Holanda

     foto (9)Viajar sempre é muito bom, não importa se o destino é novo, ou se já é um velho conhecido, há sempre um novo olhar para um mesmo lugar. E quando vemos o lugar pelos olhos dos nativos, ou dos que lá habitam, é ainda melhor, porque os lugares deixam de ser como monumentos para nós turistas e passam a ter vida própria. Com a chegada a Holanda foi assim, acompanhei o protagonista do livro escolhido, para cima e para baixo, conhecendo, ruas, bares, parques, bosques, canais, e ilhas, em sua busca desenfreada para reencontrar o equilíbrio em sua vida.

Armin Minderhput, o protagonista do livro de estréia de Karel G. van Loon, “Amor de Pai”, é um holandês de 37 anos, revisor de livros científicos, que sofre um abalo em sua vida ao descobrir que sempre foi infértil, mesmo sendo pai de um adolescente de 13 anos. A partir dessa descoberta, ele começa sua busca para tentar descobrir quem é o pai biológico de seu filho e amante de sua mulher, morta há 10 anos. Ao longo dessa viagem de volta ao passado, que ele precisa fazer, para poder direcionar suas buscas, ele vai encontrando surpreendentes aspectos da vida da sua mulher e da sua própria vida, que o farão repensar toda a sua forma de viver.

É um livro de leitura leve e muito agradável, que não dá vontade de largar. Uma boa escolha para o projeto do #198 livros.

Chinon

DSC01445                Continuando nosso roteiro do Vale do Loire, chegamos em Chinon depois de rodar aproximadamente 33 km, a partir de Saumur. A pequena cidade medieval, está cercada pelos rios Vienne e Loire e fica aos pés da colina onde foi construída a Fortaleza Royal de Chinon, de onde se tem uma vista maravilhosa. Até então, todo meu conhecimento sobre a cidade, resumia-se ao vinho “Chinon” e ao encontro histórico entre Joana d’Arc e o delfim, o futuro rei Carlos VII, principal razão da visita à cidade. Se havia lido antes sobre a situação atual da fortaleza, não registrei, mas o fato é que ao olhar aquela imensa fortaleza em ruínas, fiquei arrasada. Só o que ficou de pé foram as três torres e as muralhas, o restante foi demolido a mando de Richelieu, um Cardeal-bispo de política absolutista. Nem o salão, onde se passou a cena histórica, com Joana d’Arc se ajoelhando diante do delfim após identificá-lo (mesmo este se disfarçando), para dizer da parte de Deus que ele era filho legítimo do rei da França, portanto, era ele o legítimo rei da França, foi poupado. Pode-se ver pela beleza da torre que ficou de pé, a grandiosidade do restante da construção em pedras, do castelo-fortaleza. Fiquei andando por ali, tirando fotos, sentindo a energia do lugar, sem conseguir ir embora. Só após os insistentes chamados das meninas, foi que resolvi deixar o local.

DSC01436

DSC01442                      Chegamos a fortaleza de carro por um acesso que nos levou direto a ela, e só tivemos que estacioná-lo nas proximidades. Na época de Joana d’Arc não era assim, não existia a rodovia, o acesso era feito pela ladeira de pedra, com acentuada inclinação. Joana, chegou de cavalo até o início da subida. Fizemos então o caminho inverso, do alto da fortaleza descemos pela ladeira até a cidade.

DSC01431DSC01450DSC01451DSC01452

                       Foi aqui diante dessa casa, onde se pode ver a placa em cima da porta que Joana, desceu do cavalo para subir a ladeira até a fortaleza e encontrar com o delfim. Sou fascinada por Joana d’Arc e acredito que os franceses também, pois fazem questão  de deixar registrado todos os locais por onde ela passou. A cidade de Chinon parece que parou no tempo, e assim podemos de fato nos transportar através dele e imaginar a vida naquela época. DSC01454

 

DSC01456

                    Uma vez embaixo, demos uma circulada por toda a cidade que é uma graça, com praças e barezinhos, e aí já estava na hora de levantar voo para aterrissar em Azay-le Rideau.

DSC01457DSC01460DSC01461DSC01462

Vietnã

foto (8)        Antes desse projeto, o Vietnã, para mim, estava diretamente associado a Guerra do Vietnã. Era automático, pois foram tantos filmes, tantas manifestações e depoimentos que não tinha como não associar. E o sentimento era sempre o mesmo, de revolta pelos jovens americanos que foram defender uma causa que não era a deles, e perderam a saúde, a paz e a vida. Muito pouco ou quase nada, ficamos sabendo sobre a realidade do Vietnã como país, sua cultura e costumes, e como os conflitos que deram origem a guerra, afetaram a população. Viajar até o Vietnã através dos olhos de Duong Thu Huong, foi fascinante, uma excelente oportunidade de conhecer o país. A autora do livro escolhido Les Paradis Aveugles, nasceu no Vietnã em 1947, e aos vinte anos, já dirigia a brigada da juventude comunista, que foi enviada ao fronte durante a guerra. Advogada dos direitos humanos e das reformas democráticas, sempre defendeu suas convicções políticas, através de seus livros e de seu engajamento político, o que lhe valeu a expulsão do partido comunista em 1990, e a prisão de forma arbitrária, sem direito a processo. Atualmente ela vive em Paris, depois de ter vivido em prisão domiciliar em Hanói. Seu livro, Terre des Oublis, alcançou enorme sucesso na França, em 2006, e lhe valeu o Premio das leitoras de ELLE, 2007.  Embora tenha sido uma das escritoras mais populares  no seu país, seus livros foram proibidos de serem publicados lá, sendo no entanto, traduzidos no mundo inteiro.

                      Les Paradis Aveugles conta a história de Hàng, uma jovem vietnamita que vive e trabalha como operária numa fábrica de tecidos em Moscou.  A história se inicia no momento em que ela resolve atender um pedido de ajuda de tio Chinh, que lhe enviou um telegrama informando que se encontra doente. No trem que lhe levará ao encontro do tio, ela recorda seu passado doloroso, como a reforma agrária promovida pelo partido comunista, do qual seu tio é um membro ativo, afetou e destruiu não só a vida de seus pais, mas de toda sua família. E como o comportamento da mãe, agindo sob a alegação de respeito às tradições familiares, contribuiu para tornar a vida dela um suplício. Através do relato de Duong Thu Huong, podemos conhecer outra forma do sistema comunista, que já tinha acompanhado nos livros da Bulgária, e do Camboja. Embora a história de vida de  Hàng seja de dor e sofrimento, a leitura é leve e agradável, e a viagem ao Vietnã extremamente enriquecedora, onde podemos ter uma maravilhosa visão das tradições dos vietnamitas, sua gastronomia, usos e costumes.