Laos

foto (3)Nem sabia que esse país existia, até ler numa entrevista de Maitê Proença, os lugares por onde ela tinha viajado, num mochilão. Mas isso foi bem antes, de conhecer, e entrar neste projeto. Embora ainda não o tenha visitado, o nome já não soa tão estranho, e a associação com os monges budistas, com aquelas roupas cor de açafrão, é imediata. Então, apesar de já não ser tão desconhecido assim, para mim, sempre é bom dar uma olhada no mapa, para saber em que direção estou seguindo. O Laos, está situado na Ásia, e faz fronteira com a China(norte), Vietnã(leste), Camboja(sul), Tailândia(oeste) e Mianmar(noroeste). Tem como forma de governo a república socialista, com apenas um partido, e o idioma oficial é o laosiano, mas fala-se também francês e o meo(língua regional).

O Laos fazia parte junto com o Camboja e o Vietnã, da Indochina, ou Indochina Francesa, sob dominação da França. Apesar de ter adquirido sua independência, em 1954, tornando-se reino independente, foi só após a Guerra do Vietnã que as fronteiras do país foram delimitadas no formato atual. E, apesar de não ter participado diretamente dessa guerra, foi muito atacado em suas fronteiras, recebendo muito carregamento de bombas dos aviões que sobrevoavam as fronteiras. Mas, parece que esses tempos tumultuados ficaram para trás. Segundo o testemunho dos que estiveram por lá, e as imagens que vi do país, Laos é um país onde reina a calma, místico e belo, onde a natureza alinhada a uma influência da arquitetura francesa, criou um cenário fascinante, que convida a uma visita.

O representante do país na nossa viagem foi MOTHER’S BELOVED, Stories from Laos, do escritor laosiano Outhine Bounyavong.  Como o título já adianta, trata-se de uma coletânea de pequenas histórias, ambientadas no Laos, principalmente em pequenos vilarejos. O autor constrói suas histórias, com base no comportamento das pessoas, em como elas agem movidas pelas paixões, virtudes e fraquezas. E assim podemos, ter um rápido contato com alguns costumes dos laosianos. Uma idéia interessante que o autor teve, acredito que como forma de difundir o idioma laosiano, foi editar o livro simultaneamente em inglês e laosiano.

Madagascar

TovonayUltimamente, pode-se dizer que Madagascar tem estado no nosso (meu) inconsciente coletivo por causa do filme infantil, “Madagascar”. Lançado em 2005, fez tanto sucesso, que foram lançadas mais duas sequências, e atualmente, está em cartaz nos cinemas, “Os Pinguins de Madagascar“, o mais novo filme da série. Se o nome soa familiar, o mesmo não poderia dizer em relação ao país. Mas, como o #198 livros está aí, para nos aproximar dos países mais distantes, aí estão algumas informações e curiosidades que descobri.
A nação, oficialmente Republica de Madagascar, compreende além da ilha de Madagascar(uma das maiores ilhas do mundo,a quarta, na verdade), várias ilhas periféricas menores. Está localizada no Oceano Índico, ao largo da costa sudeste da África, e foi colônia da França no período de 1897 até 1960, quando conquistou sua independência. A capital é Antananarivo, e os idiomas oficiais são francês e malgaxe. A maior curiosidade para mim, foi saber que mais de 85% de toda a fauna e flora que vivem na ilha, não se encontra em mais nenhuma parte do planeta. Esse ambiente só foi possível graças ao isolamento em que a ilha ficou, ao se desprender do continente, quando o planeta ainda estava em formação. Foi nesse país, na cidade de Antananarivo, em 1948 que nasceu Michèle Rakotoson, autora do livro escolhido para  representar Madagascar, Tovonay l’enfant du Sud. Esse livro, foi escrito para adolescentes, como forma de homenagear todos os corajosos meninos de ruas, que ela conheceu em Antananarivo, após retornar do exílio na França, onde viveu desde 1983.

                  O livro conta a história de Tovonay, vítima do êxodo rural, juntamente com sua mãe e irmã. Quando seu pai se perde nas minas de safira, sua avó percebe que eles precisam emigrar para cidade para sobreviverem. Então com sua ajuda, e de um parente distante, eles se instalam em Antananarivo. A partir de então vai começar a luta de Tovonay, para sobreviver na cidade grande. Ele, apesar de ser uma criança de apenas 11 anos, assume o papel do pai, e toma as rédeas da sua vida, da sua mãe e da irmã. Ajuda a mãe no mercado, toma conta da irmã e vai para escola.  Sua vida não é fácil, e muitas vezes ele tem medo de fracassar e sucumbir as tentações da rua, mas sua avó lhe transmitiu sua coragem, e está sempre por trás, em seus pensamentos lembrando que seu neto não faria nenhuma besteira. Ele luta para permanecer na escola, e no futuro poder escolher entre ser mecânico ou médico. É um personagem apaixonante, pois mesmo com toda dureza da vida, que é obrigado a enfrentar, ele não perde a doçura e a pureza da criança, Deixa uma mensagem de esperança para os jovens, com seu exemplo, de que com trabalho, força e coragem é possível mudar nosso destino.

Chenonceau

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               No último dia de viagem, iniciamos o tour pelo Castelo de Chenonceau, o mais visitado na França, depois de Versailles. É também conhecido como o castelo das 7 damas, devido a forte personalidade das mulheres, que tendo misturado suas histórias de vida com a do castelo, deixaram nele suas marcas. Para mim, é também bastante significativo, ter me despedido da França, num local onde as mulheres fizeram suas histórias, quando tentava escrever a minha de uma nova maneira. Estava atrás de um sonho, que pude realizar juntamente com minha irmã, minha parceira nessa viagem, e o apoio de nossas famílias, conforme descrevi nesse post aqui.DSC01556DSC01555

                O esplendor do Castelo de Chenonceau, tal como podemos ver hoje, teve início com a intervenção de Thomas Bohier, intendente do Rei Francisco I, que adquiriu a propriedade em 1513. Na época, a propriedade não passava de uma fortaleza medieval com moinho, e para transformá-la em uma residência deslumbrante no melhor estilo renascentista, ele demoliu o antigo moinho, deixando apenas a torre medieval. Todo o trabalho de supervisão da construção, coube a Katherine de Briçonnet, esposa de Bohier. É assim que tem início a primeira das 7 damas a desempenhar um papel significativo para o castelo. É ela que toma todas as decisões em relação a arquitetura e decoração do Château, numa empreitada sem precedentes.

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                   Em 1533, o rei Francisco I confisca o castelo da família Bohier, e passa a frequentá-lo com sua família. Ao sucedê-lo no trono, em 1547, seu filho Henrique II, dá o castelo de presente para sua amante Diana de Poitiers. Ela faz várias melhorias no castelo, entre elas, a criação de um jardim e um pomar, com frutas exóticas para a época, e a construção de uma ponte com seis arcos sobre o Rio Cher, projeto do arquiteto Philibert Delorme.DSC01552

Quarto de Diana de Poitiers
Quarto de Diana de Poitiers

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                     Com a morte do Rei Henrique II, ferido em um torneio, sua esposa, rainha Catherine de Médicis, agora regente, expulsa a rival do Château. Inicia, então, as suas melhorias no castelo, tais como, a construção de novo jardim, perto do de Diane, além da mais significativa, que foi a construção de uma galeria em dois níveis sobre a ponte do Rio Cher. Na parte superior a rainha realizava festas espetaculares para homenagear seus três filhos, Francisco II, Charles IX e Henrique III.

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 Quarto de Catherine de Médicis
Quarto de Catherine de Médicis

                   Com a morte da Catherine de Médicis, em 1589, sua nora, Louise de Lorraine, casada com o Rei Henrique III, herda o castelo, e é lá que alguns meses depois recebe a notícia da sua morte. Abatida, se recolhe ao castelo, de onde não sairá mais até morrer, em 1601. Vive seu luto, isolada em Chenonceau dedicando-se a leitura, obras e as orações, em companhia das irmãs Ursulinas. Veste-se sempre de branco, em luto, como mandava a etiqueta da corte, sendo conhecida como a Dame Blanche. Sua morte marca o fim da presença real no Château, que fica em estado de abandono, até ser adquirido, em 1733, por Claude Dupin. Sua esposa, Louise Dupin, retira Chenonceau do ostracismo, dando-lhe vida novamente. É a era do iluminismo, e Louise organiza um Salão, como era costume na época, e conforme descrevi nesse post. Se cerca de escritores, poetas, cientistas e filósofos, tais como Montesquieu, Voltaire ou Rousseau. Protetora de Chenonceau, vai salvá-lo da Revolução Francesa.DSC01522

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                     Marquerite Pelouze, oriunda da burguesia industrial, adquire o castelo em 1864, e promove uma grande reforma, para devolver a aparência que ele tinha na época de Diana de Poitiers. E a última dama a fazer história em Chenonceau foi Simone Mernier, administrando, como enfermeira chefe, o hospital instalado nas duas galerias durante a primeira guerra mundial. A instalação e os equipamentos foram custeados pela família de Simone, a quem pertencia o castelo.Mais de 2000 soldados feridos na guerra, foram atendidos lá.

                      De alguma forma todas essas damas tiveram seus espaços preservados em Chenonceaus, e é simplesmente maravilhosa a arrumação dos arranjos de flores em todo o castelo. Não sei a quem atribuir os créditos pelas cozinhas, mas achei incrível! E principalmente quando pensamos em toda a logística utilizada para produzir as refeições à época. DSC01542DSC01541

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                    Depois de visitar Chenonceau, entendemos porque é tão visitado, é simplesmente maravilhoso. Acredito que a energia que essas damas utilizaram para torná-lo o que é hoje, de alguma forma permaneceu. Por mim teria ficado o resto do dia lá, mas ainda tínhamos mais dois castelos no roteiro, e assim tivemos que deixá-lo, o que foi feito por essa incrível alameda.DSC01559DSC01557