Arquivo mensal: setembro 2019

Índia

Padrão

Estava na dúvida sobre qual livro ler para a Índia, pois havia muitas indicações, mas bastou ler a sinopse de “O Deus das Pequenas Coisas” de Arundhati Roy, para que me decidisse por ele.  Arundhati, nasceu em Kerala, na Índia, em 1961, estudou arquitetura e trabalhou em cinema como designer de produção e roteirista. É uma ativista dos direitos humanos e causas ambientais. Esse foi o primeiro livro da autora, ganhou o Prêmio Booker Prize de 1997.

A história tem início com o retorno dos gêmeos fraternos Estha e Rahel, já adultos, à Ayemenem, cidade do estado de Kerala, sudoeste da Índia. Eles, apesar de serem gêmeos fraternos, têm uma ligação visceral, quase siamesa, e foram separados depois da noite do terror, há 23 anos. Só saberemos o que se passou nessa noite, e em todos os desdobramentos que se seguiram, e que afetaram toda família, no final do livro. A autora, vai soltando aos poucos, as características de cada personagem, e como a estrutura familiar, extremamente conservadora, numa sociedade dominada pelo sistema de castas, contribuiu para aprisionar todos os membros da família, num looping de infelicidade, até o desfecho trágico. Partindo da perspectiva dos gêmeos, a família é composta pela mãe divorciada: Ammu, que precisou sair de casa para fugir da violência, e como não tinha dote, casou com o primeiro que aparaceu, solução essa, que se revelou ineficaz, uma vez que o marido era alcoólatra e abusivo, e após o divórcio, ela volta para casa com os gêmeos, mas sem perspectivas, por ser mulher e divorciada, sem espaço no universo familiar e na sociedade; a avó, de personalidade forte, mas vinda de um casamento abusivo, só tem olhos para o filho homem Chacko; a tia-avó, amarga, que viu todos os seus sonhos desmoronarem por um amor não correspondido; um tio perdido, parado no tempo, sem forças para seguir em frente. Com a chegada da prima Sophie, filha do tio Chacko, nascida na Inglaterra, branca, e que mereceu ser amada desde o princípio, os gêmeos, aprendem que existem “leis do amor”, que podem definir quem deve ser amado, e o quanto.  É um livro fantástico, uma história extremamente triste, mas que não se pode ignorar.

Macedônia

Padrão

Não foi difícil encontrar um livro para a Macedônia, na verdade eu nem cheguei a  procurar, porque decidi pegar carona nas pesquisas das meninas (Camila Navarro e Luciana Malheiros) do projeto 198 Livros, pois já sabia, que não haveria muitas opções, pelo menos com fácil acesso. O livro em questão foi o The Last summer in the Old Bazaar, da macedônia Vera Bužarovska, nascida em 1931, em Bitola, Macedônia, e morta em 2013, em Skopje.Vera começou a carreira de escritora em 1962, tendo publicado mais de 40 trabalhos de prosa e poesia, tanto para adultos como crianças.

The Last Summer in the Old Bazaar, foi publicado em 1974, e trata-se de uma autobiografia da autora, durante sua infância em Bitola, no período em que aconteceu a segunda guerra mundial. A maior parte da história acontece no “Velho Bazaar”, onde brotam todos os talentos e onde tudo acontece, um verdadeiro termômetro da vida em Bitola. É lá que fica o restaurante de Gazda Mito, onde a narradora Oli, trabalha, junto com seus dois amigos, Sami e Leon, quando não estão aprontando. Por meio dos relatos de Oli, nós percebemos as dificuldades, cada vez maiores, causados pela guerra, a terrível ameaça que a chegada dos alemães provocam na cidade, a perseguição aos judeus. Esses, no entanto, são o pano de fundo da história, que nos conta também, da amizade entre três crianças, do amor que essa amizade faz brotar, que faz com que queiram conhecer os sonhos uns dos outros. Que se importem tanto, ao ponto de usar toda a força e a coragem necessários para conseguir realizá-los. Uma história sensível, que nos toca o coração.