Panamá

Padrão

            Há um provérbio, ou frase, ou mensagem, que diz que “não se deve julgar um livro pela capa, mas pela sua história”. Pois é, aconteceu comigo. Embora tenha acatado a sugestão do grupo, de ler Negra Pesadilla Roja, do panamenho Mario Augusto Rodríguez, e adquirido o livro, antes até do Panamá ser sorteado, desprezei o coitado. Simplesmente porque antipatizei com a capa, mas, tendo chegado a hora dele, tenho que reconhecer que é um livraço! Depois de começar, não consegui mais parar de ler, mesmo com toda tristeza narrada em suas páginas. Um dos melhores, que já li nesse projeto. Foi publicado pela CELA(Centro de Estudios Latinoamericanos), em 1993. Em janeiro de 1990, a CELA decidiu dedicar todo o esforço para publicar na medida do possível todas as obras produzidas por escritores panamenhos, sobre a invasão norteamericana, ocorrida na madrugada de 20 de dezembro de 1989. Sob a alegação de capturar o General e Ditador, Manuel Antônio Noriega, as tropas americanas invadiram o Panamá na Operação Justa Causa, e com a utilização de armas supermodernas, destruíram o bairro mais populoso da Cidade do Panamé, El Chorrillo, matando milhares de civis, um verdadeiro genocídio.

                                                         O livro está dividido em duas partes, narradas por diversos personagens, ao mesmo tempo, reais e produto da imaginação do autor. Na primeira parte, chamada Devastação – Beto, o jornalista; Ruby, a professora; Nico, o estudante; Yony e Jazmim; Manuel, o delinquente; e Ernesto, membro do Batalhão da Dignidade(organização criada para apoiar as forças de defesa, contra a agressão estrangeira), todos eles moradores do bairro, El Chorrilho, narram como vivenciaram o pesadelo do ataque americano, naquela madrugada. Na segunda parte, Pesadelo, seguem a narrativa dos personagens ao longo da semana que se seguiu ao terrível ataque, o trauma vivenciado, o desespero de ver que não sobrou absolutamente nada de suas casas, e de seus mortos. Pois o exército americano, impediu que eles se aproximassem do local da invasão. É chocante, saber que essa foi uma história real! Ao longo da narrativa do romance, vamos conhecer, a história por trás da construção do canal, e a exploração do trabalho dos nativos, a luta diária para sobreviver, e como a solidariedade e cumplicidade do bairro miserável ajudava a tornar o fardo mais leve para seus habitantes. E como essa cumplicidade vai ser fundamental para ajudá-los a superar o trauma e reconstruir a já sofrida vida dos “El chorrilenhos”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s