Ruanda

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      Ruanda (1)  A passagem por Ruanda foi devastadora. Constatar que não sabia nada a respeito do país é quase constrangedor, e o mal estar ainda é maior, quando na busca por informações verificamos que os resultados apontam sempre para os acontecimentos de 1994, quando o país foi palco do maior genocídio africano dos tempos modernos. No massacre de Ruanda, foram assassinados de cerca de 800 mil ruandeses das etnias tutsi e hutus moderados, pelo hutus radicais que eram o governo na época. Por mais que busque as causas que deram origem ao massacre, não consigo encontrar nenhuma que possa justificar tamanho ódio, capaz de ter gerado tanta violência. Também não consigo encontrar a razão da inércia dos organismos internacionais que a tudo assistiram sem nada fazer para tentar conter o massacre. 

                 Gilbert Gatore, autor do livro escolhido, Le Passe Devant Soi, nasceu em Ruanda em 1981, e se refugiou no Zaire em 1994, emigrando para a França em 1997. Quando criança mantinha um diário do qual teve que se separar na fuga para o Zaire. Foi na tentativa de reconstituir esse diário que veio a se tornar escritor. Le passe devant soi, seu primeiro romance, conquistou Le Prix Ouest-France/Étonnants Voyageurs, em 2008.

                        Trata-se de um romance de ficção, duas histórias aparentemente distintas tendo como elo, o massacre de 1994, apesar de em nenhum momento do romance o autor mencionar o nome do país onde se desenvolve a ação. As histórias de Nikos, um  jovem mudo,  que se auto exilou, passando a viver isolado numa caverna no meio de uma ilha;  e de Isaro, uma linda jovem que vive na França, tendo sido adotada por um casal francês, depois de ter sobrevivido ao massacre; vão se desenvolvendo paralelamente, passando de um personagem a outro de forma harmoniosa e ritmada.  Sem saber o que levou Nikos a se refugiar nessa ilha longe da companhia dos homens, o leitor vai sendo apresentado ao personagem, e se envolvendo com ele, da mesma forma que vamos torcendo para que Isaro leve adiante seu projeto de fazer um registro do testemunho dos sobreviventes do massacre e consiga exorcizar o fantasma do seu passado. É uma leitura envolvente, e de muita beleza, e apesar de muito triste, vale a pena conhecer.

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