Tunísia

                        the scentsofmarieclaireChegamos na Tunísia, como estava previsto, mas desta vez a estadia no destino sorteado não seria mais do que um pit stop. Foi rápida, porque não havia muitas informações sobre o país, uma vez que o romance foi ambientado na França.

                    O autor do livro, o tunisiano Habib Selmi, nascido na cidade de Al-Ala, Tunísia em 1951, vive em Paris desde 1985. Assim como o autor, o personagem principal Mahfoud, é tunisiano e vive em Paris. No romance, narrado na primeira pessoa, Mahfoud faz uma radiografia íntima do seu fracassado romance com Marie-Claire, uma mulher francesa por quem ele se apaixona perdidamente. Logo no início do livro Mahfoud nos informa que Marie-Claire o havia deixado, e passa então a descrever o relacionamento dos dois, as diferenças culturais, as diferenças de personalidade, e a falta de capacidade para supera-las.

                      O livro, apesar de triste e de ter ficado um pouco fora do propósito do projeto, é muito bem escrito, e tanto é, que mesmo sabendo o final da história, não conseguimos parar de ler.

Argentina

        photoArgentina foi o primeiro destino dos que foram até agora sorteados, para o qual eu já havia viajado. No entanto, apesar de já ter visitado Buenos Aires, a visão que tive da cidade foi meramente turística, de alguém que está de passagem. Nada a ver com a visita guiada, com direito a roteiro histórico, que o romance de Tomás Eloy Martinez nos proporciona.  A escolha do livro foi perfeita para o propósito desse projeto, pelo menos para mim, que é conhecer, através da literatura, todos os países e suas culturas.

O livro conta a história de Bruno Cadogan, um pesquisador norte americano da obra de Jorge Luis Borges.  A história se inicia no momento que Bruno após ter se qualificado para o doutorado, inicia sua tese sobre os ensaios de Borges sobre a origem do tango. Apesar de ter sido aconselhado pelos professores a visitar Buenos Aires, não tinha considerado necessário, até ouvir falar de Júlio Martel, um cantor de tango excepcional, que canta tangos antigos, e melhor ainda do que Carlos Gardel. Chegando em Buenos Aires, Bruno fica fascinado pela beleza da cidade, por seus habitantes e sua história. Quando tenta se encontrar com Júlio Martel, descobre que não será uma tarefa fácil, pois o cantor nunca avisa aonde vai se apresentar.

                    Na busca para encontrar o cantor, ele vai nos levando a conhecer a história, trágica e bela, da cidade de Buenos Aires, assim como dos personagens que a escreveram. A história tem como pano de fundo os acontecimentos catastróficos de 2001. Sem dúvida alguma um romance inesquecível.

Arena de Lutéce

                              Foi no ritmo de gato, e com a liberdade de um pássaro, que acordamos no sábado, do nosso primeiro final de semana em terras parisienses. Sabendo que o céu era o limite para os nossos passeios, o estresse era zero. O primeiro destino, já estava acertado, voltar a Catedral de Saint-Denis, para visitar o seu interior, já que estava fechada quando visitamos da primeira vez, por causa do feriado do 1º de maio. O relato, dessa nossa visita está descrito em outro post.

                              Em seguida, pegamos o metrô e descemos em Saint Germain-des-Prés, no 5º arrondissement, o nosso destino escolhido para aquele dia. O 5º arrondissement é o bairro mais antigo de Paris, e nele estão localizados, além do Quartier Latin, Panthéon, Sorbonne, Jardim de Luxemburgo, Boulervards de Saint Michel e Saint-Germain, e tudo que sobrou da antiga Lutércia. Essa cidade galo-romana foi o berço de Paris, e teve seu início em 50 a.C., após os romanos terem ocupado o território dos parísios e construído uma cidade completamente nova no alto da atual colina de Saint-Geneviève. O que restou da Lutércia antiga, foram as termas de Cluny, a arena de Luterce e o traçado de algumas ruas nos arredores da igreja Saint-Séverien.

                             Inicialmente, passamos pelas termas de Cluny, que fica ao lado do Hôtel de Cluny e Museu Nacional da Idade Média, no Boulevard Saint Michel, mas como estava  fechada para reforma/manutenção, resolvemos deixar todo o conjunto para outra ocasião e seguir em frente. A próxima parada no roteiro era a Arena de Lutèce, e para chegar lá, contamos com a ajuda do mapa e do boca a boca. Saímos pela Rue Sommnerd até a Place de la Contrescarpe descemos pela rue Lacépede até alcançar a rue Monge, e depois foi só atravessá-la para encontrar a entrada da Arena.

                             A arena de Lutéce era um anfiteatro, construído no século I pelos romanos, para ser utilizado nas representações teatrais e como arena para os combates entre gladiadores, dentre outros jogos. Podia receber até 17.000 espectadores, e é provável que tenha permanecido em atividade até o fim do Século III, quando Lutercia foi destruída pela primeira vez. Entre reconstruções e demolições, recebeu o apoio da sociedade dos amigos da Arena, que tinha Victor Hugo entre seus membros, para chegar até os nossos dias.

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                       Depois de deixar a Arena, saímos andando a esmo pelas ruas, encontramos a casa onde Renê Descartes passou diversas temporadas, na rue Rollin, nº 14, e a do poeta e filósofo françês, Benjamin Fondane dentre outros. Essa era nossa diversão, pois o francês adora colocar placa em tudo que é canto para marcar sua história, o que é ótimo para nós, turistas e curisosos.

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                             Uma vez que estávamos pelas imediações, passamos pela sorveteria Amorino, na Place de la Contrescarpe, para o sorvete nosso de cada dia, antes de seguir nosso tour e fazer uma parada na Église St-Etienne-du-Mont, uma magnífica igreja que combina de forma harmoniosa uma mistura de estilos, gótico no exterior e renascentista no interior. A igreja abriga o túmulo de Santa Genoviève, padroeira da cidade de Paris, e as tumbas de Pascal e Racine. Tivemos sorte de passar por lá na hora da missa, pois além de ouvir o sermão do padre ainda pudemos conhecer o interior, pois só são permitidas visitas guiadas e previamente agendadas. As cenas do filme Meia-Noite em Paris, em que o personagem Gil esperava sentado pelo sino da meia-noite, foram rodadas ali nas escadarias laterais da igreja(lado esquerdo)

ST-Etienne

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                             Então saimos de lá direto para a Gare de Lyon, para buscar Daniel que estava vindo de Lyon para o final de semana. Aproveitamos para conhecer o Train Bleu, um dos restaurantes mais antigos de Paris. Mais isso é assunto para outro post.

Quem preferir ir direto para a Arena de Lutèce, o endereço é:

49 rue Monge, Metrô, Place Monge, linha 7.

A igreja de St Etienne-du-mont, fica por trás do Panthéon, na Place de Sainte Geneviève.