Bósnia-Herzegovina

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                                BosniaMais um destino assolado pela guerra. Mais uma guerra, onde crimes contra a humanidade foram cometidos. O genocídio na Bósnia ocorreu na cidade de Srebrenica em 1995, com o massacre de milhares de muçulmanos bósnios, pelos sérvios bósnios, liderados pelo general Ratkp Mladic.

                             A origem dos conflitos na ex-Iugoslávia, que culminaram com a guerra da Bósnia, era antiga e já vinha de séculos atrás. Após a segunda guerra mundial o General Tito, conseguiu unir todos os povos da Iugoslávia, e manter a unidade nacional até sua morte, em 1980. A partir de então, começaram os conflitos, causados pelas diferenças de religiões e de etnias, e por ódios e ressentimentos mútuos, desencadeando a mais longa e violenta luta armada após a segunda guerra mundial, entre abril de 1992 a dezembro de 1995. Para que se tenha uma ideia do que era a Iugoslávia na época de Tito, nada como conhecer uma espécie de anedota que circulava na época, para tentar sintetizar o sistema político-étnico de então: “Seis repúblicas, cinco etnias, quatro línguas, três religiões, dois alfabetos e um Partido”.

                             De maneira resumida, segundo pude entender, havia três grupos oponentes entre si, os sérvios (católicos ortodoxos), os croatas e eslovenos (católicos romanos) e os bósnios (muçulmamos). Cada um tentava criar seu próprio estado independente e etnicamente homogêneo.  Quando no início de 1992, os muçulmanos declararam a independência da Bósnia-Herzegovina, com a capital em Sarajevo, os sérvios da Bósnia não aceitaram. Com o apoio da Sérvia, iniciaram os combates e criaram a República Sérvia da Bósnia. E é exatamente nesse panorama, que se desenvolve a história do romance – Como o soldado conserta o gramofane, de  Sasa Stanisic.

                              O livro narra a história de Aleksander Krsmanovic, um menino que passou sua infância na cidade de Visegrad, na Bosnia, até a chegada da guerra, quando tem que fugir com sua família para a Alemanha. A história se inicia com a morte do avô Slavko, com quem tinha uma grande ligação e afinidade. O avô era um nacionalista sérvio, admirador de Tito, e dotado de uma  personalidade marcante, que exercia uma grande influência sobre o neto. Entre pescarias no rio Drina, que corta a cidade, truques de mágica que aprendia com o avô, jogos de futebol, pinturas inacabadas e histórias inventadas, Aleksander vai atravessando a infância, feliz, até a morte do avô, quando então verá sua vida desmoronar, assim como a Iugoslávia foi desintegrando com a morte de Tito.

                               A história é narrada através da visão infantil e cheia de imaginação do personagem, numa mistura da realidade como  a visão que tem dos acontecimentos que se desenrolam ao seu redor, criando uma pintura inacabada do quadro da sua vida. O livro se divide em três partes. Na primeira, Aleksander vai narrando os acontecimentos que permearam sua infância, a medida que eles foram se sucedendo, até o exílio na Alemanha. A segunda parte se inicia, quando ele recebe de sua avó, que ficou na Bósnia, um pacote de lembranças.  Ele revive o paraíso perdido na infância, “Quando tudo era bom”, tornando cada fato um capítulo dentro de outro livro. Na terceira e última parte, ele volta já adulto para sua cidade natal, para tentar se encontrar, e deixar para trás a infância e só assim ter esperança de uma nova vida.

                                  A história do personagem se mescla com a própria história do autor, que nasceu em Visegrad no ano de 1978, hoje Bósnia-Herzegovina, e teve que fugir para a Alemanha por ocasião do começo da guerra. Assim com Aleksander, Sasa é filho de pai sérvio e mãe Bósnia.

                               Achei que o recurso que o autor usou, de narrar a história através da visão de uma criança, tornou a leitura confusa, difícil de assimilar. No entanto,  para mim, o livro, cumpriu a missão, de nos introduzir em uma nova cultura, mergulhar na história e alimentar o desejo de conhecer novos destinos. Foi interessante descobrir a paixão que eles têm pelo futebol, justamente na época em que a Bósnia se classificou para a copa do mundo pela primeira vez!

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