Comores

                   foto (6)Saí de uma ilha para outra, da Ásia para a África, mas enquanto Timor Leste é apenas parte de uma ilha, Comores faz parte de um arquipélago.  A União dos Comores é uma república federal islâmica que compreende três (Grande Comore, Mohéli e Anjouan), das quatro ilhas principais do arquipélago das Comores, localizado ao norte do canal de Moçambique, no Oceano Índico. O país só ficou independente da França em 06 de julho de 1975, após um domínio de mais de um século. Anteriormente havia sido colônia islâmica, entre o século IX e XIX. Esse grande período de domínio árabe deixou marcas na cultura da ilha, 98% da população são muçulmanos contra 2% das outras religiões. A influência dos colonizadores também se faz sentir no idioma, havendo nada menos que três idiomas oficiais: árabe, francês e shikomor. No romance de Mohamed Toihiri, Le Kafir du Karthala, dá para conhecer muito da cultura de Comores e imaginar a beleza das ilhas. O “Karthala” mencionado no título, é um vulcão ativo, perto da capital, considerado o ponto mais alto de Comores, e o “Kafir” pode ter diferentes siginificados, tanto pode ter o sentido de “infiel” para o Corão, “negro” na África do Sul e “marginal” nos Comores. Sendo a simbologia utilizada pelo autor para representar a questão moral do seu protagonista.

                   O livro conta a história de Mazamba, iniciando-se no exato momento em que ele recebe a notícia que é portador de um tumor maligno e tem pouco tempo de vida. Refeito do choque inicial, toma a decisão de não contar a ninguém sobre a doença, e encontrar um sentido para sua morte. Até então, Dr Idi Wa Mazamba, vive em Moroni, capital do país, exercendo a medicina depois de ter estudado na França. No exercício da medicina ele convive de perto com a diferença de classes e má distribuição de renda. Ele é um nacionalista que ama seu país e suas origens, mas que se sente incomodado com alguns costumes locais e com a corrupção que domina o país, liderada principalmente pelos PG “partenaire généreux” europeus que controlam o país.  Com a proximidade da morte, Mazamba sai da inércia em que vivia e se liberta das amarras sociais. Livre, para viver suas emoções, ele vai se envolver com uma professora francesa, judia e “branca”, e vivenciar o amor pela primeira vez, apesar de ser casado já alguns anos. Essa liberdade também vai lhe permitir agir de acordo com suas convicções. Ao longo do livro, por meio das experiências de Mazamba, vamos conhecendo a cultura do país: O grande casamento ou Anda, em shikomor, grande evento, momento de afirmação social, tanto para o homem como para a mulher; bangano, disputa pública na qual os participantes tentam marcar pontos, cada vez que humilham o adversário por meio da revelação dos segredos, seus e de sua família; as brincadeiras e cantigas infantis; a bruxaria que se pratica na ilha, e por aí vai. O romance tem uma leitura gostosa, que não nos deixa largar o livro. Uma delícia de viagem.

Timor Leste

                     foto (5)Não sabia quase nada sobre o Timor Leste, apenas que lá se falava português e que a independência era recente. Como sempre minhas pesquisas me levaram um pouco mais adiante.  De fato, ele é um jovem país, acho que o mais jovem do mundo, além de muito pequeno. Está localizado na parte oriental da ilha de Timor, no Sudeste Asiático. Foi colônia de Portugal do século XVI, até 1975, quando teve sua independência declarada. Após a saída de Portugal, a Indonésia invadiu e anexou o país ao seu território, transformando o Tímor em sua 27ª província. Durante o período de ocupação da Indonésia, que durou até 2002, quando o país conseguiu restaurar a independência, os timorenses viveram um pesadelo. Um clima de terror se instalou no país, a população foi massacrada, fala-se inclusive em genocídio, quase um terço da população foi exterminada. Nesse período o uso do português foi proibido e o tétum desencorajado, além de serem intimidados a professar uma religião, sob pena de serem considerados comunistas. Até então, o catolicismo era a religião do estado e da elite, mas diante das circunstâncias, se vendo forçados a decidir, a escolha recaiu sobre o catolicismo, já conhecido, em oposição ao islamismo dos indonésios. Hoje 90% da população se declara católica, apesar do ocultismo das religiões étnicas ainda ser muito forte, sendo essa coexistência entre a prática do catolicismo e de outras religiões uma característica cultural do país. Nesse período, a igreja assumiu também um papel importante de estrutura social e de poder.

                     A história do escritor timorense Luis Cardoso, no seu livro Olhos de Coruja Olhos de Gato Bravo, é ambientada nesse mundo. Não no mundo de terror criado pelos indonésios, mas nesse mundo surreal e fantástico, que parece fazer parte da cultura do país. Nele, a história de Beatriz e sua família, é narrada por ela mesma, de uma forma tão envolvente que não conseguimos parar de ler.  O nascimento de Beatriz desestruturou a família, tanto por ser inesperado e tardio, como pelo tamanho dos seus olhos, que pareciam enxergar demais. Os personagens, e membros da família de Beatriz, entram e saem do enredo, sem pedir licença, nem dizer adeus. Não tenho certeza se a intenção do autor foi fazer uma alusão indireta a história do país, já que a luta pela independência só é mencionada no final. Mas com certeza muito dos costumes do Timor estão bem retratados no livro; as tradições familiares, o costume de mascar uma mistura de areca, bétel e cal virgem, a briga de galos, a figura dos grandes homens, o poder da igreja católica, e principalmente o sobrenatural. Uma grande viagem.

 

Bulgária

         81LwYo+TSPL._AA1500_BulgáriaChegando à Bulgária, pensei logo que tinha aportado a um destino bem conhecido.  Mas quanto tentei ver o que de fato conhecia sobre a Bulgária, me dei conta que tudo que sabia sobre o país, ou me lembrava, até então, era que ficava no leste europeu e era a terra natal do escritor Elias Canetti.  Tinha muita vontade de saber como era vida no país comunista, e o que existia por trás da famosa cortina de ferro.  No livro de Kapla KassabovaStreet without a name” escolhido para o #198 livros é possível descobrir, em parte, como viveram os búlgaros no período em que o Partido Comunista governou o país, de 1946 a 1990. Nele, a autora narra sua história pessoal, segundo ela, como forma, dentre outras coisas, de exorcizar os fantasmas do tempo em que viveu do lado de lá da cortina de ferro, e a falta de identidade que lhe deixou o período que viveu como expatriada.

                Na primeira parte do livro, ela relata como foi sua infância cinza, vivida num condomínio de apartamentos mínimos, sem área de lazer para crianças, nem área verde, num bairro sem atrativos, onde as ruas não tinham nome. À medida que vai crescendo a desesperança aumenta, com a falta de perspectiva de vida, e de liberdade, agravados pelo contato com os colegas de trabalho do pai, que viviam no ocidente, e que abriram uma janela na cortina deles. Finalmente, em 1990, com o fim do governo comunista, a família de Kapla emigra definitivamente para a Nova Zelândia, depois de um período na Inglaterra. É o fim da primeira parte.

                A segunda parte traz o retorno da autora ao país, depois de quase 20 anos, em busca de sua identidade.  Nessa busca, ela empreende uma viagem por todo o país, e é, então, que vamos conhecer a Bulgária, sua história, as peculiaridades do seu povo, da grande quantidade de ciganos que lá vivem, as cidades, e as curiosidades, como a produção de vinhos, rosas e iogurte. É uma leitura leve e cheia de humor.

                Quando comecei a ler o livro, chegou à minha turma do francês, uma aluna da Bulgária, Maria, que assim como a autora era uma expatriada, já que tinha vivido um bom tempo nos Estados Unidos e França. Foi então que emprestei seu rosto para Kapla e sem saber ela se tornou a protagonista da minha história. Não chega a ser uma história empolgante, mas é sem dúvida nenhuma uma excelente oportunidade de conhecer a Bulgária.

Senegal

 

         Senegal O Senegal ficou marcado nas minhas lembranças de criança, depois de assistir, com meus pais, ao Balé do Senegal. Ainda guardo na memória, as mulheres com seios nus, dançando num ritmo frenético, no Teatro Santa Isabel. Uma lembrança, na verdade, é muito pouco para se conhecer sobre um país, e por isso mesmo, esse projeto está sendo tão importante para mim. Antes de iniciar a leitura, o básico dos básicos, procurar no mapa mundi, onde está situado, para poder me transportar para lá. O Senegal fica na África Ocidental, faz fronteira ao oeste com o Oceano Atlântico, a leste com Mali, ao norte com a Mauritânia, e ao sul com Guiné e Guiné-Bissau. O país, que foi colônia da França, tornou-se independente em 1960, e sua capital é Dakar, famosa pelo rali Paris-Dakar.  Porém, o que me deixou mais surpresa, foi constatar que a poligamia, que de acordo com depoimentos de senegaleses, tem mais a ver com a cultura, do que com a religião, é uma prática comum nos dias atuais. Apesar de a religião predominante ser a Islã, com 95% da população, a poligamia é comum também entre os cristãos.

            O livro que representa a literatura do Senegal, no projeto 198 livros, é o da escritora senegalesa, Mariama Bâ, Une si longue lettre. O romance, é narrado em forma de carta, de Ramatoulaye, para sua melhor amiga, Aïssatou, no período de reclusão pela viuvez. Aborda a situação da mulher na sociedade senegalesa; a ausência de direito das mulheres, que são forçadas ao casamento ainda muito jovens, e a conviverem com a poligamia. À medida que vai revivendo os momentos felizes que viveram juntas, na juventude idealista, no casamento de ambas, realizado por amor, mas que foram arruinados com a ajuda do sistema de poligamia, vai fazendo uma análise da sociedade e do país. Ramatoulaye é bastante lúcida, apesar de condenar a poligamia, que considera uma traição autorizada pela sociedade, não credita a ela o fracasso do seu casamento. O casamento para ela é uma decisão do coração, tomada por dois.  Trata-se de uma história de amor, de uma mulher guerreira, mas consciente de suas fraquezas.  Um maravilhoso romance, numa excelente viagem ao Senegal.

 

Saara Ocidental

                   fotoHá mais de 30 anos que o conflito no território do Saara Ocidental vem se arrastando, sem que a comunidade internacional veja uma solução aceitável para as partes antagonistas. Uma falha que só pode ser explicada pela falta de interesse dos organismos internacionais, e a demonstração do poder ocidental nessa região estratégica do Norte da África.  O território é contestado pelo Marrocos e pela Frente Polisário que em fevereiro de 1976, proclamou do exílio a República Árabe Saárui Democratica. O Saara Ocidental ou espanhol é a última colônia da África, foi colonizado pela Espanha, que assumiu o controle após a Conferência de Berlim em 1884. Em 1975, um Acordo tripartido foi assinado entre a Espanha Marrocos e Mauritânia, dividindo o território entre os dois países africanos e garantindo os interesses da Espanha no fosfato e na pesca. O acordo, pôs fim ao controle da Espanha no território, mas não a soberania. Ou seja, a Espanha continua a ter o poder administrativo legal sobre o território. Após o acordo de Madrid, os dois países africanos invadiram o território, obrigando milhares de refugiados saráuis, a abandonarem suas terras e se estabelecerem no deserto do sul da Argélia.

                Nessa nossa parada no Saara Ocidental, vamos conhecer um pouco da luta e do sofrimento do povo saráui para conseguir sua independência. O episódio narrado no livro escolhido “Tifariti, mi tierra” de Abdurrahaman Budda, mistura fatos reais com fictícios. O livro conta a história de Salama, e sua família, que se encontram refugiados no deserto na Argélia, e seu breve retorno para sua cidade Tifariti, no Saara Ocidental. É comovente conhecer Salama, e ver como ele lida com as adversidades, sem se deixar esmorecer, sem perder a fé na vida, o amor pela terra e pela família e o respeito pela religião. É com firmeza e ternura que cuida da família. Mesmo quando é criticado pelos vizinhos e amigos por construir uma casa de barro, com a ajuda dos filhos. Ele decidiu construir a casa, para garantir para sua família, uma qualidade de vida melhor do que a permitida pela tenda. Os vizinhos o criticaram porque construir uma casa significa criar raízes, enquanto viver na tenda representava a situação de refugiados. Porém ele segue em frente, mesmo sendo um nacionalista, pois coloca o bem-estar e segurança da família em primeiro lugar.  Essa e outras situações vivenciadas junto com Salama, nos ajudam a conhecer um pouco do povo saráui, sua história, religião e costumes. Embora seja uma história muito triste, é também uma lição de vida.

Papua-Nova Guiné

  PNG1      Quando iniciei as pesquisas sobre Papua Nova Guiné, fiquei bastante desanimada, pois a maioria das informações encontradas abordavam a violência no país, algumas eram mesmo inacreditáveis, como a prática do canibalismo. Mas então encontrei esse post aqui no blog gabriel quer viajar, que mostrava o outro lado de Papua Nova Guiné, que é de uma beleza impressionante, com uma enorme variedade, de pássaros (760) que só existem lá, de animais, de plantas, de grupos tribais (em torno de 700), de línguas (mais de 800), e de muitos outros motivos para se conhecer esse maravilhoso país. Então, sim, me animei para mergulhar no livro escolhido.

            Night Dreams of Passing Memories, de John Kadiba é um relato autobiográfico. No livro o autor recorda por meio de sonhos, os momentos mais marcantes de sua vida. A infância vivida na aldeia de Ilai, e a luta do pai, analfabeto, para que pudesse estudar e assim ter acesso ao mundo dos “brancos”; relata a maratona que teve que enfrentar nos estudos até o PHD e a luta para conseguir um bom padrão de vida para sua família; as discriminações dos colonizadores brancos contra os nativos, e a violência na capital Port Moresby. Só percebemos o tamanho do desafio que Jonh Kadiba teve que vencer, quando mergulhamos na sua história e conhecemos em detalhes como era a vida na sua aldeia, o que teve que enfrentar para avançar nos estudos, a dificuldade para estudar em outra língua e as discriminações no trabalho . Mas por outro lado também fica evidente, o quanto ele se sente impotente com a situação atual do país, e culpado por ter emigrado e passado um bom tempo sem retornar a sua aldeia.

            Através do relato de Kadiba, é possível viajar até Papua Nova Guiné, e conhecer um pouco da história e cultura do país. Não chega a ser um relato empolgante, mas se enquadrou bem no projeto #198livros.

Lituânia

                41Vfww6rZiL (1)Nesse país, não segui a escolha do #198 livros, por não ter me empolgado nem com o tema, e nem com o estilo do escritor, que me pareceu denso. Não foi fácil encontrar outro livro, primeiro porque a literatura lituana ficou meio estagnada no período de domínio da Rússia. Segundo Mariana Butenschön, metade dos escritores fugiram dos russos para o ocidente, ficando no país somente aqueles que eram fieis a Moscou e os poetas que tentavam expressar suas críticas nas entrelinhas. Após a suspensão da censura em 1989 e o retorno dos escritores que se encontravam fora do país, a literatura voltou a renascer. Ricardas Gavelis, Jurga Ivanauskaite, Renata Serelyte e Jurgis Kuncinas, são alguns da nova geração de escritores lituanos, porém a dificuldade de ter acesso aos livros traduzidos tornou inviável a pretensão de leitura de escritores contemporâneos (Tive muita vontade de ler Tüla, de Jurgis Kuncinas, mas não consegui o livro). Finalmente, a pesquisa rendeu algum fruto, encontrei por meio da tradutora Elizabeth Novickas, o livro de Kazys Boruta, Whitehorn’s Windmill, e para compensar o trabalho dispendido na pesquisa, encontrei o livro em edição Kindle.

                Kazys Boruta nasceu (1905-1965) num período particularmente tumultuado do seu país, tendo vivido a maior parte de sua vida no exílio ou na prisão, a começar em 1915, quando seus pais fugiram da Lituânia para escapar da invasão da primeira guerra mundial. Nascido durante a dominação Czarista vivenciou pouco a independência do país, entre as duas guerras mundiais. Suas convicções políticas de esquerda fizeram com que fosse preso, e exilado, e sua obra proibida. Depois que os soviéticos expulsaram os alemães, assumindo o controle do país, Boruta ainda ficou preso por três anos. E mesmo tendo sido solto, ficou recluso, limitando seu trabalho, nos dez anos subsequentes, a traduções, publicadas sobre pseudônimo.

                Apesar de não ser uma literatura contemporânea, Whitehorn’s Windmill foi escrito em 1942, durante a ocupação nazista, é bem representativo da literatura da Lituania, tendo se tornado um clássico. Em 1957, foi adaptado para o teatro; em 1974, para um filme musical (The Devil’s Bride), e em 1979, para o ballet. Escrito numa linguagem lírica, mistura a fantasia dos contos de fada com a dura realidade trazida pelos personagens.  Esse antagonismo, só fui perceber, ao contar as histórias dos contos de fadas para os meus filhos e ver como eram cruéis. Decidi então suavizar um pouco as maldades, na hora de repassar para os meninos, mas ao mencionar na escola o que estava fazendo, fui criticada pelos professores. Foram veementes ao explicar que, era importante para as crianças vivenciar a dura realidade dos contos de fadas, para aprender a lidar com a frustação. E é isso que Boruta nos passa na sua história juvenil, um romance com muitos ingredientes reais e imaginários, o diabo com características humanas e que é enganado, humanos que fazem pacto com o diabo para realização dos desejos. Ninguém é santo no livro de Boruta.

               A história é ambientada no pequeno vilarejo de Svendubré, na terra de Paudruvë , região rural da Lituânia, e conta a história de Whitehorn, o proprietário do moinho, sua linda filha Jurga, e de todos que se envolvem com eles, como Pincukas, o diabo que vive em um pântano, Ursule’s prima distante de Whitehorn, que nunca desistiu de se casar com ele, Jurgutis o aprendiz de ferreiro que se apaixona por Jurga, Blackpool, o ferreiro vizinho, Girdvainis, que vai tentar vencer o feitiço e chegar até Jurga. No início da história, vemos vários pretendentes, acompanhados de seus padrinhos, como é o costume, tentar chegarem à casa de Jurga, para pedi-la em casamento. Nenhum deles, no entanto é bem sucedido, porque estranhos acontecimentos impedem que eles se aproximem do moinho, e da casa dela. Para entender e situar todos os personagens o autor volta ao passado de Whitehorn, antes de prosseguir com o desenrolar da história, mágica, romântica, burlesca e trágica, como, aliás, costumam ser todos os contos de fadas. Sem dúvida uma agradável leitura, que vale a pena conhecer.

Ilhas Salomão

 

   téléchargementMais um país que o #198 livros# colocou na minha bagagem. As Ilhas Salomão são um país da Oceania, formam um arquipélago de seis grandes ilhas e algumas pequenas, e estão situadas no sudoeste do oceano pacífico. Devem seu nome ao conquistador espanhol Álvaro de Mendaña, que as descobriu em 1568, e embora não tenha encontrado nem ouro, nem as minas do rei Salomão, batizou-as com seu nome. Foi um protetorado do Reino Unido, de 1890 até 07 de julho de 1978, quando conquistou sua independência. Durante a segunda guerra mundial, entre 1942 e 1943, as ilhas assistiram a violentos combates entre o Japão e os EUA.

                Duas curiosidades a respeito das Ilhas Salomão me chamaram atenção, nas minhas pesquisas sobre o país. A primeira se refere as características físicas de seus habitantes, pois de acordo com o cálculo de Sean Myles, varia de 5 a 10% a frequência de cabelos loiros na população nativa de pele negra. A outra, que parece uma lenda, e ninguém sabe se é verdade, ou não, descobri nesse site aqui, muito interessante, segundo a qual os habitantes das ilhas quando querem derrubar alguma árvore na floresta, em vez de cortar, começam a gritar e insultar as árvores, e então depois de alguns dias elas morrem. Talvez tenha chegado até nossos dias através da tradição oral, como era costume em alguns países da África. E finalmente, descobri que as Ilhas Salomão são paradisíacas e vale uma viagem.

                               Mas voltando ao projeto, o livro escolhido foi The Alternative, de John S. Saunana, escrito em 1980. O livro conta a história de Maduru, um adolescente muito inteligente e com um enorme senso de justiça por um lado, mas arrogante, egoísta, e rude por outro. Ele deixa o seu vilarejo para ir estudar na escola dos brancos. Inicialmente, ainda imaturo, fica deslumbrado com o mundo deles, chegando mesmo a desejar ter a pele branca. Mas a medida, que vai amadurecendo, não só pelo conhecimento adquirido como também pelas experiências vivenciadas, vai se dando conta, do absurdo que existe no tratamento dispensado aos nativos, em contrapartida aos privilégios recebidos pelos colonizadores. Percebe que eles, os colonizadores, não tem nenhuma ligação afetiva com o país, e desejam apenas tirar o máximo de proveito enquanto estiverem morando lá. E um sentimento nacionalista vai se apoderando dele de tal forma que mudará seu destino, e influenciará o de seus conterrâneos, despertando neles também o sentimento nacionalista. Uma abordagem bastante instigante.

 

 

 

Malásia

     Malasia                     Nas duas últimas semanas a Malásia tem estado na mídia, por causa do estranho desaparecimento do avião da Malaysia Airlines. A essa altura eu já não poderia dizer que só conhecia o país de nome, porque já tinha chegado a vez do livro da Malásia, pela ordem do sorteio no projeto #198 livros. E antes de começar a leitura do livro da vez, fiz como tenho feito sempre, uma rápida pesquisa para me situar, literalmente, no mapa mundial. À medida que vou mergulhando na história, vou me aprofundando na pesquisa. Assim, achei incrível, tomar conhecimento da conturbada e sui generis história do país. Além de se libertar dos britânicos, em 1957, a Malásia vem desde então, empreendendo uma luta, que dura até os dias atuais, para que a maioria da etnia malaia consiga ampliar a influência, sobre as outras etnias (maioria chinesa e indiana) que correspondem a quase metade da população, na vida econômica, educacional, religiosa e cultural do país.

            No livro de Preeta Saramasan, “Noite é o dia todo” esse aspecto político, da história da Malásia e suas repercussões no dia a dia do país, é o pano de fundo da trama. O enredo aborda a saga de uma bem sucedida família indiana, que emigrou em busca de melhores oportunidades de vida, se estabelecendo na cidade de Ipoh, Malásia. Se por um lado, a família foi bem sucedida no aspecto econômico e financeiro, o mesmo não se poderia dizer do aspecto psicológico e emocional dos seus integrantes.

                    A história se inicia na verdade pelo fim, com o desfecho de uma série de acontecimentos que vêm devastando a já desestruturada família, constituída da matriarca(Paati), filho(Raju), nora(Vasanthi) e três filhos(Uma, Suresh e Aasha) que vivem juntos na mesma casa. A trama envolve ainda a participação do segundo filho da matriarca(Balu), que os visitam de tempos em tempos, e da “empregada Chellan”, contratada para cuidar de Paati.   A autora conduz a trama de forma genial, traçando um detalhado perfil de cada um, seus sonhos, dores e frustrações, bem como o estranho relacionamento familiar. Com a chegada de Chellan, que mesmo sendo estranha a família, tem perfil psicológico semelhante, em alguns aspectos, aos seus integrantes, os acontecimentos se precipitaram para o final relatado no início do livro.

                        Embora soubesse que se tratava de uma história triste, como sugere o título do livro, não imaginava a força da narrativa da autora, que nos prende do início ao fim. E embora já iniciemos o livro sabendo do final, a busca para desvendar os motivos por trás dos estranhos comportamentos dos personagens, nos é conduzido pela autora com extrema habilidade. Uma maravilhosa viagem a Malásia, seus costumes, sua história, e de quebra um excelente romance para nos fazer pensar.

Gana

                          journeyGana situa-se no golfo da Guiné, na África Ocidental, limitado a norte pelo Burkina Faso, a leste pelo Togo, a sul pelo Golfo da Guiné e a oeste pela costa do Marfim, sendo a cidade de Acra, sua capital. Era colônia britânica até 1957, quando conquistou sua independência. A história de Gana, anteriormente a chegada dos europeus, tem suas origens, assim como Mali, na tradição oral herdada dos antigos reinos do Sahel(hoje Mauritânia) e Mali, por meio das migrações.  Os portugueses foram os primeiros europeus a chegarem a Gana, no ano de 1470. Depois vieram os ingleses, suecos, dinamarqueses, alemães e holandeses. Até que no início do século XIX, os ingleses conseguiram dominar todo o território, afastando todos os concorrentes europeus e derrotando os reinos nativos, tornando-o uma colônia.

                              A história do autor Gheysika Adombire Agambila, narrada no livro “Journey” é ambientada em Gana pós-independência. E descreve as incertezas do adolescente Amoah, com o futuro, após o término de uma etapa dos estudos na cidade, para onde foi incentivado pelo avô. Por meio dos questionamentos de Amoah, que parece viver uma crise existencial, sobre a vida, o seu país, a família e os amigos, o autor traça um retrato de Gana em seu momento atual. Podemos ver que apesar da grande influência que os ingleses exerceram no país, as tradições culturais e as crenças religiosas se mantêm fortes. Principalmente nos pequenos vilarejos, como Tinga, a cidade natal do personagem, para onde ele sempre retorna para visitar o avô. Forte também é o sentimento nacionalista de Amoah, ao defender a idéia de que o país deve se desvencilhar da influência externa.  Apesar de o inglês ser a língua oficial, eles possuem quatro dialetos próprios, ou línguas regionais, que o autor pretende explorar no livro, mas que o recurso por ele utilizado deixou o texto confuso, difícil de entender. A forma de narrar os diálogos também ficou confusa, sendo necessário retornar algumas vezes, para identificar os interlocutores, principalmente quando os diálogos eram grandes e com mais de dois participantes.

                           Apesar de não ter sido uma leitura empolgante, não fugiu ao tema do projeto.