Arquivo da categoria: França

Chartres

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                            Chartres é uma cidade medieval, situada na região Centro da França, no departamento Eure-et-Loir, 80 km a sudoeste de Paris. Tomando o trem que sai da Gare de Montparnasse, em uma hora chega-se lá. Chartres é conhecida por ser um importante local de peregrinação desde a idade média, devido a Sancta Camisa, que se acredita ser a túnica que a Virgem Maria vestia quando estava para dar a luz. Por causa dessa crença, tornou-se uma parada popular para os peregrinos que saiam da região mais central da Europa em direção aos três grandes locais de peregrinação: Santiago de Compostela, Roma e Jerusalém.

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A concha e o cajado, marca para os peregrinos

A concha e o cajado, marca para os peregrinos

                             Chartres também é muito conhecida por sua catedral, o primeiro dos 35 Patrimônios Mundiais da UNESCO na França. A catedral que tinha sido construída em 1145 foi reconstruída após um incêndio em 1194, no melhor estilo Gótico, ou alto gótico, pois à época de sua construção todas as técnicas construtivas características desse estilo já haviam sido aperfeiçoadas, e sanados todos os problemas estruturais, que faziam com que muitos tetos e torres caíssem. À época de sua construção, Chartres, além de ser o centro intelectual da França, antes de ser suplantada por Paris, estava com sua economia em ascensão. Com a revolução agrícola, muitos camponeses saíram do campo para se estabelecer na cidade, transformando-se em prósperos burgueses. Como forma de agradecimento, os comerciantes e mercadores medievais financiaram 44 vitrais, colocando um medalhão representando os diversos ofícios de acordo com quem o havia financiado. A catedral de Chartres é considerada uma das grandes maravilhas do mundo, com 176 janelas, contendo mais de 2.500 metros de vitrais e todos originais.

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DSC00885                           Para mim, Chartres tem um significado mais que especial por ser a primeira cidade que conheci na França, e por ser lá que morava uma grande amiga de infância. Fiquei hospedada em sua casa e foi ela que primeiro me apresentou a cidade, do jeito que a conhecia. A catedral, os restaurantes, as pâtisseries, os sinais dos peregrinos, etc.

                              Dessa vez, além de visitá-la, queríamos rever a catedral que claro, fazia parte do nosso roteiro das catedrais góticas. Saímos de Paris numa sexta-feira do mês de maio, o que foi uma sorte, pois não sabia que todos os anos no período de abril a outubro, as sexta-feira, os bancos da nave são retirados para que as pessoas possam percorrer os caminhos tortuosos do labirinto incrustado no chão da nave, representando simbolicamente “sua peregrinação na Terra com todas as falsas voltas – não há becos sem saída no labirinto de Chartres”. Eu e Teena fizemos questão de percorrer o labirinto circular de 261,50 metros de extensão. Segundo informação, o labirinto foi posicionado na entrada oeste da catedral de forma a representar simbolicamente nossos primeiros passos na vida espiritual.

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                                  Depois de terminada nossa visita a catedral, escolhemos uma creperia ali perto para almoçar, Loli tinha falado que havia várias, todas muito boas. Como fazia muito frio e começou a chover entramos no primeiro restaurante. Já tínhamos até sentado, mas desistimos quando vimos que não havia crepe.Finalmento encontramos um super charmoso, com mesa vaga no 1º andar. Valeu a pena!, Depois do almoço pegamos um ônibus para visitar Loli para mais uma e pela última vez, pois minha amiga se foi em novembro.

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Orléans

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                            Na França, o dia 8 de maio, é feriado nacional em comemoração a vitória dos aliados na 2ª guerra mundial, pois nesse dia foi assinado o armistício em Berlim. Na cidade de Orléans, a comemoração é dobrada! Na mesma data, há 584 anos,  sob a liderança de Joana d’Arc, os franceses conseguiram romper o cerco à cidade, vencendo os ingleses, e dando início ao fim da guerra dos cem anos.  Desde então todos os anos, quase que ininterruptamente, Orléans comemora a libertação da cidade por Joana d’Arc. Para comemorar, se revive toda a trajetória da Donzela de Orléans, como era chamada, desde a entrada na cidade, em 29 de abril, até a libertação com a batalha vitoriosa, em 08 de maio. A festa se faz com desfiles, concertos, animações medievais e espetáculos pirotécnicos.

                           A história de Joana d’Arc para mim é tão fascinante quanto dramática. É difícil imaginar uma jovem camponesa de 17 anos, que não sabia ler e nem era militar, liderar um exército e vencer. Conduzir o delfim a cidade de Reims para garantir que fosse coroado Carlos VII, Rei da França, e depois ser presa, julgada e condenada a morrer na folgueira, sem que o Rei viesse em seu auxílio, é simplesmente inacreditável e revoltante. Então aconteceu de estarmos na França no dia 8 de maio, e aí não tinha nem o que pensar, era pegar o trem e ir festejar Joana d’Arc em Orléans.

                            Pegamos o trem na Gare d’Austerlitz-Paris e em menos de uma hora chegamos na Gare des Aubrais em Orléans.

Gare des Aubrais em Orléans.

Gare des Aubrais em Orléans                        

Orléans

Orléans

                          Ao descer do trem nos dirigimos as informações turísticas, na própria estação. A atendente muito simpática nos deu um mapa da cidade e a programação das festas do dia. Assim ficamos sabendo que além do desfile, que sairia às 15:00 h defronte da Catedral, estava acontecendo um festival  medieval, no mercado medieval do Campo Santo. Depois de tomar conhecimento da programação, fizemos nosso roteiro: caminhar pela cidade; ir ao mercado ver a festa medieval e almoçar; ir a Catedral, para conhecer e assistir ao desfile.

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Mercado Medieval do Campo Santo

Mercado Medieval do Campo Santo

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Local onde compramos nosso almoço.

Local onde compramos nosso almoço.

Comida típica medieval .

Partilhando a mesa

Vinho e prato típico medieval.

Vinho e prato típico medieval. Deliciosamente inesquecível.

                   Saímos do mercado e encontramos com “Joana d’Arc” a cavalo, vestindo armadura e acompanhada por cidadãos c0muns vestindo trajes medievais, e caminhando em direção a catedral. Lá haveria uma cerimônia com representantes da igreja, do estado, políticos locais, militares, etc, antes do cortejo sair em direção ao rio Loire, no local onde Joana entrou na cidade.

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                         Enquanto o cortejo seguia até a Catedral de Sainte-Croix d’Orléans, onde aconteceria a cerimônia, nós nos adiantamos para conhecer a Catedral, onde Joana d’Arc rezou no período em que esteve em campanha na cidade.  A igreja inicialmente românica foi substituída por uma igreja gótica em 1278. No seu interior dez vitrais modernos contam a trajetória de Joana d’Arc.

Catedral ao fundo.

Catedral ao fundo.

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                     Incluímos no nosso roteiro uma visita a Maison de Jeanne d’Arc, localizada na Place du Géneral de Gaulle, onde Joana ficou como hóspede de Jacques Boucher, ministro das finanças do duque de Orléans, nos dez dias que ficou em Orléans. Comenta-se que todos os dias ela subia no telhado, de onde tinha uma excelente visão do acampamento dos ingleses. Infelizmente, como era feriado a Maison estava fechada, e o jeito foi deixar para uma próxima vez. Sempre é bom deixarmos um motivo para voltar!

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Château de Vincennes

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                           No domingo fizemos uma programação casada, que já estava planejada antes mesmo de sair de Recife e seria: participar da corrida “Les 5 et 10km de l’Anorgend” cujo percurso seria todo realizado no Bois de Vincennes, e aproveitar para conhecer o  Château de Vincennes, que fica ao lado do bosque. Participar de uma corrida em outro país é uma forma diferente de conhecê-lo, e seria uma experiência inesquecível. Fizemos a inscrição ainda no Brasil, pelo site, www.correrpelomundo.com.br.

Parque Bois de Vincennes

Parque Bois de Vincennes

Prontas para largada

Prontas para largada

Reta final

Reta final

                          Para chegar lá, pegamos a linha 1 do metrô e descemos na estação final, Château de Vincennes. Apesar do atraso para sair de casa da apreensão com a hora, e com o condicionamento físico,  pois havia semanas que não corria, deu tudo certo, e o que faltou em treino foi suprido pelo clima frio. Descobri que correr no frio, é uma tranquilidade, quase não há desgaste físico. Para mim, que estava acostumada a correr no calor, foi uma agradável surpresa. Daniel, que tinha vindo para passar o final de semana, foi nosso assistente, marcando o tempo e tirando fotos. Depois de cumprida nossa missão, andamos até o Château e iniciamos a visita.

Planta do conjunto

Planta do conjunto

                           A história do Château de Vincennes teve início a partir da construção de um pavilhão de caça, por Luix VII, na floresta de Vincennes. No século XIII Felipe Augusto e Luis IX(São Luis), foram os responsáveis pela transformação do pavilhão em uma mansão, que veio a se tornar uma das residências favoritas de Luís IX.  Depois da morte de Luis IX, numa cruzada, e até meados do século XIV, Vincennes se transformou na residência principal dos soberanos franceses. Mas foi somente no século XIV, que Carlos V, transformou Vincennes num castelo-fortaleza, com o melhor sistema defensivo daquele século, construído por um rei para proteger a si mesmo e a sua corte dos tumultos da Guerra dos Cem Anos e da peste.

Tour du Village - entrada principal com a ponte levadiça.

Tour du Village – entrada principal com a ponte levadiça.

Vista do fosso e do muro(enceite que circunta toda a fortaleza

Vista do fosso e do muro externo(enceinte)

Vista do fosso e do enceinte de outro ângulo.

Vista do fosso e do enceinte de outro ângulo.

Donjon ao fundo

Donjon ao fundo

Donjon

Donjon

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Vista da Sainte-Chapelle

Vista da Sainte-Chapelle

                           Vincennes é uma fortaleza completa, com praticamente todos os elementos da arquitetura defensiva medieval: uma torre de menagem(donjon), com mais de 50 metros de altura; um fosso e um vasto muro externo(enceite), permitindo assim a transferência do poder real do Palais da la Cité para Vincennes.  A construção da capela real, Sainte-Chapelle, teve início em 1379, mas só foi concluída em 1550, e no século XVII as construções dos pavilhões clássicos vieram completar o monumental conjunto. Depois que Versailhes ficou pronta o château foi abandonado e mais tarde transformado em arsenal por Napoleão. A floresta de Vincennes, local de caça do rei foi doada a cidade de Paris por Napoleão III, em 1860 para ser transformado em parque público.

                          No período que nós fomos,  só estavam sendo permitidas visitas ao Donjon e a Sainte-Chapelle, acredito que a partir do final de maio em diante as visitas às outras construções são liberadas.

Arena de Lutéce

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                              Foi no ritmo de gato, e com a liberdade de um pássaro, que acordamos no sábado, do nosso primeiro final de semana em terras parisienses. Sabendo que o céu era o limite para os nossos passeios, o estresse era zero. O primeiro destino, já estava acertado, voltar a Catedral de Saint-Denis, para visitar o seu interior, já que estava fechada quando visitamos da primeira vez, por causa do feriado do 1º de maio. O relato, dessa nossa visita está descrito em outro post.

                              Em seguida, pegamos o metrô e descemos em Saint Germain-des-Prés, no 5º arrondissement, o nosso destino escolhido para aquele dia. O 5º arrondissement é o bairro mais antigo de Paris, e nele estão localizados, além do Quartier Latin, Panthéon, Sorbonne, Jardim de Luxemburgo, Boulervards de Saint Michel e Saint-Germain, e tudo que sobrou da antiga Lutércia. Essa cidade galo-romana foi o berço de Paris, e teve seu início em 50 a.C., após os romanos terem ocupado o território dos parísios e construído uma cidade completamente nova no alto da atual colina de Saint-Geneviève. O que restou da Lutércia antiga, foram as termas de Cluny, a arena de Luterce e o traçado de algumas ruas nos arredores da igreja Saint-Séverien.

                             Inicialmente, passamos pelas termas de Cluny, que fica ao lado do Hôtel de Cluny e Museu Nacional da Idade Média, no Boulevard Saint Michel, mas como estava  fechada para reforma/manutenção, resolvemos deixar todo o conjunto para outra ocasião e seguir em frente. A próxima parada no roteiro era a Arena de Lutèce, e para chegar lá, contamos com a ajuda do mapa e do boca a boca. Saímos pela Rue Sommnerd até a Place de la Contrescarpe descemos pela rue Lacépede até alcançar a rue Monge, e depois foi só atravessá-la para encontrar a entrada da Arena.

                             A arena de Lutéce era um anfiteatro, construído no século I pelos romanos, para ser utilizado nas representações teatrais e como arena para os combates entre gladiadores, dentre outros jogos. Podia receber até 17.000 espectadores, e é provável que tenha permanecido em atividade até o fim do Século III, quando Lutercia foi destruída pela primeira vez. Entre reconstruções e demolições, recebeu o apoio da sociedade dos amigos da Arena, que tinha Victor Hugo entre seus membros, para chegar até os nossos dias.

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                       Depois de deixar a Arena, saímos andando a esmo pelas ruas, encontramos a casa onde Renê Descartes passou diversas temporadas, na rue Rollin, nº 14, e a do poeta e filósofo françês, Benjamin Fondane dentre outros. Essa era nossa diversão, pois o francês adora colocar placa em tudo que é canto para marcar sua história, o que é ótimo para nós, turistas e curisosos.

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                             Uma vez que estávamos pelas imediações, passamos pela sorveteria Amorino, na Place de la Contrescarpe, para o sorvete nosso de cada dia, antes de seguir nosso tour e fazer uma parada na Église St-Etienne-du-Mont, uma magnífica igreja que combina de forma harmoniosa uma mistura de estilos, gótico no exterior e renascentista no interior. A igreja abriga o túmulo de Santa Genoviève, padroeira da cidade de Paris, e as tumbas de Pascal e Racine. Tivemos sorte de passar por lá na hora da missa, pois além de ouvir o sermão do padre ainda pudemos conhecer o interior, pois só são permitidas visitas guiadas e previamente agendadas. As cenas do filme Meia-Noite em Paris, em que o personagem Gil esperava sentado pelo sino da meia-noite, foram rodadas ali nas escadarias laterais da igreja(lado esquerdo)

ST-Etienne

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                             Então saimos de lá direto para a Gare de Lyon, para buscar Daniel que estava vindo de Lyon para o final de semana. Aproveitamos para conhecer o Train Bleu, um dos restaurantes mais antigos de Paris. Mais isso é assunto para outro post.

Quem preferir ir direto para a Arena de Lutèce, o endereço é:

49 rue Monge, Metrô, Place Monge, linha 7.

A igreja de St Etienne-du-mont, fica por trás do Panthéon, na Place de Sainte Geneviève.

LAON

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Victor Hugo (1er Août 1845)

                          “J’ai quitté Laon ce matin, vieille ville avec une cathédrale qui est une autre ville dedans, une immense cathédrale qui devrait porter six tours qui n’en a que quatre; quatre tours presque byzantines, à jour comme les flèches du XVI e siècle. Tout est beau à Laon, les églises, les maisons, les environs, tout…”

                          A verdade é que Laon só entrou no nosso roteiro, por causa da sua catedral, Notre-Dame de Laon, que segundo informações de Ina Caro, seria a perfeita catedral, a ser visitada para se ver a transição do estilo romanesco para o gótico. E era esse o nosso projeto, viajar pela história da França, conforme havia dito em outro post. Então pela ordem cronológica, Laon era a bola da vez. Ao chegar lá, descobrimos que a catedral que queríamos visitar ficava em uma cidade medieval murada, a 200m de altura, e como bem testemunhou Victor Hugo, era uma graça.

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                                Laon está localizada no nordeste da França a 135 km de Paris, e dá para fazer um bate e volta bem tranquilo. Saindo da Gare du Nord, leva-se em média 1hora e 40minutos de trem até a gare de Laon. Para ir para a cidade medieval ou cidade alta, a gente pega o Poma, uma espécie de furnicular, que sobe numa velocidade tão grande que  parece até que estamos numa montanha russa, mas que torna a viagem muito divertida. A estação do Poma fica ao lado da estação de trem.

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viagem no furniculaire

Viagem no furniculaire

                             A origem da cidade é bem remota, vem desde os primeiros séculos da era cristã. Primeiro vieram os celtas, a quem a cidade deve o nome, pois a batizaram com o nome de seu deus da luz, Loucetios. Depois vieram os romanos, que a fortificaram com muros, e em seguida, os carolíngios estabeleceram lá sua capital, em 888. No século X, após tornar-se soberano dos francos, com a ajuda da Igreja Católica, substituindo os descendentes de Carlos Magno, Hugo Capeto fez dela o centro do seu reino, antes de transferi-lo para Paris. De fato, foi por muito pouco tempo, talvez a logística tenha contribuído para a rápida mudança, já que a época não havia o furniculaire. Imagine então a dificuldade para se chegar lá no alto.  Não sei se foi esse motivo, mas a dificuldade existia de fato, e poderia ser ilustrada por meio da lenda que explica a existência de vários bois esculpidos em duas das cinco torres da catedral. Segundo essa lenda, durante a construção da catedral, os bois que carregavam as carroças com as pedras montanha acima, tombavam de exaustão, e então, misteriosamente outros bois apareciam para substituir os que haviam tombado. Para lembrá-los,  foram esculpidos esses que ornamentam as duas torres.DSC00645

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                              Assim que chegamos, nos dirigimos para a catedral, a fim de cumprir logo o nosso roteiro! A catedral, construída em 1230, é uma das mais antigas a utilizar os elementos góticos, e uma das que menos sofreram com a Revolução Francesa. No dia em que visitamos Laon, o tempo estava nublado, fazia muito frio, e o sol não apareceu nem por um momento. E ainda assim. quando entrei na catedral tive a sensação que o sol estava lá, haja vista a intensidade da luz em seu interior! Não deveria, mas vou antecipar que de todas as catedrais que visitei nessa viagem, Laon e Saint-Denis foram as que mais me emocionaram. Ficamos lá um bom tempo, verificando as características góticas, e apreciando a sua beleza, antes de decidir deixá-la. Só pela catedral, a visita a Laon já teria valido a pena, mas ainda tinha mais. 

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                             Ao lado da catedral se encontra o Hôtel-Dieu, construído em torno de 1170, para cuidar do corpo e da alma(nível superior), e acolher os pobres e peregrinos  (sala gótica), é o mais antigo hospital gótico da França. Hoje abriga no nível superior, o posto de informações turísticas e, a sala gótica é uma sala de eventos. Gostaria de ter feito como Ina Caro e almoçado em uma brasserie defronte a catedral, mas infelizmente os nossos horários não coincidiam com os dos restaurantes. Quando decidimos almoçar a cozinha de todos os restaurantes charmosinhos pelo qual passávamos já estavam fechadas, para só voltar a abrir às 19:00h. Tivemos que nos contentar com uma pizza, em uma brasserie ao estilo de Laon, cheia de charme. Depois da pausa do nosso “almoço” continuamos a explorar a cidade e fomos conhecer o museu e capela dos templários, construída em torno de 1134, projetada de forma a seguir o modelo do Santo Sepulcro em Jerusalém, num formato octogonal bem interessante. Lamentei o estado de conservação da capela, com várias infiltrações.

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                         Em função do tempo frio e chuvoso, e da hora, tivemos que retornar à Paris, mas recomenda-se voltar em um dia ensolarado, porque há muito mais para se ver, como os três portais: Porte de Soissons, arquitetura militar do século XIII, guardada por duas torres; Porte d’Ardon, outrora chamada de Porte Royale, levava ao palácio real carolíngio; e Porte des Chenizelles, que levava a uma das quatro rotas principais que saíam da cidade. Tem ainda a Torre inclinada da Dame Eve, os bosques no entorno e outras maravilhas, como disse Victor Hugo…”Tout est beau à Laon…”                    

PROMENADE – 2º

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                        Nossa última aula nesse dia foi na Closerie des Lilas, no 171, do boulervard du Montparnasse, uma delícia de café  e cheio de histórias. Na parte externa há um terraço agradável e bastante arborizado, mas que, ao mesmo tempo fica meio que escondido do público externo. No interior a decoração é clássica e elegante. Os banheiros são imperdíveis, um luxo, vale a pena conferir. Era muito frequentado nos anos 20 por estudantes, poetas, escritores, pintores, e políticos. Ernest Hemingway, além de fazer dele seu quartel general, imortalizou-o no livro, Paris é uma festa! O lugar onde ele costumava sentar está marcado com seu nome, assim como o de outras personalidades que frequentaram o lugar. Anualmente, se realiza lá, um concurso literário, para promover jovens escritoras de língua francesa, Le Prix de La Closerie des Lilas

                          Depois de um café e do fim da aula, eu e Teena nos jogamos no mundo, em Paris!

Closerie de Lilás

Closerie de Lilás

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                      Apesar de estar fazendo muito frio, a estação do momento era a primavera, época em que os dias vão se tornando mais longos e demora cada vez mais a escurecer. Logo no início da nossa estadia, só escurecia em torno das 21:00h, mas no final, quando já estávamos no início de junho, até as 22:00h ainda estava claro. A aula terminava às 16:30, mas só conseguíamos voltar para casa quando escurecia, o que nos dava bastante tempo para explorar a cidade em longas caminhadas em diferentes direções.

                      Assim que saímos da Closerie, tomamos a direção do Jardim do Luxemburgo, e depois de andar por todo jardim, seguimos até o Panthéon, para uma visita. Mas ainda não seria dessa vez que iríamos conhecer o interior, pois como já passava das 17:30 h, as visitas já haviam se encerrado.

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                              Jardim de Luxemburgo

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                              Jardim de Luxemburgo

                              A Arena de Luterce, era um local que queria muito conhecer, e com o mapa da cidade nas mãos, verificamos que ficava nos arredores, então decidimos ir até lá. Antes porém de atingir nosso destino, topamos com a rue de Mouffetard, que nos tirou totalmente de tempo,  ficamos literalmente caída de amores por ela. Viemos pela rue de Blainville e caímos direto na Place de la Contrescarpe, um dos lugares mais pitorescos que já vi.

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                             Rue Blainville com a Place de la Contrescarpe ao fundo

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                              Place de la Contrescarpe

                          A praça é cheia de barezinhos e cafés super charmosos, e como já era final de tarde, dava para perceber a agitação crescente, as pessoas chegando e começando a ocupar seus lugares nas mesas do lado de fora, os músicos tirando seus instrumentos das capas e se posicionando! Um agito só! Ficamos ali olhando, completamente fascinadas, sendo contagiada pelo clima e sem saber o que fazer, vimos então a sorveteria Amorino e fomos até lá para um sorvete. Escolhi o de pistache, que estava delicioso! Achei melhor que o da Berthillon. Depois de ficar um tempo ali, curtindo nosso sorvete na praça, resolvemos explorar a rua.

                               A origem dessa rua data da idade média, e continuava até a Place d’Italie, mas depois das transformações do barão Haussaman, ela foi reduzida ao que é hoje. Ela vai descendo numa inclinação suave até a Av. de Gobelins. Lá você encontra de tudo, cafés, bares, pubs, lojas de comércio, e uma feira permanente, com tudo que pudermos encontrar, e que faz a festa de todo bom chef gourmet, de frutas, legumes, queijos, embutidos, carnes, peixes, frutos do mar e por aí vai. Não resistimos, compramos um quilo de moules por 5 euros, uma garrafa de vinho e voltamos para casa para preparar nosso jantar.

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           Mapa do nosso roteiro nesse dia

                              

PROMENADE – 1º

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                   A praça em torno da Catedral de Saint-Denis, estava deserta, fria e assustadora,  e como não poderiamos conhecer o interior da Catedral naquele dia,  resolvemos não perder mais tempo e ir passear em outro lugar. O destino escolhido foi a Place de Vosges, pois estava no roteiro do livro de Ina Caro. Eu tinha estado lá recentemente como relatei num post aqui, mas Teena não conhecia ou não se lembrava. Pegamos o metro e descemos na estação de Champs-Élisées para pegar a linha 1 e descer na estação Saint-Paul.  Como chovia muito paramos num café para comer e esperar a chuva passar, depois lamentamos termos parado logo no primeiro café, pois na praça, as opções eram bem melhores, além de ser mais agradável. Depois de rodar pela praça, olhar galerias, lojas e bater fotos, claro, seguimos adiante. Ficamos encantadas com um tocador de harpa na saída da Place de Vosges,  depois com um mercado na Rue de Saint-Antoine, e com tudo mais  que foi aparecendo no nosso caminho.

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          Rue de Saint-Antoine

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           Entrada da Place de Vosges pela rue de Birague

                      Saimos caminhando, sem destino, e fizemos esse roteiro aqui, passamos pelo Hotel de Ville, Musée do Louvre, Rue de Rivoli. Pensamos em tomar um chocolate quente no Angelina da Rue de Rivoli, mas quando chegamos já estava fechado. Ao chegar na place de la Concorde pegamos o metro de volta para casa, e encerramos o dia com nosso jantarzinho e vinho para acompanhar.

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          Hotel de Ville

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         Rue de Rivoli

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         Musée du Louvre

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         Rue de Rivoli

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CATHÉDRALE DE SAINT-DENIS

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                         Em Paris sobre Trilhos, Ina Caro inicia sua viagem de trem pela história da França, pela basílica de Saint-Denis do século XII, e nós decidimos fazer o mesmo.  Acontece que nosso primeiro dia livre, caiu justo no dia 1º de maio! E aqui vale um parêntese: A experiência de morar em outra cidade nos proporciona a oportunidade de enxergá-la de dentro para fora, o que não acontece quando estamos de passagem, pois vemos a cidade de fora para dentro. Nossa professora Danielle nos havia explicado na véspera, que é costume na França se oferecer um bouquet de muguet aos entes queridos no primeiro dia de maio, para lhes desejar felicidade e celebrar a nova estação. Não conhecia a tradição, que segundo a lenda remonta desde os tempos da renascença, com Carlos IX, mas só foi associado ao dia do trabalhador a partir do inicio do século XX. Christian Dior fez do muguet  a marca de sua Maison.

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Bouquet de muguet                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           Venda de flores no 1º de maio

                             Mas voltando ao nosso passeio, para chegar a basílica de Saint-Denis, tomamos a linha 13 do metrô, com cuidado para pegar o trem certo, o Saint-Denis Université, para poder descer na estação Basilique de Saint-Denis, pois essa linha bifurca na estação La Fourche.  O local fica no subúrbio de Paris, e para ser sincera, o visual dos arredores não é muito agradável, chega mesmo a ser um pouco assustador, mas como o nosso interesse era a basílica, seguimos em frente e foi só virar a esquina, para obtermos a primeira visão.

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         Fachada oeste da Basílica Saint-Denis

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            Fachada da Basílica

              A basílica foi construída sobre um cemitério gallo-romano que abrigava a sepultura de Saint-Denis, considerado o primeiro bispo de Paris, foi martirizado em torno do ano de 250. E segundo a lenda foi decapitado e caminhou de Montmartre até o local onde foi enterrado, segurando a própria cabeça. Tornou-se um lugar de peregrinação, e no século V foi construída a igreja. No século VII, Dagoberto I fundou a basílica, que veio a tornar-se uma das Abadias beneditinas mais importantes da Idade Média. A maioria dos reis e rainhas da França foram enterrados lá, desde o século VI.

                     No século XII, o abade de Saint-Denis, Suger, que além de político influente, era um magnífico artista e empreendedor,  mandou reconstruir a basílica utilizando pela primeira vez técnicas construtivas, como o arco em ogiva, rosácea, e vitrais coloridos, que rasgavam as paredes espessas das igrejas em estilo românico,  deixando a luz entrar. A inauguração do coro da Basílica de Saint-Denis em 11 de junho de 1144, marca o nascimento da arte gótica. 

                   Como era 1º de maio, nós não pudemos entrar, e vimos só a parte externa conferindo todos os detalhes das fachadas, as quatro colunas com cornijas no topo, etc. Ventava e fazia muito frio, então decidimos continuar o passeio em outros lugares e retornar em outro dia. Voltamos 03 dias depois, para conhecer a parte interna e a necrópole.

                    Foi uma sensação indescritível quando entrei pela primeira vez na Basílica! Não pude deixar de pensar, no que sentiram todos os convidados de Suger, o rei Luis VII, sua mulher, e todos os bispos e arcebispos, no dia da inauguração do coro da Basílica, quando viram toda aquela luz entrando pelos vitrais coloridos, as portas de bronze na entrada, o altar dourado, etc, e tudo isso naquela época, em que todos estavam vendo essas técnicas construtivas pela primeira vez. Olha só que lindo a luz passando pelos vitrais e indo até o chão!

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                                             Sarcófago de Luís XVI e Maria Antonieta

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                         A visita ao interior da igreja é gratuita, mas para visitar a necrópole é necessário adquirir  o ingresso e dura em média uma hora e meia. Existem visitas comentadas e audio guiadas.

Um novo início

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                            O dia seguinte foi de transição e mudanças. Troquei meu status de turista em férias para estudante-turista, sai do hotel para o meu novo lar, o apartamento alugado com minha irmã, minha nova companheira de viagem. Os meninos voltaram para  suas rotinas. E nós íamos começar a nossa. Em relação a nossa atividade principal, as aulas de francês, fizemos uma simulação do caminho até a Aliança, para ver o tempo necessário. Da nossa casa, na rue de Vaugirard, até a Aliança, no boulevard Raspail, levamos mais ou menos 20 minutos andando, e de metrô, o trajeto passava por 4 estações até a Aliança. Havíamos organizado nosso horário para ficar com dois dias livres, mesmo com 15 horas de aula semanais. A idéia era,  além de conhecer  Paris, sua história, gastronomia e cultura, viajar pela França. A descoberta do livro Paris sobre Trilhos, de Ina Caro. foi fundamental pelas informações e orientação que nos passou, e era tão exatamente o que vinha procurando, que passou pela minha cabeça que ela havia escrito o livro para minha pessoa. Fiz questão de presentear Teena com o livro, e mesmo sem a gente nunca ter discutido o assunto, ficou acertado entre a gente que seguiríamos o roteiro de Ina Caro. 

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                               Entrada da nossa casa

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                                Nosso apartamento

                              Os primeiros dias foram de reconhecimento do ambiente e rotina da nova vida. Como passávamos dois dias, a terça e a quinta, direto na Aliança, resolvemos almoçar por lá mesmo, pois tem um ótimo restaurante com preço super em conta, não só para nós “estudantes”  mas para o público em geral. Uma refeição completa, entrada, prato principal e sobremesa, com bebida, saía para estudante por 6 euros, e  para o público uns 10. Descobrimos que os supermercados mais afastados são bem mais baratos, mas para as emergências sempre existe um mercadinho árabe perto da sua casa, vendendo de tudo, a qualquer hora, desde que se pague um pouco mais pelo serviço. Para levar as compras no metrô a solução era  essa:

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                                                Levar as compras na mala.

                          Tirando as aulas de francês com horários e dias certos, nosso maior compromisso era com a nossa vontade. Havia a vontade de experimentar o autêntico boeuf bourguignon e cassoulet, assistir um concerto na Saint Chapelle, ver o teto de Chagall enquanto assistia um ballet na ópera Garnier, ou simplesmente bater pernas pela cidade sem destino e ao acaso descobrir lugares interessantes, residências onde viveram personalidades diversas, poetas, escritores, artistas, políticos, etc, e chegar em ruas e parques desconhecidos ou ainda chegar a lugares conhecidos por caminhos diferentes. Foi assim que começou nossa viagem.

Endereço da Aliança: 101 Boulevard Raspail-Linha 12,  Notre-Dame-de-Champs

Nosso Carrefour preferido: Carrefour Paris Auteuil – Linha 10, Porte d’Auteuil

FINAL DAS FÉRIAS em Paris

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                 E chegamos em Paris. Poderia até ser mais uma cidade, que a noite, o cansaço e a fome não deixassem perceber, mas era Paris. E no dia seguinte, quando olhei pela janela, e a vi, lá, mágica, linda, tão Paris, senti uma alegria tão grande que fiquei rindo à toa e só desejei mergulhar nela!

                 Para começar,  tudo que a gente queria, era sentir a cidade, não havia feito nenhum planejamento. Então saimos caminhando pelo nosso boulevard, que era o de Bonne Nouvelle, um boulevard muito longo, que vai mudando de nome. Para a esquerda, vira Boulevard Possonière, Bd Montmartre, e Bd Haussmann, chegando até as proximidades da Ópera Garnier e onde se encontram as grandes lojas de departamento como a Galeria Printemps e Lafayette. Para a direita, para onde nos dirigimos muda de nome para, Bd St-Dennis e St-Martin até chegar a Place de la République. Surpresos, encontramos no caminho um arco, que é a Porte de St-Dennis, de 1672, antiga entrada da cidade, com uma altura de 23 metros, construído para comemorar a vitória real sobre Flandres, de autoria de François Girardon. Mais adiante, um novo arco, a Porte de St-Martin, erguida em 1674, menor, com 17 metros de altura, comemora a captura de Besançon e celebra a vitória sobre a tríplice aliança Holanda, Alemanha e Espanha.

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Continuando nosso passeio, passamos pela Place de la République e chegamos na Place de la Bastille, de lá continuamos caminhando até o Père Lachaise, cemitério mais frequentado de Paris, onde estão os túmulos de famosos como Edith Piaf, Voltaire, Molière. Alan kardec, Oscar Wilde…Por sinal tinha uma turma bebendo e cantando no túmulo de Jim Morrison.

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  Fonte de água tratada do Sena

          Em seguida pegamos o metrô para conhecer a Place de Vosges, antes paramos para almoçar no Le Petit Italien, um pequeno restaurante, com  boa comida, bom vinho e boa música(tocava Vanessa da Mata). Quando saimos, o tempo havia mudado completamente, a temperatura caíra bastante, ventava e chovia. Mesmo assim fomos conhecer a praça, pois estávamos bem pertinho.

             A Place de Vosges-linha 1 do metrô-S.Paul-, foi idealizada por Henrique IV,em 1604, com a construção de instalações de trabalho e hospedagem, para atrair artesãos italianos, especialistas na indústria da seda, com o nome de Place Royale. Mudou muito pouco da época em que foi construída até os dias de hoje. É um lindo parque, em torno do qual foram construídas 36 casas, dispostas em quatro lados simétricos, com galerias em arco para proteger da chuva as bobinas de seda que eram muito delicadas.  Hoje abrigam galerias de arte, restaurantes, cafés.

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          Place de Vosges

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      O escritor Victor Hugo viveu na Maison de nº 6 da Place de Vosges, no período de 1832 a 1848. Foi lá que escreveu a maior parte de Os miseráveis e de outras obras. Hoje a casa abriga o Museu Victor Hugo, e que aproveitamos para conhecer.

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           Maison de Victor Hugo

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          No dia seguinte, logo pela manhã nos dividimos, Daniel foi com Domingos para as Catacumbas e eu, fui fazer umas comprinhas para as meninas, pois Domingos voltaria para Recife no dia seguinte. Foi andando por ali, nos Grands Boulevards que topei com as passagens cobertas de Paris, com seus tetos abobadados de ferro e vidros, corredores com painés de marmores que atravessam edifícios inteiros. Maravilha!

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            Passage Jouffroy

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         Nos encontramos no hotel, fizemos um lanche rápido e fomos para Ópera Garnier, Place Vendôme, Rue de Rivoli, Jardin de Tuileries e a igreja de La Madeleine. Quando entramos na igreja, havia acabado de se realizar um casamento e o grande órgão ainda estava tocando. Foi uma sensação indescritível, parecia que estava entrando no céu. Seguimos depois para o Palais d’Elisée. E encerramos o dia com um jantar em um bistrô defronte ao nosso hotel. Fim das férias! Mas não de Paris!