Espanha

         IMG_0140             Sentimentos não se explicam, se sentem. Em tese, eu não teria motivo algum para não gostar da Espanha, pelo simples fato de ainda haver visitado o país. Mas confesso, que tinha uma certa antipatia. Isso até ler “A Sombra do Vento” de Carlos Ruiz Zafón, que se passa em Barcelona. Depois de passear e viver a cidade junto com os personagens, descobrir várias comidas típicas, não tem como não desejar ir além, e conhecer mais sobre o país, colocando a Espanha no topo da minha lista de países a conhecer. A história, começa, em 1945, com a cidade de Barcelona, ainda convalescendo dos horrores vividos na guerra. Daniel, então com 11 anos, sofre por não conseguir lembrar o rosto da mãe, já falecida. Para o distrair, seu pai, dono de um sebo, resolve levá-lo para conhecer o cemitério dos livros, um lugar mágico e misterioso, e por ser a primeira vez, ele tem direito a escolher o livro que quiser. Ao escolher A sombra do vento, de Julían Catax, Daniel dará um novo rumo a sua vida, que jamais será a mesma. Ele lê durante toda a noite, sem conseguir parar, até chegar ao final do livro, e fica tão fascinado pelo leitura, que decide buscar outros livros do autor. Com a ajuda do pai, inicia sua busca, e descobre que mais alguém está atrás dos livros de Julían Catax, mas apenas para destruí-los.  E assim, cada vez mais, Daniel vai se envolvendo nas investigações para descobrir o mistério envolvendo a vida de Julían Catax, e nessa busca, sua própria vida vai sendo afetada. Carlos Ruiz Zafón, escreve de uma maneira envolvente, num ritmo acelerado, que nos mantém ligados aos personagens, sem querer largar o livro, até chegar ao seu final, assim como Julían Catax fez com Daniel e todos que leram os seus livros.

 

Turcomenistão

livroMeu conhecimento sobre o grupo de países com nomes terminados em “tão”, e que fizeram parte da extinta União Soviética, é quase nulo. Participar do projeto do #198livros, está ajudando, em parte, a preencher essa lacuna. Depois do Uzbequistão, chegou a vez do Turcomenistão. No mapa, está situado na Ásia Central, banhado pelo Mar Cáspio, faz fronteira com o Cazaquistão a noroeste, Uzbequistão a nordeste e leste, Afeganistão a sudeste, Irã ao sul e sudoeste. O deserto Karakum ocupa 80% do território e assenta-se sobre imensas jazidas de gás natural (4ª maior reserva do mundo), a principal fonte de receita do país no comércio exterior. Para ajudar na agricultura foi construído, a partir de 1950, um grande canal Karakumskiy – a partir do rio Amu Dária. Quase 50% da área irrigada é plantada com algodão. O cultivo da monocultura do algodão foi determinado pela União Soviética, para suprir demanda interna, e a utilização do canal karakumsky para irrigação da área, provoca efeitos ambientais graves como a diminuição do Mar Aral.

AK Welsapar, autor do livro escolhido, The Tale of Aypi, vive exilado na Suécia, há quase 20 anos. Foi perseguido por ter escrito artigos com denúncias sobre o meio ambiente, que estaria sendo devastado, e sobre as vidas de mulheres e crianças ameaçadas pelas condições em que eram obrigadas a trabalhar.  Neste livro,  Ak Welsapar, relata em forma de poesia, os transtornos vividos por uma pequena comunidade de pescadores, localizada, no litoral do Mar Cáspio. Eles estão sendo expulsos de sua comunidade, onde viveram por toda vida, e onde viveram seus antepassados, deixando para trás, não só suas casas, e meio de vida, mas também toda a cultura e tradições, para dar lugar a uma clínica para tratamento de asmas. A forma, como está sendo feito o processo de ocupação/expulsão, e a reação dos habitantes frente a essa situação, é um dos temas das muitas discussões levantadas pelo autor. A discussão ganha novos temas com a chegada de Aypi, vinda do fundo do mar, onde morreu há mais de 300 anos. Ela foi condenada a morte pelos habitantes do vilarejo, por ter ganho um colar de rubi de um grupo de estrangeiros, retorna cheia de rancor e desejo de vingança. A visita que o autor nos proporciona ao vilarejo, é inesquecível. Ele narra com maestria, as diversas situações e eventos vividos pelos moradores, compartilhando esses momentos com os leitores.

Paquistão

81iep4mFIwL._SL1500_Em alguns dos livros que li, de Khaled Hosseini, o Paquistão aparecia como a rota de fuga ao regime opressor do Afeganistão, me levando a concluir erroneamente, que lá deveria haver mais liberdade. Mas, a verdade é que o regime do Talibã, surgiu no Paquistão, e foi bancado por ele. Está aí, Malala para comprovar, baleada pelo Talibã por defender o direito a educação feminina. Mas o universo do livro de Moshin Hamid, Moth Smoke, não é aquele dominado pela fundamentalismo muçulmano, embora a religião se faça presente como reflexo do cotidiano das pessoas. O autor mergulha seu enredo, num Paquistão, dividido entre a classe alta privilegiada e a massa trabalhadora oprimida, ironicamente representada, entre os que possuem, e os que não possuem ar condicionado. A história é ambientada, em Lahore, num verão sufocante, tanto pelo calor como pela tensão nuclear crescente, entre o Paquistão e a India, e narra a trajetória de Daru Shezad rumo a decadência.  O livro se inicia pela cena final, o julgamento de Daru, acusado da morte de uma criança. Para chegar aos fatos o autor dá voz aos personagens que são próximos a Daru, e o acompanharam em sua trajetória, Ozi, seu melhor amigo, a esposa dele Muntaz, que vem a ser sua amante, e seu fornecedor de drogas. Daru vem de uma família com poucos recursos, mas viveu sempre entre amigos de uma classe social mais alta, graças a ajuda do pai de Ozi, que era amigo do seu pai, já falecido. Ele e Ozi, vivem uma amizade conturbada, onde convivem com o ciúme e a rivalidade. A medida que vamos mergulhando no livro, vamos conhecendo todas as facetas da personalidade de Daru, e seu relacionamento, com Ozi, e Muntaz. Acompanhar a trajetória de Daru, me deixou meio deprimida, mas vale a pena ler o livro, e ver tudo que o autor tem para dizer.

Piauí

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Vista da cidade de Teresina
Vista da cidade de Teresina

            Viajar a trabalho, nunca é a mesma coisa do que viajar a lazer. Mas, uma viagem sempre é uma viagem, e se o destino é desconhecido, mais um motivo para aproveitar a ocasião. Este sempre foi o meu lema, aproveitar sempre as oportunidades que aparecerem no meu caminho. E foi assim que em 2007, tive a oportunidade de conhecer um pouco do Piauí, ao ser convocada para um trabalho de 2 semanas em Teresina, sem chance de voltar para casa no final de semana.  Durante a semana, a jornada era muito puxada, e não conseguia sair do roteiro, hotel/trabalho/hotel. Como só fiquei com 2 dias para explorar o Piauí, fiz o seguinte roteiro: Sábado, conhecer os pontos turísticos de Teresina, e no Domingo, um bate e volta ao Delta do Parnaíba. Agora pense num bate e volta sacudido, de Teresina para o Delta são nada mais nada menos do que 330 km.

TERESINA – Central de Artesanato Mestre Dezinho, localizada na Praça Pedro II, é um complexo com várias lojinhas, num total de 25, que comercializam o melhor do artesanato do Piauí, entre eles a Cerâmica da Serra da Capivara, que eu acho maravilhosa e muitas representações do Cabeça de Cuia(explicarei a lenda mais adiante). Lá também estão instalados a Escola de Música e Balé de Teresina. OLYMPUS DIGITAL CAMERA

 Muito agradável o aglomerado de casinhas no caminho que dá acesso ao Parque Ambiental Encontro dos Rios, com várias lojinhas e oficinas de cerâmicas.

Oficinas dos artesãos no acesso ao Parque do Encontro das Águas
Oficinas dos artesãos no acesso ao Parque Ambiental do Encontro das Águas

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Chegando no Parque do Encontro das Águas
Chegando no Parque Ambiental  do Encontro das Águas

Parque Ambiental Encontro dos Rios, no local onde o rio Poti e o rio Parnaíba se encontram, foi construído um parque com quiosques para comercialização de produtos artesanais, mirante, restaurante flutuante e monumento ao Cabeça de Cuia. É um local muito agradável, arborizado o que é fundamental, pois o calor que faz em Teresinha é assustador. Estive lá no mês de agosto e ficava impressionada ao sair do trabalho às 19:00 horas e não receber uma brisa, apenas um bafo quente. Não conseguia deixar de pensar como seria em dezembro.

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Restaurante flutuante
Restaurante flutuante

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Encontro dos rios Poti e Parnaíba
Encontro dos rios Poti e Parnaíba
Monumento ao Cabeça de Cuia
Monumento ao Cabeça de Cuia

A lenda do Cabeça de  Cuia trata-se da história de Crispim, um jovem garoto que morava nas margens do rio Parnaíba e de família muito pobre. Conta a lenda que certo dia, chegando para almoço, sua mãe lhe serviu, como de costume, uma sopa rala, com ossos, já que faltava carne na sua casa frequentemente. Nesse dia ele se revoltou, e no meio da discussão com sua mãe, atirou o osso contra ela, atingindo-a na cabeça e matando-a. Antes de morrer sua mãe lhe amaldiçoou a ficar vagando no rio e com a cabeça enorme no formato de uma cuia, que vagaria dia e noite e só se libertaria da maldição após devorar sete virgens, de nome Maria. Com a maldição, Crispim enlouquecera, numa mistura de medo e ódio, e correu ao rio Parnaíba, onde se afogou. Seu corpo nunca foi encontrado e, até hoje, as pessoas mais antigas proíbem suas filhas virgens de nome Maria de lavarem roupa ou se banharem nas épocas de cheia do rio. Alguns moradores da região afirmam que o Cabeça de Cuia, além de procurar as virgens, assassina os banhistas do rio e tenta virar embarcações que passam pelo rio. Outros também asseguram que Crispim ou, o Cabeça de Cuia, procura as mulheres por achar que elas, na verdade, são sua mãe, que veio ao rio Parnaíba para lhe perdoar. Mas, ao se aproximar, e se deparar com outra mulher, ele se irrita novamente e acaba por matar as mulheres. O Cabeça de Cuia, até hoje, não conseguiu devorar nem uma virgem de nome Maria“.

DELTA DO PARNAÍBA – No domingo, sai de madrugada, com um grupo numa van, que saiu defronte do Luxor Piaua Hotel, na praça Marechal Deodoro.  Rodamos os 330 km, passamos pela ciade de Parnaíba até Porto do Tatu, onde pegamos um barco para fazer o passeio. Fomos navegando pelo rio Parnaíba até o litoral do Piaui, que tem apenas 66 km de extensão.

Porto do Tatu
Porto do Tatu
Rio Parnaíba
Rio Parnaíba
Ilha Canária, lado do Maranhão
Ilha Canária, lado do Maranhão

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Oceano Atlântico, no litoral do Piauí.
Oceano Atlântico, no litoral do Piauí.
Barco atracado num banco de areia.
Barco atracado num banco de areia.

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Postei a última foto com os pescadores do Piaui, uma homenagem ao povo mais hospitaleiro que tive a oportunidade de conhecer.

 

 

Marrocos

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Um dos legados de minha passagem pelo Marrocos, através do livro “Au pays”,do autor Tahar Ben Jelloun, foi finalmente(confesso) descobrir a definição de “magreb”, que até então, não era clara para mim. Em árabe significa “poente”. Trata-se da região noroeste da África, do qual fazem parte o Marrocos, Saara Ocidental, Argélia e Tunísia, chamada de “Pequeno Magreb” ou “Magreb Central”. O Grande Magreb inclui ainda a Mauritânica e a Líbia. O árabe e o berbere são os idiomas mais falados, ao lado das línguas de herança colonial, francês na Argélia e Marrocos, inglês e italiano na Líbia. Essa região também faz parte, junto com o Egito, da chamada “África branca”. Essa distinção da região é mencionada em uma passagem do livro, quando Mohamed, o protagonista, que é magrebino, comenta a desordem provocada pela chegada em massa dos novos imigrantes africanos, pois a mistura de magrebinos e africanos provocava insultos racistas dos dois lados, e brigas entre adolescentes, sem que ele soubesse se o racismo se devia a extrema pobreza ou a cor da pele.

Au Pays, narra a história de Mohamed, um marroquino que vivia em um pequeno e pobre vilarejo no interior do Marrocos, até emigrar para a França. Isso há cerca de 40 anos, na época em que a política oficial do governo francês, era recrutar nas colônias ultramarinas os trabalhadores braçais. Eles eram necessários para suprir a escassez de mão-de-obra, causada pelas duas guerras mundiais, e possibilitar a expansão da economia.  Mohamed está atormentado, com a proximidade da aposentadoria, já que não fez nenhum planejamento, e foi testemunha da amargura que se abateu sobre os colegas, que vivenciaram a mesma situação, que ele está prestes a viver. Ele narra, que é uma pessoa triste desde que chegou à França, assim como todos os magrebinos, imigrantes como ele. Na verdade, ele nunca se adaptou ao novo país, viveu sempre de acordo com a sua religião islâmica, e seus costumes, sem se permitir sequer falar o idioma do país, apesar de ser capaz de entender, principalmente porque os filhos só se comunicavam em francês. Ao contrário de Mohamed, seus cinco filhos se consideram franceses e não se identificam com suas raízes árabes, o que o deixa muito triste, achando que perdeu os filhos para a França.   Ele se considera feliz no casamento, e se orgulha de nunca ter discutido com a esposa, o que se mostra razoável, já que também não conversa com ela. Como se pode ver, o trabalho e a rotina na fábrica são seu referencial, e a única razão lógica de continuar a viver na França. Sem o trabalho, ele sabe que será difícil continuar vivendo lá, e assim, deseja voltar ao Marrocos, e terminar seus dias em sua terra natal. Quando os filhos eram menores, ele costumava viajar para o Marrocos nas férias, sempre nos mesmos períodos e permaneciam todo o tempo no vilarejo. Agora se ressente, deveria ter mostrado todo o pais para os filhos, para que eles pudessem de fato conhecer o Marrocos, sua beleza, diversidade e seus habitantes. E é isso que decide fazer, mostrar o Marrocos para eles, e sabendo que têm períodos de férias diferentes, a viagem terá que ser feita em duas ou três vezes. Tem então a idéia de construir uma grande casa, para poder abrigar toda a sua família, e assim poderem ficar juntos.

É uma história muito triste, dá uma angústia ver a solidão de Mahomed, e ao mesmo tempo raiva, ao ver sua incapacidade de reagir a vida. Não deixa de ser uma crítica do autor, a situação dos imigrantes na França, a uma falta de política de integração da população muçulmana e negra à sua economia e cultura.

Itália

foto (12)A Itália dispensa comentários, porque são tantas as cidades e as regiões  com características peculiares, que fica até difícil escolher apenas um livro para representar o país. Assim resolvi apostar no romance de estreia de Silvia Avallone, Aço, considerado um fenômeno literário de 2010 pela crítica italiana e vencedor do Premio Campiello Opera Prima.

A história é ambientada em Piombino, uma comuna da região da Toscana, banhada pelo mar Tirreno, distante 10 km da Ilha de Elba, aquela mesma que foi exílio de Napoleão Bonaparte, em 1814, depois da derrota para Rússia. Depois que a Lucchini, uma indústria siderúrgica se instalou em Piombino, por volta dos anos 60, a cidade deixou de ter vida própria, passando a viver em função da siderúrgica, que garante a sobrevivência de quase toda a cidade. Quase todos, moram nos conjuntos habitacionais idênticos construídos pela Habitação Popular para os operários da siderúrgica. Parece que não há como fugir ao destino já traçado para todos os habitantes de Piombino, sem outras perspectivas além de trabalhar na Lucchini, morar em seus conjuntos habitacionais, e viver uma vida sem esperanças. Mas no verão de 2001, Anna e Francesca, duas grandes amigas, no início da adolescência, com os hormônios começando a explodir, e uma vontade enorme de viver, resolvem desafiar a ordem normal da vida na cidade, e vão ousar viver de acordo com seus desejos. Um excelente romance, desses que não conseguimos parar, até ler a última palavra.

Laos

foto (3)Nem sabia que esse país existia, até ler numa entrevista de Maitê Proença, os lugares por onde ela tinha viajado, num mochilão. Mas isso foi bem antes, de conhecer, e entrar neste projeto. Embora ainda não o tenha visitado, o nome já não soa tão estranho, e a associação com os monges budistas, com aquelas roupas cor de açafrão, é imediata. Então, apesar de já não ser tão desconhecido assim, para mim, sempre é bom dar uma olhada no mapa, para saber em que direção estou seguindo. O Laos, está situado na Ásia, e faz fronteira com a China(norte), Vietnã(leste), Camboja(sul), Tailândia(oeste) e Mianmar(noroeste). Tem como forma de governo a república socialista, com apenas um partido, e o idioma oficial é o laosiano, mas fala-se também francês e o meo(língua regional).

O Laos fazia parte junto com o Camboja e o Vietnã, da Indochina, ou Indochina Francesa, sob dominação da França. Apesar de ter adquirido sua independência, em 1954, tornando-se reino independente, foi só após a Guerra do Vietnã que as fronteiras do país foram delimitadas no formato atual. E, apesar de não ter participado diretamente dessa guerra, foi muito atacado em suas fronteiras, recebendo muito carregamento de bombas dos aviões que sobrevoavam as fronteiras. Mas, parece que esses tempos tumultuados ficaram para trás. Segundo o testemunho dos que estiveram por lá, e as imagens que vi do país, Laos é um país onde reina a calma, místico e belo, onde a natureza alinhada a uma influência da arquitetura francesa, criou um cenário fascinante, que convida a uma visita.

O representante do país na nossa viagem foi MOTHER’S BELOVED, Stories from Laos, do escritor laosiano Outhine Bounyavong.  Como o título já adianta, trata-se de uma coletânea de pequenas histórias, ambientadas no Laos, principalmente em pequenos vilarejos. O autor constrói suas histórias, com base no comportamento das pessoas, em como elas agem movidas pelas paixões, virtudes e fraquezas. E assim podemos, ter um rápido contato com alguns costumes dos laosianos. Uma idéia interessante que o autor teve, acredito que como forma de difundir o idioma laosiano, foi editar o livro simultaneamente em inglês e laosiano.

Madagascar

TovonayUltimamente, pode-se dizer que Madagascar tem estado no nosso (meu) inconsciente coletivo por causa do filme infantil, “Madagascar”. Lançado em 2005, fez tanto sucesso, que foram lançadas mais duas sequências, e atualmente, está em cartaz nos cinemas, “Os Pinguins de Madagascar“, o mais novo filme da série. Se o nome soa familiar, o mesmo não poderia dizer em relação ao país. Mas, como o #198 livros está aí, para nos aproximar dos países mais distantes, aí estão algumas informações e curiosidades que descobri.
A nação, oficialmente Republica de Madagascar, compreende além da ilha de Madagascar(uma das maiores ilhas do mundo,a quarta, na verdade), várias ilhas periféricas menores. Está localizada no Oceano Índico, ao largo da costa sudeste da África, e foi colônia da França no período de 1897 até 1960, quando conquistou sua independência. A capital é Antananarivo, e os idiomas oficiais são francês e malgaxe. A maior curiosidade para mim, foi saber que mais de 85% de toda a fauna e flora que vivem na ilha, não se encontra em mais nenhuma parte do planeta. Esse ambiente só foi possível graças ao isolamento em que a ilha ficou, ao se desprender do continente, quando o planeta ainda estava em formação. Foi nesse país, na cidade de Antananarivo, em 1948 que nasceu Michèle Rakotoson, autora do livro escolhido para  representar Madagascar, Tovonay l’enfant du Sud. Esse livro, foi escrito para adolescentes, como forma de homenagear todos os corajosos meninos de ruas, que ela conheceu em Antananarivo, após retornar do exílio na França, onde viveu desde 1983.

                  O livro conta a história de Tovonay, vítima do êxodo rural, juntamente com sua mãe e irmã. Quando seu pai se perde nas minas de safira, sua avó percebe que eles precisam emigrar para cidade para sobreviverem. Então com sua ajuda, e de um parente distante, eles se instalam em Antananarivo. A partir de então vai começar a luta de Tovonay, para sobreviver na cidade grande. Ele, apesar de ser uma criança de apenas 11 anos, assume o papel do pai, e toma as rédeas da sua vida, da sua mãe e da irmã. Ajuda a mãe no mercado, toma conta da irmã e vai para escola.  Sua vida não é fácil, e muitas vezes ele tem medo de fracassar e sucumbir as tentações da rua, mas sua avó lhe transmitiu sua coragem, e está sempre por trás, em seus pensamentos lembrando que seu neto não faria nenhuma besteira. Ele luta para permanecer na escola, e no futuro poder escolher entre ser mecânico ou médico. É um personagem apaixonante, pois mesmo com toda dureza da vida, que é obrigado a enfrentar, ele não perde a doçura e a pureza da criança, Deixa uma mensagem de esperança para os jovens, com seu exemplo, de que com trabalho, força e coragem é possível mudar nosso destino.

Chenonceau

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               No último dia de viagem, iniciamos o tour pelo Castelo de Chenonceau, o mais visitado na França, depois de Versailles. É também conhecido como o castelo das 7 damas, devido a forte personalidade das mulheres, que tendo misturado suas histórias de vida com a do castelo, deixaram nele suas marcas. Para mim, é também bastante significativo, ter me despedido da França, num local onde as mulheres fizeram suas histórias, quando tentava escrever a minha de uma nova maneira. Estava atrás de um sonho, que pude realizar juntamente com minha irmã, minha parceira nessa viagem, e o apoio de nossas famílias, conforme descrevi nesse post aqui.DSC01556DSC01555

                O esplendor do Castelo de Chenonceau, tal como podemos ver hoje, teve início com a intervenção de Thomas Bohier, intendente do Rei Francisco I, que adquiriu a propriedade em 1513. Na época, a propriedade não passava de uma fortaleza medieval com moinho, e para transformá-la em uma residência deslumbrante no melhor estilo renascentista, ele demoliu o antigo moinho, deixando apenas a torre medieval. Todo o trabalho de supervisão da construção, coube a Katherine de Briçonnet, esposa de Bohier. É assim que tem início a primeira das 7 damas a desempenhar um papel significativo para o castelo. É ela que toma todas as decisões em relação a arquitetura e decoração do Château, numa empreitada sem precedentes.

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                   Em 1533, o rei Francisco I confisca o castelo da família Bohier, e passa a frequentá-lo com sua família. Ao sucedê-lo no trono, em 1547, seu filho Henrique II, dá o castelo de presente para sua amante Diana de Poitiers. Ela faz várias melhorias no castelo, entre elas, a criação de um jardim e um pomar, com frutas exóticas para a época, e a construção de uma ponte com seis arcos sobre o Rio Cher, projeto do arquiteto Philibert Delorme.DSC01552

Quarto de Diana de Poitiers
Quarto de Diana de Poitiers

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                     Com a morte do Rei Henrique II, ferido em um torneio, sua esposa, rainha Catherine de Médicis, agora regente, expulsa a rival do Château. Inicia, então, as suas melhorias no castelo, tais como, a construção de novo jardim, perto do de Diane, além da mais significativa, que foi a construção de uma galeria em dois níveis sobre a ponte do Rio Cher. Na parte superior a rainha realizava festas espetaculares para homenagear seus três filhos, Francisco II, Charles IX e Henrique III.

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 Quarto de Catherine de Médicis
Quarto de Catherine de Médicis

                   Com a morte da Catherine de Médicis, em 1589, sua nora, Louise de Lorraine, casada com o Rei Henrique III, herda o castelo, e é lá que alguns meses depois recebe a notícia da sua morte. Abatida, se recolhe ao castelo, de onde não sairá mais até morrer, em 1601. Vive seu luto, isolada em Chenonceau dedicando-se a leitura, obras e as orações, em companhia das irmãs Ursulinas. Veste-se sempre de branco, em luto, como mandava a etiqueta da corte, sendo conhecida como a Dame Blanche. Sua morte marca o fim da presença real no Château, que fica em estado de abandono, até ser adquirido, em 1733, por Claude Dupin. Sua esposa, Louise Dupin, retira Chenonceau do ostracismo, dando-lhe vida novamente. É a era do iluminismo, e Louise organiza um Salão, como era costume na época, e conforme descrevi nesse post. Se cerca de escritores, poetas, cientistas e filósofos, tais como Montesquieu, Voltaire ou Rousseau. Protetora de Chenonceau, vai salvá-lo da Revolução Francesa.DSC01522

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                     Marquerite Pelouze, oriunda da burguesia industrial, adquire o castelo em 1864, e promove uma grande reforma, para devolver a aparência que ele tinha na época de Diana de Poitiers. E a última dama a fazer história em Chenonceau foi Simone Mernier, administrando, como enfermeira chefe, o hospital instalado nas duas galerias durante a primeira guerra mundial. A instalação e os equipamentos foram custeados pela família de Simone, a quem pertencia o castelo.Mais de 2000 soldados feridos na guerra, foram atendidos lá.

                      De alguma forma todas essas damas tiveram seus espaços preservados em Chenonceaus, e é simplesmente maravilhosa a arrumação dos arranjos de flores em todo o castelo. Não sei a quem atribuir os créditos pelas cozinhas, mas achei incrível! E principalmente quando pensamos em toda a logística utilizada para produzir as refeições à época. DSC01542DSC01541

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                    Depois de visitar Chenonceau, entendemos porque é tão visitado, é simplesmente maravilhoso. Acredito que a energia que essas damas utilizaram para torná-lo o que é hoje, de alguma forma permaneceu. Por mim teria ficado o resto do dia lá, mas ainda tínhamos mais dois castelos no roteiro, e assim tivemos que deixá-lo, o que foi feito por essa incrível alameda.DSC01559DSC01557

Colômbia

 

       foto (1)Colômbia passou na frente dos outros países, já sorteados, porque em umas das minhas visitas a Livraria Cultura, encontrei o livro do premiado autor colombiano Evelio Rosero, “Os exércitos”, enquanto passeava por entre as prateleiras da livraria. Depois de folheá-lo, fiquei com tanta vontade de ler, que decidi levá-lo comigo e fazer dele o representante da Colômbia no #198livros.  E a escolha foi perfeita, o romance conta a história de um casal de aposentados, o professor Ismael e sua esposa Otília, que vivem há quatro décadas no pequeno vilarejo de San José. A história, narrada por Ismael, retrata a transformação da pacata vida do vilarejo, em uma violenta praça de guerra. A transformação é feita lenta e gradativamente, a medida que o desaparecimento dos habitantes do vilarejo, vai sendo substituído pelo surgimento de homens armados, que começam a tomar conta da cidade. A violência retratada é a própria história de violência da Colômbia, com os grupos paramilitares, FARC e os narcotraficantes, agindo ao mesmo tempo. No entanto, embora o tema seja assim, avassalador, ele chega até o leitor de forma leve, suave, poética.  O livro foi vencedor do Independent Foreign Fiction Prize.