Camboja

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  cambojaOuvi muito falar da guerra do Camboja, mas assim como outras notícias sobre guerras em países distantes, o conhecimento fica restrito apenas ao que é divulgado pela imprensa. A dura realidade vivida pelos cambojanos, só se conhece de fato, quando se entra em contato direto, com o relato de alguém que a tenha vivenciado na própria pele. E a realidade nunca faz jus às informações que chegam até nós, ela sempre supera. Foi o que percebi, enquanto devorava o livro de Vaddey Ratner, “In the Shadow of the Banyan”, escolhido para o #198livros.

 Embora a história retrate os horrores que os cambojanos viveram no período de 1975 a 1979, época em que o Khmer Vermelho, tomou o poder no Camboja, trata-se na verdade, de uma história de amor. O amor entre um homem e uma mulher, deles por suas filhas, de uma família e seus entes queridos. Dessa forma, a autora, que escreveu a história baseada em sua experiência pessoal, rende um tributo aos que não sobreviveram ao massacre. No livro, Vaddey Ratner empresta sua voz a Raami, para contar sua história.

                   A família de Raami fazia parte da monarquia cambojana, que havia sido afastada do poder, quando o Camboja tornou-se uma republica em 1970. No inicio da história, ela está com 7 anos e vive cercada de amor, num mundo idealizado para ela, onde vive com os pais e a irmã pequena. Seus pais fazem de tudo para que ela não sofra com a sequela deixada pela pólio, adquirida quando era um bebe. Tem uma forte ligação com o pai, um poeta e idealista, que transmite através das mais variadas histórias, seus ensinamentos sobre o mundo e as pessoas.  É nesse contexto, vivendo essa existência feliz, que um dia, os soldados do Khmer Vermelho batem a porta de sua casa, transformando seu mundo de poesia, num inferno de dor e sofrimento. Através do relato de Raami, pode-se ter uma ideia do que viveram os cambojanos nesse período, como eram os campos de trabalhos forçados, a fome, os assassinatos, as torturas físicas e psicológicas. Mas para enfrentar todo esse sofrimento, Raami, conta com a força do amor dos seus pais, que são capazes de qualquer sacrifício, para que ela sobreviva. Esse sentimento para mim pode ser resumido nessa frase, que a mãe de Raami diz para ela em determinado momento: “Seu pai lhe deu asas, mas sou eu que devo lhe ensinar a voar”.  Foi um dos livros mais tocantes que já li, e foi mais uma escolha perfeita deste projeto.

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