Cuba

Cuba0674Assim que marquei minha viagem para Cuba, coloquei esse pais na ordem do dia, pois penso que, conhecer a historia do país antes de visitá-lo, é essencial para entender, e viver, o que está diante dos nossos olhos. Escolhi A Neblina do Passado, de  Leonardo Padura, na verdade, acho que ele me escolheu. Depois de haver folheado o livro na Livraria Cultura, não consegui mais deixar de achar natural, que fosse o representante de Cuba.

Jornalista, escritor e diretor de cinema, Padura, nasceu em Havana, em 1955, onde mora até hoje. Em entrevista recente, ao lhe perguntarem se não sairia de Cuba, respondeu que não tinha interesse: “É de Cuba que tiro a substância para a minha literatura e o meu jornalismo” . Esteve recentemente no Brasil, para participar da ultima edição da FLIP.

O romance é ambientado em Havana, no verão de 2003, e conta a história de Mario Conde, investigador desiludido, que abandonou a polícia a mais de 14 anos, e desde então vive da compra e vendas de livros usados. Um dia, em busca de mercadoria para trabalhar, se depara com uma biblioteca, que tem um acervo de valor incalculável, e que pode garantir sua existência por um bom tempo. Enquanto folheia um dos livros, encontra uma reportagem sobre uma cantora de bolero, Violeta del Rio, a famosa “Dama da Noite” na qual anuncia precocemente o fim da sua carreira. Atraído pela beleza e voz da cantora, não consegue frear seu instinto de detetive, e segue atrás de pistas que o levem até ela. Na busca para conhecer a história de Violeta del Rio, ele vai mergulhando na própria história de Havana, suas noites mágicas e coloridas nos anos 50, a enorme especulação imobiliária, a revolução, o período “especial” da recessão, chegando até os dias atuais. Conde conta com a ajuda dos seus grandes amigos, tanto para ir atrás de sua trilha de suspense, quanto para dar humor e leveza a história. Sem dúvida um grande romance.

Palestina

51y7qGRVrdL._SX325_BO1,204,203,200_Tentei entender o conflito entre árabes e judeus, pesquisando sobre o assunto, e já tinha até começado a escrever o post, achando que tinha entendido, quando descobri que estava lendo uma versão judaica, e que a mesma história contada por um palestino é totalmente diferente. Parece que consenso mesmo, só o nome Palestina, que significa local dos filisteus, e foi criado pelos romanos. Mais precisamente por Adriano, o imperador, para designar a terra de Israel, como forma de agressão aos judeus, pois os filisteus eram seus inimigos. Assim, desisti de tentar encontrar as razões que culminaram com o conflito. Melhor conhecer os sentimentos de quem o vive, que é a proposta do livro The Lady from Tel Aviv, de Raba’I Al-Madhoun, escolhido para representar a Palestina nesse projeto.

O autor é um jornalista palestino, nascido em l-Majdal, Ashkelon ,em 1945. Durante a limpeza étnica foi deslocado de sua terra natal, juntamente com seus pais, para o campo de refugiados palestinos, na faixa de Gaza, onde passou a infância. Atualmente vive em Londres. Walid Dahman, o protagonista, é um palestino, que vive exilado em Londres, e está voltando para casa depois de quase 40 anos, após ter conseguido seu passaporte britânico. No avião de volta, o acaso faz com que tenha como vizinha, Dana, uma judia, que também está voltando para casa. O diálogo entre os dois, faz com que percebam a diferença de perspectiva e sentimentos para com a mesma terra que ambos consideram seu “lar”. Ao leitor, o encontro dos dois permite conhecer as pessoas por trás do conflito, e não apenas árabes e judeus. Walid, também é escritor, e veio para sua terra natal, não só para rever sua mãe, famílias e amigos, mas também, para fazer um laboratório, com os personagens do romance que está escrevendo, um contador que vive na Alemanha e está retornando para Gaza em busca da mulher pela qual ele se apaixonou 30 anos atrás. Como se pode ver, trata-se de uma quase autobiografia, onde o autor mistura realidade com ficção.

 

Auvers-sur-Oise, nos traços de Van Gogh.

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                     Visitei esse charme de cidade em maio do ano passado, já no final da minha estadia em Paris. Fiz um bate-e-volta, para aproveitar o feriado de ascensão de Jesus, pois ela fica a apenas 30 km de Paris. Nos dias feriados e finais de semana, há trem direto, saindo da Gare du Nord, as 9h38, e retornando as 18h25. Mas, nos demais dias pode-se pegar um trem para Pontoise, sair da Gare Saint-Lazare ou Gare du Nord, e chegando em Pontoise, mudar de direção para Persan-Beaumont.DSC02258                  Deu vontade de revisitá-la agora, depois de ter assistido uma maravilhosa palestra do pintor holandês, Roberto Ploeg, sobre Van Gogh, por quem sou apaixonada. Ploeg é da mesma região de Van Gogh, no sul da Holanda, e forneceu uma visão do pintor, própria de um conterrâneo. Através de sua exposição, pudemos ver como os costumes da região, foram determinantes, também, na formação da personalidade de Van Gogh, e em sua pintura.DSC02302

                 Antes de Van Gogh, outros pintores já haviam sido seduzidos pelo charme e paz da cidade, preservados até hoje. Situada às margens do rio Oise, com seu aspecto medieval, lindas paisagens, ruelas e campos de trigo, serviu de inspiração para Daubiggny, Cézanne, Monet e Pissarro. Era lá, que vivia Dr. Gachet, médico psiquiatra e amante das artes, amigo desses mesmos artistas impressionistas, os quais costumava receber em sua residência. Foi a pedido de Théo, irmão de Van Gogh, que Pissarro, fez contato com Dr. Gachet, para ajudar o pintor a encontrar um lugar para morar, e poder assistí-lo. Van Gogh estava saindo de uma internação no asilo de Saint-Rèmy e buscava um local tranquilo para se recuperar. E é assim que ele descreve o vilarejo em carta a Théo, de 20/05/1890, “É o verdadeiro campo, característico e pitoresco” 243

                    Durante sua curta estadia de 70 dias na cidade, Van Gogh, pintou mais de 70 telas, e algumas delas estão reproduzidas nos locais que lhe serviram de inspiração. É uma sensação indescritível, imaginá-lo ali, pintando aquelas paisagens.

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                    Assim que cheguei, fui direto ao posto de informações turísticas, e lá soube que haveria uma visita guiada, pelos principais pontos turísticos, às 14:00h. Achei que não valeria a pena esperar, já que a cidade era tão pequena, que daria para percorrê-la apenas seguindo as informações do mapa.

Entrada para o Aubege Ravoux.
Entrada para o Aubege Ravoux.

                    Comecei pela casa onde Van Gogh viveu e morreu, o Auberge Ravoux, porque era quase vizinho do local onde eu estava, no centro da cidade. Hoje é um museu, em cima e restaurante em baixo. A visita custa 6 euros, nela incluída, um video e uma visita ao quarto dele.

Auberge Ravoux, ao centro
Auberge Ravoux, ao centro
Quarto nde Van Gogh viveu seus últimos dias.
Quarto onde Van Gogh viveu seus últimos dias.

     Era nesse quarto simples, que vivia Van Gogh, nos últimos meses de vida. Pagava o aluguel de 3,5 francos por mês, porque era tudo que ele podia pagar, com ajuda que recebia de Théo. Ficava no último andar do Auberge, no sótão,  nas dependências reservadas aos empregados, (femme de ménage) e tinha apenas 7m2.

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Depois da morte de Van Gogh, o

quarto não foi mais alugado. Atualmente, está vazio, apenas a cadeira e o armário permanecem do mobiliário original.

No quarto ao lado, porém encontram-se réplicas do restante dos móveis. Existe um pequeno lavabo na parede oposta a clarabóia.

Depois do Auberge, iniciei meu tour pelos caminhos de Van Gogh, passando pela Igreja, campos de trigo, cemitério, até voltar ao centro, para o almoço.AuversIgr2725

´L'église Notre-Dame de l'Assomption
´L’église Notre-Dame de l’Assomption

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           Tive certa dificuldade para encontrar um lugar para almoçar. Ao chegar dos campos avistei o Le Cordeville, um restaurante super simpático, mas estava cheio e não havia feito reserva. Foi quando percebi, que estava com problemas, pois todos os restaurantes estavam lotados, já que a cidade é muito pequena. Mas, finalmente, consegui encontrar um que tinha minha refeição preferida na França, pato e vinho da casa. IMG_2600 (3)

                Depois do almoço, fui para o outro lado da cidade, direto para casa do Dr. Gachet, a 20 minutos de caminhada. Não conseguia deixar de pensar que Van Gogh, havia feito aquele mesmo caminho inúmeras vezes.

Casa do Dr. Gachet
Casa do Dr. Gachet
Casa do Dr. Gachet.
Casa do Dr. Gachet.

Na volta passei pelo Château d’Auvers e  Musée de l’Absinthe

Château d'Auvers
Château d’Auvers
Musée de l'Absinthe
Musée de l’Absinthe
Musée de l'Absinth
Musée de l’Absinthe

                Apesar de pequena, Auvers-sur-Oise, tem muito para se ver, mas, infelizmente não deu para ver tudo. A Maison-Atelier de Daubigny, já estava fechada, o jeito foi voltar para a estação. para não perder o trem de volta para Paris.312

México

MalincheAntes de visitar o México pela primeira vez, queria muito ler um romance, que me fizesse conhecer a história, e entender a cultura do país. Camila, gentilmente colocou este destino na frente do sorteio, para que pudéssemos escolher o livro ideal. Malinche, de Laura Esquivel, foi o consenso, e de fato, depois de lê-lo, cheguei a conclusão de que foi a escolha perfeita, exatamente o que estava buscando.

Malinche foi uma mexicana, muito atraente, e que tinha uma grande habilidade no aprendizado de línguas. Por isso, foi escolhida para ser intérprete de Hernan Cortés, o poderoso espanhol que subjugou o povo asteca. Tornou-se uma personagem bastante controvertida, pois além de intérprete, era amante de Cortés, sendo acusada de traição ao seu povo. A história de Malinche, e a relação com sua avó, tornou-se um mito na história do México. E suas tradições, como a relação da religião com a natureza, a cultura do milho, o poder de seguir em frente para se conseguir a transformação, são transmitidas através dos ensinamentos da avó para com a neta. Já a relação de Malinche com Cortés, nos dá uma idéia da violenta ocupação espanhola e a destruição de uma civilização. Adorei a leitura, e todo conhecimento adquirido sobre a história do México.

Congo-Brazzaville

        unnamedComo existem dois países na África, com “Congo” no nome, para distinguir um do outro, costuma-se chamar a República do Congo, de Congo-Brazzaville. Eles são vizinhos, sendo que o Brazzaville, foi colônia da França, enquanto a Republica Democrática do Congo, foi colônia da Bélgica, alcançando ambos a independência em 1960. Foi na cidade de Pointe-Noire, no Congo-Brazzavile, que nasceu Alain Mabanckou, em 1966. Obteve seu baccalauréat em Letras e Filosofia, mas acaba por estudar Direito na Universidade Marien-Ngouabi, em Brazaville, para realizar o desejo de sua mãe. Aos 22 anos vai para Paris terminar sua graduação, levando alguns manuscritos, que escrevia nas horas vagas. Apesar de trabalhar com a advocacia durante um certo tempo, nunca parou de escrever. Em 1998 consegue publicar seu primeiro romance, Bleu-Blanc-Rouge, que lhe rende o Grand Prix Littéraire de l’Afrique noire. Apesar de desconhecido para mim, antes desse projeto, Alain Mabanckou, é um escritor bastante premiado por vários dos seus livros, e duas vezes, pelo conjunto da obra. Verre Cassé, e Mémoire de porc-épic, foram suas obras mais premiadas. Ficamos com Verre Cassé.

                      Verre Cassé, é o cliente mais assíduo do bar Le Credit a voyagé, e o narrador dessa história. Segundo ele relata, após ter contato a história de um famoso escritor que bebia como uma esponja, ao dono do bar L’Escargot entèté, este, lhe entregou um caderno, para que ele registrasse a história do estabelecimento, como forma de preservar sua memória. Meio a contra gosto, e sem acreditar no projeto, ele inicia o relato descrevendo a polêmica para instalação do bar. Primeiro foram as pessoas ligadas a igreja, que perceberam que aos domingos, o número de fièis diminuia bastante e empreenderam uma verdadeira guerra santa, depois o grupo dos enganados dos finais de semana e feriados, depois um associação de ex-alcoolátras convertidos a bebedores de refrigerantes, depois quebradores pagos por velhos infelizes e assim por diante até se tornar um conflito nacional. Mas apesar da polêmica, o bar permaneceu, e com ele seus assíduos clientes e suas tragicômicas histórias de vida, inclusive a própria história de Verre Cassé. São todas histórias tristes, mas que são contadas de uma forma hilária, exageradas, quase surrealista, e com muito bom humor. Alain, aproveita o romance para mostrar a realidade do continente em que está inserido seu país, pois segundo ele diz: “Eu não escrevo por prazer, mas para testemunhar e explicar a realidade do meu continente...”.

 

 

Cuba por Hemingway

Rua Obispo com vista do Hotel Ambos Mundos
Rua Obispo com vista do Hotel Ambos Mundos ao fundo.

             Quando decidimos viajar para Cuba, eu já sabia que Hemingway havia morado lá, tinha visto no filme Hemingway & Gellhorn. Para conhecer mais sobre a estadia em Cuba, comprei o livro Hemingway em Cubado jornalista cubano, Norberto Fuentes. Hemingway se mudou de Key West para lá em 1938. Primeiro alugou a propriedade de Finca Vigía, e depois comprou-a com os royalties recebidos pela adaptação cinematográfica de Por quem os sinos dobram?.

          Mas antes de se mudar para a Finca Vigía, Hemingway, costumava se hospedar no Hotel Ambos Mundos toda vez que ía a Havana. Ele havia visitado Havana pela primeira vez em abril de 1928, numa escala de 48 horas, vindo de La Rochelle, França, para Cayo Hueso, Key West, na Flórida. Sua primeira viagem a Cuba, foi em 1932, para pescar o peixe-espada, e desde então foram inúmeras idas e vindas, até se mudar de vez. Além de pescar, escrever, Hemingway, bebia muito e tinha seus locais preferidos, para beber e encontrar os amigos, como a Floridita, e Bodeguita del Médio. E eu, claro, não podia deixar de visitar todos esses lugares que fizeram parte da vida de Hemingway, sendo que muitos desses, estão imortalizados em seus livros. 

HOTEL AMBOS MUNDOSIPHONE DE ANA 228

          Um dos quartos, dos quais Hemingway costumava se hospedar, está isolado e aberto a visitações. Segundo a guia, ele se hospedou em vários quartos, mas aquele era o seu preferido, por causa da vista. Deu trabalho para entrar no quarto, por 3 vezes estivemos lá e estava fechado. A primeira vez porque era domingo, e as outras duas, porque perdemos a hora, pois como falei antes, o sol demora a se pôr em Cuba, e o quarto só fica aberto a visitações até as 17:00. Conhecemos, o hall, e o terraço no último andar, com uma vista deslumbrante, isso em cada uma das vezes que fomos, mas o quarto mesmo, só no último dia, porque aí já era uma questão de honra, não tinha como sair de Havana, sem visitar o quarto.

Hall do Hotel Ambos Mundos
Hall do Hotel Ambos Mundos
Barzinho na cobertura do hotel.
Barzinho na cobertura do hotel.
Vista da cobertura do hotel
Vista da cobertura do hotel

          Hemingway costumava apreciar essa paisagem, ficava ali sentado com o copo de uísque, vendo a noite cair. Essa paisagem está descrita na crônica “A pesca da Agulha na Altura do Morro”IMG_0620IMG_0619IMG_0618

FLORIDITAViagem Abril2014 030

          Nove quadras separam o Ambos Mundos do Floridita, e durante 10 anos este foi um trajeto muito utilizado por Hemingway. Era comum vê-lo, caminhando pela Rua Obispo em direção ao Floridita, sempre trajando sapatos de lona, camisa de algodão e bermudas cáqui desbotadas. O Floridita, já era famoso, muito antes de Hemingway, já existia há quase um século, quando mudou o nome de Piña de Plata para Floridita, entre 1898-1902. Ao longo dos anos 40, reuniam-se no Floridita, ao meio-dia em ponto, importantes personalidades da vida cubana, e políticos. Mas, não restam dúvidas que Hemingway contribuiu para o seu prestígio. Quando ele recebeu o Premio Nobel em 1954, fizeram um busto de bronze, e após a estatização do Floridita, os garçons e administradores proibiram o público de sentar no seu banquinho, embaixo da estátua.IPHONE DE ANA 231

          É uma sensação mágica, entrar no Floridita, com todo aquele burburinho,  a animação da música,  e a volta ao passado. Comandamos nossas daiquirís e brindamos a Cuba.IPHONE DE ANA 232

BODEGUITA DEL MÉDIO

          Fica perto da Praça da Catedral, chegamos lá guiados pela música, e pela agitação, parecia uma festa, então vimos o famoso nome. É um lugar bem apertadinho, cheio de fotografias e de milhares de assinaturas dos clientes nas paredes. E então, no meio daquele mundo de assinaturas, incluindo as de Salvador Allende, Ingar Ibsen, coloquei a minha! Ernest Hemingway apareceu por lá nos anos 40. Dizem que foi por essa época que ele disse a frase que preside o balcão: “Meu daiquirí no Floridita, Mi mojito in la Bodeguita“. Vale a pena tomar um mojito no Bodeguita, e fazer parte de sua história por alguns instantes, e sem contar que o drink é delicioso!IMG_0621

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FINCA VIGÍA

          Foi nessa propriedade que Hemingway morou por mais de 20 anos, num casarão rústico, em San Francisco de Paula, a uns 15km de Havana. Era o refúgio, onde escrevia pelas manhãs, lia as tardes, recebia amigos, criava gatos, cachorros e tinha uma criação especial de galos de briga. Após sua morte em 1961, foi doado por sua viúva a Cuba e foi transformado em museu.IPHONE DE ANA 094

          Enquanto programava a viagem já tinha decidido que queria visitar Finca Vigía, então dona Cândida providenciou um taxista conhecido seu, Luis, para nos levar. O carro era um Lada, caindo aos pedaços, que parou duas vezes uma na ida e outra na volta. Na hora fiquei tensa, e constrangida pelo taxista, que era super gente boa. E enquanto ele tentava fazer o carro pegar eu me tranquilizava, pensando, estou indo conhecer a casa de Hemingway. Imagine a decepção quando chegamos e descobrimos que estava fechado por que era domingo.Fiquei arrasada! Então me lembrei do livro de Norberto, sobre a praia que ele costumava pescar. E assim, pedimos a Luis para nos levar, para Cojimar!

Tudo que vimos da Finca Vigía. A casa fica a 300m da entrada.
Tudo que vimos da Finca Vigía. A casa fica a 300m da entrada.

COJIMAR

                  Essa pequena vila de pescadores a leste de Havana, foi cenário de vários contos de Heminway, e onde ele conheceu o pescador Gregório Fuentes, o velho Santiago, do livro “O Velho e o Mar. Era lá que ficava ancorado o seu iate “Pilar”, que tinha como capitão o velho Gregório. Ele também era adorado pelos pescadores, que o chamavam de “Papa”, e rasparam o bronze dos próprios barcos para fazer o busto do escritor quando ele morreu.IPHONE DE ANA 097IPHONE DE ANA 114IPHONE DE ANA 115IPHONE DE ANA 127IPHONE DE ANA 109IPHONE DE ANA 110

                 O busto de Hemingway está ali no meio do coreto. Esse carro é o nosso velho Lada, e ali sentados a direita do coreto, estavam dois amigos tocando violão. Os meninos foram chegando junto e logo, logo, já eram “best” e tocando junto com eles. Fiz um vídeo, ficou meio torto, mas dá para se ter uma idéia do clima.

                    E antes de dizer adeus a Cojimar, um “mojito” para refrescar!IPHONE DE ANA 128

Quirguistão

51+Z-A+xNwL._AA160_Saí do Caribe direto para as montanhas da Ásia Central, para um dos países menos conhecidos da família dos “stão“, cercado por eles(Casaquistão, Uzbequistão e Tadjiquistão) e pela China. E até onde me levaram as minhas pesquisas, com a mesma natureza deslumbrante. 90% do território do Quirguistão é formado por montanhas e lagos, o que lhe valeu o nome de “A Suíça da Asia” por quem lá esteve. E é neste deslumbrante cenário que se passa a história do autor Chingiz Aïtmatov, Jamilia.

Num pequeno vilarejo do Quirguistão uma família, vive oprimida pelos transtornos que a guerra vem causando, pois todos os homens adultos da família foram convocados para lutarem no front.  Aqueles que ficaram, em sua maioria mulheres e crianças, encontram dificuldades para reorganizar a vida, e realizar todo o trabalho necessário, sem o auxílio dos que partiram.  Essa reestruturação, no entanto, em nada alterou os rígidos costumes que norteiam a vida no vilarejo, e na família de Sait, o pequeno cunhado de Jamília, e narrador da história. Ele, de acordo com os costumes, assume algumas responsabilidades na família, por ser homem e suceder os irmãos mais velhos que partiram para guerra. Jamilia, sua cunhada estava casada há apenas quatro meses com seu irmão Sadyk, quando este partiu para a guerra, e apesar da ligação afetiva que os cunhados têm um pelo outro, eles não podem se tratar pelo primeiro nome, pois têm que observar os costumes. Jamília, não é só querida por Sait, mas por todos da família,  No entanto, apesar de não se lamentar ela não leva uma existência das mais felizes, fica triste, com a indiferença do marido revelada nas cartas que envia, pois são endereçadas a toda família, e indignada e ofendida com o assédio dos homens, inclusive da própria família de Sadyk.

Um dia chega ao vilarejo, Danibar, um jovem ferido na guerra, e que logo é chamado para ajudar a carregar os grãos para a estação de trem no pequeno vilarejo juntamente com Jamilia e Sait. Toda noite, no caminho de volta para casa, eles passam pelas montanhas, e ali rodeados pela natureza, eles sentem aflorar os sentimentos mais verdadeiros. Sait maravilhado, presencia o nascimento do amor entre os jovens, e pra ele também, esses momentos vividos tão intensamente, vão ajudá-lo a se descobrir.

Cuba: Habana Viedja

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           Em 1982, o centro histórico de Havana, ou Habana Viedja, foi declarado Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, e tombada pela UNESCO. Foi lá que se iniciou a urbanização de Havana, no início do século XVI. O bairro de Habana Viedja, tem o formato de uma ponta, se iniciando no Castillo de San Salvador de la Punta, contornando até Estación Central de Ferrocarriles, e segue pela paseo de Martí, até encontrar o Castillo de San Salvador novamente. O paseo de Martí atravessa a Praça Central, e chegando nessa praça você praticamente já se achou, pois é possível pegar qualquer transporte: táxis, carros antigos, cocotáxi, bicitáxi, e os ônibus turísticos T1 e T3, além da facilidade de orientação em relação a cidade de Havana como um todo e principalmente, para se iniciar um walking tour, por toda Habana Viedja, como nós fizemos.

Paseo Jose Martí
Paseo Jose Martí – Praça Central

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                   Segundo dados pesquisados no guia de Eduardo Ernesto Felippi, quando houve a dissolução da URSS, a partir de 1991, e a retirada do auxílio monetário à ilha, Cuba começou a viver o “período especial”, com o racionamento no setor energético, principalmente com o petróleo e diminuição dos compradores de açúcar. Visando melhorar a entrada de divisas no país, o governo passou a investir no turismo, apoiando atividades privadas como a criação das casas particulares e paladares, que possibilitariam também um aumento na renda da população.  Também foi criado o grupo Cubanacán, de capital misto entre o Canadá(principal investidor estrangeiro em todos os setores do país), com o objetivo de explorar o turismo em Cuba. Assim, quando chegamos no bairro, é visível o contraste em relação ao restante da cidade, com a maioria dos edifícios sendo restaurados, ruas humanizadas, uma delícia percorrer toda Havana Viedja a pé.IPHONE DE ANA 151

               E não existe outra pedida em Habana Viedja que não seja caminhar, caminhar e caminhar. Assim, sem pressa, vai se descobrindo recantos, praças e lugares incríveis. As ruas humanizadas estão lotadas de turistas, cubanos atrás dos turistas e os nativos vivendo suas vidas. E mais, sempre se escuta os acordes da salsa. E quando chega a noite, aí é que a agitação se faz sentir, fazendo valer as palavras de Leonardo Paduro, em A Neblina do Passado:”…o colorido cenário musical das turbulentas noites havanesas dos anos 1950, tão cheias de brilho e alegria….” E foi assim, pé ante pé, que clicamos alguns desses lugares maravilhosos.

Plaza de la Catedral

Catedral de la Habana na Plaza de la Catedral
Catedral de la Habana na Plaza de la Catedral
Restaurante El Pátio
Restaurante El Pátio

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Plaza San Francisco

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Plaza de Armas

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Venda de livros na Plaza de Armas
Venda de livros na Plaza de Armas

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Plaza Viedja

Essa de todas foi a minha preferida, pela beleza, animação, música e os drinks. Perfeita!

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Mojitos
Mojitos

Mas nem só de praças vive Habana Viedja!

Jardim de Madre Teresa de Calcutá no pátio do Convento de San Francisco, com a estátua em bronze do escultor José Villa Soberón.IPHONE DE ANA 217

Farmácia e Livraria, clicadas pela diferença de lay-out.IPHONE DE ANA 043IPHONE DE ANA 196 IPHONE DE ANA 197E a incrível maquete da cidade!IPHONE DE ANA 154 IPHONE DE ANA 155 IPHONE DE ANA 156

Adiante, ainda tem mais Cuba fora de Habana Viedja!

Antígua e Barbuda

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             Este foi o primeiro país do Caribe a ser sorteado no projeto #198livros. Na época que li, ainda não tinha visitado nenhum país dessa região, então, ainda não estava obcecada com a ideia/desejo de conhecer todas as ilhas do Caribe. Antígua e Barbuda, está localizado no mar do Caribe, e é formado basicamente por três ilhas Antígua, Barbuda e Redonda. Segundo informações encontradas no Wikipédia, as ilhas foram “descobertas” por Cristóvão Colombo em 1493, e vendidas a Grã-Bretanha em 1667, até conquistarem sua independência em 1981. A economia do pais é desenvolvida principalmente pelo turismo e construção civil.

A Small Place“, da escritora Jamaica Kincaid, foi o livro escolhido para representar o pais. Nascida, Elaine Potter Richardson em St Jonh’s, capital e maior cidade de Antigua e Barbuda, ela era filha única até os nove anos, e vivia com a mãe, com a qual mantinha uma relação muito próxima, e com o padrasto. Após o nascimento de mais três irmãos, ela foi sendo negligenciada pela mãe, que a mandou para os Estados Unidos, aos 17 anos, para trabalhar “au pair” para uma família americana, e tornar-se arrimo de família. Desde então, ela cortou relações com sua família, e após conseguir trabalhar como escritora, trocou de nome para não ser reconhecida em Antígua.

Neste pequeno livro, ela faz uma análise da história do seu país, escrevendo de forma primorosa, um desabafo dirigido principalmente aos europeus e americanos, a quem responsabiliza pela situação do país. Inicia, se dirigindo aos turistas, criticando-os por virem ao país apenas usufruir das maravilhas que lhes são oferecidas sem se preocuparem com a realidade daquelas pessoas que lhes prestam os serviços e que vivem ali, uma situação completamente diferente daquela ao alcance deles, os turistas. Em seguida, se dirige aos colonizadores, que vieram tirar suas riquezas e impor sua cultura, deixando enfim, ao se retirarem do país, uma corrupção sem limites, e por fim se questiona em que tipo de pessoas, eles os antiguanos, se tornaram. O tema não é novo, ele é recorrente, em se tratando de colonizadores x colonizados, mas a maneira como a autora denuncia essa realidade, é surpreendente.

Cuba: primeiras impressões

                       Andei fora do blog, por algumas semanas. Foram muitas viagens e muitos casamentos. Vou começar a postar sobre as férias, que passei viajando por Cuba, México e Panamá. Começando por Cuba.

"bicitaxi" no primeiro plano com o Edifício do Capitólio Nacional ao fundo.
“Bicitaxi” no primeiro plano com o Edifício do Capitólio Nacional ao fundo.

         De 64 a 86, o Brasil cortou relações diplomáticas com Cuba e por isso, meu primeiro passaporte tinha esse carimbo: “Não é válido para Cuba”. carimbo cubaQuando a gente tem quinze anos, e recebe uma mensagem dessas, não se atreve a duvidar que se trata de um lugar inatingível. Então imagine a ansiedade, quando, já com viagem marcada para Cancún, decidimos incluir Cuba, no nosso roteiro. Afinal ficava apenas do outro lado da baia, um pulo. Mergulhei de cabeça nos preparativos. Pra começar, passei Cuba, na frente dos outros destinos no projeto #198 livros, com o livro “A Neblina do Passado”. Um livro maravilhoso  de um jornalista cubano, ambientado numa Havana contemporânea, além de pesquisar em outros blogs de viagem, e ler sobre a história do país. Pensei então que estava preparada, mas o choque cultural, é inevitável, a gente não faz ideia, até pousar num aeroporto, aonde os funcionários pareciam soldados, ver a frota de carros caindo aos pedaços, assim como inúmeros edifícios desmoronando por falta de manutenção, e ver por toda parte mensagens aludindo a revolução, além de muita pobreza.Viagem Abril2014 008

É, embora não tenha sido amor a primeira vista, não posso negar que terminei caindo de amores pelo país. Fomos sucumbindo a magia de Havana, um pouquinho a cada dia, num total de cinco. Acho que foi assim também com Hemingway, que esteve lá pela primeira vez, em 1928, e terminou fazendo de Cuba, sua morada mais permanente  ao longo de 21 anos, de 39 a 60. O que mais me impressionou foi perceber que os cubanos são muito mais, do que o estigma de Fidel e da revolução, que não combina com um povo tão alegre, musical e sensual. Bom, mas voltando a viagem, embora tenha lido muito, não cheguei a fazer um roteiro foi tudo na base do improviso, e no final deu tudo certo.Viagem Abril2014 025

                  Ficamos hospedados em casa de cubanos, pois a ideia era  viver uma experiência diferente, convivendo com os nativos, aliado a um custo bem menor. Depois de uma certa dificuldade, consegui uma reserva, pelo site:mycasaparticular, na casa de dona Cândida e seu Pedro, no centro de Havana, distante umas 4 quadras da “Habana Viedja”. Nós adoramos ficar lá, a casa era simples, mas não faltava nada, além de muito acolhedora. No café da manhã,  dona Cândida apresentava os novos hóspedes, e era tanta conversa, que ficava até difícil se levantar da mesa para passear. Eita vida difícil! Eles também orientavam com dicas de passeios, táxi, ou qualquer outra necessidade.

TuristandoIPHONE DE ANA 058

IPHONE DE ANA 057                        Como falei acima, não fizemos roteiro prévio, foi tudo de improviso, apesar de já ter uma ideia do que gostaria de visitar. Tivemos alguns contratempos até nos ajustarmos a cuban way of life, onde não havia internet fácil para dar notícias aos que ficaram. No primeiro dia, depois de um almoço desastrado, ainda desorientados na cidade, pegamos um “bicitaxi” para ir até a Malecón, e fomos literalmente assaltados(no preço), mas recompensados com essa vista! E aí, quem se importa, faz parte! Andamos por toda a orla até chegar no forte, de lá pegamos um cocotaxi por 5 CUC para voltar para casa.

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Casario da Malecón
Casario da Malecón

                       Nesse primeiro dia, como já havia reservado, ainda no Brasil, jantamos no La Guarida, classificado como paladar, pequenos restaurantes caseiros autorizados pelo governo a funcionarem em residências. Para mim, não vi diferença de um restaurante normal, inclusive quanto ao preço. Ele é bastante conhecido, já apareceu no filme “Morango e Chocolate”, vale a pena, pois é muito bom, e ficava a umas duas quadras de onde estávamos, numa casa maravilhosa, que estava sendo restaurada. Foi uma noite excelente, ajudando-nos a terminar bem um dia relativamente atribulado.