Sala de jantar
Sala de jantar

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Cozinha
Cozinha
Escada principal
Escada principal
Quarto do príncipe Jerônimo
Quarto do príncipe Jerônimo
Salão oriental, teto oriundo do palácio dos duques de Maqueda, construído no século XV, em Toledo.
Salão oriental, teto oriundo do palácio dos duques de Maqueda, construído no século XV, em Toledo.

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                     A farra estava boa, mas o resto do Loire nos aguardava, # partiuSaumur#

Tours

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             Conforme havia mencionado nesse post aqui, começamos nossa viagem ao Vale do Loire por Tours, cidade que escolhemos para nos servir de base. Tanto por sua localização, cercada de castelos por todos os lados, quanto pela  infraestrutura. Chegamos lá de trem, duas horas depois de deixar Paris, saindo da Gare de Austerlitz.  Alugamos o carro para o dia seguinte, na própria gare, deixamos as malas no hotel e saímos para explorar a cidade.

                    Tours é uma cidade muito bonita, localizada entre dois rios, La Loire e Le Clerc, foi fundada no século I, sob o nome de Caesarodunum, sendo uma das 50 Romas em miniatura dadas aos legionários romanos, que lutaram na Gália e no Egito. Augusto queria agradar aos legionários, mas ao mesmo tempo deixá-los bem longe de Roma evitando assim os distúrbios quando voltassem dos serviços. Floresceu nos dois séculos seguintes, mas depois da chegada dos bárbaros germânicos, que não souberam dar continuidade ao sistema romano de impostos e manter sua infraestrutura, a cidade começou a decair. Durante o período de quase 200 anos (1418 a 1589) em que os reis franceses residiram no Loire, construindo seus castelos em volta dela,Tours voltou ao seu apogeu, e o tornou-se o centro econômico e administrativo do reino, substituindo Paris. E ao contrário dela, que teve a maior parte do passado medieval derrubado pelo Barão von Haussmann, o distrito medieval de Tours, foi bem restaurado.

Defronte ao hotel prontas para explorar.
Defronte ao hotel, se preparando para alçar voo.

                      Deixamos o hotel, e de mapa na mão, seguimos em direção a vieux Tours, distrito medieval. Ao longo do caminho, encontramos vestígios da antiga cidade romana, construções do período medieval, renascentista, até culminar com uma mistura de estilos na Place Plumereau, que é bem animada, cheia de bares e restaurantes. DSC01353

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DSC01345                   Não conseguimos resistir ao chamado da Place Plumereau, e apesar do frio, paramos para brindar ao clima festivo da cidade. DSC01365

                   Num cenário como esse, não há mais nada a fazer que não seja, andar, andar e andar……..E foi assim que passamos por Tours.

Vale do Loire

                      Para encerrar a viagem com chave de ouro, planejamos conhecer o Vale do Loire no último final de semana. Depois de entregar o apartamento, deixamos toda a grande bagagem na casa das meninas, em Paris, e partimos. Fomos direto para Tours, de trem, pois como a cidade é conhecida como a porta de entrada do Loire, decidimos montar lá nossa base. Reservamos hotel para duas noites, e acertamos com a locadora para pegar o carro no dia seguinte a nossa chegada, pois não precisaríamos dele em Tours, já que a cidade é pequena, e dá para percorrer a pé. Minha vontade era de fazer pelo menos uma parte do caminho de bike, pois sei que existem vários passeios. Mas, diante das circunstâncias, de pouco tempo e do clima, ainda frio, me rendi as evidências, e ficou só na vontade. Ficou para uma próxima vez.

                      Depois de muito planejar, o roteiro ficou assim; no primeiro dia, incluindo o deslocamento ficamos em Tours. No dia seguinte, pegamos o carro na locadora, e seguimos primeiro para Villandry, depois Saumur, Chinon, Azay-le Rideau, Montrésor e Amboise. No último dia, Chenonceau, Blois e Chambord. Não foi fácil montar esse roteiro, diante da enorme variedade de opções que a região oferece. Dos inúmeros castelos, as pequenas cidades, passando pela produção de vinhos, espumantes, aspargos, champignos e por ai vai.  Chegamos a conclusão que não daria  para entrar em todos os castelos, apesar da grande tentação, pois além do tempo não permitir, ficaria muito cansativo. Como estávamos em quatro, também tinha que haver um consenso nas escolhas.

                    Cada viagem, é uma aventura diferente, variam os companheiros, os lugares, o tempo, os motivos, mas sempre é uma alegria, conhecer novos lugares, rever outros, e simplesmente flanar pelo mundo afora e voltar com a alma tranquila e rejuvenescida. Rodando ao lado do rio Loire, com toda aquela paisagem ao nosso redor dá para entender porque a realeza  escolheu aquele lugar para construir seus castelos. A viagem foi curta, mas deu para conhecer um pouco do Loire, e se divertir muito!

                 A medida que for escrevendo os posts, vou fazendo o link com o roteiro que mencionei acima.

Voltei Paris!

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             Interrompi a sequência de posts da temporada passada, para tentar postar em tempo real, como pretendia no ano passado, e não consegui, e já que prometi este ano, estou fazendo um esforço. Dessa vez estou acreditando que possa conseguir por estar mais ambientada com as ferramentas do blog, então talvez funcione. Vamos trabalhar. Quando eu cheguei Paris estava assim.

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             Tempo maravilhoso e todos na rua! E acho que como estava fazendo calor, todos, mas todos mesmo estavam tomando rosé! Como quem está na chuva é para se molhar, olha aí o nosso rosé!

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Abaixo, meu compromisso maior, para onde vai minha energia, a escola de francês, Alliance Française Paris Ile-de-France.

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Os arredores da minha casa, em Saint Germain des Prés.079

 

Saint-Germain-en-Laye

DSC01254                  Situada a 20 km de Paris, Saint-Germain-em-Laye, fica no departamento de Yvelines, na região de Île-de-France, facilmente acessível por trem, o RER, linha A1. É uma viagem muito agradável, se é que se pode chamar de viagem, um trajeto tão curto. Durante o percurso, o que vemos pelas janelas do trem, são os arredores de Paris, uma sequência de casas residenciais simpáticas, com lindos jardins, ruas arborizadas, e o Sena, serpenteando. Saint-Germain-em-Laye é a última parada da linha A1 do RER, e a estação de trem fica no centro da cidade. Uma cidade muito charmosa, que vale a pena explorar, caminhando pelas suas ruas. Foi o que fizemos, antes de parar para um sorvete e começar a visita ao Château.

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   DSC01238DSC01246           O Château de Saint Germain-em-Laye, é mais uma dentre tantas residências reais, fica no alto de um planalto, e de lá se tem uma vista indescritível de Paris, graças ao terraço de pedra, de 2,4 km de extensão construído por André Le Nôtre, entre 1669 e 1673, a partir dos jardins criados por Étienne Du Pérac. Os jardins são maravilhosos, adorei andar no meio de tanto verde, e o melhor é que eles continuam até se misturar com o bosque de Saint-Germain-em-Laye.

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                 Depois de explorar toda área externa, fomos conhecer a parte interna. Estava intrigada por ter visitado o pavilhão onde funciona o Hotel Pavillon Henrique IV, cujo restaurante possui um terraço com uma vista incrível, e ter descoberto que o quarto onde nasceu Luis XIV, em 1638, fica ao lado desse restaurante.  Ora o Château ficava bem próximo, mas mesmo assim era outro prédio. Só descobri o mistério, ao indagar aos funcionários do antigo castelo, agora Musée d”Archéologie Nationale.

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                   A história é a seguinte: A primeira residência real foi construída em cima de um planalto e ao lado da floresta, em 1122, pelo rei Luís VI, o gordo. No período de 1234 a 1238, o rei São Luís ampliou o castelo, financiando a construção de uma capela, com o objetivo de manter as relíquias da paixão de cristo que tinha adquirido de Baudouin II. Essa capela em estilo gótico foi projetada pelo mesmo arquiteto, da Sainte Chapelle em Paris.O castelo foi ampliado no fim do século XIII com a construção de uma torre.  Em 1346, depois da guerra dos cem anos, o castelo foi incendiado pelas tropas do Príncipe Negro, filho do Rei da Inglaterra, que poupou apenas a torre e a capela.

Château Vieux com a capela ao fundo.
Château Vieux com a capela ao fundo.

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                 O Rei Carlos V providenciou a reconstrução do château entre 1364  à 1367. Francisco I, que se casou na capela do Château, passou mais de 1000 dias do seu reinado em Saint-Germain-em-Laye, o dobro do período que ficou em Fontainebleau, decidiu reconstruí-lo em 1539. Conservando mais uma vez, a torre e a capela, um novo castelo é reconstruído sobre as fundações do primeiro, sendo os trabalhos concluído por seu filho Henrique II. Ele também ampliou o Château, anexando a extremidade do terraço do lado do Sena, o “Château Neuf(novo)”, sendo a construção concluída por Henrique IV. Embora tenha nascido no Château Neuf, Luis XIV passou a maior parte de sua infância no “Château Vieux” que era  o seu preferido. Em 1660, se instala definitivamente no Château Vieux, abandonando o Neuf que foi praticamente todo demolido. Luis XIV contratou Le Nôtre para recriar os jardins, e Jules Hardoin Mansard para ampliar o castelo, projetando mais 5 pavilhões.

Maquete do projeto de Jules Hardouin
Maquete do projeto de Jules Hardouin

                 No entanto esses pavilhões não foram jamais concluídos, pois em 1682, a corte deixa Saint-Germain-en-Laye se instalando definitivamente em Versailles.

Épernay

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        “Épernay é a cidade do vinho champanhe. Nem mais nem menos” dizia Victor Hugo. A primeira casa de champanhe foi fundada, pelos irmãos Chanoine, em 1730, um ano depois da Ruinart, em Reims.  A cidade abriga também a famosa Moët & Chandon, a casa Mercier e De Castellane.

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                   Conforme comentei no post sobre Reims, fizemos uma parada estratégica, de algumas horas, em Épernay.Foi a consequência do atropelo na hora de comprar as passagens ainda em Paris. Na ânsia de acertar a compra na maquininha, cinco mulheres se atropelaram e adquiriram passagens de ida e volta,(aller et retour), sem observar os detalhes da compra. Resultado, o bilhete da volta era de um trem que faria uma conexão de mais ou menos três horas em Épernay. Apesar do erro, a situação não era irremediável, poderíamos ter trocado o bilhete, mas resolvemos aproveitar a oportunidade, transformando o erro em acerto. E assim, desembarcamos em Épernay, para uma journée de três horas. Por ser pequena, e a estação estar localizada bem no centro (como na maioria das cidades francesas), teríamos tempo para dar uma volta na cidade e jantar.

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                    Claro que pela hora que chegamos, as maisons de champagne já estavam fechadas, mas só estar ali passeando pelas ruas da charmosa Épernay, já estava valendo a pena. Passamos em frente a Maison de Moët & Chandon, e já que não podíamos entrar só nos restou posar para algumas fotos com Dom Perignon. A degustação do champagne restringiu-se a taça que acompanhou o jantar.

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