São Tomé e Príncipe

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IMG_0811Graças a este projeto,  pouco a pouco estou tirando alguns países do “marco zero” em que se encontravam na minha vida, quando o conhecimento é nulo. Para complementar a leitura, a pesquisa sobre o país é fundamental, e elas me mostraram que o arquipélago de São Tomé e Príncipe é o segundo menor país da África, maior apenas que o arquipélago de Seychelles. Está situado bem no “meio do mundo”, entre a América do Sul e o continente africano, sendo cortado pela linha do equador.  Até 1470 as ilhas eram desabitadas, e foram literalmente descobertas pelos portugueses João de Santarém e Pedro Escobar, mas só a partir de 1493, é que começou o povoamento efetivo de São Tomé, sendo o de Príncipe a partir de 1500. Os primeiros habitantes de São Tomé eram colonos vindos de Portugal, e escravos do continente africano, trazidos para trabalharem na agricultura, plantações de cana-de-açúcar primeiramente, e café e cacau depois. Por decreto real, em 1515, as mulheres negras dos moradores brancos e seus filhos mestiços foram libertados, e em 1517, foi a vez dos primeiros homens africanos que tinham chegado junto com os colonos, sendo esses primeiros africanos livres do arquipélago, conhecidos por “forros”. O tipo de lavoura desenvolvida no arquipélago demandava cada vez mais, mão-de-obra, aumentando a população escrava e as revoltas com os escravos fugitivos. Mesmo após a libertação dos escravos nas ilhas, em 1875, quando foi adotado o trabalho por contrato, o regime continuou a ser de escravidão.  Em fevereiro de 1953, aconteceu o massacre de Batepá, centenas de são-tomenses foram mortos a mando do governador português Carlos Gorgulho,  por se negar a serem contratados a força, para as plantações de café e cacau, ou para trabalharem como escravos nas obras públicas.

Nessa época, a grande maioria da comunidade dos brancos era constituída de homens que viviam com mulheres negras, mas socialmente não era permitido o casamento misto. O branco e uma negra não poderiam casar, constituir família para não deixarem descendência mestiça. Os homens brancos podiam até assumir os filhos negros, mas não davam o nome.  Essa realidade é semelhante aquela das ilhas de São Cristóvão e Névis, no Caribe, conforme pude observar depois da leitura do livro Only God Can Make a Tree, de Bertram Roach.

Escolhemos o livro de contos, Histórias da Gravana, de Olinda Beja, nascida em Guadalupe – São Tomé e Princípe, cujo tema é justamente sua terra natal. A autora utiliza a poesia para descrever a natureza exuberante das ilhas, composta por mares, rios, vegetação e suas incríveis aves exóticas, realçada pelo clima quente úmido das duas únicas estações: a das chuvas e a da seca, também conhecida por gravana. A natureza descrita é o cenário, onde acontecem as histórias vividas por sua gente, narrando seus costumes, danças, comidas, e onde a temática sempre aborda os conflitos raciais, a opressão dos brancos em relação aos negros e mestiços, e a miscigenação racial. Um olhar poético sobre a história das ilhas.

 

 

 

 

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