Arquivo mensal: maio 2017

Turquia

Padrão

                   Sempre fico na expectativa quando surge a oportunidade de ler um nobel, porque considero que a leitura deve ser, no mínimo instigante. E foi assim, quando a escolha do representante da Turquia recaiu sobre “O Museu da Inocência” de Orhan Pamuk,  ganhador do nobel de 2006. Esse foi  o primeiro livro escrito por Pamuk depois da premiação. O museu da inocência, existe de fato, e está localizado em Istambul, cidade onde foi ambientada a história do livro, o que aumentou ainda mais minha curiosidade sobre o romance. O tema central do livro, é o relacionamento extravagante entre os dois protagonistas, Kemal e Füsun. Ele, que é um autêntico representante da classe média alta de Istambul, nos anos setenta, vive o que se poderia chamar de uma vida invejável. Aos trinta anos, trabalha nas empresas da família; tem um excelente círculo de amigos, companheiros de todas as horas, e participa ativamente da vida social de Istambul, juntamente com Sibel, sua noiva. Eles, Kemal e Sibel, têm um relacionamento moderno e amoroso, e estão de noivado e casamento marcado, como era costume entre eles.  Enfim, ele vive intensamente e está feliz a vida que leva, até o dia que se reencontra, com Füsun, uma prima distante que ele não via há bastante tempo. A partir de então, sua vida nunca mais será a mesma, pois a paixão por Füsun, vai virar uma obsessão, que futuramente vai se perpetuar, com a criação do Museu, formado com qualquer objeto que tenha feito parte da história deles. Se por um lado essa obsessão por Füsun, torna a leitura extremamente maçante, o pano de fundo do enredo; a excursão pela Istambul dos anos 70; a convivência com a sociedade daquela época, como viviam e pensavam; os acontecimentos políticos; e a influência que o ocidente sobre o país (“…Os filmes dessa época nos apresentam exemplos abundantes de nosso fetiche pela luxúria infiel do ocidente…“);  são narrados de forma tão minuciosa que faz valer a pena a leitura, por todo o conhecimento que nos proporciona, sobre a vida naquele país.

A história é narrada por Kemal, e em dois momentos o próprio Pamuk vira personagem, o que deveria tornar o enredo mais interessante, mas a verdade é que fiquei frustada com o livro.

Montenegro

Padrão

 Montenegro está situado na Europa, e fazia parte da extinta Iugoslávia, sendo hoje um dos mais jovens países do mundo, atrás apenas de Kosovo e Sudão do Sul. Conquistou a independência da Sérvia, em 03 de junho de 2006. E, se ainda não está na rota dos destinos turísticos mais procurados, não é por falta de atrativos. Seu território foi contemplado com uma natureza generosíssima, com uma enorme diversidade de paisagens, tais como; montanhas, lagos, parques naturais, praias e até mesmo fiordes, os únicos do mediterrâneo. Olha só o que o poeta britânico Lord Byron, escreveu sobre o país: “At the birth of the planet the most beautiful encounter between land and sea must have been on the Montenegrin coast“. E tem mais, cidades medievais, além de abrigar uma rica história, que o diga Kotor, classificada pela UNESCO como patrimônio da humanidade, pelo seu valor histórico e cultural.

A autora do livro escolhido, Xenia Popovich, nasceu em 18/02/1977, em Montenegro, mas foi criada na Itália e nos Estados Unidos. Ela escreveu sua primeira novela(A Boy from the Water), com 18 anos, mas só foi publicada em 2004, depois que ela voltou para Montenegro. O livro tornou-se um bestseller e virou filme, com o título de Look at Me.

A Lullaby for no Man’s Wolf,  o segundo livro da autora, foi escrito em montenegro e traduzido para o inglês pela própria autora. Ambientada numa cidade e país não nominados, o livro tem como pano de fundo, a história de Klara, narrada por ela mesma. Abandonada pela família, ela cresceu no orfanato sem saber quem a abandonou, e nem porque, sentimento este que partilha com quem cresceu e viveu ao lado dela, e como ela, apesar de procurar sempre o isolamento. Klara mistura humor e ironia, sagacidade e cinismo, ao relatar a forma como os diretores do orfanato usavam as crianças, para obter doações, e o destino já traçado e sem alternativas, que as aguardavam ao saírem do orfanato. E continua nesse tom, a relatar sua história, os relacionamentos que marcaram sua vida; a professora de piano; seu primeiro amor, com Vuk; seu casamento; e todos os eventos trágicos que viveu. Uma vida marcada pela tristeza e amargura, como ela diz no início, “Most people take time to turn bitter. I was born bitter” . É uma história forte, e triste, que faz chorar, mas, ao mesmo tempo, o livro tem uma força que prende, a forma como mostra a alma dos personagens, a sensibilidade e as fragilidades, dos quais não conseguem fugir, e que fazem com sejam massacrados pelo sistema.