Liverpool – um sonho de cidade!

  100_0523            Sendo fã dos Beatles, como sou, e apaixonada por viagens, incluir Liverpool no roteiro era apenas uma questão de tempo. Em julho de 2012, finalmente a oportunidade chegou, e consegui encaixar a cidade no roteiro de uma das viagens mais inesquecíveis que já fiz. Não sei se foram os locais visitados, o alto astral dos viajantes, as excelentes oportunidades aproveitadas, tudo junto e misturado, deu no que deu, uma viagem maravilhooosaaa! Então, aproveitando uma promoção da Condor, fizemos: RecifeFrankfurt-Paris-Brighton-Liverpool-Londres-FrankfurtRecife, em duas semanas. Para Liverpool, que é o foco deste post, separamos dois dias e uma noite, mas adoraria ter ficado mais um pouco. Chegamos em Liverpool de manhã, colocamos as malas no hotel, tomamos um banho e fomos tomar o café da manhã em um pub, The Midland Pub, bem clássico e maravilhoso, que ficava ao lado do nosso hotel, o Britannia Adelphi Hotel também clássico e maravilhoso, antes de começar a explorar a cidade. Acho que se tivesse que escolher uma palavra para definir Liverpool diria “clássica” e foi isso que mais me atraiu na cidade.100_0420

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                    Tínhamos comprado os tickets para o tour da National Trust, um passeio que nos permitiria conhecer internamente as casas de infância de John Lennon e Paul McCarteney. O tour sairia as 10:00 do Jurys Inn Centre Hotel. Então fomos caminhando e descobrindo a cidade, com o tempo que tínhamos, até chegar ao Jurys Inn. Ficamos encantados com a cidade, é linda! Tanto a parte antiga, como a moderna.

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                         As dez em ponto estávamos lá no hall do hotel para iniciar o nosso tour. Seguimos primeiro para a casa de John Lennon, Mendips, 251 Menlove Avenue, onde ele viveu com tia Mimi dos 5 aos 22 anos. A casa foi comprada por Yoko Ono e doada ao Patrimônio Britânico, que a restaurou e reconstituiu exatamente como era antes. É incrível, parece que congelou no tempo e estamos espiando, e a qualquer momento os moradores entrarão pela porta. A guia conta todos os detalhes, até o estalo na escada, que denunciava a chegada de John de madrugada, para tia Mimi. Infelizmente não se pode fotografar.

Van da National Trust
Van da National Trust

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Felizes depois da visita, na frente da casa de John Lennon, com o selo azul ao fundo, indicando que morou alguém ilustre
Felizes depois da visita, na frente da casa de John Lennon, com a “placa azul” ao fundo, indicando que ali morou alguém ilustre.

                          Em seguida, visitamos a casa de Paul, que fica na 20 Forthlin Road. É bem interessante também, mas não está tão bem reconstituída como a de John. Também não se pode fotografar o interior apenas a fachada.

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                              Ao final do tour a van nos deixou no mesmo local, perto do cais de Albert Dock e como já era hora do almoço, unimos o útil ao agradável, fomos conhecer o complexo de lojas e restaurantes instalados no locais onde antes funcionavam armazéns e prédios relacionados às docas, após terem sido restauradas.100_0450

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                         Liverpool tem uma grande importância histórica para a Inglaterra, pois foi um dos portos mais importantes do país no período em que esta dominou os mares mundiais. Em 2004, a UNESCO inscreveu uma parte da cidade, a Cidade Mercantil Marítima de Liverpool, como Patrimônio da Humanidade, em especial o chamado Albert Dock. A forma como os antigos armazéns e docas foram construídos, bem ao lado do mar permitiu, de forma inovadora, que os navios fossem carregados diretamente a partir das docas e dos armazéns, com grande ganho de eficiência.

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                                A tarde tínhamos comprado os ingressos para o  Magical Mistery Tour, um passeio de duas horas guiado, em um ônibus de turismo, cujo roteiro são todos os locais relacionados à infância e adolescência de Paul, John, Ringo e George, além daqueles que tiveram influência no encontro deles e na formação da banda até se tornarem o que são hoje.100_0457

                             Além das casas de John e Paul, que já tínhamos visitado, passamos pela de Ringo, bem simples que mal dava para ver do ônibus, e da de George, localizada na 12 Arnold Crove, onde ele viveu com os pais e três irmãos mais velhos. Na de George conseguimos descer para tirar fotos. A senhora da National Trust nos contou que não conseguiram comprar a casa deles, por isso não fazem parte do primeiro tour e só podemos ver de fora.

Numa dessas casinhas do lado direito morou Ringo.
Numa dessas casinhas do lado direito morou Ringo.
Casa de George, os moradores não devem aguentar a quantidade de visitantes!
Casa de George, os moradores não devem aguentar a quantidade de visitantes!

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                               Passamos ainda pela igreja St. Peter, em cujo salão paroquial John e Paul se encontraram pela primeira vez, as escolas que os quatro frequentaram. Ao final eles nos deixaram no Cavern Club, pub onde a banda costumava tocar.100_0479

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                               No dia seguinte fomos conhecer o “Museu dos Beatles”, onde é contada toda a história da formação da banda, e de seus componentes através de cenários, objetos significativos, figurinos, são reproduzidas locais onde eles tocaram, e uma infinidade de lembranças. Nem sei quanto tempo passamos, mas valeu muito a visita, adorei!

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Guitarra e piano de John Lennon.
Guitarra e piano de John Lennon.

Não existem coincidências, nem acasos, depois de conhecer Liverpool, entende-se porque além do seu passado histórico, foi  o coração da revolução musical durante a década de 1960, e nos deu os Beatles. Maravilhosa!

Pegando a estrada para Londres!
Pegando a estrada para Londres!

 

 

São Tomé e Príncipe

IMG_0811Graças a este projeto,  pouco a pouco estou tirando alguns países do “marco zero” em que se encontravam na minha vida, quando o conhecimento é nulo. Para complementar a leitura, a pesquisa sobre o país é fundamental, e elas me mostraram que o arquipélago de São Tomé e Príncipe é o segundo menor país da África, maior apenas que o arquipélago de Seychelles. Está situado bem no “meio do mundo”, entre a América do Sul e o continente africano, sendo cortado pela linha do equador.  Até 1470 as ilhas eram desabitadas, e foram literalmente descobertas pelos portugueses João de Santarém e Pedro Escobar, mas só a partir de 1493, é que começou o povoamento efetivo de São Tomé, sendo o de Príncipe a partir de 1500. Os primeiros habitantes de São Tomé eram colonos vindos de Portugal, e escravos do continente africano, trazidos para trabalharem na agricultura, plantações de cana-de-açúcar primeiramente, e café e cacau depois. Por decreto real, em 1515, as mulheres negras dos moradores brancos e seus filhos mestiços foram libertados, e em 1517, foi a vez dos primeiros homens africanos que tinham chegado junto com os colonos, sendo esses primeiros africanos livres do arquipélago, conhecidos por “forros”. O tipo de lavoura desenvolvida no arquipélago demandava cada vez mais, mão-de-obra, aumentando a população escrava e as revoltas com os escravos fugitivos. Mesmo após a libertação dos escravos nas ilhas, em 1875, quando foi adotado o trabalho por contrato, o regime continuou a ser de escravidão.  Em fevereiro de 1953, aconteceu o massacre de Batepá, centenas de são-tomenses foram mortos a mando do governador português Carlos Gorgulho,  por se negar a serem contratados a força, para as plantações de café e cacau, ou para trabalharem como escravos nas obras públicas.

Nessa época, a grande maioria da comunidade dos brancos era constituída de homens que viviam com mulheres negras, mas socialmente não era permitido o casamento misto. O branco e uma negra não poderiam casar, constituir família para não deixarem descendência mestiça. Os homens brancos podiam até assumir os filhos negros, mas não davam o nome.  Essa realidade é semelhante aquela das ilhas de São Cristóvão e Névis, no Caribe, conforme pude observar depois da leitura do livro Only God Can Make a Tree, de Bertram Roach.

Escolhemos o livro de contos, Histórias da Gravana, de Olinda Beja, nascida em Guadalupe – São Tomé e Princípe, cujo tema é justamente sua terra natal. A autora utiliza a poesia para descrever a natureza exuberante das ilhas, composta por mares, rios, vegetação e suas incríveis aves exóticas, realçada pelo clima quente úmido das duas únicas estações: a das chuvas e a da seca, também conhecida por gravana. A natureza descrita é o cenário, onde acontecem as histórias vividas por sua gente, narrando seus costumes, danças, comidas, e onde a temática sempre aborda os conflitos raciais, a opressão dos brancos em relação aos negros e mestiços, e a miscigenação racial. Um olhar poético sobre a história das ilhas.

 

 

 

 

Nigéria

         IMG_2441 Assim como Camila Navarro eu havia visto a palestra de Chimamanda Ngozi Adichie sobre O Perigo de uma única história e achei perfeita a escolha do livro dela, Hibisco Roxo, para o  projeto do 198 Livros. Mas, como ainda não o tinha adquirido, e já tinha o Chinua Achebe, O Mundo se Despedaça, mudei de ideia e resolvi ler este primeiro. Também queria ler Chinua, pois é uma referência quando se trata de literatura africana. Ele nasceu em 1930, em Ogidi, sudeste da Nigéria.  Seu nome completo é Albert Chinualumogu Achebe,  mas na universidade renegou seu nome britânico, Albert, para adotar seu nome indiano, abreviado, Chinua. Apesar de ter recebido toda a educação em inglês, língua oficial da Nigéria, ele nunca se afastou da cultura igbo, etnia a qual pertencia. Embora sempre escrevesse em inglês, nunca deixou de incorporar vocábulos e narrativas igbo. Se tornou um grande narrador do colonialismo europeu na África.

          O Mundo se Despedaça retrata todos os componentes da cultura africana, através da história de Okonkwo, um bravo e bem sucedido guerreiro, da etnia igbo, estabelecido na região de Umnuófia, sudeste da Nigéria, as margens do rio Níger. Na primeira parte do livro, Chinua descreve como é a vida em sociedade antes da chegada dos colonizadores, a rotina, os costumes, a divisão em tribos, a hierarquização dentro da família, o culto aos ancestrais e deuses. Na segundas parte, Okonkwo, se vê vítima de do destino por acidente, e embora possuindo um excelente caráter e goze do respeito do clã, é obrigado a seguir as rigorosas leis do clã, sendo punido com o exílio por um período de sete anos. É acolhido pela família da mãe, na aldeia de Mbanta, onde deverá cumprir seu exílio. É quando começam a aparecer os missionários que vem difundir a religião dos colonizadores. Na terceira parte, Okonkwo retorna ao seu clã após ter cumprido o exílio, e assiste decepcionado a adesão a nova religião de muitos conterrâneos e presença cada vez maior do homem branco impondo uma cultura completamente diferente da deles.

                 É fascinante ter a oportunidade de conhecer a cultura do povo africano, antes da invasão dos europeus através de autores como Chinua, Amadou Hampãté Bã, Olympe Bhêly-Quenum, Camara Laye, e tantos outros. E ao mesmo tempo angustiante assistir a violenta imposição da cultura do colonizador. Ainda bem que a África é enorme, e tenho um bom caminho a percorrer e aproveitar.

 

São Cristóvão e Névis

   71GoqzvBkzL        Mais um país cuja existência desconhecia completamente, nem mesmo de ouvir falar. Este é o menor país caribenho, e menor estado soberano das Américas, composto de duas ilhas, São Cristóvão e Névis, separadas por uma faixa de três quilômetros das águas claras do Caribe, possuem juntas apenas 261 km. Seus vizinhos mais próximos são Porto Rico e Antígua e Barbuda. Foram descobertas por Cristóvão Colombo em 1493, e colonizadas pela Grã-Bretanha a partir de 1623. Somente em 1983 conseguiram a independência. A maioria dos seus quase 56 mil habitantes(2016) são descendentes de escravos africanos que foram trazidos para trabalhar na lavoura da cana-de-açúcar e algodão. O livro escolhido para representar o país, Only God Can Make a Tree, foi escrito por Bertram Roach.

          Nascido na ilha de Névis, filho de um administrador de uma fazenda onde se cultivava a cana-de-açúcar, ele cresceu  vivendo a realidade desse meio, onde a força propulsora dessa lavoura era a mão-de-obra escrava. Após a libertação dos escravos, estes passaram a ser tralhadores “livres”, mas trabalhando em regime de escravidão, sem chance alguma de virem a ascender profissionalmente e/ou socialmente devido a cor da sua pele. Bertram Roach conta neste livro a história de sua vida, mudando alguns nomes e locais para proteger a identidade das pessoas envolvidas.

             O livro narra a história de Adrian, um mestiço filho de pai branco(irlandês) e mãe negra(nativa). Ele não tem uma relação próxima com os pais, pois no fundo não os perdoa por terem se casado, não consegue entender porque sua mãe não casou com um negro. Esse sentimento que separa as pessoas pela cor da pele, e define seu lugar na sociedade, é mostrado de uma forma tão crua e direta pelo autor,  que as vezes chega a chocar, mas é a realidade daquela época, e daquela sociedade. Os brancos vinham para trabalhar e enriquecer, conheciam as mulheres negras, se relacionavam e as vezes as engravidavam, mas jamais casavam com elas. O pai de Adrian, foi uma exceção, no entanto jamais apresentou a esposa a família na Europa. Por outro lado os homens negros, sabiam que por mais competentes e trabalhadores que fossem, jamais teriam qualquer chance de evoluir na profissão. Esse sentimento, vai influenciar de uma forma bastante negativa as decisões futuras de Adrian, e das pessoas ao seu redor, e é por meio da história dele, que o autor traça um retrato minucioso da vida no país.

Bielorússia

  IMG_0521Não consigo me lembrar porque o nome da capital Minsk me soa tão familiar, se não conhecia nada sobre o país. Claro, que agora depois de algumas “googladas” peguei algumas informações, como localização geográfica, cultura e política. A Bielorússia só conquistou a independência, em 1991, depois de ter pertencido a União Soviética por mais de 70 anos. O nome da Bielorússia significa “Rússia Branca”, e assim como no nome, a influência da Rússia, se faz bem presente, segundo relato de quem a visitou, em todas as áreas; na arquitetura, no comércio, e principalmente  no idioma, já que o russo é o idioma falado, e a língua oficial juntamente com o bielorusso. No entanto, a herança mais impressionante refere-se a forma de governo, pois embora o nome oficial do país seja República da Bielorússia, o país vive numa ditadura nos moldes da antiga União Soviética, comandada por Alexander Lukashenko, presidente desde 1994, e considerado como “o último ditador na Europa”. Para se conhecer a autoridade do regime, tome-se o fato do livro do jovem escritor Victor Martinovich, Paranoia, ter sido retirado das prateleiras dois dias após sua publicação. Aliás, esse foi o escolhido para representar o país no #198livros.

Paranoia, é uma novela sobre uma história de amor ambientada num país fictício que vive um regime ditatorial. Embora o autor tenha o cuidado de esclarecer que se trata de uma história fictícia, num país fictício, percebe-se claramente nas descrições das cidades e do país, assim como dos personagens, que suas características foram baseadas nas de Belarússia, Minsk e sua atual realidade. Trata-se de um triângulo amoroso, do qual fazem parte, o jovem escritor e protagonista Anatoly Nevinsky, que se apaixona por Elisaveta, para depois descobrir que ela também tem um relacionamento com  Muraviov, Ministro do Serviço Secreto. Anatoly é um escritor famoso em seu país e no exterior, principalmente, pelo interesse que a situação do país desperta no mundo.  O triângulo amoroso se desfaz, depois que Elisaveta engravida e desaparece. A narrativa é feita pelo protagonista, que apaixonadamente mistura romance e política, fazendo referências literárias, e alternando humor com loucura. É uma história forte, por vezes acelerada e noutras um pouco maçante, mas sem dúvida um romance marcante.

 

Afeganistão

 IMG_2652O país entrou na minha vida, através dos livros de  Khaled Hosseini. Li primeiro O Caçador de Pipas, depois A Cidade do Sol, e por último O Silêncio das Montanhas. Dá para perceber que fiquei bastante tocada com a história do Afeganistão, marcada por invasões, guerras e conflitos religiosos, e como tudo isso refletiu em sofrimento para o povo, conforme pude acompanhar através das histórias dos personagens de Khaled Hosseini.  Mas já estava na hora, de conhecer outros autores, então, para representar o Afeganistão no #198 livros o autor escolhido foi Atiq Rahimi, com Syngué Sabour pedra de paciência. Ele nasceu em Cabul, Afeganistão, em 1962. Estudou em colégio francês e formou-se em letras na universidade de Cabul. Trabalhava como jornalista, e participava dos meios literários e artísticos locais, até fugir para o Paquistão durante a guerra no início da década de 80. Vive atualmente, como refugiado político na França desde 1985, onde fez estudos cinematográficos nas Universidades de Rouen e La Sorbonne Nouvelle.

Syngué Sabour, foi escrito originalmente em francês, publicado em mais de 30 países e recebeu o prêmio Goncourt em 2008. O livro foi inspirado e dedicado a sua amiga, a poeta afegã Nadia Anjuman. Ele havia sido convidado por ela, para um evento literário em Cabul, e ao chegar, descobriu que ela estava morta, devido a “causas familiares”. Investigando descobriu que ela fora espancada até a morte pelo marido, com a conivência da mãe, pois discordavam de seu modo de vida, muito liberal para eles.

Syngué em persa quer dizer “pedra” e sabour “paciente”, e de acordo com a mitologia persa, é uma pedra negra mágica que recebe dos peregrinos suas dores e lamentos. Quando a tristeza se tornar excessiva, ela explode libertando a pessoa de seus tormentos. No romance, a protagonista é uma mulher afegã, cujos marido vegeta em consequência de uma bala que se alojou na cabeça. São praticamente os únicos a viverem no bairro, que foi evacuado por causa da guerra, e eles permaneceram devido a impossibilidade de remoção do marido, no estado em que se encontra. A medida que o tempo passa, sem que nenhuma mudança ocorra no estado de saúde do marido, ela vai se desesperando, enquanto espera por um milagre. E pouco a pouco, vai conversando com ele, narrando pequenos detalhes da vida em comum, sentimentos de toda uma vida, num exercício que jamais lhe seria permitido não fosse o estado do marido. A medida que vai desabafando, sente que vai se libertando e vai avançando nas confidências, narrando segredos que jamais poderia num país islâmico. Até quando a pedra vai aguentar até explodir? Me senti como se estivesse olhando a vida dela através de uma janela, uma vida absurda e improvável. É um livro pequeno, mas muito intenso.

Etiópia

IMG_0252Esse, não era um país totalmente desconhecido, pelo menos de nome, mas de fato, sabia muito pouco a respeito, quase nada. Descobri coisas incríveis, como o fato de ser uma das nações mais antigas do mundo, e segundo descobertas recentes, a espécie Homo Sapiens seria originária dessa região. A Etiópia, que durante muito tempo foi chamada de Abissínia. nunca foi colonizada pelos europeus.  A língua oficial é o amárico. Na década de 80, a fome matou mais de 1 milhão de pessoas e atualmente é o país que mais cresce na África.

Com a leitura do livro de Maaza Mengiste, Sob o Olhar do Leão, é possível conhecer um pouco mais sobre a história política do país na década de 70, a partir de 1974, quando o Derg,  uma junta militar marxista, toma o poder e depõe o imperador Hailé Selassié. No início, os estudantes apoiaram o golpe, pois queriam mudança social, mas rapidamente eles passam a combatê-los ao verem a violência e o terror que o Derg, adota para dominar o país, com o apoio dos russos e de Cuba. E cada vez mais os conflitos vão se acirrar, transformando-se em uma verdadeira guerra civil. É nesse contexto que se desenvolve a história do médico Hailu e sua família, tão sofrida quanto a dos demais etíopes. Além de todos estarem sendo afetados pela a grave doença de Selam, esposa de Hailu, cada um individualmente precisa enfrentar seus próprios demônios, num momento em que tudo que existe ao redor, é um rastro de dor e sofrimento. Embora seja uma história muito triste(houve momentos que precisei fechar o livro para poder secar as lágrimas), vale muito a pena a leitura!

República Dominicana

51BZ1ld66cL._SX331_BO1,204,203,200_Mais um destino caribenho, para deixar a gente sonhando com suas areias brancas,  águas azuis e transparentes.  A República Dominicana, divide com o Haiti, a ilha Hispaniola, que faz parte do Arquipélago das Grandes Antilhas. Sua capital, Santo Domingo, além das belezas naturais, tem um bairro, a Ciudad Colonial, com construções do século XV e XVI, que foi tombado como patrimônio histórico e cultural da humanidade, pela UNESCO, em 1990! Mais um excelente destino para se programar.

Angel Luis Arambilet Alvarez, autor do livro El Secreto de Neguri, escolhido para representar a Republica Dominicana, nasceu em Santo Domingo, em 16/09/1957, e recebeu o Prêmio Literário Nacional por este romance, em 2006.

Armando Neguri, o protagonista, é um compositor, solteirão de meia idade, que vive sozinho em seu apartamento de luxo, Brisas del Mirador I em Santo Domingo, tocando piano e bebendo vinho. Uma noite, ao perseguir uma barata, encontra uma passagem secreta em baixo da pia da cozinha, e ao decidir explorá-la descobre um mundo improvável, corredores que contornam todos os apartamentos do prédio. E o mais incrível, com equipamentos instalados em vários pontos, de onde se pode observar a intimidade de todos os apartamentos, sem ser visto. Antes de continuar com o enredo, e descobrir o que Neguri pretende fazer com a descoberta, Arambilet, volta ao passado, para sua infância e juventude, a fim de entendermos a solidão e o isolamento em que vive. Filho único de um bem sucedido importador, ficou órfão de pai aos quatros anos, sendo criado de forma rígida por sua mãe, de quem recebeu educação primorosa e individualista, a qual não era permitido nem brincar com outras crianças. Depois de se formar em música, vai estudar na Royal Academy of Music de Londres, e durante esse período, após fazer uns poucos amigos, sofre algumas desilusões, e ao retornar para Santo Domingo, se acomoda em sua solidão e isolamento. A partir da descoberta, a vida de Neguri vai sofrer uma reviravolta, transformando completamente sua monótona existência. A sensação de conhecer todos os segredos dos vizinhos, lhe dá a falsa ilusão de poder, pois descobre que pouco pode fazer com as informações que possui, uma vez que foram obtidas de forma ilícita. E será este dilema, entre o ético e o prazer que esta atividade trouxe a vida de Neguri, que vamos acompanhar, e descobrir o que prevalecerá ao final.

 

Serra Leoa

  IMG_0240Infelizmente as informações que tenho sobre o país são desalentadoras, recentemente junto com a Guiné e a Libéria, foi atingido pelo surto do vírus ebola, matando em torno de 3.600 pessoas, das quase 9.000 contaminadas. Mas bem antes, viveu um dos episódios mais tristes de sua história, a violenta Guerra Civil, iniciada em 1991 e que se estendeu até 2002. Um dos principais motivos, foram os diamantes. As empresas internacionais incentivavam a guerra, financiando o fornecimento de armas, com a venda das pedras para ambos os lados. O conflito teve inicio, a partir do enfraquecimento do governo, motivado pela corrupção e pelos problemas na administração das minas de diamantes, não resistindo assim aos ataques dos rebeldes, como eram chamados os integrantes da Frente Revolucionária Unida (RUF). O mais alarmante desse conflito, foi o recrutamento de crianças para  lutarem como soldados nessa guerra, uma prática que vale dizer, não se restringe apenas a Serra Leoa. Em torno de aproximadamente 21 países, as crianças são recrutadas para participarem dos conflitos armados, como meninos-soldados.

No livro escolhido para o projeto Muito Longe de Casa, memórias de um menino-soldado, Ismael Beah faz um relato da experiência vivida como menino-soldado dos 13 aos 16 anos. Eu adiei a leitura desse livro por um bom tempo, pois sabia que tratava-se de uma história forte, e estava criando coragem para ler. E de fato, é uma história triste, mas tão bem escrita, que a tristeza e o impacto da realidade vivida por ele, são um pouco amenizadas pela beleza do texto. Ele conta como viviam apavorados, a maioria tinha se perdido dos pais, ou visto a família ser assassinada, assim, viviam a mercê dos perigos da selva, famintos, fugindo o tempo todo do exército e dos rebeldes, além de hostilizados pelos habitantes das aldeias por onde passavam, pois na maioria das vezes os confundiam com os rebeldes. Então nesse contexto, o recrutamento forçado não deixava de representar uma segurança, o fim da fuga e a garantia de não morrer de fome. Mas a contrapartida, era violenta, recebiam pólvora misturado com cocaína para os manter animados para o combate e depois maconha para se acalmarem. Nas horas vagas, como lazer assistiam a filmes de violência, como rambo.  Após ser resgatado e reabilitado pela Unicef, Ismael foi escolhido como porta-voz dos meninos-soldados na Assembléia das Nações Unidas, e o seu testemunho alertou o mundo para os crimes e os responsáveis começam a ser julgados.

 

Chapada Imperial – um paraíso no cerrado.

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                         Mais uma sessão nostalgia, desta vez, foi apenas um bate e volta, de Brasília a Chapada Imperial, distante 50 km da capital federal, onde me encontrava fazendo um curso de 3 semanas, em 2008. Foi uma excelente dica de passeio, de nossa colega de turma, residente em Brasília, e que ainda providenciou nossa ida ao local. Nada melhor do que relaxar curtindo a natureza depois de queimar os neurônios em complicadas fórmulas matemáticas, objeto de estudo no curso. E natureza deslumbrante e exótica é o que não falta neste lugar. São 4.800 ha com 50 cachoeiras, vegetação tipica do cerrado, formação rochosa num terreno acidentado formando canions, no ponto mais alto do Distrito Federal a 1.342 metros.00006

                      A Chapada Imperial é uma área de preservação ambiental, uma reserva ecológica particular que vem sendo preservada desde 1986. Tem uma ótima estrutura de apoio, com restaurante, banheiro, chalés, áreas de camping, parquinho infantil, redário e lojinha com artesanato e produtos locais. Como opção de lazer existem o arvorismo, tirolesa, e as trilhas.

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                      Depois de estirar as pernas, fizemos um reconhecimento do local, para então iniciar a trilha, com a ajuda do guia. Fizemos a trilha longa que dura em torno de 4 horas e passa por umas quinze cachoeiras, com paradas para banho. Seguimos margeando o ribeirão Dois Irmãos, numa paisagem linda, bastante diversa da que estamos acostumados aqui no nordeste.

Toda turma se preparando para iniciar a trilha!
Toda turma se preparando para iniciar a trilha!
Primeiros passos.
Primeiros passos.
Sinalização das trilhas
Sinalização das trilhas

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                  No final da trilha, somos recompensados com uma vista deslumbrante do mirante da espuma, e a alegria de saber que seremos “resgatados”. Só que a gente desconhecia que o resgate era feito por um autêntico pau-de-arara. Não que tenha preconceito, mas balançava demais e não tinha lugar para segurar. Mas enfim, apesar do cansaço, super valeu a pena, e de volta a sede, ainda consegui vencer o pânico para experimentar a aventura do arvorismo e da tirolesa. 00013