Lituânia

                41Vfww6rZiL (1)Nesse país, não segui a escolha do #198 livros, por não ter me empolgado nem com o tema, e nem com o estilo do escritor, que me pareceu denso. Não foi fácil encontrar outro livro, primeiro porque a literatura lituana ficou meio estagnada no período de domínio da Rússia. Segundo Mariana Butenschön, metade dos escritores fugiram dos russos para o ocidente, ficando no país somente aqueles que eram fieis a Moscou e os poetas que tentavam expressar suas críticas nas entrelinhas. Após a suspensão da censura em 1989 e o retorno dos escritores que se encontravam fora do país, a literatura voltou a renascer. Ricardas Gavelis, Jurga Ivanauskaite, Renata Serelyte e Jurgis Kuncinas, são alguns da nova geração de escritores lituanos, porém a dificuldade de ter acesso aos livros traduzidos tornou inviável a pretensão de leitura de escritores contemporâneos (Tive muita vontade de ler Tüla, de Jurgis Kuncinas, mas não consegui o livro). Finalmente, a pesquisa rendeu algum fruto, encontrei por meio da tradutora Elizabeth Novickas, o livro de Kazys Boruta, Whitehorn’s Windmill, e para compensar o trabalho dispendido na pesquisa, encontrei o livro em edição Kindle.

                Kazys Boruta nasceu (1905-1965) num período particularmente tumultuado do seu país, tendo vivido a maior parte de sua vida no exílio ou na prisão, a começar em 1915, quando seus pais fugiram da Lituânia para escapar da invasão da primeira guerra mundial. Nascido durante a dominação Czarista vivenciou pouco a independência do país, entre as duas guerras mundiais. Suas convicções políticas de esquerda fizeram com que fosse preso, e exilado, e sua obra proibida. Depois que os soviéticos expulsaram os alemães, assumindo o controle do país, Boruta ainda ficou preso por três anos. E mesmo tendo sido solto, ficou recluso, limitando seu trabalho, nos dez anos subsequentes, a traduções, publicadas sobre pseudônimo.

                Apesar de não ser uma literatura contemporânea, Whitehorn’s Windmill foi escrito em 1942, durante a ocupação nazista, é bem representativo da literatura da Lituania, tendo se tornado um clássico. Em 1957, foi adaptado para o teatro; em 1974, para um filme musical (The Devil’s Bride), e em 1979, para o ballet. Escrito numa linguagem lírica, mistura a fantasia dos contos de fada com a dura realidade trazida pelos personagens.  Esse antagonismo, só fui perceber, ao contar as histórias dos contos de fadas para os meus filhos e ver como eram cruéis. Decidi então suavizar um pouco as maldades, na hora de repassar para os meninos, mas ao mencionar na escola o que estava fazendo, fui criticada pelos professores. Foram veementes ao explicar que, era importante para as crianças vivenciar a dura realidade dos contos de fadas, para aprender a lidar com a frustação. E é isso que Boruta nos passa na sua história juvenil, um romance com muitos ingredientes reais e imaginários, o diabo com características humanas e que é enganado, humanos que fazem pacto com o diabo para realização dos desejos. Ninguém é santo no livro de Boruta.

               A história é ambientada no pequeno vilarejo de Svendubré, na terra de Paudruvë , região rural da Lituânia, e conta a história de Whitehorn, o proprietário do moinho, sua linda filha Jurga, e de todos que se envolvem com eles, como Pincukas, o diabo que vive em um pântano, Ursule’s prima distante de Whitehorn, que nunca desistiu de se casar com ele, Jurgutis o aprendiz de ferreiro que se apaixona por Jurga, Blackpool, o ferreiro vizinho, Girdvainis, que vai tentar vencer o feitiço e chegar até Jurga. No início da história, vemos vários pretendentes, acompanhados de seus padrinhos, como é o costume, tentar chegarem à casa de Jurga, para pedi-la em casamento. Nenhum deles, no entanto é bem sucedido, porque estranhos acontecimentos impedem que eles se aproximem do moinho, e da casa dela. Para entender e situar todos os personagens o autor volta ao passado de Whitehorn, antes de prosseguir com o desenrolar da história, mágica, romântica, burlesca e trágica, como, aliás, costumam ser todos os contos de fadas. Sem dúvida uma agradável leitura, que vale a pena conhecer.

Épernay

       DSC01210

        “Épernay é a cidade do vinho champanhe. Nem mais nem menos” dizia Victor Hugo. A primeira casa de champanhe foi fundada, pelos irmãos Chanoine, em 1730, um ano depois da Ruinart, em Reims.  A cidade abriga também a famosa Moët & Chandon, a casa Mercier e De Castellane.

DSC01212DSC01213

                   Conforme comentei no post sobre Reims, fizemos uma parada estratégica, de algumas horas, em Épernay.Foi a consequência do atropelo na hora de comprar as passagens ainda em Paris. Na ânsia de acertar a compra na maquininha, cinco mulheres se atropelaram e adquiriram passagens de ida e volta,(aller et retour), sem observar os detalhes da compra. Resultado, o bilhete da volta era de um trem que faria uma conexão de mais ou menos três horas em Épernay. Apesar do erro, a situação não era irremediável, poderíamos ter trocado o bilhete, mas resolvemos aproveitar a oportunidade, transformando o erro em acerto. E assim, desembarcamos em Épernay, para uma journée de três horas. Por ser pequena, e a estação estar localizada bem no centro (como na maioria das cidades francesas), teríamos tempo para dar uma volta na cidade e jantar.

DSC01214

      DSC01229    DSC01215

                    Claro que pela hora que chegamos, as maisons de champagne já estavam fechadas, mas só estar ali passeando pelas ruas da charmosa Épernay, já estava valendo a pena. Passamos em frente a Maison de Moët & Chandon, e já que não podíamos entrar só nos restou posar para algumas fotos com Dom Perignon. A degustação do champagne restringiu-se a taça que acompanhou o jantar.

DSC01216DSC01224DSC01228DSC01227

Ilhas Salomão

 

   téléchargementMais um país que o #198 livros# colocou na minha bagagem. As Ilhas Salomão são um país da Oceania, formam um arquipélago de seis grandes ilhas e algumas pequenas, e estão situadas no sudoeste do oceano pacífico. Devem seu nome ao conquistador espanhol Álvaro de Mendaña, que as descobriu em 1568, e embora não tenha encontrado nem ouro, nem as minas do rei Salomão, batizou-as com seu nome. Foi um protetorado do Reino Unido, de 1890 até 07 de julho de 1978, quando conquistou sua independência. Durante a segunda guerra mundial, entre 1942 e 1943, as ilhas assistiram a violentos combates entre o Japão e os EUA.

                Duas curiosidades a respeito das Ilhas Salomão me chamaram atenção, nas minhas pesquisas sobre o país. A primeira se refere as características físicas de seus habitantes, pois de acordo com o cálculo de Sean Myles, varia de 5 a 10% a frequência de cabelos loiros na população nativa de pele negra. A outra, que parece uma lenda, e ninguém sabe se é verdade, ou não, descobri nesse site aqui, muito interessante, segundo a qual os habitantes das ilhas quando querem derrubar alguma árvore na floresta, em vez de cortar, começam a gritar e insultar as árvores, e então depois de alguns dias elas morrem. Talvez tenha chegado até nossos dias através da tradição oral, como era costume em alguns países da África. E finalmente, descobri que as Ilhas Salomão são paradisíacas e vale uma viagem.

                               Mas voltando ao projeto, o livro escolhido foi The Alternative, de John S. Saunana, escrito em 1980. O livro conta a história de Maduru, um adolescente muito inteligente e com um enorme senso de justiça por um lado, mas arrogante, egoísta, e rude por outro. Ele deixa o seu vilarejo para ir estudar na escola dos brancos. Inicialmente, ainda imaturo, fica deslumbrado com o mundo deles, chegando mesmo a desejar ter a pele branca. Mas a medida, que vai amadurecendo, não só pelo conhecimento adquirido como também pelas experiências vivenciadas, vai se dando conta, do absurdo que existe no tratamento dispensado aos nativos, em contrapartida aos privilégios recebidos pelos colonizadores. Percebe que eles, os colonizadores, não tem nenhuma ligação afetiva com o país, e desejam apenas tirar o máximo de proveito enquanto estiverem morando lá. E um sentimento nacionalista vai se apoderando dele de tal forma que mudará seu destino, e influenciará o de seus conterrâneos, despertando neles também o sentimento nacionalista. Uma abordagem bastante instigante.

 

 

 

Reims

                             Reims entrou para minha lista particular de #lugaresqueprecisoconhecer# depois de ler “A Viúva Clicquot” de Tilar J.Mazzeo. Ela conta a história de Barbe-Nicole Clicquot Ponsardin, La Veuve Clicquort, que nasceu e viveu em Reims(1777-1886). Barbe-Nicole ficou viúva aos 27 anos, e decidiu assumir os negócios do marido, numa época em que as mulheres estavam destinadas a serem somente mãe e esposa, construindo um império do champanhe. Tornou-se a primeira mulher a se tornar uma celebridade no mundo dos negócios. Assim, depois de conhecer a história dela, fiquei curiosa para conhecer e passear pelos lugares e ruas por onde ela passou, inclusive a cidade vizinha, do seu concorrente Moët & Chandon, Epernay.

                             Mas não era só a história de Barbe-Nicole, que me atraía a Reims. Considerando que estava fazendo um roteiro da evolução das principais catedrais góticas da França, não poderia deixar de conhecer sua bela catedral onde todos os reis franceses eram coroados, e onde os anjos sorriam. Além, claro do Palácio Tau ao lado da catedral, residência dos reis da França durante as cerimônias de coroação. Do século X ao século XIX 32 reis franceses foram coroados em Reims.

DSC01164
A visita a Reims foi bem divertida, saímos da Gare de l’Est e em menos de uma hora chegamos ao nosso destino. Não fizemos roteiro, nem planejamento prévio, decidimos na hora como passaríamos o dia. Só tínhamos conseguido agendar uma visita no Domaine Pommery, pois as visitas a Maison da Veuve Clicquot só começariam a partir de junho,o que me deixou um pouco frustada e da Champanhe Ruinart em abril/2014, pois estava em obras. Mas visitar uma cave de champanhe já estava de bom tamanho, então saímos da gare, e decidimos visitar o Domaine Pommery, pela manhã. Pegamos um mapa e fomos caminhando até lá.

DSC01169DSC01166

DSC01208

DSC01176

 

DSC01180

               Quando chegamos no Domaine, o clima estava maravilhoso, e não saberia dizer se foi o calor da caminhada ou a temperatura que havia subido. Mas não durou muito, apenas o suficiente para atravessar o gramado. Olha o céu como está escuro! Começaram a cair os primeiro pingos de chuva, mas quando olhei para o chão vi que eram branquinhos e só então percebi que era granizo. E lá vamos nós de volta aos casacos.

DSC01181

                          A casa de champanhe Pommery, assim como a Clicquot foi o resultado do empreendorismo de duas viúvas. A  Veuve Clicquot orgulha-se de ter descoberto a solução para eliminar os depósitos residuais nas garrafas de champanhe, através da colocação das garrafas em estantes de madeira perfurada, e a Pommery de ter inventado o Brut. Mas existem ainda outras caves em Reims que podem ser visitadas como a Ruinart,  Laurent-Perrier e Taittinger.

DSC01185

DSC01184DSC01183

DSC01167

                            Após a visita a cave e degustação, voltamos para o centro da cidade para almoçar, antes de seguir para a catedral e o palácio de Tau. Nós visitamos primeiro a catedral e depois o palácio, mas acho que o correto teria sido inverter a ordem. No palácio está a coleção de esculturas originais, que fizeram parte da catedral, e que foram salvas da destruição total durante as duas guerras mundiais, pelos cidadãos de Reims. Eles as esconderam em cavernas onde se armazenavam os vinhos. É incrível olhar de perto para as esculturas, ver o tamanho real delas. A gente não faz idéia, de como elas são enormes, apenas olhando para a impressionante catedral, e ver o local onde elas estariam.

DSC01204DSC01197DSC01196DSC01195DSC01199DSC01192DSC01203

                            Apesar de não ter visitado a Maison Clicquot e nem ter visto a casa de infância de Barbe-Nicole, o Hôtel Ponsardin, que foi comprado pela prefeitura de Reims e hoje funciona a Câmara de Comércio Local, foi um passeio maravilhoso. E sempre é bom deixar um motivo para voltar nos lugares que visitamos. Em compensação, nosso trem de volta deu uma parada estratégica em Epernay, e pudemos dar uma volta na cidade. Mas isso ficará para outro post.

Malásia

     Malasia                     Nas duas últimas semanas a Malásia tem estado na mídia, por causa do estranho desaparecimento do avião da Malaysia Airlines. A essa altura eu já não poderia dizer que só conhecia o país de nome, porque já tinha chegado a vez do livro da Malásia, pela ordem do sorteio no projeto #198 livros. E antes de começar a leitura do livro da vez, fiz como tenho feito sempre, uma rápida pesquisa para me situar, literalmente, no mapa mundial. À medida que vou mergulhando na história, vou me aprofundando na pesquisa. Assim, achei incrível, tomar conhecimento da conturbada e sui generis história do país. Além de se libertar dos britânicos, em 1957, a Malásia vem desde então, empreendendo uma luta, que dura até os dias atuais, para que a maioria da etnia malaia consiga ampliar a influência, sobre as outras etnias (maioria chinesa e indiana) que correspondem a quase metade da população, na vida econômica, educacional, religiosa e cultural do país.

            No livro de Preeta Saramasan, “Noite é o dia todo” esse aspecto político, da história da Malásia e suas repercussões no dia a dia do país, é o pano de fundo da trama. O enredo aborda a saga de uma bem sucedida família indiana, que emigrou em busca de melhores oportunidades de vida, se estabelecendo na cidade de Ipoh, Malásia. Se por um lado, a família foi bem sucedida no aspecto econômico e financeiro, o mesmo não se poderia dizer do aspecto psicológico e emocional dos seus integrantes.

                    A história se inicia na verdade pelo fim, com o desfecho de uma série de acontecimentos que vêm devastando a já desestruturada família, constituída da matriarca(Paati), filho(Raju), nora(Vasanthi) e três filhos(Uma, Suresh e Aasha) que vivem juntos na mesma casa. A trama envolve ainda a participação do segundo filho da matriarca(Balu), que os visitam de tempos em tempos, e da “empregada Chellan”, contratada para cuidar de Paati.   A autora conduz a trama de forma genial, traçando um detalhado perfil de cada um, seus sonhos, dores e frustrações, bem como o estranho relacionamento familiar. Com a chegada de Chellan, que mesmo sendo estranha a família, tem perfil psicológico semelhante, em alguns aspectos, aos seus integrantes, os acontecimentos se precipitaram para o final relatado no início do livro.

                        Embora soubesse que se tratava de uma história triste, como sugere o título do livro, não imaginava a força da narrativa da autora, que nos prende do início ao fim. E embora já iniciemos o livro sabendo do final, a busca para desvendar os motivos por trás dos estranhos comportamentos dos personagens, nos é conduzido pela autora com extrema habilidade. Uma maravilhosa viagem a Malásia, seus costumes, sua história, e de quebra um excelente romance para nos fazer pensar.

Tour Jean Sans Peur

                             Quando o rei Felipe Augusto(1180-1223) construiu uma fortaleza interligada por uma muralha de cinco quilometros que circundava Paris, englobando uma área de 243 hectares, no século XIII, ele queria proteger a cidade e garantir a segurança da população. Sentindo-se protegidas, numa época de muita insegurança, elas sairiam do campo e construriam suas casas junto ao muro, o que de fato aconteceu. A Tour de Jean sans peur  era parte do palácio que foi construido por Robert d’Artois sobrinho de S. Luis.

                               Ao final da construção, iniciada em 1270, o palácio, ou Hôtel d’Artois, estava metade dentro e metade fora do muro de Felipe Augusto, permitindo que seus ocupantes atravessassem Paris sem presisar descer as ruas.  Após o casamento da herdeira de Robert, Marguerit com o Duque de Bourgogne, o palácio passa a se chamar Palácio dos duques de Bourgogne.

DSC01042

DSC01043

                             A Tour Jean sans peur, é o que restou do palácio dos duques de Bourgogne, e era a mais alta torre civil medieval da capital, à sua época. Tinha 27 metros de altura, quando a altura máxima dos prédios da cidade oscilava entre 8 e 10 metros. Desde 1999, a torre transformou-se em um pequeno museu, onde é possível conhecer a história, arquitetura civil medieval, e o cotidiano dos habitantes da cidade.  Com esse propósito de tornar conhecida a realidade daquela época, são realizadas também exposições temporárias com temas diversos. Quando visitamos a torre em maio/2013 o tema da exposição temporária era sobre as festas civis, e atualmente está em exposição “a escola na idade média“.

DSC01315DSC01303

DSC01305

                                            Ao final da escada em espiral encontramos uma obra prima da escultura medieval francesa do século XV, a aboboda vegetal, com motivos heráldicos representando três espécies diferentes de vegetais: o carvalho que representava Phillipe Le Hardi(o pai), o espinheiro branco representando Marguerite de Male (a mãe) e o lúpulo, representando o filho, Jean sans peur. Imagine agora que essa escultura era pintada, sendo o fundo azul, as folhas verdes e o caule marron.

DSC01310

DSC01309

                              No quarto do duque, apesar de ser utilizado para reuniões, uma surpresa, quase uma suite, com um banheiro que contrariamente ao que era utilizado à época, não lançava os dejetos no exterior, mas tinha um tubo da espessura de uma parede que desembocava num buraco no subsolo. Ao lado do banheiro, tinha um jarro, bacia e toalha para lavar as mãos. DSC01314DSC01311

                             No último andar, no sótão, vamos encontrar exemplares das roupas que os duques vestiam e painéis demonstrando como era a vida naquela época.

DSC01306

DSC01307

DSC01308

                              As exposições temporárias acontecem no subsolo e a cada ano é feita uma nova programação, que incluem temas relativos ao cotidiano medieval, incluindo conferências e concertos.

                              A Tour Jean sans peur localiza-se na 20, rue Étienne Marcel, 75002 Paris

Metrô : linha 4, estação Étienne Marcel

Ônibus : linha 29, parada Turbigo / Étienne Marcel

Gana

                          journeyGana situa-se no golfo da Guiné, na África Ocidental, limitado a norte pelo Burkina Faso, a leste pelo Togo, a sul pelo Golfo da Guiné e a oeste pela costa do Marfim, sendo a cidade de Acra, sua capital. Era colônia britânica até 1957, quando conquistou sua independência. A história de Gana, anteriormente a chegada dos europeus, tem suas origens, assim como Mali, na tradição oral herdada dos antigos reinos do Sahel(hoje Mauritânia) e Mali, por meio das migrações.  Os portugueses foram os primeiros europeus a chegarem a Gana, no ano de 1470. Depois vieram os ingleses, suecos, dinamarqueses, alemães e holandeses. Até que no início do século XIX, os ingleses conseguiram dominar todo o território, afastando todos os concorrentes europeus e derrotando os reinos nativos, tornando-o uma colônia.

                              A história do autor Gheysika Adombire Agambila, narrada no livro “Journey” é ambientada em Gana pós-independência. E descreve as incertezas do adolescente Amoah, com o futuro, após o término de uma etapa dos estudos na cidade, para onde foi incentivado pelo avô. Por meio dos questionamentos de Amoah, que parece viver uma crise existencial, sobre a vida, o seu país, a família e os amigos, o autor traça um retrato de Gana em seu momento atual. Podemos ver que apesar da grande influência que os ingleses exerceram no país, as tradições culturais e as crenças religiosas se mantêm fortes. Principalmente nos pequenos vilarejos, como Tinga, a cidade natal do personagem, para onde ele sempre retorna para visitar o avô. Forte também é o sentimento nacionalista de Amoah, ao defender a idéia de que o país deve se desvencilhar da influência externa.  Apesar de o inglês ser a língua oficial, eles possuem quatro dialetos próprios, ou línguas regionais, que o autor pretende explorar no livro, mas que o recurso por ele utilizado deixou o texto confuso, difícil de entender. A forma de narrar os diálogos também ficou confusa, sendo necessário retornar algumas vezes, para identificar os interlocutores, principalmente quando os diálogos eram grandes e com mais de dois participantes.

                           Apesar de não ter sido uma leitura empolgante, não fugiu ao tema do projeto.

Rouen

                     DSC01084

                         Foram vários os motivos que nos levaram a Rouen, capital da Normandia.  Em primeiro lugar, foi para lá que Joana d’Arc foi levada, depois de ter sido aprisionada em Compiègne, e perder a vida na fogueira. É lá também que se encontra a Catedral Gótica, Notre-Dame de Rouen, cuja fachada Monet pintou nada mais do que 31 vezes e a Ponte Boieldieu, sobre o Sena, que foi retratada por Camille Pissarro, entre 1896 a 1898, em três séries. Além de Monet, e Pissarro, outros impressionistas fizeram de Rouen  um verdadeiro atelier em tamanho natural. Foi lá que nasceu o movimento impressionista, quando Monet, Renoir e Sisley descobriram a luz as margens do Sena. E assim Rouen serviu de inspiração para outros pintores dessa nova forma de expressão.  Foi fundada na época do império romano, mas conserva principalmente características medievais. Nada melhor do que andar e se perder por suas ruas estreitas, para conhecer e apreciar os edifícios com sua arquitetura medieval e renascentista típica da Normandia.

                            Rouen fica a 130 km de Paris, saindo da Gare Saint Lazare, num trem direto a viagem dura em torno de 1 hora. É uma viagem muito agradável, o tempo todo o trem segue acompanhando o curso do rio Sena. Tivemos sorte, pois apesar do frio, não estava chovendo. Ao sair da estação,  caminhamos em linha reta, e logo avistamos  a Tour de Jeannne d’Arc.

DSC01062

Ponte levadiça e o fosso.
Ponte levadiça e o fosso.

                            Essa torre, de 35 metros de altura, é o único vestígio do castelo construído pelo rei Felipe-Augusto, após conquistar a Normandia, em 1204. O castelo foi construído sobre as ruínas em forma elíptica de um anfiteatro gallo-romano, do Século II D.C., daí seu formato poligonal. Na verdade, a torre era o donjon do castelo.

Maquete do castelo de Felipe Augusto
Maquete do castelo de Felipe Augusto

DSC01058

DSC01048

                             Foi para essa torre que Joana d’Arc foi levada em 09 de maio de 1431 para ser submetida a tortura. Após ser apresentada aos instrumentos de tortura Joana teria dito, aos 12 juízes e 02 torturadores, “Mesmo que cortem os meus membros e arranquem a alma do meu corpo, não direi o contrário, e se disser o contrário, direi depois de ter sido obrigada a falar a força…”. Apesar de tê-los comovido, a ponto de não ter sido tocada, não foi suficiente para livrá-la da morte da fogueira.

Rue de Jeanne d'Arc
Rue de Jeanne d’Arc

DSC01064DSC01063                               Depois de visitar a torre, descemos  pela rue de Jeanne d’Arc, e seguimos batendo perna até chegar a Place de Vieux-Marché. Apesar das muitas construções com arquiteturas características da Normandia e lojinhas de souvernirs, não é uma praça muito agradável,  talvez por sabermos que foi lá que armaram a fogueira que matou Joana d”Arc.  Até quatro meses antes da nossa visita, existia o Musée Jeanne d’Arc, ao lado desse antigo restaurante, cheio de bandeiras na fachada, mas foi desativado. Désolée!

Place de Vieux-Marché
Place du Vieux-Marché

DSC01085

DSC01074DSC01076DSC01080

                              Depois de uma volta na praça, seguimos nossa caminhada e chegamos a rue du Gros Horloge, um dos mais antigos relógios da Europa. Embora tenha sofrido uma reforma, pode-se ver o arco renacentista que substituiu o campanário medieval de madeira, ainda é o mesmo relógio que marcava as horas quando Joana morreu. É possível subir e conhecer sua estrutura interna, além de poder ter uma vista fantástica da cidade. Em maio de 2013, custava 6 euros a entrada.

DSC01089DSC01095

Vista da Catedral de dentro do Gros Horloge.
Vista da rue du Gros Horloge com a Catedral ao fundo, de dentro do relógio.

DSC01102

                              Depois de conhecer a famosa Catedral, fomos até o Musée de Beaux-Arts, com telas de Caravaggio, Velázquez, Delacroix, Modigliani e dos impressionistas, incluindo Monet, claro. Ainda pudemos participar da 2ª edição do Festival Normandie Impressionniste.

DSC01114

DSC01113

DSC01104

DSC01105

Entrada do Musée de Beaux-Arts
Entrada do Musée de Beaux-Arts

                             Antes de pegar o trem de volta para Paris, fomos até as margens do Sena conhecer a paisagem e a ponte Boieldieu, retratada por Camille Pissarro. Descobrimos que alí perto, estava o local de onde foram atiradas as cinzas de Joana d’Arc no Sena. Um passeio maravilhoso, um encanto de cidade.

DSC01123DSC01117 DSC01121

Musée Carnavalet

                         DSC01150

                                 No auge da era do “Iluminismo”, os salões parisienses, comandados pelas “salonières”, eram os locais de efervescência, onde se discutia política, religião, literatura e principalmente novas idéias. Ser salonière tornou-se quase uma carreira, e era incrível o poder das mulheres que lideravam esses salões, elas eram ouvidas e respeitadas. Promoveram a carreira de muitos escritores, além de exercerem uma grande influência também no mundo das artes e da política. Ser convidado para esses salões era sinal de grande prestígio. Deles participaram dentre outros Voltaire, Rousseau, Montesquieu, Diderot, D’Alembert, Beccaria, Locke e Newton. Elas também competiam entre si, disputavam convidados espirituosos e celebridades literárias. Mme. De Rambouillet, Mme. de La Fayette e Mme de Sévigné são algumas dessas poderosas salonières.

                                     Além de poderosa salonière, Madame de Sevigné ficou conhecida também pelas inúmeras cartas que escreveu, em torno de 1.500. Sendo que a maioria delas foi escrita para distrair sua filha, Françoise-Marguerit, que tendo casado com um tenente, nomeado por Luis XIV para ocupar um posto na Provence, se entediava com a sociedade local. Era uma maneira de mantê-la informada do que se passava em Paris e em Versailles. Além de expressarem suas emoções e amor de mãe, as cartas são um testemunho do modo de vida da sociedade e da corte de Luis XIV.

DSC01152

DSC01155

DSC01151DSC01153

                              As reuniões de Madame de Sévigné aconteciam no Hôtel Carnavalet, que foi sua residência no período de 1677 a 1696.  O Hôtel Carnavalet foi construído durante a renascença (1548-60), tendo recebido o nome da segunda proprietária Françoise Kernevenoy, cujo marido era conhecido por “Carnavalet”. Depois de um século, foi reformado pelo arquiteto François Mansard que lhe acrescentou mais uma ala. Mais tarde em 1866, a prefeitura de Paris adquiriu a propriedade, mas esta só foi aberta ao público em 1880. Hoje é um museu dedicado a história de Paris, desde suas origens até os nossos dias.

A Bastilha
A Bastilha

                               Fui visitar o museu numa sexta-feira pela manhã, e como tinha pelo menos umas três turmas de alunos tendo aula de história francesa, disfarçadamente peguei uma carona nas explicações da professora.

DSC01143

DSC01149

                              No museu, podemos visitar as trinta salas onde aconteciam os famosos “salões”, com suas decorações refinadas, e imaginar como seria em plena atividade com todos os seus convidados. No térreo, na sala 21, está a Galeria Sévigné com objtetos pessoais de Mme de Sévigné, como a escrivaninha onde escrevia as suas cartas.

Quarto de Marcel Proust
Quarto de Marcel Proust

DSC01145

Sem dúvida, uma agradável viagem pela intimidade da história de Paris, seus usos e costumes

DSC01139DSC01142

                          O Museu Carnavalet fica na 23, Rue de Sévigné, 75003, Paris. Linha 1 do metrô, estação Saint-Paul, ou Linha 8, Chemin Vert. Aberto todos os dias de 10:00 às 18:00, exceto segundas e feriados. É gratuito para as exposições permanentes.

Omã

                    foto (8)            Omã está localizado no Oriente Médio, entre os Emirados Árabes, a Arábia Saudita e o Iêmen, na península arábica. A capital é Mascate, e o regime de governo é  monarquia absolutista. É a única monarquia em um país do golfo pérsico cujo chefe de estado é um sultão. Qaboos bin Said era o príncipe herdeiro até 1971, quando depôs o pai e assumiu o poder. Ele foi o responsável por transformar o país no que é hoje, mais moderno e com um equilíbrio que difere totalmente dos outros países árabes, tanto em relação ao conservadorismo religioso, como a Arábia Saudita e o Kuwait, como pelo deslumbramento econômico, como os Emirados Árabes, e o Catar, ou ainda conhecidos pelo terrorismo como o Iraque e o Iêmen. A economia é dominada pela produção petrolífera. Em termos de neutralidade, representam em relações internacionais no Oriente Médio o que a suíça representa para a diplomacia internacional.

                                  A religião oficial do Omã é o islamismo, e a legislação se baseia na Sharia(lei islâmica), de forma que cultura e religião estão profundamente enraizadas. A religião inclusive já vem na certidão de nascimento, sendo a liberdade religiosa apenas para os estrangeiros(o muçulmano não pode ser convertido). Apesar da religião ser tão marcante na cultura do país, e de prezarem pelas tradições do mundo árabe, eles adotam uma versão mais moderada do islamismo, o ibadismo. Da mesma forma, na política, apesar de não existirem partidos políticos ou oposição ao governo, existe uma considerável liberdade individual.

                                   Tanta diferença, talvez tenha se refletido na literatura. O livro escolhido Earth Weeps, Saturn Laughs, do escritor omani, Abdulaziz Al Farsi, tem uma proposta bem diferente do que já tinha lido até então. A história é ambientada em um pequeno vilarejo, em Omã, que não se sabe se é fictício ou não, pois o nome da cidade não é revelado. O relato é feito por nada mais nada menos do que sete narradores. Quem inicia a história é Khalid Bakhit, um jovem funcionário público que após sofrer uma desilusão amorosa, retorna da cidade grande, aonde foi estudar anos atrás, para sua cidade natal. O retorno de Khalid coincide com o início de uma série de acontecimentos que transformaram a aparente calma cidade, numa verdadeira praça de guerra, fazendo vir a tona, toda a rede de intrigas que existe nos bastidores da cidade. De acordo com Walad Sulaymi, um dos sete narradores, seu avô já dizia, que quando Deus decide que um lugar seja castigado, ele determina o retorno de todos que partiram da cidade natal, e com o retorno de Khalid, o ciclo se fecha para dar início a punição da cidade.

                                   O aparente fervor religioso que faz com que os habitantes compareçam a mesquita cinco vezes por dia para rezar, não basta para sensibilizar e transformar o comportamento deles, pois os conflitos se propagam em disputas pelo poder, discriminações raciais e sociais, e até mesmo um crime, já foi cometido em nome da moral e dos bons costumes. O enredo, que é bastante envolvente, mistura realidade e fantasia, e prende a atenção do leitor até o final do livro.  Mais um excelente livro para o projeto #198 livros.