Albânia

IMG_0111    Ao olhar a localização da Albânia no mapa, não dá para acreditar que seja um destino tão pouco explorado. Esse pequeno e montanhoso país, é banhado pelo Mar Adriático e está localizado entre Montenegro e a Grécia, dois destinos paradisíacos. Talvez sejam ainda os ecos da política de isolacionismo adotada pelo líder/ditador Enver Hoxha. Ele governou o país por quatro décadas, desde a segunda guerra mundial até 1985, fechando o país para o resto do mundo. Primeiro a Albânia retirou-se do Pacto de Varsóvia em 1968, e depois da morte de Mao Tsé-Tung, em final dos anos 70, perdeu o apoio da China, ficando cada vez mais isolados do mundo. Depois dos conflitos da década de 90, quando começaram a aparecer os partidos de oposição, e de muita luta, tornaram-se um país democrata. Toda essa luta contudo deixou sua marca, e o país ainda está se reerguendo. Atualmente, é um dos países menos desenvolvido da Europa.

Já o livro escolhido Abril Despedaçado, do albanês Ismael Kadaré, soa bastante familiar,  pois foi o romance que inspirou o filme homônimo de Walter Salles, com Rodrigo Santoro. Como ainda não tinha visto o filme, deixei para assistir depois da leitura do livro.

A história baseia-se no Kanun, código moral, transmitidas oralmente, que rege todo o comportamento dos membros de cada vila, nas montanhas da Albânia, sendo mais poderoso que o próprio estado. Praticamente todos os assuntos da vida, estão previstos no Kanun, casamento, direito de propriedade, e o mais terrível de todos a vendetta, que é o direito de vingança. Se alguém de uma família, for ofendido ou morto, o membro da família que sofreu a ofensa tem o direito o matar outro membro da família agressora. No romance, o personagem de Gjorg Berisha, mata com um tiro de fuzil, Zef Kryeqyq, que havia matado seu irmão numa vendetta que já dura 70 anos. Ele sabe que de acordo com as leis do Kanun, sua vida não deverá ultrapassar o mês de abril, tendo ainda que usar uma faixa preta no braço. A partir de então, ele começa a refletir sobre a sua vida, e a falta de perspectiva ou escolha.

Apesar de ser bárbaro e cruel, uma prática inadmissível, principalmente porque existiu e talvez ainda existam famílias que observam esse costume,  existe uma aura de honradez e dignidade, ao se respeitar acima de tudo, o amigo e a palavra dada. Embora o tema seja pesado, a leitura é fluente e agradável.

Mônaco

IMG_0108Associar Mônaco a glamour, luxo, iates, formula um, cassinos e Grace Kelly, é mais do que natural, afinal o principado, é tudo isso, além de ter um dos custos de vida mais alto do planeta. Isso tudo, graças a uma economia baseada no turismo, regime de tributação privilegiada(paraíso fiscal),  e alguns atrativos como o Grande Prêmio de Mônaco, Cassino de Monte Carlo e sede do World Music Awards, dentre outros. Mas, se por um lado a vida se desenrola com todo esse esplendor, não se pode deixar de pensar, e os normais, como vivem nesse principado de contos de fada? E parece que essa curiosidade não era só minha, uma vez que a Revista Life, publicou uma reportagem abordando a evolução da identidade monegasca ao longo do tempo, e para ilustrar traçou o retrato de 03 monegascos, que junto com seus compatriotas, representam um quarto dos quase 38 mil habitantes de Mônaco, ou seja eles são minoria em seu próprio país.

Venturi, é construtor de automóvel conhecido por ser o especialista monegasco em carros elétricos. É à Venturi que pertence o recorde absoluto de velocidade em pista para um carro elétrico: quase 500 km/hora. A marca tornou-se numa bandeira do Mónaco. Segundo Ferry, “para quem nasceu no principado, é impossível passar ao lado do desporto automóvel. É uma obrigação.”

 Marc Costa é uma referência em todo o país, na preparação do barbajuan, um dos pratos nacionais de Mônaco, feito a base de beterraba branca, fiambre, arroz, cebolas, queijo, ovos. De acordo com Costa, “a identidade monegasca tem a ver com a tranquilidade. Não há mudanças políticas, não há mudanças de governo, há uma harmonia generalizada. Todas as empresas realmente monegascas continuam a trabalhar ao longo do tempo.”

A paixão de Dominique Salvo são as palavras. Ela ensina o monegasco na única escola preparatória pública local. Em 1976, o ensino desta língua tornou-se obrigatório até ao quinto ano. Para os alunos, a aprendizagem é claramente um mecanismo identitário, que os distingue dos vizinhos franceses. Dominique Salvo afirma que “quando aprendemos, ficamos ainda mais com a noção de que pertencemos mesmo aqui. Para os estrangeiros, é uma forma de integração. (…) A origem está no genovês. Atualmente, só é falada aqui. Se a deixarmos morrer, é todo um povo que perde a sua língua. Não se trata apenas de vocabulário; é também uma forma de estar, de fazer e de pensar.”

Pierre Abramovici, jornalista, diretor de televisão e autor do livro escolhido, Un Rocher Bien Occupé, nasceu em Mônaco, e cresceu ouvindo sua avó contar as histórias de guerra que ela tinha presenciado no principado. E graças as histórias que sua avó contou, ele se interessou pelos acontecimentos que se passaram durante a guerra no rochedo, como também é conhecido o principado. Com a colaboração da também jornalista Carine Mournaud, pesquisou durante quatro anos em milhares de documentos em arquivos e nas lembranças dos monegascos, as informações que se baseou para escrever o livro. Não se trata de um romance, mas um relato, sobre a participação de Mônaco na segunda guerra mundial. Como sua neutralidade, e condição de paraíso fiscal, dentre outras causas, fizeram do pais um colaboracionista do regime nazista, sob a orientação de seu soberano, o príncípe Louis II. O livro, nos ajuda a compreender como Mônaco se tornou o que é nos dias de hoje, e a entender também o comportamento dos Grimaldi, governantes do principado há mais de 7 séculos.

 

Fernando de Noronha – de volta ao paraíso

07

Recordar é viver, e esta é a principal razão da existência deste blog, fazer os registros das minhas viagens, para que eu possa revivê-las mais adiante. A viagem a Ilha de Fernando de Noronha, que fiz em junho de 2009, foi anterior a criação do blog, e já estava na fila para virar post um dia. Então, Belinha, minha filha, viajou para Noronha, e de tanto trocarmos ideia sobre a ilha, me veio o desejo de revivê-la. Pronto, senti que tinha chegado o momento de minha inesquecível viagem virar post.

01

A viagem para Noronha, marcou um momento bem especial em nossas vidas, tínhamos acabado de fechar a compra do apartamento dos nossos sonhos, e cheios de euforia com nossa aquisição, fomos desfrutar o paraíso!

Quem é de fato um bom pernambucano, não deixa passar a oportunidade e vai conhecer Fernando de Noronha. O medo, do avião pequeno, desaparece quando vemos o cenário paradisíaco se aproximando pela janela. O que mais me impressionou, foi constatar que nenhuma das fotos maravilhosas que já tinha visto do arquipélago, conseguiu captar completamente a magia do lugar. A realidade supera em muito nossa imaginação.0502

Assim que chegamos, deixamos a bagagem na pousada e fomos ao centrinho contratar os passeios. Fechamos um tour por toda a ilha para o dia seguinte, pois só assim teríamos uma noção da ilha como um todo, e poderíamos escolher o que fazer depois. No dia seguinte, o jeep que foi nos pegar na pousada, já trazia três casais maravilhosos, que se tornaram nossos amigos e companheiros em toda a estadia em Noronha.03

O tour dura o dia todo, e faz diversas paradas, tanto nos mirantes para apreciarmos as paisagens, como nas praias para tomar banho de mar. Paramos na praia da Cacimba do Padre,  praia do Sancho, Baia dos porcos, praia do leão.

Praia da cacimba do padre.
Praia da cacimba do padre.
Praia da cacimba do padre
Praia da cacimba do padre
Trilha para chegar na praia do sancho
Trilha para chegar na praia do sancho

Visitamos a ilha em junho de 2009, e de lá para cá, foram feitas melhorias no caminho que leva a praia do sancho, e em outros locais. A medida que o tempo passa, algumas restrições vão sendo implementadas em função da preservação ambiental.06

Na praia do Leão, observamos a pedra em forma de leão ou cachorro para alguns, mas sobretudo, nos divertimos tirando todas as fotos jacu a que tínhamos direito!

PQAAAFkD4LBGo3eGul5tbCdcc6FcyEuVfNfBTl35ECrh7o7d1JUBZLNPLjV48kYoM8QsKpvHNzfimglN3qKVv9AlnRkAm1T1UNc7vh4c7oStgcSvMIIIqI1R1n6JPQAAAJkcjsmqauKOElypp2LA0xtKeNAQSsSZxp0dXIcToO92VzxIPN1CVhpOA4_Xq4zZhFVkNUdH7sBLHaMFJSoIeBoAm1T1UO7ZbJXnYvyUCucCqobcH4IwBSU5

 Ao final do dia, a turma toda foi para o Festival Gastronômico na pousada de Zé Maria, que acontece as quartas e sábados. Trata-se de um verdadeiro banquete com diversos pratos, e sobremesas maravilhosas. Vale muito a pena, não só pelo festival em si, mas também para conhecer a pousada.PQAAAOpkHqnHdEqfVfGpwIEYnKoJyejnULC3hYZHI9Ck-wtyWIMxXbpwWkBOKbCGpYfvRijw4gyExbYCGzsxezhJRVoAm1T1UHDvVyDktda-h8Q_pNhPhL0AMLDF

No dia seguinte, fizemos o passeio de barco a baia dos golfinhos e paramos para um mergulho na praia do sancho com snorkel. Fizemos também o aquasub, que é uma pranchinha puxada por um barco, e vamos manuseando, para mergulhar e voltar a superfície.PQAAAPaAEsUPP8NvrFrace_V5fboXQEhZLPnMP0d2dEMORgHYNzPeLsseQRVzn3Ewf_lRnGI0hNbfv0Odyir-NcrkbkAm1T1UFthUvvKLJXWt8X52MtjnlnI4IBT

Pronta para o passeio de aquasub
Pronta para o passeio de aquasub

PQAAAKtethySy4dApNcXHmMS_17arYirrL9lSBoCMKTeOCWJWBm0bC7tQ0Vh27VeeGbhswB4Lr6ogmDo8Lsuk5vIwOkAm1T1UBrc0iFfC-jOZtRm1BgVNEqp1Zeh

Fizemos a caminhada pelo centro histórico da Vila dos Remédios, conhecemos o Projeto Tamar, e trilha até a praia do Leão.PQAAAGXOpc-unblCpeFMiKJLyAvtKyu6Iyp0NPg8LvnBWLgfCY7BTElPs32Ogacc6U1K1IQfPFkvVTj2XeRHPoX63TYAm1T1UM166NuC7dMfxAvVoSBAicJr_vph

PQAAABiYkejogG8olxAx-29F7PWkuKz5k10Y6MYI5eIeM-VT_HrHs8SGh4DzhbcfjPG3rljUrnIgsqbVo0tbXq6BB74Am1T1UJIU1YZMViHGsl7Q4SYHZYsYlVwDPQAAADm44Iq2lywDt8jhUS29iLm2zvn2LgTTrf4dlTZdJyO8X1beFaYXufspaH1BgagcP3Uni11OpV_FucN7soSRMoQAm1T1UKB_7ndxO3d97NwR1TfYmEODZiapPQAAAPbH7TPx0R1KLHppYSD2JrUumit7ZELmjLpHq3MyIwi67xztXF9Zwzxoyzx28weN7-68jZS4unObHYDvwp8lv5sAm1T1UJihDcf5Y7L_aVMSwXgAfEUKMHFE

Foi uma viagem inesquecível, infelizmente não pudemos mergulhar na praia do Atalaia, pois tinha chovido muito e o acesso estava prejudicado. Mas, como sempre devemos deixar um motivo para voltar, Atalaia, me aguarde!

Angola

IMG_0098Mais um destino na África, desta vez não tão desconhecido. Com o acordo de paz em 2002, depois de uma guerra civil de 27 anos, iniciou-se a reconstrução do país, criando oportunidades de trabalho em todas as áreas. A presença de brasileiros em Angola ficou muito forte, devido a política externa do governo Lula(2003-2010), focado na aproximação com países pobres. Traduzindo em números, existem em torno de 200 empresas brasileiras instaladas em Angola, e assim o país tem estado no inconsciente coletivo, de alguma forma, de todos nós.

No livro escolhido, “Os Transparentes“, do angolano Ondjaki, a história se passa em Luanda, capital do país e local de nascimento do premiado autor. Tem como eixo central um edifício no LargoDaMaianga, para onde convergem, de uma maneira ou outra, as histórias de todos os personagens, tanto os moradores do edifício, como os dos que passam por eles. O romance mistura surrealismo, com a crua realidade do país, uma realidade aliás, bem parecida com a do Brasil, com a corrupção e a desesperança tomando conta do país.  Os personagens são pessoas simples, humanas e com características bastante “suis generis“, tanto nos nomes; MariaComForça, AvóKunjikise, VendedorDeConchas, Cego, Carteiro, CienteDoGrã, quanto nas características físicas de alguns deles, Odonato está ficando transparente, Edú, tem uma gigantesca hérnia no testículo, o que atraiu o interesse de cientistas internacionais.  Surreais também são algumas situações nos cenários aonde acontecem as histórias, tais como;  o fornecimento de energia intermitente do bar A Arca de Noé, e a água que não para de correr no primeiro andar do edifico no LargoDaMaianga. As historias pessoais dos personagens misturam-se aos eventos políticos e sociais, numa mistura fascinante de realismo e absurdo. Uma delícia de leitura!

Sudão do Sul

IMG_0092Nem é muito demérito não ter muitas informações sobre este país, uma vez que ele existe a pouco tempo, apenas 4 anos, desde julho de 2011. Depois de algumas pesquisas, pude me situar na realidade do país, ou pelo menos, daquela que nos chega através da mídia. E daquilo que pude assimilar por este canal, foi que a conquista da independência, aconteceu depois de uma longa e violenta guerra, iniciada a partir de divergências étnicas e religiosas, entre o atual Sudão do Sul, de maioria cristã e africana, se insurgindo contra o governo do Sudão, centralizado em Cartum, de maioria islâmica e árabe.  Nem bem a independência foi conquistada e já mergulharam em novos conflitos, dessa vez políticos e étnicos, já que os dois maiores grupos do Sudão do Sul, os Dinka e os Nuar, se posicionaram em lados opostos, na disputa política.

Vivendo nessa turbulência, poderia parecer natural não encontrar literatura contemporânea desse jovem país. No entanto, Nyuol Lueth Tong, um sudanês do sul, apaixonado por justiça social e mudanças, e que acredita que a educação pode promovê-las, foi o responsável pela edição do livro “There’s a country”.  Ele entende também, que a literatura, tanto a ficção como a poesia, é a melhor forma de se conhecer profundamente a cultura de um lugar. E assim, num esforço para enriquecer a cultura do pais e mostrá-la ao mundo, selecionou dentre as dezenas de pequenas histórias recebidas de autores sudaneses do sul, aquelas que melhor poderiam sintetizar e esclarecer, o atual momento de ruptura vivido pelo Sudão do Sul. Segundo ele, a visão da guerra, para a maioria deles, tem sido mais familiar do que a paz e a estabilidade.

“There’s a country” , uma coletânea das oito histórias de autores sudaneses do sul selecionadas e editadas por Nyuol Lueth Tong, tornou-se assim a primeira ficção da literatura do novo país. As histórias são escritas numa linguagem simples, de leitura fácil e agradável.

Um mergulho num cenote!

Cenote Ik-Kil, mais conhecido como “cenote sagrado azul”
Cenote Ik-Kil, mais conhecido como “cenote sagrado azul”

                 Assim que soube que viajaria para Yucatán no México, iniciei minhas pesquisas sobre a região, e logo elas me levaram aos cenotes, pois é a região que abriga o maior número deles no país. Segundo definição do wikipédia, “Cenotes são conexões entre a superfície e áreas alagadas subterrâneas. Enquanto os cenotes mais conhecidos são grandes piscinas medindo cerca de 10 metros de diâmetro, como as existentes em Chichén Itzá, o maior número de cenotes são pequenos locais abrigados e não necessariamente tem qualquer água de superfície exposta”  Daniel's 238

                   Durante nossa estadia, tivemos a oportunidade de conhecer dois deles.O primeiro foi o Ik-kil, ou cenote sagrado azul. Fica em  Chichén Itzá, e é enorme, tem 130 metros de profundidade e 60 de diâmetro. Não mergulhei nesse, porque o visitamos durante o nosso tour guiado, e não tem graça tomar banho com tempo contado! Além  de ter achado meio claustrofóbico.

IPHONE DE ANA 377

                  Mas, quando fomos para Tulum, contratamos um táxi para ficar conosco durante todo o dia, e ele sugeriu conhecer uma praia(me esqueci do nome), que tinha um cenote nas proximidades. Topamos na hora!Daniel's 296                 “Cenote”, significa “poço sagrado”, porque para os maias, eles eram de fato sagrados, por serem a fonte de água nos tempos difíceis. Eles acreditavam que as águas eram um canal de comunicação para falar com os deuses. E mergulhando nas águas cristalinas e refrescantes, com os peixinhos nadando a sua volta, a gente consegue entender porque os maias se sentiam dessa forma, eu também achei que estava falando com os deuses enquanto nadava. Esse cenote tinha a vantagem de ser todo ao ar livre, foi difícil ter de voltar a ser mortal na hora de ir embora.Daniel's 293

Daniel's 290Daniel's 295

 

 

Irã

IMG_0037Quando vi que o livro escolhido para representar o Irã, Persépolis, de Marjane Satrapi, era em quadrinhos, fiquei um pouco ressabiada. Nunca fui simpatizante de histórias em quadrinhos, sempre achei complicado seguir a sequência, além de que as ilustrações, tiravam um pouco a graça de imaginar as cenas. Até que numa de minhas visitas a livraria, depois de folhear o livro e ficar fascinada pelas palavras de Marjane, desejei imediatamente ir para casa continuar a leitura.

Persépolis, é a história de vida da autora, que nasceu em Rasht, no Irã, e hoje mora em Paris. Bisneta do imperador do Irã deposto pelo Xá, e filha de pais modernos e revolucionários, teve uma educação que tanto valorizava as tradições culturais do país, como os valores de igualdade e solidariedade, com características ocidentais, já que estudava num num liceu francês, até a revolução de 1979. A revolução que se iniciou como um movimento popular para a derrubada do Xã, veio a se transformar numa ditadura islâmica, muito distante da nossa realidade. Fica sempre a curiosidade sobre como vivem e sentem os iranianos com toda essa reviravolta em suas vidas. Como será a vida por trás do véu, e de todas as restrições impostas pela religião? Até então, o mais próximo que havia chegado da realidade do Irã tinha sido com o filme “Argo”, mas lendo o livro de Marjane conseguimos adentrar a sociedade iraniana de uma maneira muito mais leve e divertida, do que aquela tensão que vivemos no filme.

Marjane, consegue contar todas as dificuldades e sofrimentos pelos quais passou, de uma forma irreverente, que não deixa espaço para tristeza. Uma excelente leitura e mergulho na cultura do Irã.

Pirâmide de Kukulcán-Chichén Itzá

IPHONE DE ANA 354               Eleita uma das 7 maravilhas do mundo moderno em 2007, a cidade maia de Chichén Itzá, também declarada Patrimônio Cultural da Unesco em 1988, fica situada no estado de Iucatã, no México. A partir do momento que confirmamos a viagem para Cancún, virou meu objeto de desejo, e ato imediato foi incluída no roteiro, deixando os detalhes para serem acertados quando estivéssemos lá. Passado o objetivo principal da viagem, que era o casamento, começamos a programar os passeios na região. E claro que Chichén Itzá foi logo a primeira da lista, para não ter o menor perigo de ficar para trás. Agendamos um pacote com uma das agências de turismo que funcionavam no hotel, que incluía além da ida para Chichén Itzá, uma visita a um cenote e a cidade colonial de Valladolid. Embora não goste muito de excursões, fechamos com a maioria, e apesar de alguns inconvenientes que sempre vêm com esse tipo de tour, tais como: a perda de tempo passando para pegar outros integrantes em hotéis, e paradas onde se ofereciam artesanatos a preços astronômicos, as explicações do guia em Chichén Itzá compensaram todos os contratempos.IPHONE DE ANA 353

                 O sítio onde se localiza Chichén Itzá, fica num parque arqueológico não muito distante da entrada principal. São muitas as recomendações que recebemos antes de entrar no parque, mas quase todas superáveis sem maiores problemas. O calor no entanto, foi um desconforto, quase insuperável.  IPHONE DE ANA 351

              Quando chegamos no parque era quase meio-dia, e no local onde ficam a pirâmide de Kukulcán, o Campo de Jogos dos prisioneiros, a Praça das Mil Colunas e o Templo de Chac Mool, não têm sombra, é de enlouquecer! Muitos do nosso grupo desistiram, e deram por visto, mas eu e Daniel ficamos até o fim,  para poder ouvir todas as explicações do guia e percorrer tudo que havia para ser visto.

Derretendo no sol
Derretendo no sol
Templo de Chac Mool
Templo de Chac Mool

IPHONE DE ANA 365

Campo de Jogos dos prisioneiros
Campo de Jogos dos prisioneiros
Detalhe da serpente. kulkucán quer dizer serpente sagrada
Detalhe da serpente. kukulcán quer dizer serpente sagrada

Daniel's 218

             A ciência dos Maias é inacreditável! Nada naquela pirâmide foi feito ao acaso, tudo tem uma razão, desde o local escolhido, as proporções, a acústica, tudo! É fantástico! Em compensação a política deles de sacrifícios humanos é de arrepiar!

Polônia

IMG_0655             Não sei porque, existem alguns países que exercem em mim um fascínio especial, e a Polônia é um deles. Toda vez que chega a vez de um desses destinos fico na maior expectativa. Posso dizer que o livro escolhido, Senhorita Ninguém, primeiro romance de Tomek Tryzna, que também é roteirista e diretor de cinema, fez jus a esse fascínio.O livro também foi  adaptado pra o cinema por Andrzej Wajda.

            Marysia, a protagonista e narradora, é uma menina de 15 anos chegando a adolescência. Até então vivia no campo, em um barraco de apenas um cômodo, com os pais e os quatro irmãos menores. Além de frequentar a escola na pequena cidade de Jawiszów, ajudava a mãe na lavoura, a cuidar os irmãos e da casa. A educação que recebia, baseada nas tradições e na religião, e sua própria natureza, não permitia que discordasse dos pais, ainda que, nem sempre fosse fácil lidar com eles, sendo o pai alcoólatra, e a mãe obesa e fumante inveterada.

              Depois que o pai, mineiro, recebe pelo seu trabalho um apartamento para morar, eles são obrigados a se mudar rapidamente, para evitar que seja invadido. O apartamento fica a 20 km de onde eles moravam, em Walbrzyech, cidade industrial e uma das 12 mais poluídas do mundo. Faltando apenas 2 meses para terminar o ano letivo, Marysia e os irmãos mudam de escola. As mudanças em Marsya, acontecem a medida que sua amizade com Kasia e Ewa, vai se aprofundando. As duas são ricas e excêntricas. Kasia, talentosa e precoce, questiona seus valores, como nesse trecho: “Não foi o padre que criou você, foi Deus. Ele criou você para que tentasse igualar-se a ele em sabedoria. mas, além de tudo, criou você para que você fosse livre, também livre dele, entendeu?” fazendo com que ela comece a pensar a vida de uma nova maneira. Com Ewa, transgressora, ela vai aprender a se rebelar e conhecer o sexo. E a medida que vai despertando para vida, vai se valendo de sua tendência para fantasia, para criar uma nova realidade. Tryzna, vai alternando os momentos da realidade cruel com os delírios de fantasia, no mesmo texto, sem demarcação. Um romance para nos fazer pensar.

Samoa

IMG_0660 (1)                    Samoa é um daqueles países que não conhecia nem de ouvir falar, e que é preciso olhar no mapa, para se localizar. Fica na Oceania, no oceano pacífico, entre a Nova Zelândia e o Havaí, e é constituído de duas ilhas, Savai’i e Upolu. Obteve sua independência da Nova Zelândia, em 1 de janeiro de 1962. Suas línguas oficiais são o inglês e o samoano. No livro escolhido para representar o país, The Girl in the Moon Circle, da escritora Sia Figel, vamos nos deparar várias vezes com expressões em samoano, o que as vezes torna difícil a leitura. Malo Sa’oloto Tuto’atasi, este é o nome do país em samoano.

                    O livro foi estruturado, em pequenos capítulos, quase em forma de um diário, e relata as experiências  vividas por Samoana, uma menina de 10 anos, na cidade de Malaefou. Através de seus relatos podemos conhecer, os costumes do país e adentrar na sociedade de Samoa. Samoana, ou Ana, aborda todos os temas que de alguma forma estão presentes em sua vida, como o relacionamento familiar, no qual descreve tanto as brigas quanto as demonstrações de afetos entre os irmãos, e a forma como os pais os educam; a influência da religião na sua vida; amizade; os fatos que marcaram a sociedade, mas que viraram tabu; a morte; a violência sexual cometida contra as crianças, e por aí vai.. Apesar de aparentemente serem descritos de forma ingênua e inocente, Ana faz sua própria leitura dos fatos, demonstrando um grande poder de análise.