Serra Leoa

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  IMG_0240Infelizmente as informações que tenho sobre o país são desalentadoras, recentemente junto com a Guiné e a Libéria, foi atingido pelo surto do vírus ebola, matando em torno de 3.600 pessoas, das quase 9.000 contaminadas. Mas bem antes, viveu um dos episódios mais tristes de sua história, a violenta Guerra Civil, iniciada em 1991 e que se estendeu até 2002. Um dos principais motivos, foram os diamantes. As empresas internacionais incentivavam a guerra, financiando o fornecimento de armas, com a venda das pedras para ambos os lados. O conflito teve inicio, a partir do enfraquecimento do governo, motivado pela corrupção e pelos problemas na administração das minas de diamantes, não resistindo assim aos ataques dos rebeldes, como eram chamados os integrantes da Frente Revolucionária Unida (RUF). O mais alarmante desse conflito, foi o recrutamento de crianças para  lutarem como soldados nessa guerra, uma prática que vale dizer, não se restringe apenas a Serra Leoa. Em torno de aproximadamente 21 países, as crianças são recrutadas para participarem dos conflitos armados, como meninos-soldados.

No livro escolhido para o projeto Muito Longe de Casa, memórias de um menino-soldado, Ismael Beah faz um relato da experiência vivida como menino-soldado dos 13 aos 16 anos. Eu adiei a leitura desse livro por um bom tempo, pois sabia que tratava-se de uma história forte, e estava criando coragem para ler. E de fato, é uma história triste, mas tão bem escrita, que a tristeza e o impacto da realidade vivida por ele, são um pouco amenizadas pela beleza do texto. Ele conta como viviam apavorados, a maioria tinha se perdido dos pais, ou visto a família ser assassinada, assim, viviam a mercê dos perigos da selva, famintos, fugindo o tempo todo do exército e dos rebeldes, além de hostilizados pelos habitantes das aldeias por onde passavam, pois na maioria das vezes os confundiam com os rebeldes. Então nesse contexto, o recrutamento forçado não deixava de representar uma segurança, o fim da fuga e a garantia de não morrer de fome. Mas a contrapartida, era violenta, recebiam pólvora misturado com cocaína para os manter animados para o combate e depois maconha para se acalmarem. Nas horas vagas, como lazer assistiam a filmes de violência, como rambo.  Após ser resgatado e reabilitado pela Unicef, Ismael foi escolhido como porta-voz dos meninos-soldados na Assembléia das Nações Unidas, e o seu testemunho alertou o mundo para os crimes e os responsáveis começam a ser julgados.

 

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